Serríssimo: “nervos de aço”

Embora não faça campanha antecipada e ilegal, José Serra é candidato a Presidente e, faz tempo, todo mundo sabe disso. Algumas bestas tentaram vender a desistência de Serra sem que o candidato houvesse dado a menor indicação neste sentido. O governador paulista não deu bola para o ataque especulativo e continuou governando, como é do seu dever. Agora, numa data propícia, simbólica, 19 de março, dia de São José e aniversário de José Serra, em uma entrevista a José Luiz Datena, da Band, o candidato admitiu o óbvio: é candidato. A entrevista foi boa. Podemos dizer, assim, uma entrevista maneira. A carga pesada, porém, vem aí. O governador avisou que o anúncio da candidatura presidencial, com pompa e circunstância, será no início de abril. Os que apostaram na moeda podre da desistência ficaram no vermelho; e ajudaram Serra.

Do ataque especulativo restou confirmado o seguinte: 1) Serra não se deixa pautar por amigos e correligionários ansiosos; muito menos por adversários e inimigos maliciosos. 2) Serra é um político cauteloso.

Certamente a luta da sucessão presidencial não poderá ser vencida apenas com cautela, momento haverá para as exigências da audácia. Cautela não significa medo ou timidez, que o diga Tancredo Neves, o mais cauteloso dos políticos. Quando preciso, foi audacioso. Até que a morte foi mais audaciosa do que ele. Quando não insistiu em uma luta fratricida com Geraldo Alckmin, cedendo a candidatura presidencial em 2006, Serra foi cauteloso. Estava certo, não conviria enfrentar uma campanha difícil com o partido dilacerado. Quando deixou a prefeitura para se candidatar ao Governo de São Paulo, Serra foi audacioso. E venceu.

Até agora, a estratégia do presidenciável tucano está correta. Tanto que ele se mantém em um patamar altíssimo: 35% de intenções de voto, pela última medição do Ibope. Serra, na oportuníssima entrevista a Datena, mostrou que está desenvolvendo o melhor do seu estilo: está serríssimo. E tinha avisado: “Em política, tenho nervos de aço”.

Todo este meu entusiasmo, e Serra nem é meu candidato; não no primeiro turno. Primeiro voto em Marina Silva. Avisei isso em artigo anterior e o leitor Aluízio enviou quatro comentários insistindo pelo voto em Serra logo de primeira. Pediu que eu refletisse. Refleti. Continuo com Marina no primeiro turno. A candidatura verde favorece a democracia e abre perspectivas futuras. É importante que Marina saia fortalecida desta campanha. Como já afirmei, minha prioridade é derrotar o projeto autoritário lulo-dilmo-petista-bolivariano; e não creio que esta praga seja erradicada apenas com a derrota na disputa presidencial de 2010. Teremos uma luta prolongada e será preciso mais de um contraveneno. Um PV renovado, liderado por pessoas como Marina Silva e Fernando Gabeira, pode ser um pólo de atração anti-PT num espaço que o PSDB não cobre. Mas não se preocupe, meu caro Aluízio, não vou puxar votos de Serra. Serão arrancados da Dilma todos os três ou quatro votos que eu ganhar para Marina.