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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; Contradições da bíblia</title>
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	<description>O Múltiplos Universos é o site do Gilson Gondim, que escreve sobre diversos assuntos polêmicos relacionados à Bíblia, contradições da Bíblia, Israel, política, eleições americanas, judeus, sionismo e assuntos diversos.</description>
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		<title>Por que a narrativa sobre Adão e Eva não pode ser uma alegoria</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 10:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Este artigo trata da centralidade da história de Adão e Eva, tomada literalmente, para o cristianismo em todas as suas formas e variações. A ligação direta da figura supostamente redentora de Jesus Cristo com os fundadores da “humanidade decaída”, Eva&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo trata da centralidade da história de Adão e Eva, tomada literalmente, para o cristianismo em todas as suas formas e variações. A ligação direta da figura supostamente redentora de Jesus Cristo com os fundadores da “humanidade decaída”, Eva e Adão, faz com que estes não possam ser dispensados nem alegorizados, transformados em meros símbolos da criação da humanidade por Deus. O artigo trata também dos problemas acarretados para o cristianismo por sua dependência conceitual e estrutural dos personagens de Adão e Eva e de sua história.     </p>
<p>	A primeira das várias contradições da Bíblia vem logo no início, no Gênesis. Há dois relatos da criação, o primeiro em Gn 1 e Gn 2: 1 a 3, e o segundo em Gn 2: 4 a 24. No primeiro relato, Deus – chamado de Elohim – cria todos os animais, inclusive os domésticos, e depois – como ponto culminante da criação – cria ao mesmo tempo o homem e a mulher. No segundo relato, Deus – chamado de Javé – cria Adão, depois cria os animais, um a um, trazendo-lhes a Adão para que ele lhes dê seus respectivos nomes. (Será que Adão, o primeiro zoólogo, deu nome a cada uma das centenas de milhares de espécies de besouros?). Finalmente, para fazer companhia a Adão, Javé cria Eva a partir de uma costela de Adão. No livro <em>Pilares do Tempo</em>, que trata das relações entre ciência e religião, o paleontólogo americano Stephen Jay Gould fala da perplexidade e da incredulidade de muitos cristãos quando ele lhes diz que há dois relatos bem diferentes da Criação no início do Gênesis.  A recomendação de Gould é simples: leiam o Gênesis; leiam e confiram.</p>
<p>	O objetivo deste artigo, entretanto, não é expor contradições da Bíblia nem tratar das quatro fontes do Pentateuco identificadas pelo estudioso alemão Julius Wellhausen no século XIX. O que nos interessa é que após a divergência inicial a história continua. Adão e Eva vivem num jardim paradisíaco, em que nenhuma criatura sofre e nenhuma criatura causa sofrimento a outra. Bem diferente dos jardins atuais, cuja beleza e aparente calma ocultam uma feroz luta pela vida entre insetos e entre insetos e pássaros, entre outros animais. Adão e Eva são advertidos por Deus de que não podem comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A desobediência de ambos (primeiro dela, depois dele) constitui o episódio crucial conhecido no cristianismo como A Queda. A Queda é o primeiro dos três grandes eventos do cristianismo, sendo o segundo a vinda de Jesus Cristo, sua morte e ressurreição, e o terceiro o esperado retorno de Jesus. Para que veio Jesus? Veio para redimir a humanidade. Para redimir a humanidade de quê? Ora, para redimir a humanidade dos efeitos perniciosos justamente d’A Queda. Como se vê, Adão e Eva não podem ser uma mera alegoria que expresse a criação do ser humano por Deus. Ainda se poderia argumentar que eles são uma alegoria da desobediência da humanidade inteira, centenas de milhares de pessoas em tempos primitivos, ao Criador. Se, no entanto, a desobediência tivesse sido cometida por centenas de milhares de pessoas, isto significaria que a humanidade foi criada por Deus como uma máquina de desobedecer e pecar, programada para desobedecer e pecar, sem nenhuma possibilidade de conceber-se algo semelhante ao livre arbítrio. Para que tenha algum sentido como expressão da ruptura do ser humano com Deus, é preciso que A Queda tenha sido um episódio privado, particular, ocorrido na intimidade de um indivíduo ou de um casal. </p>
