As eleições americanas

Ontem houve eleições nos Estados Unidos. Escrevo na tarde de terça-feira, antes do fim da votação e do início da apuração. Talvez você já saiba os resultados; eu ainda não sei. O que eu sei é que os democratas esperavam retomar o controle da Câmara dos Deputados, perdido em 1994, e os republicanos esperavam manter o controle do Senado, devido ao fato de que apenas um terço das cadeiras senatoriais estavam em jogo nesta eleição. Não ganhar a maioria da Câmara seria um desastre para os democratas; perder a maioria também no Senado seria um desastre para os republicanos. Ganhar as duas Casas do Congresso seria o paraíso para qualquer um dos dois partidos. O objetivo dos democratas era transformar Bush no que os americanos chamam de “lame duck”, ou seja, pato manco, como os republicanos conseguiram fazer com Clinton logo na metade de seu primeiro mandato. O Iraque e os escândalos sexuais nas fileiras conservadoras, inclusive na cúpula das igrejas evangélicas fundamentalistas, eram o grande trunfo dos democratas. Derrotado no Iraque, o neoconservadorismo corria ontem o risco de ser derrotado também em casa. Escrevo com uma grande curiosidade, preparado para uma longa noite diante dos canais de notícias de língua inglesa. Mas você já deve conhecer os resultados.

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Como eu disse na semana passada, Maranhão deixou de retornar ao governo da Paraíba porque não sabe fazer política. Conheço o maranhismo por dentro, pois fui vice-presidente da Fundação Espaço Cultural da Paraíba – Funesc durante quase oito anos, sob Mariz, Maranhão e Roberto Paulino. Posso dar o meu testemunho de que Maranhão nunca tentou construir um grupo político amplo, cujos membros, numerosos, se sentissem prestigiados por ele, se sentissem acolhidos por um líder de verdade. Em vez disso, Maranhão preferiu construir uma corriola de uma meia dúzia de sete ou oito puxa-sacos. Existe o grupo Cunha Lima, mas não existe o grupo Maranhão, em cujo governo quem não era da patota vivia em regime de permanente terror, podendo ser vítima de uma injustiça a qualquer momento.

Maranhão colheu os frutos das árvores que plantou. Ou, para ser mais preciso, não colheu os frutos das árvores que não plantou.