O acaso
Estive afastado do blog por mais de um mês porque estava concluindo minha dissertação de mestrado. Agora estou de volta, com planos de publicar um novo post por semana. Muito obrigado pela compreensão.
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Um dos argumentos falaciosos para a existência de Deus é: coisas boas extremamente improváveis acontecem. Portanto, Deus existe. Este argumento ignora o fato de que coisas ruins extremamente improváveis também acontecem. E aí não se louva a Deus. Mas também não se o condena. Resigna-se à sua “vontade misteriosa”. Por que coisas extremamente improváveis acontecem? Porque é tão grande o número de coisas extremamente improváveis possíveis que é inevitável que algumas delas aconteçam. Por exemplo: todas as noites milhões e milhões de pessoas têm sonhos premonitórios. É inevitável que uma fração deles se realize. E aí entra a falácia conhecida como percepção seletiva ou seleção de observações: os poucos acertos são iluminados, os muitos erros permanecem na sombra.
No livro Não Acredite em Tudo o que Você Pensa – Os 6 Erros Básicos que Cometemos quando Pensamos, Thomas Kida narra uma série de coincidências extremamente improváveis que aconteceram. Em seguida (p. 100), Kida comenta o que narrou:
Quando pensamos em coincidências tais como as relatadas anteriormente, não devemos pensar em termos de probabilidades de esses eventos específicos acontecerem. Se focalizarmos a possibilidade que havia de meus dois professores se encontrarem em Londres durante as suas férias, talvez cheguemos à conclusão de que a probabilidade de sua ocorrência era baixa demais para resultar apenas do acaso. Mas não devemos pensar sobre tal encontro dessa maneira. Sim, as chances de encontrarmos essa pessoa nas ruas de Londres, a 8.000 km de onde vivemos, são extremamente baixas. No entanto, as chances de encontrarmos alguém que conhecemos, em algum lugar distante, em algum momento de nossas vidas, são muito maiores. Aliás, se pensarmos em milhões e milhões de pessoas que viajam a cada ano, é muito provável que algumas se encontrarão com algum conhecido.
Se duas pessoas férteis se casam com a intenção de ter filhos, é quase certo que de fato terão filhos. Portanto, o fato de elas terem filhos não é nenhuma improbabilidade. Porém, o fato de um desses filhos ser exatamente você é extremamente improvável. Foi preciso que seus pais fizessem sexo num determinado dia, numa determinada hora, num determinado minuto; que seu pai ejaculasse naquela fração de segundo; que aquele espermatozóide, entre milhões, ganhasse a corrida. Você é uma improbabilidade, filho de duas improbabilidades, neto de quatro improbabilidades e assim por diante. Ninguém deveria se espantar com improbabilidades, porque o mundo é feito basicamente delas, aquelas que ocorrem em meio a um número muitíssimo maior que não ocorre. Não se precisa de Deus nem de forças esotéricas para explicar um mundo feito fundamentalmente de acontecimentos, coisas e seres improváveis, se vistos especificamente, e muito prováveis, se contextualizados.
Por coincidência, enquanto escrevo este texto na noite do domingo 17 de junho de 2007, vejo uma notícia na Globo News: no Rio de Janeiro, um engenheiro de 53 anos foi morto por uma bala de fuzil disparada a mais de dois quilômetros de distância, enquanto abastecia seu carro num posto de combustíveis. Extremamente improvável que precisamente aquele homem estivesse exatamente na trajetória daquela bala a tamanha distância. Extremamente provável que alguém em algum lugar do Rio de Janeiro esteja em algum momento na trajetória de alguma bala perdida.
As religiões não costumam conviver bem com a idéia do acaso. Tendem a pensar que Deus ou o Carma ou alguma outra força sobrenatural controla as nossas vidas. Se um determinado turista sueco estava na costa tailandesa no dia 26 de dezembro de 2004 e morreu no tsunami, as religiões não acham que ele estava simplesmente no lugar errado na hora errada. Pensam que ele foi guiado para lá, naquele preciso momento, por Deus, pelo Carma ou por alguma outra força sobrenatural. Como mais de duzentas mil pessoas morreram naquele tsunami, é claríssimo que tal concepção nos transforma a todos em fantoches e marionetes, incapazes de tomar por conta própria a decisão de fazer uma viagem turística.