<p>	Até o século XIX, não se tentava alegorizar o episódio da Queda. Aliás, não se tentava alegorizar parte nenhuma da Bíblia. Desde os seu primórdios até o século XIX, a Bíblia sempre foi vista pelos fiéis como a verdade literal, a palavra literal de Deus. As tentativas de alegorização têm sido uma tentativa de salvar a Bíblia dos avanços irresistíveis da crítica bíblica e do conhecimento cientifico. Se levarmos a sério a história de Adão e Eva, teremos uma humanidade de pouco mais de seis mil anos, tempo estabelecido pelas genealogias do Velho Testamento. Teremos também um mundo em que a ferocidade da luta pela sobrevivência é conseqüência não do processo de evolução pela seleção natural, mas de um ato de dois seres humanos. Sim, pois a acreditar-se na história de Adão e Eva os jardins só se tornaram campos de batalha depois da Queda. É como se vivêssemos num mundo criado pelo homem, e não por Deus. Ou como se Deus tivesse realizado uma segunda criação, esta maligna, por causa da Queda. Para o cristianismo, os animais não-humanos sofrem e fazem sofrer por causa do homem. E tudo isso só será superado com o retorno de Cristo, quando o leão supostamente pastará em mansidão ao lado da ovelha.</p>
<p>	Totalmente incompatível com a ciência moderna, o relato de Adão e Eva e da Queda só pode ser uma alegoria, pensam os cristãos mais esclarecidos. Contudo, como vimos, a alegorização da Queda torna sem sentido o conceito de pecado original e a idéia de redenção por meio de Jesus Cristo. Torna sem sentido a própria figura de Cristo, o que faz desabar, em espetacular implosão, todo o edifício do cristianismo.</p>
<p>	Se depende de uma alegorização insustentável, se depende de uma narrativa frontalmente contrária a tudo aquilo que nos diz a ciência moderna, o cristianismo está filosófica e cientificamente refutado.</p>
<p>* * *</p>
<p>Pós-Escrito: Após o Debate</p>
<p>	Este capítulo da dissertação foi apresentado como artigo no Grupo de Trabalho 3 do I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, realizado na Universidade Federal da Paraíba entre 16 e 18 de julho de 2007. O debate foi breve, devido às limitações de tempo. Mas levantou alguns pontos que requerem esclarecimentos adicionais. Optei por escrever este Pós-Escrito, ao invés de mudar o texto original. Parece-me ser este o caminho mais interessante e informativo para os leitores da dissertação ou do artigo, que têm acesso a toda a gênese dos acréscimos decorrentes do debate. Vejamos alguns pontos levantados, respondidos e aqui desenvolvidos.</p>
<p>1.	Na apresentação oral, eu mesmo tomei a iniciativa de mencionar o Renascimento e o Iluminismo como preliminares aos grandes avanços antibíblicos do século XIX, que forçaram os adeptos da Bíblia a uma série de alegorizações reativas que atravessaram também o século XX. </p>
<p>2.	A mais famosa tentativa de alegorização do Renascimento foi aquela feita por Galileu Galilei, não com o objetivo de salvar a Bíblia, mas com a intenção de salvar literalmente a própria pele, do fogo da Igreja Romana. No geral, o Renascimento, mesmo tirando a habitação do homem do centro do universo e diminuindo o lugar de Deus nas preocupações intelectuais do homem europeu, não bateu de frente com as instituições religiosas, realizando grande parte de seus feitos artísticos em parceria com a Igreja de Roma.</p>
<p>3.	O Iluminismo, mais anticlerical do que antibíblico, representou um forte desafio às instituições eclesiais nos estertores do século XVIII, aquele que terminou, segundo o historiador anglo-austríaco Eric Hobsbawm, em 1789, com a Revolução Francesa. O primeiro livro aberta e sistematicamente ateu, segundo Julian Baggini (p. 78), foi <em>O Sistema da Natureza</em>, do francês Barão d’Holbach, publicado em 1770, apenas dezenove anos antes da Revolução e do início, segundo Hobsbawm, do século XIX, que terminaria em 1914 com a deflagração da I Guerra Mundial (o século XX, por sua vez, iniciado em 1914, teria terminado em 1991, com a queda da União Soviética). Somente no século XIX, as forças religiosas conseguiram articular reações consistentes ao desafio iluminista.</p>
<p>4.	Os desafios a partir do século XIX, de qualquer modo, foram muito mais poderosos. A teoria da evolução pela seleção natural e a descoberta da idade da Terra, particularmente, abalaram as estruturas bíblicas de uma forma que teria sido totalmente impossível para renascentistas e iluministas, pela própria falta de conhecimento. Por isso, além das razões mais acima, privilegiei o século XIX no trabalho apresentado no Simpósio.</p>
<p>5.	Objetou-se que leituras alegorizantes da Bíblia ocorriam na Antiguidade e na Idade Média. Sim. No entanto, tratava-se de outro tipo de alegorização, não aquele a que me refiro, ou seja, as tentativas de manter a validade da Bíblia mesmo diante de sua reconhecida falta de veracidade. A alegorização antiga e medieval foi muito bem definida pelo <em>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</em>, na página 146 de sua primeira edição. <em>Alegoria no sentido teológico</em>: “Método de interpretação das sagradas escrituras usado por teólogos cristãos antigos e medievais, em que se almejava a descoberta de significações morais, doutrinárias, normativas etc., ocultas sob o texto literal”. Isto é, a alegorização antiga e medieval, diferentemente da alegorização moderna e contemporânea, não buscava <em>substituir</em> a leitura literal por uma leitura figurada, mas tão-somente <em>complementar</em> a leitura literal, extraindo dela suas implicações morais, doutrinárias e normativas. De fato, até o século XIX praticamente nenhum intérprete cristão – romano, ortodoxo ou protestante – duvidava da veracidade do relato da Queda. O que eles faziam era <em>extrair</em> do episódio da Queda uma série de normas, doutrinas e ensinamentos morais. Bem diferente, repito, do que se faz hoje em dia. Nesta dissertação, eu me refiro a <em>alegorização da Bíblia</em> no sentido moderno e contemporâneo.</p>
