Sionismo nervoso*

* Publicado originalmente no jornal O Norte em 30/08/06.

“Sionista”, atualmente, é um termo que se refere aos adoradores do Estado de Israel. Nem todo sionista é judeu e nem todo judeu é sionista. Conheci na Inglaterra vários judeus que se opunham a Israel e eram totalmente solidários aos palestinos e libaneses. Recomendo aos caros leitores um livro escrito por um judeu, filho de sobreviventes do Holocausto. O livro se chama “A Indústria do Holocausto” e foi escrito por Norman Finkelstein. Finkelstein é judeu, mas não é sionista.

Por outro lado, a maioria dos evangélicos norte-americanos e brasileiros pratica verdadeira adoração ao Estado de Israel, passando por cima do fato de que o judaísmo considera Jesus Cristo um falso messias, um farsante, um impostor, enquanto os muçulmanos vêem Jesus de modo muito mais benigno, como um dos nove grandes profetas do islã, e, assim como os cristãos, aguardam o retorno de Jesus. Já os judeus esperam um messias que não tem nada a ver com Jesus, um messias que nunca veio e que vai dar poder econômico, político e militar ao Estado de Israel, que poderá assim esmagar todos os seus vizinhos, como a Bíblia diz que eles fizeram em tempos bíblicos ao tomar dos cananeus e de outros povos a terra de Canaã.

Os sionistas estão muito nervosos. Israel se meteu numa aventura sangrenta no Líbano e não atingiu nenhum de seus objetivos. Não recuperou os dois soldados capturados pelo Hezbollah, não conseguiu desarticular nem desarmar o grupo xiita, fortaleceu politicamente o Hezbollah no Líbano e internacionalmente, fortaleceu politicamente seus inimigos Síria e Irã, perdeu 112 soldados e 39 civis no contra-ataque do Hezbollah e prejudicou seriamente sua imagem ao matar mais de mil civis, libaneses e de outras nacionalidades, inclusive sete brasileiros. A imagem de Israel está em frangalhos.

Zonzos com a surra militar, política e moral que acabam de levar, os sionistas estão em polvorosa. Um site que denomino CSCD – Central Sionista de Censura e Difamação – trata de atacar de forma difamatória os adversários do Estado de Israel, enquanto tenta desalojá-los de suas posições na imprensa, nacional ou estadual. Investiram, por exemplo, contra Gilberto Barros (Leão) e Ana Maria Braga. E estão me fazendo uma perseguição implacável, perseguição, aliás, a que este democrático jornal não está dando ouvidos. Não podemos permitir que a imprensa brasileira seja pautada por uma seita. Resistência já! Viva a democracia e a liberdade de expressão!