O mapa da eleição americana – As chances de Obama contra McCain em novembro

O conceituado site RasmussenReports apresentou um mapa verbal da eleição americana que é muito animador para os democratas, sobretudo para Barack Obama, o favorito para ganhar a indicação do partido e apontado pelas pesquisas de opinião pública como o candidato mais elegível do partido. Sempre lembrando que quem ganhar por um voto num estado leva todos os seus delegados, o mapa é o seguinte (entre parênteses o número de delegados de cada estado):

Primeira categoria: Safely Democratic, ou seja, estados que o candidato democrata levará com certeza:

  • Califórnia (55)
  • Connecticut (7)
  • Distrito de Colúmbia (Washington D. C.) (3)
  • Havaí(4)
  • Illinois (21)
  • Maine(4)
  • Maryland (10)
  • Massachusetts (12)
  • Nova York (31)
  • Rhode Island (4)
  • Vermont (3)

Subtotal: 154

Segunda categoria: Likely Democratic, isto é, estados em que os democratas provavelmente ganharão:

  • Delaware (3)
  • Michigan (17)
  • Minnesota (10)
  • Nova Jersey (15)
  • Oregon (7)
  • Pensilvânia (21)
  • Estado de Washington (11)
  • Wisconsin (10)

Subtotal: 94

Todas essas dezenove unidades federativas, somando 248 delegados (ganha a eleição quem chegar a 270 delegados), foram ganhas tanto por Al Gore, em 2000, quanto por John Kerry em 2004. Como se vê, não falta muito para os democratas em 2008.

Terceira categoria: Leans Democratic, ou seja, tende para os democratas. São os seguintes estados:

  • Iowa (7), ganho por Al Gore em 2000.
  • New Hampshire (4), ganho por John Kerry em 2004.
  • Novo México (5), ganho por Al Gore em 2000.
  • Ohio (20), perdido por muito pouco por Kerry em 2004. Decidiu aquela eleição.

Subtotal: 36

Somando esses 36 aos 248 anteriores, já teríamos 284 delegados, catorze a mais do que o mínimo necessário ao Partido Democrático.

Quarta categoria: Toss up. Esta expressão significa jogar uma moeda para cima: a chance de dar cara ou coroa é a mesma (50%). Nesta categoria estão os seguintes estados:

  • Colorado (9)
  • Missouri (11)
  • Nevada (5)

Subtotal: 25

Agora as categorias republicanas. Primeira: tendem ao Partido Republicano: (Flórida – 27 delegados) e Virgínia (13).

Segunda: provavelmente republicano: Arkansas (6).

Terceira: seguramente republicano. São estes os estados:

  • Alabama (9)
  • Alaska (3)
  • Arizona (10)
  • Geórgia (15)
  • Idaho (4)
  • Indiana (11)
  • Kansas (6)
  • Kentucky (8)
  • Louisiana (9)
  • Mississipi (6)
  • Montana (3)
  • Nebraska (5)
  • North Carolina (15)
  • North Dakota (3)
  • Oklahoma (7)
  • South Carolina (8)
  • South Dakota (3)
  • Tennessee (11)
  • Texas (34)
  • Utah (5)
  • West Viriginia (5)
  • Wyoming (3)

Subtotal: 183

Como se vê, as três categorias republicanas somam 229, contra 284 das três categorias democratas e 25 sem tendência. Isto significa que Barack Obama é o franco favorito para vencer em 4 de novembro.

Obama já está afinando o discurso contra John McCain. Mostra respeito pelo venerando senhor de 72 anos. Diz que reconhece nele um verdadeiro herói americano (McCain foi prisioneiro de guerra por cinco anos no Vietnã). Elogia seu espírito de independência demonstrado em outras épocas (quando ele votou, por exemplo, contra os cortes de impostos implementados por Bush para os muito ricos). Afirma, no entanto, que McCain jogou tudo fora ao abraçar toda a política econômica fracassada de Bush, inclusive os cortes de impostos contra os quais votara. Acusa McCain de ter se rendido aos lobbies que dominam o governo Bush. E pega o veterano senador por uma frase infelicíssima que ele pronunciou recentemente: “Os Estados Unidos ficarão, se necessário, cem anos no Iraque”. A Guerra no Iraque continua muito impopular nos Estados Unidos, atraindo contra si mais de 60% da opinião pública, contra trinta e poucos por cento a favor. Obama resumiu: “Se ele quer cem anos no Iraque, isto é um motivo muito forte para ele não ter quatro anos na presidência”.

Obama é um fenômeno raríssimo: empolga a esquerda e ao mesmo tempo atrai o centro. Empolga o seu próprio partido e tem ótimo trânsito com os independentes. Tem índice de rejeição baixo. É muito mais carismático que seus adversários e sua oratória, ao mesmo tempo tranqüila e inflamada, é muito superior às de Clinton e McCain. Ele se apresenta como o candidato do amanhã contra os candidatos do ontem. Fala em esperança e mudança contra o cinismo. E pinta um retrato devastador de McCain como alguém que tem serviços prestados, mas se rendeu, um ex-rebelde que se vendeu ao que há de pior no sistema; como alguém, enfim, que vendeu, metaforicamente, a alma ao diabo.

Clinton tentou usar contra Obama o discurso da experiência. Numa eleição em que a maioria do eleitorado está com sede de mudança, não funcionou. Creio que não funcionará também em novembro.