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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; bíblia</title>
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	<description>O Múltiplos Universos é o site do Gilson Gondim, que escreve sobre diversos assuntos polêmicos relacionados à Bíblia, contradições da Bíblia, Israel, política, eleições americanas, judeus, sionismo e assuntos diversos.</description>
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		<itunes:summary>Muacute;ltiplos Universos eacute; um site de artigos polecirc;micos, atualizado diariamente.</itunes:summary>
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		<title>Estatísticas de Múltiplos Universos</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 12:07:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>O site <em>Múltiplos Universos</em> recebeu, entre janeiro de 2011 e novembro do mesmo ano, 72.572 visitas e 45.621 visitantes únicos, com média mensal de 6.597 e 4.147, respectivamente.</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O site <em>Múltiplos Universos</em> recebeu, entre janeiro de 2011 e novembro do mesmo ano, 72.572 visitas e 45.621 visitantes únicos, com média mensal de 6.597 e 4.147, respectivamente.</p>
<p>No mês de novembro de 2011, foram 7.234 visitas (média diária de 241,13) e 4.647 visitantes únicos (média diária de 154,9).</p>
<p>As dez palavras-chave mais procuradas em novembro de 2011 foram:</p>
<ol>
<li>Gilson Gondim (283)</li>
<li>Múltiplos Universos (88)</li>
<li>Terror atômico (55)</li>
<li>Contradições da Bíblia (50)</li>
<li>Texto engraçado (48)</li>
<li>Sinta-se a vontade tem crase (47)</li>
<li>Marx e a religião (38)</li>
<li>Jogo onde você é Deus (30)</li>
<li>Maioridade penal a favor (23)</li>
</ol>
<p>10.  Jogo em que você é Deus (22)</p>
<p>Ao todo, 2.038 palavras-chave diferentes foram utilizadas para navegar no site em novembro.</p>
<p>Desde seus primórdios no segundo semestre de 2006 até 2 de dezembro de 2011, o site recebeu e publicou 8.975 comentários, sendo o artigo <em>O Fracasso do Jesus Profeta</em> o campeão de comentários, com 874.</p>
<p>O site é bem cotado no Google, sendo, por exemplo, no momento em que este artigo é escrito, o primeiro colocado no item <em> Artigos sobre Israel</em>.</p>
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		<title>O que pensavam os autores da Bíblia</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 22:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Os autores da Bíblia pensavam que o Sol girava em torno da Terra. Tanto é assim que, no Livro de Josué, este, querendo que a claridade continuasse para concluir e vencer uma batalha, pede a Deus que pare o Sol. Deus atende ao pedido e a batalha é ganha pelo povo eleito.</p>
<p>Os autores da Bíblia não tinham a noção de que toda a humanidade passou por uma fase em que todos os grupos viviam da caça e da coleta (caçadores-coletores). Tanto é assim que, na história humana contada na Bíblia, Adão e Eva passam direto do Jardim do Éden para o trabalho na agricultura e no pastoreio, algo que apareceu bem tarde no desenvolvimento humano.</p>
<p>Os autores da Bíblia não tinham a menor idéia de que houvera outras humanidades na Terra, tanto anteriores quanto paralelas à nossa. Se os autores do Livro do Gênesis ressuscitassem hoje, ficariam com certeza perplexos diante do Homem de Neandertal, do Homem de Denisova, do Homem da Ilha de Flores, que existiram em paralelo a nossos ancestrais, tão recentemente quanto trinta mil anos atrás, no caso do Homem de Neandertal, e dez mil anos, no caso do Homem da Ilha de Flores. O termo “humano” não se refere a uma espécie, mas a um gênero, um conjunto de espécies, todas hoje extintas, exceto a nossa. </p>
<p>Os autores da Bíblia ficariam perplexos se viessem a saber que o parentesco genético 	do chimpanzé com o homem é maior do que o parentesco do  chimpanzé com o gorila e o orangotango (os ancestrais comuns de seres humanos e chimpanzés divergiram dos ancestrais do gorila há cerca de nove milhões de anos; há cerca de seis milhões de anos os ancestrais dos chimpanzés divergiram dos nossos).</p>
<p>Os autores da Bíblia pensavam que as espécies haviam sido criadas prontas, tais como são hoje. A Bíblia não diz apenas que Deus criou a vida, mas que Deus criou os animais conforme a sua espécie. Eles não tinham também a menor idéia da diversidade da vida no planeta, do fato de que há, por exemplo, centenas de milhares de espécies de besouros (algo como 300 mil). Os animais que teriam ocupado a Arca de Noé eram aqueles poucos que eles conheciam (a crença na literalidade do relato da Arca de Noé, assim como na literalidade de todos os relatos bíblicos, era praticamente geral até o século 18).</p>
<p>Os autores da Bíblia eram cegos à inteligência dos animais não humanos, hoje cada vez mais conhecida. Para eles, o homem não fazia parte do Reino Animal, sendo uma criatura à parte, criada à imagem e semelhança de Deus, enquanto os outros não passavam de irracionais. Ficariam perplexos diante dos chimpanzés, bonobos e gorilas que usam centenas de palavras em linguagem de sinais ou teclados de computador; ficariam perplexos com os elefantes pintores figurativos; ficariam de queixo caído com o papagaio cinzento africano Alex, já falecido, que dominava, e verbalizava tal domínio, conceitos como maior, menor, mais comprido, mais curto, mais estreito, mais largo, as cores, formatos etc., a ponto de comunicar conceitos como “cubo vermelho”, “triângulo azul” e assim por diante.</p>
<p>Até o século 18, praticamente todos os geólogos acreditavam no dilúvio universal narrado na Bíblia. A ciência tinha que se curvar às Escrituras. Hoje a ciência está liberta, mas a sociedade ainda não está, a não ser nos países socialmente mais avançados, como a Suécia, a Noruega e a Dinamarca. A luta contra a crendice e a superstição continua. Atual como sempre.</p>
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		<title>Dez razões para descrer do cristianismo</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Feb 2011 13:25:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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<li>Os baixíssimos padrões de comprovação prevalecentes nas épocas em que os vários livros da Bíblia foram escritos.</li>
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			<content:encoded><![CDATA[<ol>
<li>Os baixíssimos padrões de comprovação prevalecentes nas épocas em que os vários livros da Bíblia foram escritos.</li>