<p>6.	Objetou-se, ainda, que a ciência não pode julgar a religião, por serem modos diferentes e complementares de conhecimento humano. Na verdade, como demonstro em outras passagens desta dissertação, tanto a ciência quanto a religião fazem afirmações sobre a realidade. E fazem afirmações que não se conciliam. Por isso, são magistérios rivais, e não complementares. E a ciência é superior, por basear-se em evidências, não em dogmas, e por fundamentar-se no pensamento racional – argumentativo e demonstrativo, sujeito a contestações e revisões –, não na fé inquestionável.</p>
<p>7.	No final do debate, afirmou-se que a teoria da evolução pela seleção natural não está provada, o que já demonstramos não ser verdade. Não apenas a teoria da evolução está provada, como é incompatível com qualquer forma de teísmo, conforme argumentamos no Capítulo 2 desta dissertação.</p>
<p>8.	Não houve, antes do século XIX, nenhum crítico bíblico do porte de Julius Wellhausen, o alemão que descobriu as quatro fontes do Pentateuco, demonstrando que os cinco primeiros livros do Velho Testamento não foram escritos por Moisés, como se pensava até então e como a grande maioria dos cristãos e judeus pensa ainda hoje. Ressalte-se que no Novo Testamento Jesus presume que o Pentateuco foi escrito por Moisés, como em Marcos 7:10.</p>
<p>9.	No livro <em>Pelos Caminhos da Bíblia – Uma Viagem através do Antigo Testamento</em>, o jornalista americano (judeu) Bruce Feiler (pp. 118-9) afirma: “Em 1800, a Bíblia era vista em quase todo o mundo como a verdadeira e indiscutível palavra de Deus. O Pentateuco, em especial, teria sido escrito por Moisés; os episódios, historicamente exatos; seu teor, divino. No decorrer do século 19, essa perspectiva passou por uma análise incessante e minuciosa”. Feiler arremata que vários estudiosos europeus e americanos fizeram a Bíblia descer das alturas intocáveis em que se encontrava e inseriram-na com firmeza na História. Tudo isto ocorreu, ressalte-se, a partir do século XIX.</p>
<p>10.	 No livro The <em>Twilight of Atheism – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World</em>, Alister McGrath, professor de teologia histórica na Universidade de Oxford, afirma na p. 15: “Embora o período tenha testemunhado algumas críticas significativas às idéias fundamentais do cristianismo, o século 18 não viu uma grande erosão da fé”. Na p. 98, McGrath põe o dedo na ferida: “Não há dúvida de que a teoria da evolução de Charles Darwin levou a morna crise da fé na Inglaterra vitoriana a explodir em chamas”.</p>
<p>11.	Autor de <em>Natural Theology</em> (1802), o reverendo William Paley mostrou como os mecanismos da natureza são complexos e como era necessário que Deus os tivesse projetado tais como são. Paley comparou órgãos como o olho humano a um relógio: assim como um relógio pressupõe um relojoeiro, um olho pressupõe Deus. Ou seja, as espécies teriam sido criadas prontas, teriam sido criadas tais como são, exatamente como afirma o Gênesis. McGrath demonstra (p. 100) que na primeira metade do século XIX Paley era leitura obrigatória para os alunos de graduação da Universidade de Cambridge, inclusive os de biologia.</p>
<p>12.	Ressalte-se: o Gênesis não diz simplesmente que Deus criou a vida, mas que ele criou as espécies tais como elas são. Somente com a publicação de <em>A Origem das Espécies</em>, em 1859, alguns religiosos passaram a enxergar a necessidade de transformar o Livro do Gênesis numa alegoria da criação da vida (e não mais das espécies) por Deus. A alegorização do Gênesis é pois, como deixei claro, uma reação desesperada e tardia.</p>
<p>13.	Objetou-se, por fim, que o conceito de livre arbítrio, por mim mencionado, é problemático. Claro que é. Mas a punição de Adão e Eva por Deus, punição extensiva a toda a Criação, pressupõe que eles tiveram liberdade de escolha. Caso contrário, teriam sido criados por Deus como máquinas de desobedecer e pecar, teriam feito o que foram programados para fazer, e sua punição não teria nenhum sentido, literal ou alegórico.    </p>
<p>14.	As teses centrais do capítulo ou artigo, a de que a narrativa da Queda não pode ser uma alegoria e a de que sua necessária literalidade derruba intelectualmente o cristianismo, passaram pelo debate sem arranhões. Mesmo assim, estes pontos adicionais deixam evidente a importante contribuição do Simpósio para este texto, que está hoje muito mais rico do que se não tivesse sido apresentado e debatido no I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, promovido pelo PPGCR da UFPB.</p>
