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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; cristianismo</title>
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	<description>O Múltiplos Universos é o site do Gilson Gondim, que escreve sobre diversos assuntos polêmicos relacionados à Bíblia, contradições da Bíblia, Israel, política, eleições americanas, judeus, sionismo e assuntos diversos.</description>
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		<title>O que pensavam os autores da Bíblia</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 22:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Os autores da Bíblia pensavam que o Sol girava em torno da Terra. Tanto é assim que, no Livro de Josué, este, querendo que a claridade continuasse para concluir e vencer uma batalha, pede a Deus que pare o Sol. Deus atende ao pedido e a batalha é ganha pelo povo eleito.</p>
<p>Os autores da Bíblia não tinham a noção de que toda a humanidade passou por uma fase em que todos os grupos viviam da caça e da coleta (caçadores-coletores). Tanto é assim que, na história humana contada na Bíblia, Adão e Eva passam direto do Jardim do Éden para o trabalho na agricultura e no pastoreio, algo que apareceu bem tarde no desenvolvimento humano.</p>
<p>Os autores da Bíblia não tinham a menor idéia de que houvera outras humanidades na Terra, tanto anteriores quanto paralelas à nossa. Se os autores do Livro do Gênesis ressuscitassem hoje, ficariam com certeza perplexos diante do Homem de Neandertal, do Homem de Denisova, do Homem da Ilha de Flores, que existiram em paralelo a nossos ancestrais, tão recentemente quanto trinta mil anos atrás, no caso do Homem de Neandertal, e dez mil anos, no caso do Homem da Ilha de Flores. O termo “humano” não se refere a uma espécie, mas a um gênero, um conjunto de espécies, todas hoje extintas, exceto a nossa. </p>
<p>Os autores da Bíblia ficariam perplexos se viessem a saber que o parentesco genético 	do chimpanzé com o homem é maior do que o parentesco do  chimpanzé com o gorila e o orangotango (os ancestrais comuns de seres humanos e chimpanzés divergiram dos ancestrais do gorila há cerca de nove milhões de anos; há cerca de seis milhões de anos os ancestrais dos chimpanzés divergiram dos nossos).</p>
<p>Os autores da Bíblia pensavam que as espécies haviam sido criadas prontas, tais como são hoje. A Bíblia não diz apenas que Deus criou a vida, mas que Deus criou os animais conforme a sua espécie. Eles não tinham também a menor idéia da diversidade da vida no planeta, do fato de que há, por exemplo, centenas de milhares de espécies de besouros (algo como 300 mil). Os animais que teriam ocupado a Arca de Noé eram aqueles poucos que eles conheciam (a crença na literalidade do relato da Arca de Noé, assim como na literalidade de todos os relatos bíblicos, era praticamente geral até o século 18).</p>
<p>Os autores da Bíblia eram cegos à inteligência dos animais não humanos, hoje cada vez mais conhecida. Para eles, o homem não fazia parte do Reino Animal, sendo uma criatura à parte, criada à imagem e semelhança de Deus, enquanto os outros não passavam de irracionais. Ficariam perplexos diante dos chimpanzés, bonobos e gorilas que usam centenas de palavras em linguagem de sinais ou teclados de computador; ficariam perplexos com os elefantes pintores figurativos; ficariam de queixo caído com o papagaio cinzento africano Alex, já falecido, que dominava, e verbalizava tal domínio, conceitos como maior, menor, mais comprido, mais curto, mais estreito, mais largo, as cores, formatos etc., a ponto de comunicar conceitos como “cubo vermelho”, “triângulo azul” e assim por diante.</p>
<p>Até o século 18, praticamente todos os geólogos acreditavam no dilúvio universal narrado na Bíblia. A ciência tinha que se curvar às Escrituras. Hoje a ciência está liberta, mas a sociedade ainda não está, a não ser nos países socialmente mais avançados, como a Suécia, a Noruega e a Dinamarca. A luta contra a crendice e a superstição continua. Atual como sempre.</p>
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		<title>Dez razões para descrer do cristianismo</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Feb 2011 13:25:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<ol>
<li>Os baixíssimos padrões de comprovação prevalecentes nas épocas em que os vários livros da Bíblia foram escritos.</li>
<li>O fato de que só dispomos de cópias de cópias de cópias&#8230; Era hábito de muitos copistas da Antiguidade cortar, acrescentar e modificar para deixar o texto mais ao seu gosto ou mais ao gosto desta ou daquela corrente teológica. Por exemplo: a cópia do Livro de Jeremias encontrada entre os Manuscritos do Mar Morto é cerca de 15% mais curta do que a que acabou encontrando lugar na Bíblia. Isto quem diz é o pesquisador judeu holandês Emanuel Tov, que mora em Israel há mais de quatro décadas e pesquisou a fundo os Manuscritos do Mar Morto (revista Veja, 17 de abril de 2002).</li>