<li>O fato de que só dispomos de cópias de cópias de cópias&#8230; Era hábito de muitos copistas da Antiguidade cortar, acrescentar e modificar para deixar o texto mais ao seu gosto ou mais ao gosto desta ou daquela corrente teológica. Por exemplo: a cópia do Livro de Jeremias encontrada entre os Manuscritos do Mar Morto é cerca de 15% mais curta do que a que acabou encontrando lugar na Bíblia. Isto quem diz é o pesquisador judeu holandês Emanuel Tov, que mora em Israel há mais de quatro décadas e pesquisou a fundo os Manuscritos do Mar Morto (revista Veja, 17 de abril de 2002).</li>
<li>Jesus errou as previsões sobre seu retorno. Nos primeiros tempos do cristianismo, baseados nas palavras do próprio Cristo segundo os Evangelhos, os cristãos esperavam seu retorno para muito breve, para o tempo de vida deles. Somente quando isso não aconteceu, começaram as tentativas de reinterpretações. A este respeito, recomendo meu artigo “O Fracasso do Jesus Profeta”, disponível, com quase novecentos comentários, no site Múltiplos Universos (www.multiplosuniversos.com.br).</li>
<li>O Velho Testamento pode ser resumido em duas palavras: ódio e racismo (“Não deixeis vivo nada que respire. Ao contrário, passareis no fio da espada homem, mulher, criança e animal”). E o Novo Testamento valida o Antigo várias vezes. Ou seja, não se pode ficar com o Novo descartando o Velho. Se se descartar um, há que se descartar o outro também.</li>
<li>A Bíblia tem inúmeras contradições. Uma delas é que em Lucas (Lucas 23: 39 a 43) um dos ladrões insulta Jesus enquanto o outro o defende. Em Mateus (27:44) e em Marcos (15:32) ambos os ladrões o insultam.</li>
<li>A Bíblia mostra o homem e a mulher criados prontos, enquanto a teoria da evolução, apresentada no século 19 e confirmada nos séculos 20 e 21 pela genética, a paleontologia e a biologia molecular, mostra que a espécie humana (como todas as espécies) tem uma pré-história, iniciada há cerca de seis milhões de anos, quando começaram a divergir os ramos que resultaram no ser humano e no chimpanzé (o parentesco genético do chimpanzé conosco é maior do que com o gorila e o orangotango).</li>
<li>A história de Adão e Eva não pode ser simplesmente reclassificada como uma alegoria ou uma metáfora, porque esta história é a base de um componente fundamental em todo o cristianismo: o pecado original, que teria começado com Eva e com Adão e que seria transmitido de geração a geração, como se fosse uma doença genética. Jesus Cristo teria vindo para, com seu sacrifício, nos redimir do pecado original. Portanto, Adão e Eva têm que ter existido ou todo o cristianismo cai por terra. Mas não há lugar na ciência para Adão e Eva, e o cristianismo fica emparedado.</li>
<li>O apóstolo Paulo, figura-chave do cristianismo, autor de grande parte do Novo Testamento, é uma figura extremamente problemática, principalmente por suas investidas contra as mulheres e a favor da escravidão. A depender da vontade de Paulo, as mulheres não poderiam ensinar, não poderiam falar em público ou entrar na igreja com a cabeça descoberta.</li>
<li>“É o espírito da época”, defendem-se os cristãos. Mas e a proibição da homossexualidade, também não seria espírito da época? A quem cabe decidir o que é espírito da época e o que é Palavra de Deus? A quem cabe distinguir um do outro?</li>
<li>Voltando a Adão e Eva, se eles não passam de uma alegoria, por que o próprio Jesus Cristo não seria também uma mera alegoria? E o Espírito Santo? E o próprio Deus Pai? Onde deve parar a alegorização? E quem decide onde ela deve parar? Os milagres existiram de fato ou são alegoria? A crucificação aconteceu de fato ou é uma alegoria? E a ressurreição no terceiro dia? Como se vê, o cristianismo é estrangulado intelectualmente por uma sucessão de problemas insolúveis que está longe de terminar por aqui.</li>
</ol>
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		<title>Nenhum Deus é tão Deus quanto o Deus de Calvino. Nenhum Deus é tão horrível</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 14:23:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ouvi falar em Calvino e calvinismo pela primeira vez quando fiz as disciplinas Introdução à Sociologia e Teoria Sociológica na Escola de Economia e Ciência Política da Universidade de Londres. Lá estava Max Weber com seu “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, que trata sobretudo do papel do calvinismo no deslanche do capitalismo na Europa setentrional (norte) protestante. Weber achava que a doutrina calvinista da predestinação (os salvos são salvos porque Deus os escolheu para serem salvos antes da criação do universo) levava seus adeptos a buscar na austeridade, na dedicação a uma profissão, no investimento para a glória de Deus, no enriquecimento sem usufruto, sem luxo nem luxúria, sinais de que estavam entre os eleitos. Numa época em que o capitalismo dependia mais da poupança e do investimento do que do consumo, o calvinismo teria sido, segundo Weber, um grande propulsor do sistema. No capitalismo ultraconsumista de hoje, com seus shopping centers suntuosos e seus apelos incessantes ao luxo e à luxúria, o calvinismo já não tem nenhum papel econômico.<br />
	Isto não significa, porém, que o calvinismo tenha deixado de existir. A Igreja Presbiteriana do Brasil, por exemplo, a IPB, na qual é presbítero o meu amigo de infância o arquiteto Antônio Cláudio Massa, é o principal remanescente fiel do calvinismo em solo brasileiro. A IPB não promete luxo nem riqueza para os convertidos em potencial. Não promete prosperidade, cura e “vitória sentimental”. Por isso a Igreja tem tido crescimento apenas vegetativo, já sendo cinco ou seis vezes menor do que a Igreja Universal do Reino de Deus. A IPB tem hoje em torno de 500 mil membros no país inteiro. Não há dúvida de que o calvinismo é sério, não negocia com a fé, não coloca Deus num balcão de negócios, não transforma Deus num despachante, num office boy, num gênio da lâmpada. Nada soa mais blasfemo aos ouvidos de um calvinista do que ouvir que Deus tem que fazer isso ou aquilo, frase muito comum nos programas de rádio e TV da Universal (não apenas dela). Para um calvinista, Deus não tem que fazer coisa nenhuma, Deus é soberano, Deus faz o que bem entender. Não há essa história de que Deus tem que fazer a parte dele se você fizer a sua.<br />
	Por que eu digo que nenhum Deus é tão Deus quanto o Deus de Calvino? Justamente porque o Deus calvinista é absolutamente soberano. Bom é o que ele disser  que é bom, não importando o quanto ele fira nossas susceptibilidades. O Deus da Bíblia mandou matar povos inteiros, aniquilar nações, passar no fio da espada tudo aquilo que respirasse? Direito dele, dizem os calvinistas. Ele construiu, ele pode destruir. Ele fez, ele pode desfazer. Ele criou, ele pode “descriar”.<br />