<p>Referências</p>
<p>BAGGINI, Julian. <strong>Atheism</strong> – A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2003, 116 páginas.</p>
<p><strong>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</strong>.  Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001,  2.922 páginas.</p>
<p>FEILER, Bruce. <strong>Pelos caminhos da Bíblia </strong>– Uma viagem através do Antigo Testamento. Tradução de Maria Luiza Newlands Silveira e Fernanda Rangel de Paiva Abreu. Rio de Janeiro: Sextante, 2002, 499 páginas.</p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong> – Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 páginas.</p>
<p>GOULD, Stephen Jay. <strong>Pilares do tempo</strong> – Ciência e religião na plenitude da vida. Tradução de F. Rangel. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, 185 páginas.</p>
<p>HOBSBAWM, Eric. <strong>Era dos extremos</strong> – O breve século XX (1914-1991). Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, 598 páginas.</p>
<p>McGRATH, Alister. <strong>The Twilight of Atheism</strong> – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World. Londres: Rider, 2004, 306 páginas.</p>
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		<title>O Fracasso do Jesus Profeta</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 00:22:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>É amplamente sabido que os primeiros cristãos, os cristãos do século I, esperavam para muito breve, para seu próprio tempo de vida, a volta, o retorno de Jesus Cristo, a Segunda Vinda, a chamada <em>parousia</em>, palavra grega que significa “presença”. Selecionei três trechos de três obras diferentes que dão testemunho de tal expectativa. O primeiro livro é <em>God is not Great </em>(Deus não é grande) do jornalista inglês Christopher Hitchens. Ele diz na p. 56 de sua edição americana em brochura: “Paulo claramente pensava e esperava que o tempo estava acabando para a humanidade”. Hitchens é confirmado por Richard Tarnas, filósofo americano, em <em>A epopéia do pensamento ocidental</em>, cuja p. 151 afirma: “Como a Segunda Vinda não ocorreu conforme a primeira geração de cristãos havia esperado, o dualismo que tinha uma forma nos Sinópticos assumiu uma dimensão mais mística e ontológica sob a influência do Evangelho de João”.</p>
<p>      Em <em>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</em>, o historiador canadense David A. Wilson trata do assunto de forma mais detalhada (pp. 41-42): </p>
<p>  <em>O cristianismo, em seus primórdios, era permeado de expectativas do milênio, intensificadas pelas próprias palavras de Cristo, como relatado nos evangelhos de Marcos e Mateus: “Em verdade vos digo que entre aqueles que estão aqui presentes”, disse Mateus a seus discípulos, “há alguns que não morrerão antes que vejam o Filho do Homem vir ao seu reino”. Ao mesmo tempo, a noção dos mil anos de reinado de Cristo foi ampliada para incorporar não só os mártires revividos, como todos os fiéis seguidores de Cristo. O milênio, acreditava-se, aconteceria em breve e abrangeria toda a comunidade cristã. </em></p>
<p>      Prossegue Wilson: </p>
<p><em> O único problema é que a Segunda Vinda teimosamente se negava a se materializar. Algo estava claramente errado: crescia a lacuna entre as expectativas e a realidade e explicações faziam-se imperiosas. Na verdade, o cristianismo atravessava a mesma crise que cerca todos os movimentos cujas profecias não se concretizam. A solução, nesse caso, era sustentar que os textos apocalípticos deviam ser compreendidos em termos alegóricos, e não literais, e empurrar o milênio cada vez mais para o futuro. </em></p>
<p>      Ainda Wilson: </p>
<p>    <em>  A solução adequava-se bem ao caráter organizacional mutável do cristianismo. Ao final do século IV, com a conversão do Império Romano, o cristianismo evoluíra de uma seita perseguida para uma religião estabelecida. Sob essas circunstâncias, as tarefas práticas de assegurar uma estabilidade institucional a longo prazo tornaram-se mais importantes do que se preparar para o apocalipse – especialmente quando todas as previsões anteriores sobre a Segunda Vinda haviam provado ser falsas. </em></p>
<p>      Cabe perguntar se o capítulo 16 do Evangelho de Mateus é causa ou conseqüência da expectativa cristã primitiva de um iminente retorno de Jesus. Segundo o escritor espanhol Juan Arias, autor de <em>Jesus, esse grande desconhecido</em>, o Evangelho de Marcos foi escrito entre os anos 60 e 70, provavelmente no ano 64, pouco depois de Nero ter acusado os cristãos de incendiarem Roma e depois do martírio de Pedro e Paulo. Escreve Arias na p. 41: “Marcos escreve o evangelho com o propósito de preparar os cristãos perseguidos para a gloriosa segunda vinda do Messias. Essa missão condiciona muitos dos feitos e ditos de Jesus narrados em seu evangelho”. De fato, em seu capítulo 13, o Evangelho de Marcos descreve uma imensa tribulação e o retorno do “Filho do Homem”, dizendo no versículo 30: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça”, e aparentemente se desdizendo logo a seguir (versículo 32): “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai”.</p>
