Israel: Estado delinqüente

Publicado originalmente no Jornal da Paraíba em 28 de fevereiro de 2004

A mais nova prática do Estado de Israel é o roubo, puro e simples. Tropas israelenses entraram em bancos palestinos e levaram… dinheiro! Roubaram com o pretexto de punir a Autoridade Palestina por seu suposto apoio ao terrorismo.

Este á apenas o mais recente ato de uma longa lista de atrocidades e delinqüências praticadas pelo Estado judeu. Outro é o infame muro que está sendo construído sobre terras palestinas, a pretexto de proteger os israelenses dos homens-bomba. Se o muro fosse construído sobre a fronteira, já seria controverso: o novo Muro de Berlim, o novo “Muro da Vergonha”, o muro de um novo e ampliado Gueto de Varsóvia. Mas é pior do que isso: o muro israelense não está sendo construído sobre a fronteira; ele está sendo erguido sobre território palestino, roubando território palestino, separando palestinos de hospitais, escolas e locais de trabalho, separando palestinos de parentes e amigos.

O muro é somente o mais recente passo na velha política israelense de roubar terra palestina. Até agora, a principal tática israelense para apoderar-se do alheio eram as famigeradas colônias judaicas construídas por todo o território palestino, com acesso privilegiado a água, eletricidade, telefone e outros serviços. As colônias continuam, algumas delas agora protegidas pelo muro, que as separa da maioria dos palestinos.

Os israelenses se consideram os legítimos donos das terras palestinas, por causa da Bíblia, ou, para ser mais exato, por causa do Tanach, equivalente, com diferenças de ordem, ao Velho Testamento dos cristãos. O próprio Tanach, porém, diz que os judeus não eram os proprietários originais daquela terra, que lhes teria sido dada por Deus. Para apoderar-se dela, segundo a Bíblia, os antepassados dos atuais judeus cometeram massacres hediondos, “passando no fio da espada tudo aquilo que respirasse”, ou seja, homens, mulheres, crianças e animais de outras espécies. Além disso, os antigos judeus jamais ocuparam o litoral do que hoje é Israel, que era, na antiguidade, habitado pelos filisteus (não confundir com os fariseus, uma seita judaica dos tempos de Cristo). Os filisteus foram ancestrais dos atuais palestinos. O próprio nome palestinos tem parentesco lingüístico próximo com o termo filisteus. O suposto direito histórico dos israelenses é um balela, uma ideologia fascista e racista semelhante ao nazismo. O Estado de Israel não pratica uma “solução final”, como Hitler, porque não há clima internacional para isso, e Israel não tem, no Oriente Médio, o mesmo poderio que a Alemanha nazista teve na Europa. Só por isso.

Israel desrespeita sistematicamente os direitos humanos. Pratica tortura, por exemplo. E pratica a abominação conhecida como “punições coletivas”. A moderna doutrina dos direitos humanos estabelece que a responsabilidade perante a lei deve ser individual: somente o indivíduo que cometeu o ato ilegal deve ser punido. A punição não deve recair sobre parentes ou quaisquer outras pessoas. Israel desrespeita este preceito, punindo, por exemplo, parentes dos homens-bomba. A derrubada de casas, entre outras punições coletivas, é prática corriqueira dos fascistas israelenses.

O que pouca gente sabe é que Israel, além de praticar o chamado terrorismo de Estado, construiu-se sobre o terrorismo clássico, aquele que explode hotéis para atingir objetivos políticos. A fundação do Estado de Israel foi precedida e preparada por uma campanha terrorista de duas organizações, o Irgun e o Haganath, que explodiram, além de outros alvos, o Hotel Rei Davi, em Jerusalém, matando quase cem pessoas, inclusive dezenas de britânicos. Quem coordenou o atentado foi Menachem Begin (“Menárrem Béguin”), que seria primeiro-ministro de Israel nas décadas de 70 e 80. Hoje, Israel pratica o desrespeito permanente a resoluções da ONU. E ninguém faz nada.