Serra numa boa

As coisas estão andando muito bem para o candidato José Serra. De repente Serra apareceu prontíssimo: com dois slogans ótimos, um jingle maravilhoso e um discurso extremamente adequado à conjuntura.

Os dois slogans são “O Brasil Pode Mais” e “O Brasil Não Tem Dono”. São uma forma de fazer oposição a Lula sem fazer oposição a Lula. É como se ele dissesse: “Tudo bem, Lula fez umas coisas boas. Mas o Brasil pode mais”. “Tudo bem, Lula fez umas coisas boas, mas não é o dono do Brasil, não pode escolher qualquer um ou qualquer uma para sucedê-lo. O povo escolhe, não o Lula”.

O jingle, que ouvi em primeiríssima mão pela Internet, é uma obra-prima. Fala direto ao coração da pessoa comum e dá uma sensação de intimidade com o candidato. É gostosinho de ouvir e cantar e tem um refrão pegajoso, no bom sentido. Fala do currículo do candidato e de seu preparo sem botar banca, sem parecer arrogante. E expõe a inexperiência, obscuridade e malevolência da adversária sem nem de longe mencioná-la. Vai ser um hit no horário eleitoral da televisão e do rádio.

Quanto ao discurso, mostra que o Brasil não foi fundado em 2003, que as conquistas do país são o resultado de 25 anos de estabilidade democrática, começando com a eleição de Tancredo Neves e passando pela Constituinte, pela volta das eleições diretas, pelo impeachment de Collor, pelo governo Itamar Franco, pelo Plano Real, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, pelo início dos programas sociais com Dra. Ruth Cardoso… Como bem apontou Aécio Neves, o PT foi contra quase tudo isso: expulsou seus três deputados que votaram em Tancredo Neves, recusou-se a assinar a Constituição de 88, tem hoje o apoio de Collor, rejeitou o governo Itamar Franco, fez oposição ao Plano Real, votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal… E agora se beneficia de tudo isso. Como bem disse Serra, não foi obra de um só homem nem de um só partido ou coligação. Foi obra de um país, um país que pode mais.

* * *

Enquanto isso, um dilúvio caiu sobre Dilma Rousseff e seus aliados no Rio de Janeiro, desamparado diante das chuvas porque o ministro lulista Geddel Vieira Lima mandou 80% das verbas da Defesa Civil para a Bahia, onde é candidato a governador pelo PMDB. 200 e tantos mortos, contra 78 em São Paulo no início do ano, e o feitiço virando contra o feiticeiro, já que tinham usado as chuvas de São Paulo contra Serra.

* * *

Para completar, o início de campanha pós-governo de Dilma Rousseff tem sido desastroso. Em Minas, fez uma visita demagógica ao túmulo de Tancredo Neves, que pegou muito mal, tendo inclusive sido repudiada pela família. Pregou uma dobradinha com o candidato de Aécio ao governo, indignando o PMDB mineiro, que imediatamente, em represália, pregou uma dobradinha com Serra. Agora, Dilma ofende os exilados durante o regime militar, cahamando-os de “covardes” para atingir Serra, mas atingindo inúmeros de seus aliados e provocando uma indignação geral.

* * *

A “pesquisa” Sensus não vai mostrar o quadro real porque, assim como as “pesquisas” Vox Populi, é comprada e não tem nenhuma credibilidade. O Sensus e o Vox Populi são empresas Dilmentirosas. Mas depois virão pesquisas Ibope e Datafolha. E um dia virão as eleições. E um dia ficará claro para todos que Serra está numa boa.