Aplicando a Navalha de Occam, tradicional na filosofia, o que é mais simples e coerente? Acreditar que algumas pessoas tomaram a decisão de viajar para o Sudeste da Ásia no final de 2004 porque é isso que algumas pessoas fazem todos os anos (não as mesmas pessoas)? Ou acreditar que milhares de pessoas foram levadas a morrer naquela região por Deus, pelo Carma ou por alguma outra força sobrenatural?
A existência do acaso derruba qualquer crença de que nosso mundo é controlado de fora por alguma esfera ou força sobrenatural. Por isso a existência do acaso é rejeitada, explícita ou implicitamente, por quase todas as religiões.



Olá! Meu nome é 



David
em 16 de agosto de 2009
Pra mim um dos aspectos mais complicados da fé é a imprecisão do seu objeto. Como vc vai acreditar em algo que não pode ver e do qual não há descrição ou definição minimamente verossímil. O que é Deus? Um ser? Um ser antropomorfo? Um indivíduo que reina sobre tudo? Ou é a consciência que permeia o Universo? E por que pode ser definido pela mesma palavra que designava os super-heróis imortais das mitologias pagãs? Alguém consegue conceber ou visualizar o que quer que seja de metafísico a partir de toda essa sobreposição de idéias vagas e cambiantes?
É como se houvesse uma trava na cabeça da raça humana, uma certeza da nossa maldade inata, da nossa perversidade animal, reptiliana, que requer um tabu que nos contenha e nos force a ser ao menos um pouco humildes. Não deve ser apenas o medo da morte, porque há exemplos de religiões que não afirmam a vida eterna. Espíritos invisíveis, contudo, mais ou menos santos, múltiplos ou centralizadores, todas parecem exaltar. Imagino que se trate então do medo de nós mesmos. Deus é o monitor implacável, o truque mental que nos distingue dos psicopatas, e, nesse sentido, talvez seja insubstituível.
Obs: essa reflexão diz respeito ao papel de Deus no plano individual, sem considerar a “gênese” de Deus no seio da sociedade, pelas mãos de profetas os mais variados, alguns idealistas, outros oportunistas, todos sucedidos por uma leva sem fim de sequiosos candidatos a intermediários entre o céu e a terra.
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em 9 de setembro de 2009
David, você escreveu: ´´ Como vc vai acreditar em algo que não pode ver e do qual não há descrição ou definição minimamente verossímil. O que é Deus? Um ser? Um ser antropomorfo? Um indivíduo que reina sobre tudo? Ou é a consciência que permeia o Universo?“
Deus disse, segundo a bíblia, que é o inicio e o fim, o primeiro e o último. Para ter uma idéia de Deus, dentro da ciência é complicado. Há poucas décadas que o homem descobriu, pela ciência, o que é o começo e o que é o fim. A Física Quântica pode nos dar uma noção de inicio e fim. Tudo que existe é formado por moléculas, que por sua vez, são formadas por átomos. Os átomos, ainda não são o princípio de tudo. Ainda temos os elementos que formam os atamos. Esses elementos não estão presos na nossa lógica/razão. Eles desafiam as leis da natureza e da física. Eles podem aparecer e sumir. Um elemento pode desaparecer em um determinado lugar e aparecer em outro e, pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Mesmo os cientistas sabendo que tudo é ilógico e irracional, dentro de todo conceito de razão que lhes eram apresentado até então, tiveram que admitir que o ´´impossível“ existiria. Só puderam crer por que viram. Porém, muitos leigos, pela fé, já sabiam que o princípio já fugia da lógica/razão humana e, não precisaram ver para crer que existia algo além da nossa razão.
Deus pode estar aqui e, derrepente, desaparecer e aparecer na China ou, estar aqui e na China ao mesmo tempo.
É por isso que a bíblia, ao contrario dos outros livros, se fortalece cada vez mais e sobrevive a milhares de anos sem sofrer nenhuma alteração.
A ciência também já descobriu como é o fim. Assim, como no princípio, o fim também foge da nossa concepção de lógica/razão. Lá, o passado, presente e futuro, se misturam e/ou não obedecem a nossa ordem cronológica. Se você quiser saber mais da ciência que prova por A + B que no ´´fim“ a dimensão de tempo e espaço são totalmente fora da nossa razão e ter uma idéia no que ocorre lá, é só escrever para mim. O meu site é: bbrraassiill@bol.com.br
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Gilson Gondim
em 17 de agosto de 2009
Excelente comentário, David.