<p>      Os versículos 3 a 13 da segunda epístola de Pedro e os versículos 6 a 8 do primeiro capítulo de Atos dos Apóstolos vão na mesma linha de Marcos 13:32. O capítulo 16 de Mateus, no entanto, segue a linha de Marcos 13:30. Isto nos traz finalmente ao Evangelho de Mateus, que costuma ser o primeiro a aparecer no Novo Testamento. Calcula-se, diz Arias na p. 46, que o Evangelho de Mateus foi escrito por volta de 80 d. C., cerca de quinze anos após o Evangelho de Marcos. Não se tem certeza, acrescenta Arias, de que seu autor tenha sido o apóstolo Mateus, o coletor de impostos. Não há certeza também, sempre segundo Arias, de que este evangelho tenha sido escrito originalmente em grego: é possível que o Evangelho de Mateus tenha sido escrito primeiramente em aramaico. Segundo Arias, o autor do Evangelho de Mateus usou duas fontes para escrevê-lo: o Evangelho de Marcos e a chamada fonte Q, ou Evangelho Q, uma coleção de mais de duzentas frases atribuídas a Jesus. Esta coleção foi conhecida originalmente como <em>Quelle</em> (“fonte”, em alemão), nome dado por H. J. Holtzman em 1861 e que J. Weiss abreviaria definitivamente como Q, tal como é hoje conhecida, informa Arias na p. 45. Especula-se que a fonte Q começou a ser escrita em aramaico e terminou de ser escrita em grego, mas não se pode ter certeza, pois a Fonte Q não sobreviveu à escrita dos evangelhos de Mateus e Lucas. Arias acrescenta (p. 46) que o Evangelho de Mateus se dirigia a um público do âmbito judaico-cristão, “revelando preocupação pela redução do número de cristãos de origem judaica em relação aos de origem pagã, o que acabaria rompendo o equilíbrio existente até então”. Por exemplo: no Evangelho de Mateus, os apóstolos são apresentados com uma aura de grande dignidade, certamente para dar importância ao cristianismo mais primitivo, baseado nos apóstolos, que eram todos judeus (Arias, p. 46).</p>
<p>      Tendo delineado todo o contexto, podemos agora abordar o capítulo 16 do Evangelho de Mateus, especialmente no que ele tem de mais importante: seu aspecto profético e apocalíptico, explícito nos versículos 24 a 28.</p>
<p>      Antes dos versículos cruciais, porém, vamos dar uma olhada panorâmica no capítulo 16. Em sua primeira seção, versículos 1 a 4, Jesus pratica a ironia contra os fariseus e os saduceus, jogando-lhes na cara uma pergunta retórica: “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?”.</p>
<p>      Na seção seguinte (versículos 5 a 12), Jesus aconselha seus discípulos a acautelar-se contra o fermento dos fariseus e saduceus. Os discípulos não entendem a metáfora, levando Jesus a esclarecer sua mensagem (“Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães?”). Os discípulos então entendem que ele se referia à doutrina dos fariseus e saduceus.</p>
<p>      A terceira seção (versículos 13 a 20) traz o célebre versículo que tanta celeuma causa entre católicos e protestantes: “&#8230; Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Os protestantes argumentam que naquele momento histórico a palavra grega <em>eklesia</em> não significava ainda “igreja”, mas tão-somente “comunidade”. A interpretação da metáfora de Pedro como pedra se complica ainda mais quando nos damos conta de que a conversa, se um dia ocorreu, certamente aconteceu em aramaico, e não em grego. Que palavra terá sido usada em aramaico?</p>
<p>      Na quarta seção (versículos 21 a 23), Jesus prevê sua morte e ressurreição, o que leva Pedro a fazer um apelo para que ele não passe por tudo aquilo, apelo que provoca uma áspera e violenta reação de Jesus: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. Passamos da metáfora de Pedro como pedra fundamental da igreja ou comunidade para a metáfora de Pedro como pedra de tropeço.</p>
<p>      Alcançamos, enfim, a quinta e última seção do capítulo, os versículos 24 a 28. Vou lê-la na íntegra, mas vou me deter em apenas um de seus aspectos (haveria outros a explorar, mas o tempo não permite). Estamos aqui diante de uma forma de expressão bem específica: a profecia apocalíptica. Por volta do ano 80, o Evangelho de Mateus veio reforçar, sendo ao mesmo tempo conseqüência e causa, o sentimento amplamente dominante na época: a <em>parousia</em> estava muito próxima. </p>
<p>* * * </p>
<p>     <em> Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.</em></p>
<p> <em>Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa achá-la-á.</em></p>
<p><em>      Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?</em></p>
<p><strong><em>Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.</em></strong></p>