	Os calvinistas também não se apertam com a questão, espinhosa para outros cristãos, daqueles numerosos seres humanos que morreram sem ter ouvido falar de Jesus Cristo. Se a salvação é pela fé em Cristo como redentor da humanidade, como ficam aqueles que morreram (e ainda morrem) sem ter ouvido falar de Jesus? Para os calvinistas a resposta é simples: vão para o Inferno, pois não estão entre os escolhidos. Para eles, ninguém merece ser escolhido. O ser humano é absolutamente corrupto, corrompido que foi pela Queda de Adão e Eva, o pecado original, que é transmitido de geração a geração como se fosse uma doença genética. Dentre nós, absolutamente corruptos, Deus escolheu aqueles que ele quis salvar. E ponto final: não cabe a ninguém questionar. A fé autêntica têm aqueles que Deus escolheu para a salvação. A fé é apenas um sinal. Quem salva não é a fé, é Deus.<br />
	O Deus calvinista não deve explicações justamente por ser horrível: arbitrário e caprichoso. Como um Jânio Quadros com muito mais poder, o Deus calvinista diz, do alto de sua soberania: “Fi-lo porque qui-lo”. E dane-se quem achar ruim. Não é um dos escolhidos. </p>
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		<title>A pesquisa Datafolha e outros bichos</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 21:21:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Pesquisas eleitorais são como a Bíblia: precisam ser interpretadas. E interpretação, cada um tem a sua. Deus poderia ter sido misericordioso o suficiente para nos dar um texto transparente, que não carecesse da mediação dos homens. Mas não o fez.&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisas eleitorais são como a Bíblia: precisam ser interpretadas. E interpretação, cada um tem a sua. Deus poderia ter sido misericordioso o suficiente para nos dar um texto transparente, que não carecesse da mediação dos homens. Mas não o fez. E assim temos o Cristo segundo o papa <em>x</em> ou <em>y</em>, temos o Cristo segundo a igreja <em>a</em>, <em>b</em> ou <em>c</em>.
</p>
<p>Como diz o autor de um livro, as pesquisas nos informam que o Natal vai cair entre 20 e 30 de dezembro. Há a margem de erro, mas há também o intervalo de confiança. Se o intervalo de confiança for de 95%, como geralmente é, isto significa que a pesquisa, mesmo com a metodologia certa, pode estar errada além da margem de erro em 5% dos casos. A pesquisa pode nos dizer, por exemplo, que o Natal cairá em 15 de dezembro.</p>
<p>Com Ciro Gomes no páreo, a pesquisa Datafolha recém divulgada mostra Serra com 32% e Dilma com 28%. Dois pontos a mais ou a menos para cada um e os dois poderiam estar empatados. Entretanto, se aplicarmos a margem de erro na direção contrária, Serra pode estar oito pontos à frente, aproximando-se dos onze pontos de vantagem que o Ibope lhe deu.. Provavelmente, a verdade deve estar entre o Datafolha e o Ibope, algo em torno de 7,5%. Aliás, é de sete pontos pró-Serra a vantagem que lhe dá o Datafolha quando Ciro Gomes é retirado da lista, como quer Lula. Sete pontos significam algo entre três e onze.</p>
<p>Outro ponto crucial da interpretação de uma pesquisa é o momento em que ela foi feita. Esta de que falamos foi feita logo depois da aclamação de Dilma no Congresso do PT, logo após um fim de semana em que ela, por causa do tal Congresso, esteve na capas de <em>Veja</em>, <em>IstoÉ</em> e <em>Época</em>, ilustrando todas as bancas de revista do país. Isto sem contar que Dilma e Lula estão em campanha há mais de um ano, sem adversário, correndo sozinhos na raia, acenando para o estádio sem que ninguém lhes possa fazer o contraponto. Se levarmos em conta todos esses ingredientes, o que sai da panela não é tão favorável a Dilma como parece. Devagar com o andor que a santa é de barro.</p>
<p>De qualquer modo, um maior equilíbrio na eleição presidencial não permitirá  a Serra bancar o diletante ao resolver questões como a da Paraíba. Serra estará louco se permitir que um cirista-dilmista, como Ricardo Coutinho, se apodere do PSDB da Paraíba e o deixe sem palanque no Estado. A pesquisa Datafolha é boa notícia para Cícero Lucena e péssima notícia para Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima e Efraim Morais.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p>Por falar em pesquisa, eu estava com amigos nuns comes-e-bebes na casa de um prefeito importante da Paraíba, cujo filho é pré-candidato a deputado federal, quando chegou à minifesta uma pesquisa fresquinha sobre o município de Sapé. Em Sapé, Dilma tem em torno de 35%, com Serra por volta de 20%. Para governador, a pesquisa crava 38 a 25 a favor de Maranhão, uma vantagem de treze pontos sobre Ricardo Coutinho. Parece que a situação de Coutinho não é mesmo nada boa neste momento.</p>
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		<title>Por que a narrativa sobre Adão e Eva não pode ser uma alegoria</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 10:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo trata da centralidade da história de Adão e Eva, tomada literalmente, para o cristianismo em todas as suas formas e variações. A ligação direta da figura supostamente redentora de Jesus Cristo com os fundadores da “humanidade decaída”, Eva e Adão, faz com que estes não possam ser dispensados nem alegorizados, transformados em meros símbolos da criação da humanidade por Deus. O artigo trata também dos problemas acarretados para o cristianismo por sua dependência conceitual e estrutural dos personagens de Adão e Eva e de sua história.     </p>
<p>	A primeira das várias contradições da Bíblia vem logo no início, no Gênesis. Há dois relatos da criação, o primeiro em Gn 1 e Gn 2: 1 a 3, e o segundo em Gn 2: 4 a 24. No primeiro relato, Deus – chamado de Elohim – cria todos os animais, inclusive os domésticos, e depois – como ponto culminante da criação – cria ao mesmo tempo o homem e a mulher. No segundo relato, Deus – chamado de Javé – cria Adão, depois cria os animais, um a um, trazendo-lhes a Adão para que ele lhes dê seus respectivos nomes. (Será que Adão, o primeiro zoólogo, deu nome a cada uma das centenas de milhares de espécies de besouros?). Finalmente, para fazer companhia a Adão, Javé cria Eva a partir de uma costela de Adão. No livro <em>Pilares do Tempo</em>, que trata das relações entre ciência e religião, o paleontólogo americano Stephen Jay Gould fala da perplexidade e da incredulidade de muitos cristãos quando ele lhes diz que há dois relatos bem diferentes da Criação no início do Gênesis.  A recomendação de Gould é simples: leiam o Gênesis; leiam e confiram.</p>
