Federação Israelita de S. Paulo mostra covardia em sua defesa

Depois de tentar ignorar a Justiça, a Federação Israelita do Estado de São Paulo resolveu se pronunciar, numa petição fora de época, uma “micação”, paródia das micaretas, os carnavais fora de época do Nordeste.

A Federação admite que foi intimada, fornecendo ao juiz inclusive o nome do funcionário que recebeu a intimação e a data em que ela foi recebida. Eles querem, no entanto, que a intimação tivesse sido entregue à presidente da Federação. Ora, por se tratar de outra cidade e de outro estado, é óbvio que a intimação foi entregue pelos correios, e não me consta que carteiros entreguem correspondência diretamente ao presidente de uma instituição.

Se eles sabem quem recebeu a intimação, e quando, é porque o documento percorreu todos os trâmites institucionais e chegou ao alto escalão. Houve uma tentativa deliberada de esnobar a Justiça, como se a Federação Israelita de São Paulo estivesse acima da lei e dos tribunais. Eles se acham acima de tudo, se acham intocáveis.

Se o juiz resolver tomar conhecimento da defesa fora de época, apesar de já ter sido emitida certidão de revelia, contestaremos a inepta defesa da Federação.

Em primeiro lugar, eles dizem que nunca me atacaram moralmente. E chamar uma pessoa física de “criminoso” não é atacar moralmente, não é provocar danos morais? Dizer que alguém é “laranja” não é atacar moralmente? Acusar alguém de fraudador de enquetes não constitui dano moral? E por aí vai.

Segundo, eles dizem que eu fui demitido do Jornal da Paraíba devido à reação “espontânea” das pessoas que ficaram indignadas com o que eu escrevi. Ora, os autos estão repletos de provas de que o site da Federação orquestrou a reação, mobilizando sua tropa de choque contra mim. Se não fosse assim, além do mais, por que dois altos funcionários do jornal teriam prestado contas ao site da Federação? Não houve inicialmente reação negativa nenhuma ao texto, tanto é que publiquei mais dois artigos, nas duas semanas seguintes. O site da Federação se vangloria explicitamente de ter conquistado a minha demissão (este documento será juntado à impugnação da defesa). Usa essa conquista, inclusive, como uma celebração de seu aniversário. Confessa no site e nega na defesa? Por que não assumem seus atos? Isto se chama covardia. C-O-V-A-R-D-I-A!

Em terceiro lugar, tentam tirar as nádegas da seringa ao afirmar que não têm nada a ver com os e-mails ofensivos que recebi na época. Ora, foram eles que incitaram as pessoas contra mim. Foram eles que divulgaram meu e-mail pessoal. Se isso não é um linchamento moral, é o quê?

Tem mais: tentam circunscrever a disputa ao episódio do Jornal da Paraíba. E o que fizeram contra mim junto ao Correio da Paraíba? E o que começaram a fazer junto ao jornal O Norte, só parando porque foram informados por mim de que eu já me desligara do jornal O Norte, por decisão minha? Se isso não é uma perseguição sistemática, o que é uma perseguição sistemática? Está tudo lá, nos autos.

Está tudo no processo: ofensas morais graves, incitação aos insultos, divulgação indevida de endereço pessoal, orquestração, mobilização para demitir, perseguição sistemática… A defesa da Federação Israelita do Estado de São Paulo é um faz de conta, nada tem a ver com os fatos comprovados documentalmente. A Federação não assume seus atos, tenta escamoteá-los da Justiça. Renega o que ela própria comemorou explicitamente como obra sua. Acovarda-se. Mas não tem como apagar seus abundantes rastros.