<p><strong><em>Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até  que vejam vir o Filho do Homem no seu reino [grifo meu].</em></strong></p>
<p>      Somente quando ficou claríssimo que já haviam morrido os últimos remanescentes daquela ocasião, os cristãos perceberam que o Filho do Homem talvez não viesse logo. Começaram a procurar outras interpretações para a profecia não cumprida. A Bíblia de Estudo Plenitude assegura: </p>
<p><em>      Jesus está salientando o encontro que <strong>alguns dos que aqui estão</strong> verão em sua transfiguração. </em></p>
<p>      A transfiguração é um breve episódio em que Jesus aparece resplandecente para alguns discípulos, enquanto se ouve uma voz, supostamente de Deus, apontá-lo como o Filho do Altíssimo.</p>
<p>      É óbvio que se trata de uma interpretação forçada, destinada a tapar um buraco, pois Mateus 16:27 deixa absolutamente claro que não se está falando da transfiguração, mas da segunda vinda de Cristo: </p>
<p><em>      Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu pai,<strong> com seus anjos</strong>, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras [grifo meu]. </em></p>
<p>      Os anjos não estavam presentes na transfiguração. Além disso, a frase “e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” não deixa margem para manobras: está se falando aqui do Juízo Final que deverá seguir a segunda vinda. A profecia falhou, não há como escapar a este fato. E quem estava profetizando não era qualquer um; era, segundo os cristãos majoritários, o próprio Deus encarnado.</p>
<p>      A última seção de Mateus 16 segue, em qualquer um dos três primeiros níveis de interpretação (literal, entrelinhas e moral), um gênero literário que pode ser definido como <em>profecia apocalíptica</em>. Daí porque a interpretação da Bíblia de Estudo Plenitude não tem como se sustentar, pois a transfiguração não é, de modo algum, um apocalipse.</p>
<p>      Quaisquer tentativas de interpretação da última seção de Mateus 16 devem levar em conta seu caráter de profecia apocalíptica. </p>
<p>Referências Bibliográficas </p>
<p>ARIAS, Juan. <strong>Jesus – Esse grande desconhecido</strong>. Tradução de Rubia Prates Goldoni. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, 231 p.  </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong>  – Velhas e novas visões da eternidade. João Pessoa: Idéia, 2005, 234 p. </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos </strong>– Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 p. </p>
<p>HITCHENS, Christopher. <strong>God Is Not Great </strong>– How Religion Poisons Everything. New York: Twelve, 2007, 307 p. </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia de Estudo Plenitude</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1995). </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia com Letra Gigante</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1996). </p>
<p>TARNAS, Richard. <strong>A epopéia do pensamento ocidental</strong>. Tradução de Beatriz Sidou. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001, 588 p. </p>
<p>WILSON, David A. <strong>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</strong>. Tradução de Geni Hirata. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002, 266 p. </p>
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		<title>Umas perguntinhas para você fazer a seu padre ou pastor</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 15:04:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>1. Por que Paulo (1 Coríntios 7:1) disse que seria melhor que o homem não tocasse em mulher? Por que Paulo proibiu as mulheres de falar em público, de falar na igreja, de entrar na igreja com a cabeça descoberta e de ensinar? </p>
<p>2. Se o que Paulo disse era espírito da época, a quem cabe distinguir o que é espírito da época do que é palavra de Deus? A proibição da homossexualidade, por exemplo, é espírito da época ou é palavra de Deus? </p>
<p>3. Por que uma parte do Gênesis (1 e 2: 1 a 3) diz que os animais foram criados primeiro e o homem e a mulher depois (juntos), enquanto outra parte (2: 4 a 24) diz que o homem foi criado primeiro, os animais depois e a mulher por último? </p>
<p>4. Por que Lucas (23: 39 a 43) diz que um dos ladrões defendia Jesus, enquanto Marcos (15:32) e Mateus (27:44) dizem que os dois ladrões o insultavam?</p>
<p>5. Por que Mateus (27: 3 a 8 ) diz que Judas jogou fora o dinheiro da traição e se enforcou, enquanto Atos (1: 16 a 19) diz que ele comprou um terreno com o dinheiro e morreu de uma queda? </p>
<p>6. Se Adão e Eva são uma alegoria, por que a Bíblia diz que Jesus Cristo nasceu e morreu para nos salvar do pecado original, ou seja, o pecado de Adão e Eva? Como é transmitido o pecado original? Se a história de Adão e Eva é uma alegoria, que garantia nós temos de que a história de Jesus Cristo também não é apenas uma alegoria? Se a história de Adão e Eva é pra valer, como explicar a discrepância entre a Bíblia e a ciência? Onde encaixar a pré-história, o Homo habilis, o Homo erectus etc.? </p>