<p>	O objetivo deste artigo, entretanto, não é expor contradições da Bíblia nem tratar das quatro fontes do Pentateuco identificadas pelo estudioso alemão Julius Wellhausen no século XIX. O que nos interessa é que após a divergência inicial a história continua. Adão e Eva vivem num jardim paradisíaco, em que nenhuma criatura sofre e nenhuma criatura causa sofrimento a outra. Bem diferente dos jardins atuais, cuja beleza e aparente calma ocultam uma feroz luta pela vida entre insetos e entre insetos e pássaros, entre outros animais. Adão e Eva são advertidos por Deus de que não podem comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A desobediência de ambos (primeiro dela, depois dele) constitui o episódio crucial conhecido no cristianismo como A Queda. A Queda é o primeiro dos três grandes eventos do cristianismo, sendo o segundo a vinda de Jesus Cristo, sua morte e ressurreição, e o terceiro o esperado retorno de Jesus. Para que veio Jesus? Veio para redimir a humanidade. Para redimir a humanidade de quê? Ora, para redimir a humanidade dos efeitos perniciosos justamente d’A Queda. Como se vê, Adão e Eva não podem ser uma mera alegoria que expresse a criação do ser humano por Deus. Ainda se poderia argumentar que eles são uma alegoria da desobediência da humanidade inteira, centenas de milhares de pessoas em tempos primitivos, ao Criador. Se, no entanto, a desobediência tivesse sido cometida por centenas de milhares de pessoas, isto significaria que a humanidade foi criada por Deus como uma máquina de desobedecer e pecar, programada para desobedecer e pecar, sem nenhuma possibilidade de conceber-se algo semelhante ao livre arbítrio. Para que tenha algum sentido como expressão da ruptura do ser humano com Deus, é preciso que A Queda tenha sido um episódio privado, particular, ocorrido na intimidade de um indivíduo ou de um casal. </p>
<p>	Até o século XIX, não se tentava alegorizar o episódio da Queda. Aliás, não se tentava alegorizar parte nenhuma da Bíblia. Desde os seu primórdios até o século XIX, a Bíblia sempre foi vista pelos fiéis como a verdade literal, a palavra literal de Deus. As tentativas de alegorização têm sido uma tentativa de salvar a Bíblia dos avanços irresistíveis da crítica bíblica e do conhecimento cientifico. Se levarmos a sério a história de Adão e Eva, teremos uma humanidade de pouco mais de seis mil anos, tempo estabelecido pelas genealogias do Velho Testamento. Teremos também um mundo em que a ferocidade da luta pela sobrevivência é conseqüência não do processo de evolução pela seleção natural, mas de um ato de dois seres humanos. Sim, pois a acreditar-se na história de Adão e Eva os jardins só se tornaram campos de batalha depois da Queda. É como se vivêssemos num mundo criado pelo homem, e não por Deus. Ou como se Deus tivesse realizado uma segunda criação, esta maligna, por causa da Queda. Para o cristianismo, os animais não-humanos sofrem e fazem sofrer por causa do homem. E tudo isso só será superado com o retorno de Cristo, quando o leão supostamente pastará em mansidão ao lado da ovelha.</p>
<p>	Totalmente incompatível com a ciência moderna, o relato de Adão e Eva e da Queda só pode ser uma alegoria, pensam os cristãos mais esclarecidos. Contudo, como vimos, a alegorização da Queda torna sem sentido o conceito de pecado original e a idéia de redenção por meio de Jesus Cristo. Torna sem sentido a própria figura de Cristo, o que faz desabar, em espetacular implosão, todo o edifício do cristianismo.</p>
<p>	Se depende de uma alegorização insustentável, se depende de uma narrativa frontalmente contrária a tudo aquilo que nos diz a ciência moderna, o cristianismo está filosófica e cientificamente refutado.</p>
<p>* * *</p>
<p>Pós-Escrito: Após o Debate</p>
<p>	Este capítulo da dissertação foi apresentado como artigo no Grupo de Trabalho 3 do I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, realizado na Universidade Federal da Paraíba entre 16 e 18 de julho de 2007. O debate foi breve, devido às limitações de tempo. Mas levantou alguns pontos que requerem esclarecimentos adicionais. Optei por escrever este Pós-Escrito, ao invés de mudar o texto original. Parece-me ser este o caminho mais interessante e informativo para os leitores da dissertação ou do artigo, que têm acesso a toda a gênese dos acréscimos decorrentes do debate. Vejamos alguns pontos levantados, respondidos e aqui desenvolvidos.</p>
<p>1.	Na apresentação oral, eu mesmo tomei a iniciativa de mencionar o Renascimento e o Iluminismo como preliminares aos grandes avanços antibíblicos do século XIX, que forçaram os adeptos da Bíblia a uma série de alegorizações reativas que atravessaram também o século XX. </p>
<p>2.	A mais famosa tentativa de alegorização do Renascimento foi aquela feita por Galileu Galilei, não com o objetivo de salvar a Bíblia, mas com a intenção de salvar literalmente a própria pele, do fogo da Igreja Romana. No geral, o Renascimento, mesmo tirando a habitação do homem do centro do universo e diminuindo o lugar de Deus nas preocupações intelectuais do homem europeu, não bateu de frente com as instituições religiosas, realizando grande parte de seus feitos artísticos em parceria com a Igreja de Roma.</p>
<p>3.	O Iluminismo, mais anticlerical do que antibíblico, representou um forte desafio às instituições eclesiais nos estertores do século XVIII, aquele que terminou, segundo o historiador anglo-austríaco Eric Hobsbawm, em 1789, com a Revolução Francesa. O primeiro livro aberta e sistematicamente ateu, segundo Julian Baggini (p. 78), foi <em>O Sistema da Natureza</em>, do francês Barão d’Holbach, publicado em 1770, apenas dezenove anos antes da Revolução e do início, segundo Hobsbawm, do século XIX, que terminaria em 1914 com a deflagração da I Guerra Mundial (o século XX, por sua vez, iniciado em 1914, teria terminado em 1991, com a queda da União Soviética). Somente no século XIX, as forças religiosas conseguiram articular reações consistentes ao desafio iluminista.</p>
<p>4.	Os desafios a partir do século XIX, de qualquer modo, foram muito mais poderosos. A teoria da evolução pela seleção natural e a descoberta da idade da Terra, particularmente, abalaram as estruturas bíblicas de uma forma que teria sido totalmente impossível para renascentistas e iluministas, pela própria falta de conhecimento. Por isso, além das razões mais acima, privilegiei o século XIX no trabalho apresentado no Simpósio.</p>
