Israelixo

Artigo publicado também na revista Bazar, da livraria O Sebo Cultural

Era uma vez um povo que se dizia escolhido por Deus, na maior manifestação de racismo de que se tem notícia. O tal povo queria uma determinada terra e “legitimou” suas pretensões escrevendo, num livro supostamente sagrado, que aquela terra lhe fora prometida por Deus. O problema era que aquela terra era habitada por uma meia dúzia de povos, “detalhe” um tanto incômodo para os pretendentes. Como resolver o problema? Simples: atribuir ao tal Deus “de Abraão, Isaque e Jacó” a ordem para exterminar totalmente os povos que habitavam a “Terra Prometida”: “Não deixareis vivo nada que respire”. E assim tivemos um genocídio supostamente abençoado por Deus.

O tempo passou, muita coisa aconteceu, o “povo de Deus” acabou expulso da terra que tomara com tanto sangue. Foi expulso pelos romanos. Até que um dia o povo resolveu voltar. Só havia um “pequeno” problema: a terra era habitada havia séculos por outro povo. Não os romanos que os haviam expulsado, mas outro povo, conhecido como palestinos, habitantes da Palestina, o nome daquela terra. O que fazer com os palestinos? Exterminá-los teria sido ótimo, Mas teria sido um pouco demais para o estômago do mundo. Então eles foram expulsos. Expulsos, tiveram suas terras roubadas. Muitos morreram na tentativa vã de resistir ao roubo coletivo de que foram vítimas. Os sobreviventes se tornaram refugiados em terras vizinhas, amontoados em campos miseráveis. Os invasores, os “escolhidos de Deus”, tomaram e ocuparam até mesmo o litoral, que jamais fora deles. Eram os novos senhores da região.

Quase vinte anos depois, ocuparam o pouco que restara aos palestinos e começaram a tomar essa terra aos poucos, por meio de famigerados “assentamentos” ou colônias, que, além de tudo, têm acesso privilegiado a recursos como água e energia elétrica. Poderiam fazer a paz devolvendo os territórios tomados em 1967, mantendo o que roubaram em 1948. Mas não querem. Não querem devolver nada; querem ficar com tudo e tomar o resto. E metem bala e bomba em quem ousa esboçar uma resistência. Recentemente massacraram 1.600 civis no Líbano, inclusive sete brasileiros. Perseguem no mundo inteiro quem ousa criticá-los, quem ousa dizer a verdade: Israel é um Estado criminoso, assassino, genocida, ladrão de terras, racista, expansionista, militarista, nazista… Israel é um Estado judeu; se é um Estado judeu, é um Estado racial; se é um Estado racial, é um Estado racista, em que outros povos têm no máximo o direito de ser minoria. Israel não anexa oficialmente a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, dando aos palestinos o direito de voto, porque deixaria assim de ser um Estado judeu, o que prova o caráter racista do Estado de Israel.

Daí o título deste artigo. Israelixo porque Israel é o lixo moral da humanidade. Não há, no mundo de hoje, nada mais opressivo e injusto do que o Estado de Israel, o Estado daquele que se considera o povo eleito, os preferidos de Deus, conceito de um racismo evidente e atroz. O Estado de Israel merece, portanto, o repúdio de todas as pessoas decentes do mundo inteiro. Israelixo.

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O Estado de Israel, além de tudo, é a ponta de lança do Império americano no Oriente Médio. O Estado americano sustenta Israel com esmolas que somam três bilhões de dólares anuais. Sem esse dinheiro, Israel já teria deixado de existir há muito tempo.

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É notório que Israel possui bombas atômicas, sem ser incomodado por ninguém por causa disso, nem pelos Estados Unidos nem pela ONU nem pela Agência Internacional de Energia Atômica. Com que moral eles tentam impedir que o Irã desenvolva armas nucleares?

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Por fim, um fato bizarro: o grande ídolo do Ocidente, Jesus Cristo, é frontalmente repudiado pelos judeus, que o consideram um falso messias, um farsante, um impostor, enquanto os muçulmanos consideram Jesus um de seus nove profetas. Mesmo assim, os evangélicos brasileiros e norte-americanos veneram, cultuam e idolatram os judeus e o Estado de Israel, enquanto odeiam intensamente os muçulmanos. Bizarro, não?