Justiça tarda, falha e é conivente com desrespeito à lei

Ricardo Noblat escreve muitas bobagens. Recentemente, pôs no ar uma enquete com uma pergunta totalmente tendenciosa: “Quando Dilma ultrapassará Serra?”. Quebrou a cara, pois 76,63% dos internautas que participaram da enquete responderam que que ela NÃO ultrapassará Serra. Em coluna no jornal O Globo, Noblat mostrou perplexidade e até mesmo contrariedade com o resultado de sua própria enquete.

De vez em quando, porém, ele dá uma dentro. É o caso do texto que transcrevo abaixo, cujo título é o que transcrevi acima: “Justiça tarda, falha e é conivente com o desrespeito à lei”. Faltou dizer que o TSE não teve peito para suspender o programa do PT. Não podia deixar de condenar o partido e sua pré-candidata, mas deixou para fazê-lo depois de o programa ter ido ao ar. Aí o tribunal aplicou duas multas irrisórias e suspendeu o programa do 1º semestre de 2011! Totalmente inócuo. O crime compensou. Resta à maioria do eleitorado fazer a justiça que o TSE não faz, porque seus ministros não honram as calças que vestem.

Eis o texto de Noblat:

O PT foi punido e Dilma Rousseff multada por causa do programa de propaganda partidária do partido exibido em dezembro último.

O Tribunal Superior Eleitoral viu propaganda eleitoral de Dilma onde o PT deveria ter feito propaganda eminentemente partidária.

O programa do PT levado ao ar ontem à noite incorreu no mesmo erro. Não por descuidado ou ignorância, mas de propósito.

A lei pouca importa para o PT e Lula se o que está em questão é a oportunidade de fazer propaganda eleitoral de Dilma fora de hora.

Importa tirar vantagem em tudo, certo?

O comportamento do PT tem a ver com o de Lula, que há quase dois anos não deixa passar uma só ocasião para exaltar as qualidades de Dilma. E seu compromisso em dar continuidade ao governo atual.

Até outro dia, a Justiça Eleitoral assistiu em silêncio ao desrespeito à lei. Foi conivente com o desrespeito. Que configura crime.

Depois passou a multar Lula – duas vezes -, agora Dilma, e a punir o PT com a supressão do seu primeiro propaganda de propaganda partidária de 2011.

Se tivesse agido com mais rapidez não teria sido obrigado a engolir o programa de ontem, que configurou um ato de desafio do PT à Justiça.

A lei garante condições iguais para candidatos que disputam o mesmo cargo.

Não está havendo igualdade. E parte da culpa deve ser debitada na conta da Justiça Eleitoral.