<p>5.	Objetou-se que leituras alegorizantes da Bíblia ocorriam na Antiguidade e na Idade Média. Sim. No entanto, tratava-se de outro tipo de alegorização, não aquele a que me refiro, ou seja, as tentativas de manter a validade da Bíblia mesmo diante de sua reconhecida falta de veracidade. A alegorização antiga e medieval foi muito bem definida pelo <em>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</em>, na página 146 de sua primeira edição. <em>Alegoria no sentido teológico</em>: “Método de interpretação das sagradas escrituras usado por teólogos cristãos antigos e medievais, em que se almejava a descoberta de significações morais, doutrinárias, normativas etc., ocultas sob o texto literal”. Isto é, a alegorização antiga e medieval, diferentemente da alegorização moderna e contemporânea, não buscava <em>substituir</em> a leitura literal por uma leitura figurada, mas tão-somente <em>complementar</em> a leitura literal, extraindo dela suas implicações morais, doutrinárias e normativas. De fato, até o século XIX praticamente nenhum intérprete cristão – romano, ortodoxo ou protestante – duvidava da veracidade do relato da Queda. O que eles faziam era <em>extrair</em> do episódio da Queda uma série de normas, doutrinas e ensinamentos morais. Bem diferente, repito, do que se faz hoje em dia. Nesta dissertação, eu me refiro a <em>alegorização da Bíblia</em> no sentido moderno e contemporâneo.</p>
<p>6.	Objetou-se, ainda, que a ciência não pode julgar a religião, por serem modos diferentes e complementares de conhecimento humano. Na verdade, como demonstro em outras passagens desta dissertação, tanto a ciência quanto a religião fazem afirmações sobre a realidade. E fazem afirmações que não se conciliam. Por isso, são magistérios rivais, e não complementares. E a ciência é superior, por basear-se em evidências, não em dogmas, e por fundamentar-se no pensamento racional – argumentativo e demonstrativo, sujeito a contestações e revisões –, não na fé inquestionável.</p>
<p>7.	No final do debate, afirmou-se que a teoria da evolução pela seleção natural não está provada, o que já demonstramos não ser verdade. Não apenas a teoria da evolução está provada, como é incompatível com qualquer forma de teísmo, conforme argumentamos no Capítulo 2 desta dissertação.</p>
<p>8.	Não houve, antes do século XIX, nenhum crítico bíblico do porte de Julius Wellhausen, o alemão que descobriu as quatro fontes do Pentateuco, demonstrando que os cinco primeiros livros do Velho Testamento não foram escritos por Moisés, como se pensava até então e como a grande maioria dos cristãos e judeus pensa ainda hoje. Ressalte-se que no Novo Testamento Jesus presume que o Pentateuco foi escrito por Moisés, como em Marcos 7:10.</p>
<p>9.	No livro <em>Pelos Caminhos da Bíblia – Uma Viagem através do Antigo Testamento</em>, o jornalista americano (judeu) Bruce Feiler (pp. 118-9) afirma: “Em 1800, a Bíblia era vista em quase todo o mundo como a verdadeira e indiscutível palavra de Deus. O Pentateuco, em especial, teria sido escrito por Moisés; os episódios, historicamente exatos; seu teor, divino. No decorrer do século 19, essa perspectiva passou por uma análise incessante e minuciosa”. Feiler arremata que vários estudiosos europeus e americanos fizeram a Bíblia descer das alturas intocáveis em que se encontrava e inseriram-na com firmeza na História. Tudo isto ocorreu, ressalte-se, a partir do século XIX.</p>
<p>10.	 No livro The <em>Twilight of Atheism – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World</em>, Alister McGrath, professor de teologia histórica na Universidade de Oxford, afirma na p. 15: “Embora o período tenha testemunhado algumas críticas significativas às idéias fundamentais do cristianismo, o século 18 não viu uma grande erosão da fé”. Na p. 98, McGrath põe o dedo na ferida: “Não há dúvida de que a teoria da evolução de Charles Darwin levou a morna crise da fé na Inglaterra vitoriana a explodir em chamas”.</p>
<p>11.	Autor de <em>Natural Theology</em> (1802), o reverendo William Paley mostrou como os mecanismos da natureza são complexos e como era necessário que Deus os tivesse projetado tais como são. Paley comparou órgãos como o olho humano a um relógio: assim como um relógio pressupõe um relojoeiro, um olho pressupõe Deus. Ou seja, as espécies teriam sido criadas prontas, teriam sido criadas tais como são, exatamente como afirma o Gênesis. McGrath demonstra (p. 100) que na primeira metade do século XIX Paley era leitura obrigatória para os alunos de graduação da Universidade de Cambridge, inclusive os de biologia.</p>
<p>12.	Ressalte-se: o Gênesis não diz simplesmente que Deus criou a vida, mas que ele criou as espécies tais como elas são. Somente com a publicação de <em>A Origem das Espécies</em>, em 1859, alguns religiosos passaram a enxergar a necessidade de transformar o Livro do Gênesis numa alegoria da criação da vida (e não mais das espécies) por Deus. A alegorização do Gênesis é pois, como deixei claro, uma reação desesperada e tardia.</p>
<p>13.	Objetou-se, por fim, que o conceito de livre arbítrio, por mim mencionado, é problemático. Claro que é. Mas a punição de Adão e Eva por Deus, punição extensiva a toda a Criação, pressupõe que eles tiveram liberdade de escolha. Caso contrário, teriam sido criados por Deus como máquinas de desobedecer e pecar, teriam feito o que foram programados para fazer, e sua punição não teria nenhum sentido, literal ou alegórico.    </p>
<p>14.	As teses centrais do capítulo ou artigo, a de que a narrativa da Queda não pode ser uma alegoria e a de que sua necessária literalidade derruba intelectualmente o cristianismo, passaram pelo debate sem arranhões. Mesmo assim, estes pontos adicionais deixam evidente a importante contribuição do Simpósio para este texto, que está hoje muito mais rico do que se não tivesse sido apresentado e debatido no I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, promovido pelo PPGCR da UFPB.</p>
<p>Referências</p>
<p>BAGGINI, Julian. <strong>Atheism</strong> – A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2003, 116 páginas.</p>
<p><strong>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</strong>.  Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001,  2.922 páginas.</p>
<p>FEILER, Bruce. <strong>Pelos caminhos da Bíblia </strong>– Uma viagem através do Antigo Testamento. Tradução de Maria Luiza Newlands Silveira e Fernanda Rangel de Paiva Abreu. Rio de Janeiro: Sextante, 2002, 499 páginas.</p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong> – Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 páginas.</p>
