O cenário da 3ª Guerra Mundial

De alguns meses para cá, um meme tomou conta de parte do meu cérebro: o meme da 3ª Guerra Mundial. Creio que ele se formou dentro do meu próprio cérebro, que foi juntando inconscientemente informações daqui e dali até formar um quadro completo.

Falei sobre o assunto no curso que ministrei no Zarinha Centro de Cultura em outubro e novembro de 2008 (Crenças e Descrenças: Religiões e Ateísmo no Século 21). Um dos inscritos no curso, o judeu e sionista Ademar Benevolo (Benévolo), médico, concordou em linhas gerais com o cenário que apresentei.

Vejo uma guerra mundial composta de quatro confrontos regionais: 1º) um confronto entre Israel, de um lado, Irã, Síria e Hezbollah com apoio russo, do outro, seguindo-se a um ataque aéreo israelense contra instalações nucleares do Irã; 2º) uma invasão russa da Ucrânia e da Geórgia, ex-repúblicas soviéticas (na Ucrânia, quase metade da população é russa e apoiaria a invasão); 3º) uma invasão da Coréia do Sul pela Coréia do Norte, apoiada pela China; 4º) a realização do velho sonho chinês de invadir Taiwan, província rebelde da China. Os Estados Unidos teriam que lutar em quatro frentes, além do Afeganistão e do Iraque, e os conflitos da Europa e do Oriente Médio provavelmente se juntariam, com a Rússia se engajando diretamente no enfrentamento contra Israel. O cenário se completaria com revoluções islâmicas no Egito, no Paquistão e na Península Arábica, inclusive na Arábia Saudita, berço do islamismo e pátria de Osama bin Laden. A Índia poderia atacar o Paquistão após a revolução islâmica, aproveitando-se da instabilidade no vizinho inimigo para abrir um quinto confronto regional integrante do quadro. O Egito entraria na guerra contra Israel, e a Jordânia também poderia sofrer sua revolução islâmica, juntando-se às tropas. O desfecho deste caldeirão é totalmente imprevisível, havendo grande possibilidade do uso de armas atômicas, pois vários dos atores da peça têm armamento nuclear ou o estão desenvolvendo. Dos países mencionados, com certeza têm armas nucleares – estratégicas e táticas –, além de Estados Unidos e Israel, Rússia, China, Coréia do Norte, Índia e Paquistão. Chineses e coreanos têm velhas e grandes contas a acertar com o Japão, de modo que este país teria grandes chances de ser atacado, inclusive nuclearmente (outra vez!). Rússia, China e Coréia do Norte poderiam fazer a partilha do Japão.

Obcecado por este cenário, resolvi pesquisá-lo na Internet, mais precisamente no Google, e descobri, para meu espanto, que dois sites evangélicos fundamentalistas trabalham com cenário muito parecido. O site original americano se chama The Cutting Edge (“a lâmina cortante”) e tem o seguinte endereço: www.cuttingedge.org (o cuttingedge.com é um site que vende facas). Sua versão brasileira – incompleta, mas com muito conteúdo – é A Espada, com o endereço www.espada.eti.br. Baseiam-se em interpretações de profecias bíblicas, principalmente de Joel, Isaías e Apocalipse, e em estudos da conjuntura atual para construir um cenário muito semelhante ao meu. Os dois sites, no entanto, vão além: dizem que o Irã, o Egito e a Arábia Saudita já têm armas nucleares, compradas respectivamente da Rússia, da Coréia do Norte e da China, e que a Rússia e a China têm sistemas antimísseis e de artilharia antiaérea superiores ao dos Estados Unidos.

A diferença principal entre o meu cenário e o dos dois sites é que o deles termina com a volta triunfal de Jesus Cristo, e o meu cenário não tem um final previsto (certamente não creio que vá tudo terminar com o retorno de Jesus Cristo).

E tem mais: essa coisa toda não demora muito, pois os contornos já estão muito bem delineados (só não vê quem não quer). Entre 2009 e 2012 a bomba vai estourar. Quem viver verá.