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David
em 17 de agosto de 2009
Obrigado, Gilson. E bom retorno com os futuros posts.
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eduardo.sp
em 31 de agosto de 2009
Que bom que voce esta de volta Gilson, voce é (frase feita) a pedra no sapato
das mentiras dos Sionistas.
Valeu
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Gilson
em 1 de setembro de 2009
Muito obrigado, Eduardo.
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Eduardo Vieira
em 9 de setembro de 2009
Deus disse, segundo a bíblia, que é o inicio e o fim, o primeiro e o último. Para ter uma idéia de Deus, dentro da ciência é complicado. Há poucas décadas que o homem descobriu, pela ciência, o que é o começo e o que é o fim. A Física Quântica pode nos dar uma noção de inicio e fim. Tudo que existe é formado por moléculas, que por sua vez, são formadas por átomos. Os átomos, ainda não são o princípio de tudo. Ainda temos os elementos que formam os atamos. Esses elementos não estão presos na nossa lógica/razão. Eles desafiam as leis da natureza e da física. Eles podem aparecer e sumir. Um elemento pode desaparecer em um determinado lugar e aparecer em outro e, pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Mesmo os cientistas sabendo que tudo é ilógico e irracional, dentro de todo conceito de razão que lhes eram apresentado até então, tiveram que admitir que o ´´impossível“ existiria. Só puderam crer por que viram. Porém, muitos leigos, pela fé, já sabiam que o princípio já fugia da lógica/razão humana e, não precisaram ver para crer que existia algo além da nossa razão.
Deus pode estar aqui e, derrepente, desaparecer e aparecer na China ou, estar aqui e na China ao mesmo tempo.
É por isso que a bíblia, ao contrario dos outros livros, se fortalece cada vez mais e sobrevive a milhares de anos sem sofrer nenhuma alteração.
A ciência também já descobriu como é o fim. Assim, como no princípio, o fim também foge da nossa concepção de lógica/razão. Lá, o passado, presente e futuro, se misturam e/ou não obedecem a nossa ordem cronológica. Se você quiser saber mais da ciência que prova por A + B que no ´´fim“ a dimensão de tempo e espaço são totalmente fora da nossa razão e ter uma idéia no que ocorre lá, é só escrever para mim. O meu site é: bbrraassiill@bol.com.br
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em 9 de setembro de 2009
Correção: Onde se lê site, leia e-mail.
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David
em 10 de setembro de 2009
Eduardo,
Vá lá que a natureza das partículas do átomo ainda reserve muitos mistérios para os cientistas de hoje. Nem seria de se esperar que fosse diferente – a ciência, o conhecimento, não pode mesmo escapar às limitações de tempo e espaço da própria humanidade. Falamos de um processo penoso e lentíssimo, baseado em observação, tentativa e erro.
Quando um elétron desaparece aqui e pipoca acolá ou é detectado em dois lugares ao mesmo tempo se está diante de um fenômeno a cujo estudo os relativamente poucos que se dedicam ainda não conseguiram discernir a ação de leis. A coisa acontece, mas ninguém ainda acumulou conhecimento o bastante para explicar. Pode demorar décadas, séculos, milênios até que aquilo seja processado pelo intelecto humano. Pode até jamais ser. O que não implica ou tampouco redunda na conclusão da existência do que se convencionou chamar de Deus.
Não dá pra afirmar a existência de um ser cuja principal característica consiste em não poder ser definido. Para afirmar que algo existe é necessário observar, senão o objeto propriamente dito, ao menos indícios que o tornem plausível. E naturalmente que não se deve levar em conta relatos tribais impregnados de expectativa quanto a grandes espíritos protetores. Bem como a mitologia inverossímel assim produzida.
Se Deus existe, está inteiramente fora do alcance da ciência de qualquer um de nós, sendo assim nada razoável que devêssemos nos condicionar às postulações imprecisas da Bíblia para o (ou “O”) ajustar à nossa concepção de mundo. Se eu não tivesse emoções (medo, culpa, etc) seria plenamente ateu. Deus só me visita como fantasma, automonitoramento emocionalmente inculcado desde a infância. Sequer me atrai a idéia de um rei de todo o Universo, eterno e antropomorfo. Prefiro o caos da realidade acessível aos sentidos de todos.
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