Kantar, Regev e Goldwasser: Uma grande derrota para Israel

Em 2006, uma incursão do grupo guerrilheiro libanês Hezbollah pela fronteira sul do Líbano e norte de Israel deixou alguns militares israelenses mortos e dois seqüestrados: Regev e Goldwasser. Israel armou uma série de ataques massivos contra o Líbano, que supostamente visavam a uma retaliação contra o Hezbollah. Quem sofreu na verdade, porém, foi a população civil libanesa: mais de mil civis mortos, inclusive sete brasileiros em visita a parentes no Líbano. O Hezbollah ficou praticamente intacto e retaliou pesado contra Israel, atacando o norte israelense com mísseis e matando cerca de cento e cinqüenta israelitas, entre civis e militares, muitos em território de Israel.

Foi a primeira guerra no Oriente Médio que Israel não ganhou, mesmo tendo enfrentado apenas um grupo guerrilheiro, e não um Estado-Nação. O mundo ficou indignado com a carnificina no Líbano, o que obrigou Israel a interromper seus ataques contra a população civil e a retirar suas tropas do sul do Líbano, sem ter atingido o propalado objetivo de resgatar Regev e Goldwasser.

Agora, por motivos religiosos, Israel aceitou trocar cinco prisioneiros vivos e 199 cadáveres pelos corpos sem vida de Regev e Goldwasser, deixando para trás o piloto Arad, capturado pelos libaneses em 1986, quando seu avião foi abatido sobre território libanês, e o soldado Shalit, capturado pelo grupo guerrilheiro palestino Hamas, numa das incursões israelenses contra a Faixa de Gaza, território palestino na fronteira sul de Israel com o Egito. Entre os cinco libaneses libertados por Israel em troca dos cadáveres de Regev e Goldwasser, está Samir Kantar, que em 1979, aos 16 anos, matou um policial e uma família de quatro israelitas, tendo sido condenado a várias prisões perpétuas. Kantar era considerado o principal prisioneiro libanês de Israel. Aos 45 anos, ganha a liberdade e é recebido com grande festa no Líbano, juntamente com seus quatro companheiros de soltura. Uma grande vitória para o Hezbollah e para o Líbano. Uma grave derrota para Israel. Finalmente a guerra de 2006 acabou e finalmente Israel perdeu sua invencibilidade. O Oriente Médio não será o mesmo depois disso.

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Cada vez mais fortalecido no Oriente Médio está o Irã, grande aliado do Hezbollah. Livre da ameaça de seu arquiinimigo Saddam Hussein, graças a Bush e companhia, o Irã passou a ter grande influência no Iraque, por meio da maioria xiita daquele país. E pode se concentrar agora no Grande Satã Israel. Este ameaça atacar os iranianos, para impedir a produção de bombas atômicas por Teerã. O Irã, entretanto, está muito fortalecido militarmente e pode retaliar pesado contra Israel, contra bases americanas na região, contra navios militares americanos e contra o transporte de grande parte do petróleo do mundo, que passa pelo Estreito de Hormuz, no Golfo Pérsico. O Irã deixou de ser um alvo fácil. E a cada dia que passa chega mais perto de sua bomba nuclear. Israel não terá dias fáceis no futuro.

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Israel não merece mesmo ter dias fáceis. Criado sobre terras roubadas dos palestinos na década de 40, passou a oprimir o restante da população palestina após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando conquistou os territórios palestinos de Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Gaza. Está tomando aos poucos esses territórios, por meio da construção de colônias judaicas em meio aos palestinos. Tais colônias têm acesso privilegiado a recursos como água e eletricidade e são mantidas num regime de apartheid que não deve nada àquele que imperou por décadas na África do Sul. Israel merece um Irã nuclear.