CPMF: Dois grandes vitoriosos e três biografias jogadas no lixo

O primeiro grande vitorioso com a rejeição da CPMF pelo Senado é um partido: o Democratas, ex-PFL. Foi a firmeza do partido que impediu um acordo do vacilante PSDB com o governo.

O segundo grande vitorioso é o senador Arthur Virgílio Neto (PSDB – Amazonas). Enfrentou e venceu as pressões de governadores como Serra, Aécio Neves e Cássio Cunha Lima. Enquadrou senadores como Cícero Lucena. E na hora H, quando o partido quase recuou, bateu o pé e ameaçou renunciar à liderança tucana no Senado se a bancada não votasse unanimemente contra o imposto. Para completar, Virgílio pôs o peemedebista gaúcho Pedro Simon em seu devido lugar, quando este tentou usar o peso de sua biografia para forçar um adiamento da votação. A santa intransigência de Virgílio fez História, com H maiúsculo. Foi sem dúvida um dos grandes momentos do parlamento brasileiro em todos os tempos.

Já os senadores Jéfferson Péres (PDT – Amazonas), Cristóvam Buarque (PDT – Distrito Federal)) e Pedro Simon (PMDB – RS) jogaram no lixo suas até então respeitáveis biografias, votando a favor da CPMF. Simon ainda fez o papelão de se prestar à condição de porta-voz mal disfarçado do governo na tentativa de adiar a votação. O senador José Agripino (Democratas – Rio Grande do Norte) também cortou as asinhas de Simon com uma declaração magnífica: “A palavra do senador Pedro Simon merece meu respeito tanto quanto a palavra de qualquer outro senador. Sua palavra não é um dogma”.

O peemedebista pernambucano Jarbas Vasconcelos honrou sua biografia ao votar contra a CPMF.

Lula sofreu uma derrota que terá repercussões políticas no que resta de seu segundo mandato. Se a oposição se mantiver firme (o que pode não acontecer com o hesitante PSDB), esta votação terá sido um divisor de águas. A Era Lula se dividirá em antes e depois dela. Depois do rebaixamento do Corinthians de Lula, é uma ótima maneira de encerrar o ano.