Ainda pode haver 2º turno para presidente?

A resposta é sim, ainda pode haver. Em primeiro lugar, o Ibope e o Datafolha mostraram que Dilma parou de subir e Serra parou de cair. Em segundo lugar, as pesquisas que mostraram isso ainda não captaram os possíveis efeitos do escândalo da quebra do sigilo fiscal da filha de Serra, Verônica Allende Serra.
Terceiro, no Datafolha a vantagem de Dilma sobre a soma de Serra e Marina é de 12 pontos. Se considerarmos que os vários nanicos somarão no mínimo 3%, teremos uma diferença de nove pontos percentuais a favor da resolução em primeiro turno. Uma vantagem de nove pontos é algo que pode sumir em poucos dias, e ainda faltam quatro semanas para a eleição. Quarto, há um fato novo em marcha (o escândalo da quebra do sigilo). Quinto, a campanha de Serra mudou de estilo, tornando-se mais agressiva, enfatizando muito, por exemplo, o que Collor fez com Lula em 1989 e o apoio que ele está dando hoje a Dilma. Enfim, há uma série de variáveis que devem ser consideradas e que apontam para um possível segundo turno.

Entretanto, para que este cenário venha a se concretizar, é preciso que na próxima pesquisa Datafolha, a ser divulgada no sábado 11 de setembro, a vantagem de Dilma sobre o conjunto dos adversários diminua pelo menos três pontos. Aí estaríamos a apenas seis pontos do segundo turno.

Já na Paraíba o quadro é totalmente irreversível, devido à inexistência de um terceiro nome com votação expressiva. Somente numa eleição muito apertada, o que não é o caso, a soma dos nanicos poderia forçar um segundo turno na Paraíba. Falta-nos uma Marina Silva, com seu patamar de 10%. Voltando à eleição presidencial, no próximo fim de semana teremos uma idéia do que nos aguarda.

Pós-Escrito: O debate na Globo, a três dias da eleição, poderá ser decisivo na tentativa de Serra de levar a disputa ao segundo turno.