Obama, Osama, Al-Zawahiri, Al-Qaeda, Bombaim, Mumbai, Paquistão, Irã, Israel, Ahmadinejad, Netanyahu, 3ª Guerra Mundial: O mundo perigoso de 2009

Eu sou do tempo em que Beijing era Pequim e Mumbai era Bombaim. Portanto, perdoem meu arcaísmo, mas vou continuar chamando a cidade indiana recentemente atacada de Bombaim. Aliás, minha versão do Word, que é nova, também não aceita Beijing e Mumbai, dando como corretas as grafias Pequim e Bombaim, rima que para mim é solução.

Ayman Al-Zawahiri, o médico egípcio que é o nº 2 da Al-Qaeda, pôs Barack Obama em xeque ao equipará-lo a Colin Powell e Condoleezza Rice, tachando os três de “house negroes”, negros da casa, ou seja, negros da Casa Grande, serviçais domésticos dos brancos, submissos, bajuladores e privilegiados em comparação com os negros da Senzala, que pegavam pesado nas plantações. O termo “house negroes”, criado pelos negros da Senzala e das plantações, é extremamente pejorativo, criando uma nuvem escura (sem trocadilho) sobre a cabeça de Obama: qualquer medida que ele tomar contra muçulmanos, qualquer medida que ele tomar a favor de Israel, o rótulo já está pronto para ser colado em sua testa: “house negro; Obama is a house negro”.

O “house negro” já recebeu suas boas vindas, ao mesmo tempo um adeus a W. Bush: o espetacular ataque de Bombaim, que matou oficialmente, a preço de hoje, 195 pessoas, inclusive 22 estrangeiros, entre eles seis americanos, dentre os quais quatro com dupla cidadania americana e israelense (morreu também uma quinta israelense, sem cidadania americana). Morreram catorze policiais, entre eles ninguém menos do que o chefe do serviço antiterrorismo do Estado onde fica Bombaim. Foi dar uma de herói, trocar tiros e granadas com os guerrilheiros nos corredores de um hotel… Virou herói, mas um herói morto.

O governo indiano tentou transformar a derrota em vitória, proclamando, com a cumplicidade da CNN, da Folha de S. Paulo e de outros veículos, que a intenção dos cerca de doze atacantes era matar cinco mil pessoas. Ora, a intenção deles não era, com certeza, matar um número específico de pessoas, mas tantas quantas fosse possível matar, sobretudo americanos, britânicos e judeus. Eles poderiam ter feito um número bem maior de vítimas, pois tinham munições e explosivos suficientes para tanto. Isto, porém, se não tivesse havido resistência nenhuma, algo absolutamente impensável, já que a Índia é um país sempre alerta à chamada ameaça terrorista, já que tem um contencioso com o islâmico Paquistão sobre a região da Caxemira, que deveria ter ficado com o Paquistão na partilha de 1947, por ter ampla maioria muçulmana, mas ficou com a Índia, erro que é um dos muitos abacaxis deixados para a posteridade pelo finado Império Britânico, aquele onde o sol nunca se punha. A tentativa de transformar derrota em vitória não deu certo, todavia: o ministro indiano do Interior teve que renunciar, com um monte de assessores.

O Paquistão, que abriga Osama bin Laden, Al-Zawahiri e muitos membros da Al-Qaeda nas chamadas áreas tribais na fronteira com o Afeganistão, onde o governo não tem praticamente nenhum controle, pois as tribos têm seus próprios exércitos, caminha a passos largos para uma revolução islâmica, que, mais cedo ou mais tarde, vai colocar os aliados paquistaneses de Bin Laden no poder central de uma nação com armas nucleares. A Al-Qaeda certamente receberá uns presentinhos que usará contra Israel, tendo o cuidado de não fazê-lo a partir de território paquistanês, para não legitimar uma reação nuclear de Israel contra o Paquistão.

E ainda temos o Irã, o regime mais beneficiado pelo governo Bush, que, em primeiro lugar, fez o favor de livrar o Irã de seu vizinho-inimigo, o regime de Saddam Hussein, abrindo o caminho para a tomada do poder no Iraque pelos iraquianos xiitas aliados do Irã. Quando Bush assumiu, o Irã não tinha nenhuma centrífuga para enriquecer urânio. Hoje tem quase quatro mil, espalhadas e escondidas por várias partes do país, e está prestes a pôr em operação mais três mil centrífugas. O Irã já tem urânio enriquecido em quantidade suficiente para fazer uma bomba atômica: só precisa enriquecê-lo um pouco mais. Quando Bush assumiu, o Irã não tinha mísseis capazes de atingir todo o território de Israel e grande parte da Europa. Hoje os tem: são os mísseis Shahab-3. E já estão quase saindo do forno os mísseis Shahab-6, capazes de atingir toda a Europa, inclusive a Grã-Bretanha, e partes importantes do território americano. O Hezbollah, movimento xiita libanês aliado de Teerã, causou estragos consideráveis no norte de Israel, matando cento e tantos israelenses e ferindo centenas de outros, em represália aos ferozes e sangrentos ataques israelenses contra o Líbano em 2006. E o Hezbollah tem agora, conforme relatos da imprensa americana, três vezes mais mísseis do que em 2006, e mísseis mais modernos. O Irã pode também alavancar consideravelmente o poder militar da Síria e do movimento palestino Hamas, cuja proximidade territorial com Israel pode ser devastadora para este país no caso de uma guerra generalizada no Oriente Médio. E quem pode provocar esta guerra?

O ex-primeiro ministro israelense Binyamin Netanyahu, favorito para voltar ao poder nas eleições marcadas para fevereiro de 2009. Corre na internet e na imprensa americana o rumor de que o presidente Barack Obama e a secretária de Estado Hillary Clinton, que tomarão posse em 20 de janeiro, pretendem pressionar Israel a voltar para as fronteiras de 1967, desmantelando as colônias judaicas na Cisjordânia, devolvendo aos palestinos Jerusalém Oriental e devolvendo à Síria as Colinas de Golã. Netanyahu não aceita nada disso. E atacaria o Irã, sem o sinal verde da Casa Branca de Obama, antes que a onda Obama-Hillary se tornasse irresistível, provocando (Netanyahu) retaliações e uma guerra generalizada no Oriente Médio. A Rússia, a China e a Coréia do Norte talvez aproveitassem o caos em que Netanyahu jogaria o mundo para buscar a realização de seus próprios objetivos, como a reconquista de Taiwan pela China, que ajudaria a Coréia do Norte a invadir a Coréia do Sul de modo a aumentar o caos e a impedir qualquer defesa de Taiwan pelos Estados Unidos.

O que faria Obama diante de tudo isso? Comportar-se-ia como um “house negro”, engolindo a desfeita de Netanyahu e jogando o peso americano a favor do agressor israelense, quando os americanos não conseguem dar conta sequer do Iraque e do Afeganistão? E o Paquistão, veria finalmente sua Revolução Islâmica se materializar? Como reagiria a Índia? A monarquia saudita – fundamentalista nos costumes, mas pró-americana na economia e na política – agüentaria o tranco ou seria finalmente varrida pelos seguidores sauditas do saudita Bin Laden? Netanyahu poderá abrir uma nova Caixa de Pandora.