Como explicar a pesquisa Datafolha?

Datafolha de sexta-feira à noite: Lula, 50%; Alckmin, 43%. Manteve-se até agora, segundo o Datafolha, a diferença do primeiro turno. Não é o que se esperava. Como explicar isso?

Em primeiro lugar, há a margem de erro de 2+2 (dois a menos para um, dois a mais para o outro). Isso pode reduzir a diferença para três pontos, dentro da faixa que se esperava para essa primeira pesquisa do segundo turno.

Em segundo lugar, há o intervalo de confiança. De cada cem pesquisas feitas com a metodologia do Datafolha, 95 estarão certas dentro da margem de erro. Cinco, portanto, estarão erradas além da margem de erro. Pode ser o caso. 5% é uma probabilidade muito alta, uma vez que a estatística costuma trabalhar com probabilidades de zero vírgula zero zero alguma coisa.

De qualquer modo, é preciso reconhecer que Alckmin teve uma semana ruim, não exatamente por causa das fotos com o casal Garotinho, mas em decorrência da reação inicialmente histérica de César Maia e Denise Frossard ao apoio do casal a Geraldo. Isso gerou uma exposição negativa muito intensa. Maia e Frossard recuaram e retomaram seu apoio a Alckmin, mas o recuo não teve tempo de ser refletido nas pesquisas, até porque não recebeu a mesma atenção da imprensa que o breve rompimento havia recebido. César e Denise vão com certeza aparecer com destaque no horário eleitoral de Alckmin e o dano será revertido.

A situação de Alckmin, de qualquer modo, é bem melhor do que era faltando uma semana para o primeiro turno, quando o Datafolha apontou uma vantagem de oito pontos de Lula sobre a soma dos adversários. Àquela altura, faltavam apenas três programas noturnos para o fim do horário eleitoral. Agora faltam catorze programas noturnos. Faltava apenas uma semana para a eleição. Agora faltam três semanas. Faltava somente um debate. Agora faltam no mínimo dois. Aquela diferença Alckmin tirou sozinho, pois Heloísa Helena e Ana Maria Rangel caíram e os outros ficaram na mesma.

Há, por fim, o lado bom da situação: sair atrás tem a vantagem de deixar espaço para uma redução da diferença nas pesquisas vindouras, o que terá um efeito psicológico excelente. Os institutos de pesquisa, os meios de comunicação e o próprio eleitorado, além do mais, estão escaldados com os erros, alguns deles imensos cometidos no primeiro turno. Tanto é assim que o Jornal Nacional não disse a fatídica frase: “Se a eleição fosse hoje, fulano seria eleito”. A cautela dá o tom.

É isso aí, bola pra frente. No primeiro turno, a cada nova pesquisa, o blog do Noblat declarava Alckmin morto, sempre com a mesma frase: “Tchau, Alckmin”. Não era bem assim, como tivemos a oportunidade de ver. A campanha do segundo turno ainda não começou.