A pergunta que não quer calar: se eleita, Dilma trairá Lula?

A grande imprensa está dando Dilma Rousseff como eleita. Os blogs serristas, porém, se recusam a entregar os pontos. Apontam, por exemplo, distorções nas amostras de todos os institutos de pesquisa eleitoral (no Datafolha, dos 370 municípios pesquisados, 278 são governados pelo PT ou partidos coligados e somente 92 são governados pelo PSDB ou partidos coligados). Mostram que nesta mesma época em 2006 Lula aparecia com 47% no Datafolha, tendo subido três pontos, e Alckmin aparecia com 24%, tendo caído quatro pontos. O resultado do primeiro turno, como sabemos, foi bem diferente disso: Lula 48,64, Alckmin 41,61. A diferença, que era de 23 pontos, caiu para apenas sete.

Imaginemos, contudo, para efeito de argumentação, que Dilma realmente venha a ser eleita, como parece provável hoje. Verificar-se-á uma de três hipóteses:

  1. Lula terá a grandeza de Nelson Mandela e se aposentará, saindo de cena.
  2. Lula se comportará como o presidente de fato, tutelando Dilma, e esta aceitará passivamente.
  3. Lula tentará tutelar Dilma e ela não aceitará, ocorrendo um rompimento.

Eu descarto o primeiro cenário: ele simplesmente não combina com o personagem e com os sinais que ele vem dando. Na hipótese de configurar-se o segundo cenário, teremos uma situação péssima para a democracia e para a administração pública: uma presidente fantoche, teleguiada. O terceiro cenário, no entanto, um pesadelo para Lula, é o mais verossímil, considerando-se a história política do Brasil. A criatura voltar-se contra o criador tem sido a norma. Foi assim, no governo do Estado de São Paulo, com Fleury, alçado dos 3% para a vitória por Orestes Quércia, seu antecessor. Fleury não aceitou a tutela de Quércia e rompeu com ele. Foi assim com Celso Pitta, alçado dos 3% para a vitória por Paulo Maluf, seu antecessor na prefeitura de São Paulo. Pitta não aceitou a tutela de Maluf e rompeu com ele. O mesmo aconteceu entre César Maia e Luiz Paulo Conde, na prefeitura do Rio de Janeiro. Por que não aconteceria entre Lula e Dilma?

Aliás, penso que a propaganda de Serra deveria alertar o eleitorado para essa possibilidade. Deveria fazer um programa inteiro, com repetições, sobre os casos precedentes, pondo a pulga atrás da orelha dos eleitores lulistas. Repetir ou insinuar que Dilma será um fantoche será provavelmente uma ajuda para ela: parece que os eleitores lulistas querem mesmo uma marionete, por mais prejudicial que isto possa vir a ser para o nosso sistema político e para o serviço público. Fica a sugestão.