Dilma na frente? Furo ou barriga? E depois?

O repórter Lauro Jardim, da Veja, publicou uma notinha dizendo que a direção do PSDB tem notícia de uma pesquisa, a ser divulgada quarta-feira, que daria Serra e Dilma empatados estatisticamente, mas com Dilma um ponto na frente. O presidente do PSDB, Senador Sérgio Guerra (PE), negou o conhecimento de tal pesquisa, afirmando que os levantamentos contratados pelo partido para consumo interno e orientação da campanha ainda dão Serra na frente.

Das duas uma: ou Jardim conseguiu um tremendo furo, passando a perna em todo mundo e dando a notícia à frente de todos, ou o referido repórter cometeu uma monumental barriga, embarcando numa canoa furada e divulgando notícia falsa, o que seria, até agora, a mancada do ano na imprensa brasileira. Foi o que aconteceu com a TV Master, de Alex Filho, que tentou antecipar o resultado da pesquisa Consult/Correio aqui na Paraíba e errou feio. A versão da Master dava Ricardo Coutinho cinco pontos na frente, quando o resultado real veio a ser uma vantagem de 7,5 para Maranhão.

Mas, e se Dilma aparecer realmente na frente numa pesquisa Ibope (só levo em conta Ibope e Datafolha; Vox Populi e Sensus têm contas bancárias dilmistas, irrigadas sabe-se lá por qual dinheiro)? Seria de espantar?

Não. Seria apenas o resultado de mais de um ano de campanha antecipada, ilegal e unilateral de Lula com Dilma a tiracolo. Inaugurações a mais não poder, de obras prontas, inconclusas, ainda não iniciadas, que tiveram ou não tiveram verbas federais, maquetes, buracos, pedras fundamentais, alicerces… Tudo com muito discurso e ampla cobertura televisiva. Enquanto isso, Serra é bombardeado pela mídia e por “fogo amigo”, acusado de indeciso, de hesitante, de desistente… O cenário é perfeito para uma ultrapassagem de Dilma: se não acontecer agora, depois do lançamento da candidatura de Serra é que não ocorrerá.

Mas, se Dilma passar à frente antes da desincompatibilização, que tem de acontecer até 3 de abril, isto será definitivo? De maneira nenhuma. A melhor fase da campanha para Dilma é a atual, empoleirada no posto de ministra-chefe da Casa Civil, como um filhote de canguru na bolsa da mãe Lula. Depois, a campanha passará por três fases: o período entre 3 de abril e 3 de julho, com a candidatura de Serra confirmada e ambos fora dos respectivos governos (vantagem para Serra, que perderá um governo estadual, enquanto Dilma estará fora do Grande Irmão, o governo federal); a campanha propriamente dita, a partir de 3 de julho, com Serra finalmente fazendo comícios por todo o país; e, a partir de meados de agosto, o horário eleitoral na TV e no rádio, com toneladas de pedras sendo jogadas nos telhados de vidro de Dilma e do PT. E os debates. No mano-a-mano, sem a barra da calça do pai para segurar, sou mais Serra, que já foi presidente da UNE, secretário de Planejamento, deputado federal, senador, ministro do Planejamento, ministro da Saúde (o melhor que o país já teve), candidato a presidente da República, prefeito e governador. Tem mais formação acadêmica do que Dilma, muitíssimo mais experiência internacional, muito mais conhecimento de Brasil, uma visão de mundo muito mais ampla… Serra é muito maior do que Dilma. E no mano-a-mano isso vai aparecer com toda a clareza.

Portanto, mesmo que Dilma comece a campanha legal na frente, Serra será o presidente (no segundo turno, o mano-a-mano é ainda mais cruel para quem é menor como pessoa). Seja a “notícia” de Lauro Jardim furo ou barriga, continuo apostando em Serra. gmg.sacocheio@gmail.com.