<p>GOULD, Stephen Jay. <strong>Pilares do tempo</strong> – Ciência e religião na plenitude da vida. Tradução de F. Rangel. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, 185 páginas.</p>
<p>HOBSBAWM, Eric. <strong>Era dos extremos</strong> – O breve século XX (1914-1991). Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, 598 páginas.</p>
<p>McGRATH, Alister. <strong>The Twilight of Atheism</strong> – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World. Londres: Rider, 2004, 306 páginas.</p>
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		<title>O Fracasso do Jesus Profeta</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 00:22:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>É amplamente sabido que os primeiros cristãos, os cristãos do século I, esperavam para muito breve, para seu próprio tempo de vida, a volta, o retorno de Jesus Cristo, a Segunda Vinda, a chamada <em>parousia</em>, palavra grega que significa “presença”. Selecionei três trechos de três obras diferentes que dão testemunho de tal expectativa. O primeiro livro é <em>God is not Great </em>(Deus não é grande) do jornalista inglês Christopher Hitchens. Ele diz na p. 56 de sua edição americana em brochura: “Paulo claramente pensava e esperava que o tempo estava acabando para a humanidade”. Hitchens é confirmado por Richard Tarnas, filósofo americano, em <em>A epopéia do pensamento ocidental</em>, cuja p. 151 afirma: “Como a Segunda Vinda não ocorreu conforme a primeira geração de cristãos havia esperado, o dualismo que tinha uma forma nos Sinópticos assumiu uma dimensão mais mística e ontológica sob a influência do Evangelho de João”.</p>
<p>      Em <em>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</em>, o historiador canadense David A. Wilson trata do assunto de forma mais detalhada (pp. 41-42): </p>
<p>  <em>O cristianismo, em seus primórdios, era permeado de expectativas do milênio, intensificadas pelas próprias palavras de Cristo, como relatado nos evangelhos de Marcos e Mateus: “Em verdade vos digo que entre aqueles que estão aqui presentes”, disse Mateus a seus discípulos, “há alguns que não morrerão antes que vejam o Filho do Homem vir ao seu reino”. Ao mesmo tempo, a noção dos mil anos de reinado de Cristo foi ampliada para incorporar não só os mártires revividos, como todos os fiéis seguidores de Cristo. O milênio, acreditava-se, aconteceria em breve e abrangeria toda a comunidade cristã. </em></p>
<p>      Prossegue Wilson: </p>
<p><em> O único problema é que a Segunda Vinda teimosamente se negava a se materializar. Algo estava claramente errado: crescia a lacuna entre as expectativas e a realidade e explicações faziam-se imperiosas. Na verdade, o cristianismo atravessava a mesma crise que cerca todos os movimentos cujas profecias não se concretizam. A solução, nesse caso, era sustentar que os textos apocalípticos deviam ser compreendidos em termos alegóricos, e não literais, e empurrar o milênio cada vez mais para o futuro. </em></p>
<p>      Ainda Wilson: </p>
<p>    <em>  A solução adequava-se bem ao caráter organizacional mutável do cristianismo. Ao final do século IV, com a conversão do Império Romano, o cristianismo evoluíra de uma seita perseguida para uma religião estabelecida. Sob essas circunstâncias, as tarefas práticas de assegurar uma estabilidade institucional a longo prazo tornaram-se mais importantes do que se preparar para o apocalipse – especialmente quando todas as previsões anteriores sobre a Segunda Vinda haviam provado ser falsas. </em></p>
<p>      Cabe perguntar se o capítulo 16 do Evangelho de Mateus é causa ou conseqüência da expectativa cristã primitiva de um iminente retorno de Jesus. Segundo o escritor espanhol Juan Arias, autor de <em>Jesus, esse grande desconhecido</em>, o Evangelho de Marcos foi escrito entre os anos 60 e 70, provavelmente no ano 64, pouco depois de Nero ter acusado os cristãos de incendiarem Roma e depois do martírio de Pedro e Paulo. Escreve Arias na p. 41: “Marcos escreve o evangelho com o propósito de preparar os cristãos perseguidos para a gloriosa segunda vinda do Messias. Essa missão condiciona muitos dos feitos e ditos de Jesus narrados em seu evangelho”. De fato, em seu capítulo 13, o Evangelho de Marcos descreve uma imensa tribulação e o retorno do “Filho do Homem”, dizendo no versículo 30: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça”, e aparentemente se desdizendo logo a seguir (versículo 32): “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai”.</p>
<p>      Os versículos 3 a 13 da segunda epístola de Pedro e os versículos 6 a 8 do primeiro capítulo de Atos dos Apóstolos vão na mesma linha de Marcos 13:32. O capítulo 16 de Mateus, no entanto, segue a linha de Marcos 13:30. Isto nos traz finalmente ao Evangelho de Mateus, que costuma ser o primeiro a aparecer no Novo Testamento. Calcula-se, diz Arias na p. 46, que o Evangelho de Mateus foi escrito por volta de 80 d. C., cerca de quinze anos após o Evangelho de Marcos. Não se tem certeza, acrescenta Arias, de que seu autor tenha sido o apóstolo Mateus, o coletor de impostos. Não há certeza também, sempre segundo Arias, de que este evangelho tenha sido escrito originalmente em grego: é possível que o Evangelho de Mateus tenha sido escrito primeiramente em aramaico. Segundo Arias, o autor do Evangelho de Mateus usou duas fontes para escrevê-lo: o Evangelho de Marcos e a chamada fonte Q, ou Evangelho Q, uma coleção de mais de duzentas frases atribuídas a Jesus. Esta coleção foi conhecida originalmente como <em>Quelle</em> (“fonte”, em alemão), nome dado por H. J. Holtzman em 1861 e que J. Weiss abreviaria definitivamente como Q, tal como é hoje conhecida, informa Arias na p. 45. Especula-se que a fonte Q começou a ser escrita em aramaico e terminou de ser escrita em grego, mas não se pode ter certeza, pois a Fonte Q não sobreviveu à escrita dos evangelhos de Mateus e Lucas. Arias acrescenta (p. 46) que o Evangelho de Mateus se dirigia a um público do âmbito judaico-cristão, “revelando preocupação pela redução do número de cristãos de origem judaica em relação aos de origem pagã, o que acabaria rompendo o equilíbrio existente até então”. Por exemplo: no Evangelho de Mateus, os apóstolos são apresentados com uma aura de grande dignidade, certamente para dar importância ao cristianismo mais primitivo, baseado nos apóstolos, que eram todos judeus (Arias, p. 46).</p>
