Olha o Gabeira aí, gente…

A Zona Sul do Rio de Janeiro ama Fernando Gabeira (PV) e o levou ao segundo turno da eleição municipal. Liberal até o fundo de suas células, cabeça do século 21 em corpo do século 20, Gabeira é a cara da Zona Sul. Se dependesse dela, ele teria liquidado a fatura no primeiro turno. Teve 59% dos votos válidos no Flamengo, 54% em Botafogo, 55% em Copacabana, 64% em Ipanema… Saiu-se bem ainda (embora muito menos) no Centro, na área mais rica da Zona Norte (a Tijuca) e no Fundão, bairro da Zona Norte onde fica o imenso campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E surpreendeu ao ficar em primeiro lugar em dois subúrbios típicos, Caxambi e Engenho de Dentro. Ah, ganhou também no Andaraí, começo da Zona Norte, e no Recreio dos Bandeirantes, praia poluída na Zona Oeste.

Mas quando você olha os resultados em Bangu, Olaria, Madureira, Campo Grande e todos aqueles nomes familiares para quem acompanha o futebol carioca desde o início da década de 70, como é o meu caso, a situação de Gabeira se complica. E quase todos os votos do terceiro colocado, o senador neopentecostal Marcela Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus, irão para o candidato do PMDB, Eduardo Paes. Gabeira deve pegar a grande maioria dos votos da quarta colocada, a ex-deputada federal Jandira Feghali, do PC do B, mesmo ela não o apoiando, por ser Gabeira opositor de Lula e ter como vice um filiado ao PSDB. Gabeira vai ter os votos dos Democratas e do PSOL e vai dividir o eleitorado petista, onde tem muitos admiradores, apesar da oposição a Lula.

As dificuldades são grandes, mas Gabeira tem chance, por encarnar o tradicional espírito de rebeldia e independência de grande parte do eleitorado carioca. Segundo o Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br), ele está apenas três pontos atrás do peemedebista Eduardo Paes, o candidato do governador vascaíno Sérgio Cabral Filho, conforme pesquisa para consumo interno do PMDB, que uma fonte passou a Noblat. Se o verde Gabeira conseguir 35% dos votos válidos nas Zonas Oeste e Norte, ganhar, mesmo que por pouco, na região central, e arrebentar na Zona Sul e na Barra da Tijuca (não confundir com a Tijuca), chegando a alguma coisa entre 75% e 80% dos votos válidos nessas duas regiões, ele será eleito. E aí a festa não vai ter hora…