<p>7. Se a história de Adão e Eva é uma alegoria, como explicar um mundo mau criado por um Deus bom? Se a história de Adão e Eva é pra valer e explica a entrada do pecado e do mal no mundo, por que os animais não-humanos também sofrem? O que eles têm a ver com isso? </p>
<p>8. Se Deus criou as espécies animais e vegetais, por que 99,9% das espécies que já existiram estão hoje extintas? Se as mutações genéticas que levam a novas espécies são guiadas por Deus, por que 99,9% dessas mutações resultam em fracassos dolorosos? </p>
<p>9. Por que Deus disse “Não matarás” e depois mandou matar povos inteiros – homens, mulheres, crianças e animais não-humanos (“Tudo aquilo que respire” – veja, por exemplo, o Livro do Deuteronômio)?<br />
10. Se Deus é onipotente, será ele capaz de criar uma pedra tão pesada que nem ele mesmo é capaz de levantá-la? </p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 84</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jul 2008 17:27:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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<p>A genealogia de Mateus, que liga José a Davi, tem vinte e oito gerações. A de Lucas, que faz a mesma ligação, tem quarenta e uma gerações. Ou seja, treze a mais! Ou uma delas está errada&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Mateus x Lucas</h2>
<p>A genealogia de Mateus, que liga José a Davi, tem vinte e oito gerações. A de Lucas, que faz a mesma ligação, tem quarenta e uma gerações. Ou seja, treze a mais! Ou uma delas está errada ou ambas estão erradas.</p>
<p>Além do mais, os nomes das duas genealogias raramente coincidem.</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 83</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jul 2008 16:38:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<h2>O  umbigo de Adão</h2>
<p>Se  não nasceu de uma mulher e não teve cordão umbilical, Adão tinha  umbigo?</p>
<p>Esta interessantíssima questão foi debatida pela cristandade durante séculos.</p>
<p>Por  que os autores da Bíblia não fizeram o favor de informar os&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>O  umbigo de Adão</h2>
<p>Se  não nasceu de uma mulher e não teve cordão umbilical, Adão tinha  umbigo?</p>
<p>Esta interessantíssima questão foi debatida pela cristandade durante séculos.</p>
<p>Por  que os autores da Bíblia não fizeram o favor de informar os judeus  e os cristãos sobre a existência ou inexistência do umbigo de Adão?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 81</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 15:58:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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<p>As Américas, a Oceania, a Antártida e outras partes do mundo eram totalmente desconhecidas pelos autores da Bíblia. Seu mundo era o mundinho do homem antigo do Oriente&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Deus esqueceu de informar os autores da  Bíblia sobre o Novo Mundo</h2>
<p>As Américas, a Oceania, a Antártida e outras partes do mundo eram totalmente desconhecidas pelos autores da Bíblia. Seu mundo era o mundinho do homem antigo do Oriente Médio.</p>
<p>Deus esqueceu de informar os autores da Bíblia sobre o resto do mundo.</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 80</title>
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		<pubDate>Fri, 23 May 2008 11:36:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<h2>As aves e os répteis: a Bíblia, mais uma vez, na seqüência errada</h2>
<p>As aves são muito mais recentes do que os insetos e os répteis. Não, entretanto, de acordo com a Bíblia, que inverte a ordem, pondo as aves&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>As aves e os répteis: a Bíblia, mais uma vez, na seqüência errada</h2>
<p>As aves são muito mais recentes do que os insetos e os répteis. Não, entretanto, de acordo com a Bíblia, que inverte a ordem, pondo as aves antes dos insetos e dos répteis.</p>
<p>Tudo indica, aliás, que as aves são descendentes de alguns répteis, de algumas espécies de dinossauros. É o que diz, por exemplo, o jornal <em>Folha de S. Paulo</em> em sua edição de 2 de dezembro de 2005: “Ave mais antiga tinha patas de dinossauro”.</p>
<p>A Bíblia, como se vê, coloca os descendentes antes dos ancestrais.</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 79</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Apr 2008 11:45:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<h2>Plantas terrestres e vida aquática: a Bíblia na seqüência errada</h2>
<p>Quem surgiu primeiro, as plantas terrestres ou a vida aquática? Segundo a Bíblia, as plantas  terrestres. Na realidade, a vida aquática. Toda a vida em terra, inclusive a vegetal, descende&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Plantas terrestres e vida aquática: a Bíblia na seqüência errada</h2>