<p>      Tendo delineado todo o contexto, podemos agora abordar o capítulo 16 do Evangelho de Mateus, especialmente no que ele tem de mais importante: seu aspecto profético e apocalíptico, explícito nos versículos 24 a 28.</p>
<p>      Antes dos versículos cruciais, porém, vamos dar uma olhada panorâmica no capítulo 16. Em sua primeira seção, versículos 1 a 4, Jesus pratica a ironia contra os fariseus e os saduceus, jogando-lhes na cara uma pergunta retórica: “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?”.</p>
<p>      Na seção seguinte (versículos 5 a 12), Jesus aconselha seus discípulos a acautelar-se contra o fermento dos fariseus e saduceus. Os discípulos não entendem a metáfora, levando Jesus a esclarecer sua mensagem (“Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães?”). Os discípulos então entendem que ele se referia à doutrina dos fariseus e saduceus.</p>
<p>      A terceira seção (versículos 13 a 20) traz o célebre versículo que tanta celeuma causa entre católicos e protestantes: “&#8230; Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Os protestantes argumentam que naquele momento histórico a palavra grega <em>eklesia</em> não significava ainda “igreja”, mas tão-somente “comunidade”. A interpretação da metáfora de Pedro como pedra se complica ainda mais quando nos damos conta de que a conversa, se um dia ocorreu, certamente aconteceu em aramaico, e não em grego. Que palavra terá sido usada em aramaico?</p>
<p>      Na quarta seção (versículos 21 a 23), Jesus prevê sua morte e ressurreição, o que leva Pedro a fazer um apelo para que ele não passe por tudo aquilo, apelo que provoca uma áspera e violenta reação de Jesus: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. Passamos da metáfora de Pedro como pedra fundamental da igreja ou comunidade para a metáfora de Pedro como pedra de tropeço.</p>
<p>      Alcançamos, enfim, a quinta e última seção do capítulo, os versículos 24 a 28. Vou lê-la na íntegra, mas vou me deter em apenas um de seus aspectos (haveria outros a explorar, mas o tempo não permite). Estamos aqui diante de uma forma de expressão bem específica: a profecia apocalíptica. Por volta do ano 80, o Evangelho de Mateus veio reforçar, sendo ao mesmo tempo conseqüência e causa, o sentimento amplamente dominante na época: a <em>parousia</em> estava muito próxima. </p>
<p>* * * </p>
<p>     <em> Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.</em></p>
<p> <em>Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa achá-la-á.</em></p>
<p><em>      Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?</em></p>
<p><strong><em>Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.</em></strong></p>
<p><strong><em>Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até  que vejam vir o Filho do Homem no seu reino [grifo meu].</em></strong></p>
<p>      Somente quando ficou claríssimo que já haviam morrido os últimos remanescentes daquela ocasião, os cristãos perceberam que o Filho do Homem talvez não viesse logo. Começaram a procurar outras interpretações para a profecia não cumprida. A Bíblia de Estudo Plenitude assegura: </p>
<p><em>      Jesus está salientando o encontro que <strong>alguns dos que aqui estão</strong> verão em sua transfiguração. </em></p>
<p>      A transfiguração é um breve episódio em que Jesus aparece resplandecente para alguns discípulos, enquanto se ouve uma voz, supostamente de Deus, apontá-lo como o Filho do Altíssimo.</p>
<p>      É óbvio que se trata de uma interpretação forçada, destinada a tapar um buraco, pois Mateus 16:27 deixa absolutamente claro que não se está falando da transfiguração, mas da segunda vinda de Cristo: </p>
<p><em>      Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu pai,<strong> com seus anjos</strong>, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras [grifo meu]. </em></p>
<p>      Os anjos não estavam presentes na transfiguração. Além disso, a frase “e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” não deixa margem para manobras: está se falando aqui do Juízo Final que deverá seguir a segunda vinda. A profecia falhou, não há como escapar a este fato. E quem estava profetizando não era qualquer um; era, segundo os cristãos majoritários, o próprio Deus encarnado.</p>
<p>      A última seção de Mateus 16 segue, em qualquer um dos três primeiros níveis de interpretação (literal, entrelinhas e moral), um gênero literário que pode ser definido como <em>profecia apocalíptica</em>. Daí porque a interpretação da Bíblia de Estudo Plenitude não tem como se sustentar, pois a transfiguração não é, de modo algum, um apocalipse.</p>
<p>      Quaisquer tentativas de interpretação da última seção de Mateus 16 devem levar em conta seu caráter de profecia apocalíptica. </p>
<p>Referências Bibliográficas </p>
<p>ARIAS, Juan. <strong>Jesus – Esse grande desconhecido</strong>. Tradução de Rubia Prates Goldoni. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, 231 p.  </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong>  – Velhas e novas visões da eternidade. João Pessoa: Idéia, 2005, 234 p. </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos </strong>– Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 p. </p>
<p>HITCHENS, Christopher. <strong>God Is Not Great </strong>– How Religion Poisons Everything. New York: Twelve, 2007, 307 p. </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia de Estudo Plenitude</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1995). </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia com Letra Gigante</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1996). </p>
<p>TARNAS, Richard. <strong>A epopéia do pensamento ocidental</strong>. Tradução de Beatriz Sidou. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001, 588 p. </p>
<p>WILSON, David A. <strong>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</strong>. Tradução de Geni Hirata. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002, 266 p. </p>
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		<title>Umas perguntinhas para você fazer a seu padre ou pastor</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 15:04:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Contradições da bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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		<category><![CDATA[Deuteronômio]]></category>
