Cálculos eleitorais

Perda de votos. Esta pode ser a expressão-chave para saber se vai ou não haver segundo turno na eleição presidencial. O segredo são os índices diferenciados de abstenção e de votos nulos involuntários.

No Nordeste a abstenção é muito mais alta do que no Sul-Sudeste. Nas cidades pequenas a perda de votos é muito maior do que nas cidades grandes. Nas periferias é maior que nas zonas centrais. Entre os pobres é maior que entre os ricos e a classe média. Entre os mais ignorantes perdem-se muito mais votos do que entre os mais instruídos.

Ou seja, Lula perderá muito mais votos do que a soma de seus adversários. Por isso, uma vantagem de 10 pontos nas pesquisas significa, na prática, apenas quatro pontos no caso de Lula. Quatro pontos configuram empate técnico. Isto é, na pesquisa do Ibope divulgada na última sexta-feira, Lula estava em empate técnico com a soma dos adversários. Isto quer dizer que, conforme o Ibope, a eleição presidencial ainda não está decidida.

A realização do segundo turno será decidida pela distribuição dos indecisos e pela perda de votos. Lula precisa de uma vantagem bem folgada, por volta de treze pontos a uma semana da eleição, para ficar em segurança. A esta altura do jogo, a simples existência do segundo turno será uma derrota política grave para o atual favorito, que pode estar cantando vitória muito cedo. Veremos.

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Ricardo Coutinho está se pelando de medo de que Cícero Lucena seja eleito senador, como tudo indica que vai acontecer.

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Ney Suassuna nunca teve luz própria. Em 82, apresentava-se como o senador de Mariz em quase todo o Estado. Em Campina Grande, era o “senador de Ronaldo”. Ficou longe de se eleger. Em 98, aproveitando-se do enfarte de Burity, elegeu-se como o senador do Zé. Agora, como o Zé não quer conversa com ele, Ney se apresenta como o senador de Lula, de Veneziano e de Ricardo Coutinho.

Parece que não está funcionando.