Cristianismo: ladrão de símbolos

O que dizer sobre “O Código Da Vinci”? O filme sempre decepciona os adeptos do livro, qualquer filme, qualquer livro. É que o livro é um meio superior de transmissão de informações. Não dá para condensar com pleno êxito dezenas ou centenas de páginas em uma hora e meia ou duas horas de película. O falecido Paulo Francis definiu muito bem a questão em um de seus livros: um bom filme é uma boa cerveja; um bom livro é um bom vinho.

Dito isso, um dos aspectos mais fascinantes do filme em pauta é o personagem Silas, o monge assassino da Opus Dei, organização católica que costuma ser definida como ultraconservadora. Silas é tão branco, tão louro e tem olhos azuis tão translúcidos que parece um ser sobrenatural ou um extraterrestre. Outra peculiaridade de Silas é o contraste entre sua religiosidade arcaica, baseada na autoflagelação, e seu domínio da tecnologia mais moderna: armas, celulares e automóveis de último tipo.

O que há de melhor no filme, porém, está no início: o trecho de uma palestra do protagonista Robert Langdon, professor de história. Ele mostra numa tela de datashow um tridente em close e pergunta: o que este símbolo lhes evoca? “O mal, o Diabo, o tridente do Diabo”, respondem pessoas da platéia. A imagem é aberta e aparece o deus grego Netuno, o deus dos mares, com o seu tridente. Nada a ver com o Diabo. Em seguida aparece, também em close, uma mulher com seu filhinho no colo. O que evoca? “Fé, cristandade, Maria com o Menino Jesus”. A imagem é aberta e não é nada disso. Trata-se, como informa Langdon, da deusa egípcia Ísis com o seu filho Hórus, também um deus.

O que esse trecho do filme demonstra – e muitos outros exemplos poderiam ser mostrados – é que o cristianismo é uma religião construída sobre símbolos e expressões roubados de tradições pagãs anteriores ou contemporâneas ao cristianismo primitivo. A data escolhida para o Natal, por exemplo, era a festa pagã romana que celebrava o “renascimento” do Sol, após o solstício de inverno. E por aí vai. No meu livro “Da Bíblia aos Múltiplos Universos”, há um capítulo (“Copiando o Divino César”) que mostra que grande parte da linguagem bíblica sobre a figura de Jesus Cristo é cópia da linguagem que os romanos usavam para exaltar o imperador César Augusto, o governante de maior prestígio e popularidade em toda a história do Império Romano.

Meu amigo Marcel Chacon diz que quanto mais pensa sobre estes assuntos (religião, Bíblia etc.) mais se convence de que o cristianismo é uma grande farsa. Eu digo um pouco mais: o cristianismo não é apenas uma farsa, mas a maior de todas, a maior farsa da história da humanidade.

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Perguntam-me o que eu acho de o governo Lula-lau ter como ministro da “Justiça” um advogado criminalista. Respondo: para um governo criminoso, chefiado por um presidente criminoso e sustentado por um partido criminoso, não poderia haver nada melhor do que ter como ministro da “Justiça” um advogado acostumado a defender e livrar bandidos de vários matizes.