		<category><![CDATA[Gênesis]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>1. Por que Paulo (1 Coríntios 7:1) disse que seria melhor que o homem não tocasse em mulher? Por que Paulo proibiu as mulheres de falar em público, de falar na igreja, de entrar na igreja com a cabeça descoberta&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1. Por que Paulo (1 Coríntios 7:1) disse que seria melhor que o homem não tocasse em mulher? Por que Paulo proibiu as mulheres de falar em público, de falar na igreja, de entrar na igreja com a cabeça descoberta e de ensinar? </p>
<p>2. Se o que Paulo disse era espírito da época, a quem cabe distinguir o que é espírito da época do que é palavra de Deus? A proibição da homossexualidade, por exemplo, é espírito da época ou é palavra de Deus? </p>
<p>3. Por que uma parte do Gênesis (1 e 2: 1 a 3) diz que os animais foram criados primeiro e o homem e a mulher depois (juntos), enquanto outra parte (2: 4 a 24) diz que o homem foi criado primeiro, os animais depois e a mulher por último? </p>
<p>4. Por que Lucas (23: 39 a 43) diz que um dos ladrões defendia Jesus, enquanto Marcos (15:32) e Mateus (27:44) dizem que os dois ladrões o insultavam?</p>
<p>5. Por que Mateus (27: 3 a 8 ) diz que Judas jogou fora o dinheiro da traição e se enforcou, enquanto Atos (1: 16 a 19) diz que ele comprou um terreno com o dinheiro e morreu de uma queda? </p>
<p>6. Se Adão e Eva são uma alegoria, por que a Bíblia diz que Jesus Cristo nasceu e morreu para nos salvar do pecado original, ou seja, o pecado de Adão e Eva? Como é transmitido o pecado original? Se a história de Adão e Eva é uma alegoria, que garantia nós temos de que a história de Jesus Cristo também não é apenas uma alegoria? Se a história de Adão e Eva é pra valer, como explicar a discrepância entre a Bíblia e a ciência? Onde encaixar a pré-história, o Homo habilis, o Homo erectus etc.? </p>
<p>7. Se a história de Adão e Eva é uma alegoria, como explicar um mundo mau criado por um Deus bom? Se a história de Adão e Eva é pra valer e explica a entrada do pecado e do mal no mundo, por que os animais não-humanos também sofrem? O que eles têm a ver com isso? </p>
<p>8. Se Deus criou as espécies animais e vegetais, por que 99,9% das espécies que já existiram estão hoje extintas? Se as mutações genéticas que levam a novas espécies são guiadas por Deus, por que 99,9% dessas mutações resultam em fracassos dolorosos? </p>
<p>9. Por que Deus disse “Não matarás” e depois mandou matar povos inteiros – homens, mulheres, crianças e animais não-humanos (“Tudo aquilo que respire” – veja, por exemplo, o Livro do Deuteronômio)?<br />
10. Se Deus é onipotente, será ele capaz de criar uma pedra tão pesada que nem ele mesmo é capaz de levantá-la? </p>
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		<title>Evangélicos advertem McCain contra vice mórmon&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Aug 2008 00:04:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições americanas]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Aliança]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Os mórmons fazem parte da Santa Aliança que &#8220;elegeu&#8221; e reelegeu George W. Bush, dando-lhe, inclusive, mais de 70% dos votos no Estado de Utah e sendo decisivos para as vitórias de Bush, por exemplo, no Estado de Nevada. Suas políticas&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os mórmons fazem parte da Santa Aliança que &#8220;elegeu&#8221; e reelegeu George W. Bush, dando-lhe, inclusive, mais de 70% dos votos no Estado de Utah e sendo decisivos para as vitórias de Bush, por exemplo, no Estado de Nevada. Suas políticas sociais e culturais são idênticas às dos evangélicos: contra o direito ao aborto, contra a união civil entre pessoas do mesmo sexo etc.</p>
<p>A teologia, porém, os separa. Os evangélicos não consideram o mormonismo uma religião cristã, porque os mórmons não vêem Cristo como Deus, mas como o filho mais velho que um Deus com forma humana gerou no Paraíso com sua esposa celestial (ou uma de suas esposas celestiais: isto não fica claro). Os mórmons não acreditam no pecado original, vêem Adão e Eva como heróis no plano de Deus para aperfeiçoar os seres humanos, complementam a Bíblia com as &#8220;escrituras modernas&#8221;, levantam dúvidas sobre a autenticidade das cópias da Bíblia que chegaram ao nosso tempo, acham que o ser humano pode se elevar à mesma condição de Deus etc.</p>
<p>Os evangélicos americanos também temem o mormonismo por causa do rápido crescimento dessa religião que eles chamam de seita (e que tem dobrado seu número de membros a cada quinze anos, já sendo considerada pela maioria dos estudiosos uma religião mundial).</p>
<p>Os evangélicos americanos aceitam de bom grado o voto dos mórmons para os candidatos deles (evangélicos), mas não querem votar num mórmon. Por isso, estão advertindo John McCain contra a possível escolha de Mitt Romney como candidato a vice-presidente. Romney pode ajudar McCain com seu dinheiro, seus conhecimentos de economia e administração, sua popularidade no Estado de Massachusetts (onde foi governador) e sua popularidade no Estado de Michigan (onde ele nasceu e onde seu pai foi governador). Mas Romney é mórmon. E os &#8221;evangelicals&#8221; (ou &#8220;evangelical Christians&#8221;), a ala fundamentalista do protestantismo americano, não querem um mórmon na Casa Branca, mesmo que seja como vice-presidente. Os <em>evangelicals</em> são cerca de 25% do eleitorado americano e costumam votar maciçamente nos republicanos. Portanto, uma eventual escolha de Romney para o segundo posto pode ser fatal para McCain.</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 83</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jul 2008 16:38:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Contradições da bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Adão]]></category>
		<category><![CDATA[autores da Bíblia]]></category>
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		<category><![CDATA[umbigo]]></category>

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<p>Se  não nasceu de uma mulher e não teve cordão umbilical, Adão tinha  umbigo?</p>
<p>Esta interessantíssima questão foi debatida pela cristandade durante séculos.</p>
<p>Por  que os autores da Bíblia não fizeram o favor de informar os&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>O  umbigo de Adão</h2>
<p>Se  não nasceu de uma mulher e não teve cordão umbilical, Adão tinha  umbigo?</p>
<p>Esta interessantíssima questão foi debatida pela cristandade durante séculos.</p>
<p>Por  que os autores da Bíblia não fizeram o favor de informar os judeus  e os cristãos sobre a existência ou inexistência do umbigo de Adão?</p>
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