Deus e a pedra

Há poucos dias o articulista Braulio Tavares, meu vizinho no Jornal da Paraíba, mencionou, ao escrever sobre a liberdade de expressão, o dilema filosófico do Ácido Universal e do Recipiente Invulnerável. Até onde sabemos, nenhum dos dois existe, nem o tal Ácido nem o tal Recipiente. É possível, porém, imaginá-los. O Ácido Universal é uma substância que corrói todo e qualquer material, não podendo ser contido em nenhum recipiente. O Recipiente Invulnerável é um objeto indestrutível, que não pode ser quebrado, destruído ou corroído por nada. Podemos imaginar a existência de ambos, mas não juntos no mesmo universo. Eles não podem coexistir. A existência de um implica necessariamente na inexistência do outro. A razão é simples: se o Ácido Universal corroer o Recipiente, este não é Invulnerável; se o Recipiente contiver o Ácido sem ser corroído, ele é Invulnerável, mas o Ácido não é Universal, porque há algo que ele não pode corroer. Portanto, podemos afirmar com plena certeza: essas duas entidades não podem coexistir em nenhum universo presente, passado ou futuro. É uma impossibilidade lógica.

Ao ler Braulio Tavares, lembrei-me de outro dilema filosófico, aquele que prova a inconsistência lógica da crença na existência de um Deus onipotente. Ele começa com uma pergunta: Deus é capaz de criar uma pedra tão pesada que nem ele é capaz de levantá-la? Se ele é capaz de criar tal pedra, há algo que ele não pode fazer: levantar a pedra. Portanto, ele não é onipotente. Se ele não pode criar uma pedra que ele é incapaz de levantar, também há algo que ele não pode fazer: criar a referida pedra. Também neste caso, por conseguinte, ele não é onipotente. Isto significa que um Deus todo-poderoso não pode existir de modo consistente nem mesmo na imaginação. Um Deus todo-poderoso é tão inconsistente quanto a coexistência do Ácido Universal com o Recipiente Invulnerável. Aliás, esta é outra coisa que Deus não pode fazer: criar no mesmo universo o Ácido Universal e o Recipiente Invulnerável. A lógica é maior do que Deus.

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Não chamarei a maioria da Câmara dos Deputados de pocilga, em respeito aos porcos. Não chamarei a maioria da Câmara dos Deputados de esgoto, para não ofender as baratas e as ratazanas. A pizza está aí: os mensaleiros Romeu Queiroz (PTB-MG), Roberto Brant (PFL-MG) e o asqueroso professor Luizinho (PT-SP) foram absolvidos por indivíduos que eu não chamarei de vermes, em respeito aos vermes. A pizza se tornará gigante, com a assinatura do povo, se a maioria do eleitorado reeleger Lula-lau. Neste caso, a maioria dos brasileiros não terá o direito de reclamar dos deputados, porque será tão cínica, descarada e imoral quanto eles. Se os pobres reelegerem Lula por causa de esmolas, merecerão a pobreza e a miséria em que vivem. Cabe ao povo acabar com a pizza gigante. Ou tornar-se cúmplice dela. Quem vota em quadrilheiro comete o crime de formação de quadrilha. Quem premia a indecência é indecente também. Será que somos um país de criminosos? Com a palavra, o eleitor.

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Pelo andar da carruagem, o PSDB anunciará na próxima terça-feira o nome do governador Geraldo Alckmin como candidato do partido à presidência da República. Será o casamento da presunção com a insensatez. Alckmin pode até vir a ganhar a eleição. Tem potencial para isso. Mas o nome de Serra é muito mais forte. O que o PSDB está cometendo é uma tentativa de suicídio. É um caso a ser estudado pela ciência política.