<p>Quem surgiu primeiro, as plantas terrestres ou a vida aquática? Segundo a Bíblia, as plantas  terrestres. Na realidade, a vida aquática. Toda a vida em terra, inclusive a vegetal, descende da vida na água. Todo mundo hoje está careca de saber disso. Os autores da Bíblia, contudo, não sabiam.</p>
<p>Será que Deus tem o direito de cometer, direta ou indiretamente, semelhante erro?</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 78</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Apr 2008 17:07:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<h2>Um dos maiores erros da  Bíblia: as espécies criadas prontas</h2>
<p>O que se aplica aos humanos aplica-se também aos outros animais. Nenhuma espécie surgiu pronta, como a Bíblia diz. Todas as espécies têm uma história, feita de espécies  transicionais, como&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Um dos maiores erros da  Bíblia: as espécies criadas prontas</h2>
<p>O que se aplica aos humanos aplica-se também aos outros animais. Nenhuma espécie surgiu pronta, como a Bíblia diz. Todas as espécies têm uma história, feita de espécies  transicionais, como peixes com patas, cavalos pequenos e com dedos expostos,  elefantes pequenos de tromba curta e assim por diante.</p>
<p>Entre outras provas,  os órgãos vestigiais provam a evolução. As cobras têm patas e dedos embutidos,  assim como os têm os golfinhos, os botos e as baleias, comprovando que descendem  de animais com pernas, braços, patas e dedos.  O homem tem o apêndice, um órgão  de ruminação numa espécie que não rumina, mas que descende de algum longínquo  ruminante. O homem, com algumas exceções individuais, não consegue mais mover as  orelhas, mas possui músculos, hoje sem função, cuja função foi um dia exatamente  mexer as orelhas, como tantos outros animais ainda fazem. Mais uma vez: e assim  por diante.</p>
<p>A seleção natural  “escolhe”, dentre as mutações genéticas aleatórias, aquelas que mais favorecem a  sobrevivência e a reprodução num dado meio ambiente. Os membros de cada ninhada  apresentam pequenas diferenças em relação a seus pais: são um pouco maiores ou  menores, um pouco mais peludos ou menos peludos, um pouco mais inteligentes ou  menos inteligentes, um pouco mais velozes ou menos velozes&#8230; É sobre essas  pequenas diferenças que a seleção natural trabalha, gradualmente. Quem muda no  sentido da adaptação àquele meio ambiente sobrevive mais tempo, deixa mais  descendentes. Quem muda na direção contrária morre mais cedo, deixa menos  descendentes (ou não deixa descendente nenhum). É a evolução, descoberta por Charles Darwin e Alfred Russel Wallace e reforçada por Gregor Mendel, o  descobridor da genética.</p>
<p>Como fica a Bíblia em  relação a tudo isso? Fica muito mal. Primeiro, a evolução é um processo que não  precisa de um diretor, dispensando Deus da história da vida, se não de sua  origem, enquanto a Bíblia vê o dedo de Deus em tudo, o tempo todo. Segundo, a  Bíblia diz claramente que as espécies foram criadas prontas. E isto é falso. FALSO. Ponto final.</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 77</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jan 2008 09:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Contradições da bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[bíblia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>A Bíblia e a Pré-História</p>
<p>Está provado, por fósseis de transição e outros meios, que a atual espécie  humana não surgiu pronta, tal como é hoje. Nossa espécie, supostamente  criada á imagem e semelhança de Deus, tem uma longa pré-história,&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Bíblia e a Pré-História</p>
<p>Está provado, por fósseis de transição e outros meios, que a atual espécie  humana não surgiu pronta, tal como é hoje. Nossa espécie, supostamente  criada á imagem e semelhança de Deus, tem uma longa pré-história, feita de espécies sucessivas ou paralelas. Até algumas dezenas de  milhares de anos atrás, havia várias espécies humanas vivas ao mesmo  tempo, uma delas transformando-se gradualmente no que somos hoje (o chamado <em>Homo sapiens sapiens</em>), outras rumando para a extinção, que em alguns casos foi casual.</p>
<p>Num ilha do arquipélago indonésio, por exemplo, viveu até há cerca de uns dez mil anos o <em>Homo floresiensis</em>, o homem da Ilha de Flores, uma espécie de miniatura do <em>Homo erectus</em>, que só se extinguiu  devido a uma erupção vulcânica no único território que eles habitavam.</p>
<p>Como a Bíblia dá conta de tudo isso? Não dá. Quem escreveu a Bíblia não tinha a menor idéia de tudo isso. Quem escreveu a Bíblia era completamente ignorante da pré-história e da evolução humana.</p>
<p>Não pode ter sido Deus o autor ou sequer o inspirador da Bíblia. A não ser que Deus seja o autor ou o inspirador de pura ignorância. Você acredita num Deus ignorante?</p>
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