Os equívocos de Marina Silva

A grande novidade na sucessão presidencial é a senadora Marina Silva, que acaba de deixar ao PT para ingressar no PV. Ela tem tudo para ser a Heloísa Helena desta eleição, embora seja, em temperamento, o oposto de H. H.: Marina Silva é uma figura suave, enquanto Heloísa Helena tem temperamento quente, combativo, explosivo. A candidatura de Marina é bem-vinda, até para atrapalhar Dilma Roussef, mulher fálica, autoritária, arrogante e prepotente. A senadora do Acre significa, como contraponto, o fortalecimento, no eleitorado, da consciência da podridão que se alastrou no PT e na “esquerda” brasileira, podridão representada pelas candidaturas de Roussef, pelo PT, e de Ciro Gomes, pelo PSB.

A figura de Marina tem, no entanto, seus problemas. Para começar, esteve no governo petista durante todo o escândalo do mensalão. Não participou, mas também não deixou o governo naquela ocasião, tendo passado cinco anos aboletada no Ministério do Meio-Ambiente. O ambiente era podre, mas ela estava lá, convivendo com o lixão.

Em segundo lugar, Marina apóia políticas equivocadas do governo Lula, como as cotas raciais, que estão racializando (não confundir com “racionalizando”) a sociedade brasileira, transformando-nos numa sociedade racial e racista, institucionalizando formas de racismo em nosso país.

A este respeito, aliás, a senadora se define como “negra” em entrevista à revista Veja. É um erro grave. Marina não é negra, mas parda. Com certeza tem ancestrais negros, brancos e indígenas. Definir-se como “negra” significa considerar sua ascendência negra mais importante e mais nobre do que suas ascendências branca e índia. E isto é racismo. Um tipo de racismo que tem dominado os movimentos afro no Brasil e que contaminou a senadora.

Outro problema com Marina Silva é o seu criacionismo. Evangélica da Assembléia de Deus, ex-fundamentalista católica (quase foi freira), ela nega que seja criacionista. Mas disse Veja: “Creio que Deus criou todas as coisas como elas são”. Isso é criacionismo puro! Se é que Deus criou alguma coisa, ele não criou nada como é. Tudo se transformou, tudo evoluiu seguindo leis naturais. Deus (se existe) pode ter criado a primeira forma de vida unicelular, aquela que deu início ao processo de evolução pela seleção natural das mutações genéticas aleatórias. Mas com certeza Deus não criou o leão como o leão é, não criou a baleia como a baleia é (a baleia descende, remotamente, de formas de vida terrestres, e não de formas de vida aquáticas) e não criou o ser humano como ele é. Criacionismo é ignorância! Portanto, a candidata do PV a presidente da República não entende a natureza que ela quer defender. Pensa mitologicamente, e não cientificamente. Isto a torna uma figura potencialmente perigosa, apesar de toda a suavidade de seu temperamento.

Cuidado com Marina Silva!