A matemática das vitórias de Serra e Maranhão

Primeiro Serra. Imaginemos um segundo turno entre Serra e Dilma Rousseff. Dividamos o país em seis regiões eleitorais: Região Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Nordeste e Norte/Centro.

Comecemos pelo Nordeste. Cerca de 29% do eleitorado brasileiro. Acaba tendo menos peso, porque a abstenção é mais alta por aqui. Mas vamos considerar 29%, o que beneficia Dilma. No momento, pelo Datafolha, a vantagem dela em nossa região é de apenas quatro pontos percentuais. Neste quadro, o Nordeste não teria peso nenhum na eleição. Mas suponhamos que Dilma consiga aumentar sua vantagem nordestina para 15 pontos percentuais. Isso lhe daria, arredondando um pouco para cima, uma vantagem de 4,5 pontos percentuais no eleitorado nacional.

Agora vamos para São Paulo. Em torno de 23% do eleitorado nacional. Serra não ganhará em São Paulo, no 2º turno (se houver), por menos de trinta pontos (65 a 35). Isso lhe dá uma vantagem de 6,9% em termos de eleitorado nacional. 6,9 – 4,5 = 2,4. Ou seja, a esta altura Serra está 2,4 pontos à frente.

Vamos agora ao Rio de Janeiro (9% do eleitorado brasileiro, aproximadamente). As pesquisas (ou “pesquisas”) mais favoráveis a Dilma dão empate entre ela e Serra no Rio. Mas digamos que ela vença lá por dez pontos percentuais. Isto representa 0,9 sobre o eleitorado nacional. A maioria de Serra cai para 1,5.

Chegamos a Minas (10% do conjunto). Serra está vencendo lá por 16 pontos percentuais. Suponhamos que tal diferença caia para 10 pontos. A supremacia nacional de Serra sobe para 2,5.

Norte/Centro (em torno de 15% do eleitorado do país). Segundo o Datafolha, Serra vence lá por 11 pontos. Digamos que haja um empate. A diferença permanece em 2,5.

Finalmente, nosso avião pousa na Região Sul (14%). Serra ganha lá hoje por 22 pontos, conforme o Datafolha. Imaginemos que Dilma consiga reduzir essa diferença para 15 pontos, o que representará 2,1 pontos no conjunto.

Mesmo com todas as suposições favoráveis a Dilma que fizemos (grande ampliação da vantagem no Nordeste, significativa redução da desvantagem no Sul, vitória por dez pontos no Rio de Janeiro, empate no Norte/Centro, redução da desvantagem em Minas), ela perde o segundo turno por 4,6 pontos percentuais, isto é, 52,3 a 47,7% dos votos válidos. Estimo que, na pior das hipóteses para Serra, ele será eleito no segundo turno (se houver) com algo em torno de cinco pontos percentuais de maioria.

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Agora vamos ao caso da eleição paraibana, disputada entre o atual governador José Maranhão (PMDB) e o ex-prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho (PSB).

Digamos que Coutinho vença por trinta pontos percentuais (65 a 35) em cada uma das duas maiores cidades do Estado (João Pessoa e Campina Grande). João Pessoa tem cerca de 17% do eleitorado paraibano. Campina tem em torno de 10%. As duas juntas somam, portanto, 27% do eleitorado da Paraíba, o que daria a Ricardo Coutinho 8,1 pontos percentuais de vantagem sobre Maranhão no conjunto do eleitorado paraibano.

Caberia a Maranhão tirar essa vantagem nos 73% restantes do eleitorado. Que patamar de maioria no interior lhe seria necessário para conseguir isto? 11,5 pontos. Ora, sabe-se que a maioria maranhista no interior é muito maior do que 11,5%. Ele tem a máquina do Estado, a máquina do governo federal (já que o pessoal de Serra está com Ricardo Coutinho) e as máquinas da imensa maioria das prefeituras, inclusive nos municípios mais populosos. No interior (excluindo Campina Grande), Maranhão não terá menos de vinte pontos percentuais de vantagem sobre Coutinho. Isto significa que Maranhão deverá vencer a eleição por não menos que 6,5 pontos percentuais (sempre considerando os votos válidos).

Sendo assim, podemos considerar decididas ambas as eleições: Serra será o presidente da República e Maranhão continuará chefiando o governo da Paraíba. Quem viver verá. Aceito apostas. Meu e-mail é gmg.sacocheio@gmail.com