<li>Jesus errou as previsões sobre seu retorno. Nos primeiros tempos do cristianismo, baseados nas palavras do próprio Cristo segundo os Evangelhos, os cristãos esperavam seu retorno para muito breve, para o tempo de vida deles. Somente quando isso não aconteceu, começaram as tentativas de reinterpretações. A este respeito, recomendo meu artigo “O Fracasso do Jesus Profeta”, disponível, com quase novecentos comentários, no site Múltiplos Universos (www.multiplosuniversos.com.br).</li>
<li>O Velho Testamento pode ser resumido em duas palavras: ódio e racismo (“Não deixeis vivo nada que respire. Ao contrário, passareis no fio da espada homem, mulher, criança e animal”). E o Novo Testamento valida o Antigo várias vezes. Ou seja, não se pode ficar com o Novo descartando o Velho. Se se descartar um, há que se descartar o outro também.</li>
<li>A Bíblia tem inúmeras contradições. Uma delas é que em Lucas (Lucas 23: 39 a 43) um dos ladrões insulta Jesus enquanto o outro o defende. Em Mateus (27:44) e em Marcos (15:32) ambos os ladrões o insultam.</li>
<li>A Bíblia mostra o homem e a mulher criados prontos, enquanto a teoria da evolução, apresentada no século 19 e confirmada nos séculos 20 e 21 pela genética, a paleontologia e a biologia molecular, mostra que a espécie humana (como todas as espécies) tem uma pré-história, iniciada há cerca de seis milhões de anos, quando começaram a divergir os ramos que resultaram no ser humano e no chimpanzé (o parentesco genético do chimpanzé conosco é maior do que com o gorila e o orangotango).</li>
<li>A história de Adão e Eva não pode ser simplesmente reclassificada como uma alegoria ou uma metáfora, porque esta história é a base de um componente fundamental em todo o cristianismo: o pecado original, que teria começado com Eva e com Adão e que seria transmitido de geração a geração, como se fosse uma doença genética. Jesus Cristo teria vindo para, com seu sacrifício, nos redimir do pecado original. Portanto, Adão e Eva têm que ter existido ou todo o cristianismo cai por terra. Mas não há lugar na ciência para Adão e Eva, e o cristianismo fica emparedado.</li>
<li>O apóstolo Paulo, figura-chave do cristianismo, autor de grande parte do Novo Testamento, é uma figura extremamente problemática, principalmente por suas investidas contra as mulheres e a favor da escravidão. A depender da vontade de Paulo, as mulheres não poderiam ensinar, não poderiam falar em público ou entrar na igreja com a cabeça descoberta.</li>
<li>“É o espírito da época”, defendem-se os cristãos. Mas e a proibição da homossexualidade, também não seria espírito da época? A quem cabe decidir o que é espírito da época e o que é Palavra de Deus? A quem cabe distinguir um do outro?</li>
<li>Voltando a Adão e Eva, se eles não passam de uma alegoria, por que o próprio Jesus Cristo não seria também uma mera alegoria? E o Espírito Santo? E o próprio Deus Pai? Onde deve parar a alegorização? E quem decide onde ela deve parar? Os milagres existiram de fato ou são alegoria? A crucificação aconteceu de fato ou é uma alegoria? E a ressurreição no terceiro dia? Como se vê, o cristianismo é estrangulado intelectualmente por uma sucessão de problemas insolúveis que está longe de terminar por aqui.</li>
</ol>
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		<title>Nenhum Deus é tão Deus quanto o Deus de Calvino. Nenhum Deus é tão horrível</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 14:23:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ouvi falar em Calvino e calvinismo pela primeira vez quando fiz as disciplinas Introdução à Sociologia e Teoria Sociológica na Escola de Economia e Ciência Política da Universidade de Londres. Lá estava Max Weber com seu “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, que trata sobretudo do papel do calvinismo no deslanche do capitalismo na Europa setentrional (norte) protestante. Weber achava que a doutrina calvinista da predestinação (os salvos são salvos porque Deus os escolheu para serem salvos antes da criação do universo) levava seus adeptos a buscar na austeridade, na dedicação a uma profissão, no investimento para a glória de Deus, no enriquecimento sem usufruto, sem luxo nem luxúria, sinais de que estavam entre os eleitos. Numa época em que o capitalismo dependia mais da poupança e do investimento do que do consumo, o calvinismo teria sido, segundo Weber, um grande propulsor do sistema. No capitalismo ultraconsumista de hoje, com seus shopping centers suntuosos e seus apelos incessantes ao luxo e à luxúria, o calvinismo já não tem nenhum papel econômico.<br />
	Isto não significa, porém, que o calvinismo tenha deixado de existir. A Igreja Presbiteriana do Brasil, por exemplo, a IPB, na qual é presbítero o meu amigo de infância o arquiteto Antônio Cláudio Massa, é o principal remanescente fiel do calvinismo em solo brasileiro. A IPB não promete luxo nem riqueza para os convertidos em potencial. Não promete prosperidade, cura e “vitória sentimental”. Por isso a Igreja tem tido crescimento apenas vegetativo, já sendo cinco ou seis vezes menor do que a Igreja Universal do Reino de Deus. A IPB tem hoje em torno de 500 mil membros no país inteiro. Não há dúvida de que o calvinismo é sério, não negocia com a fé, não coloca Deus num balcão de negócios, não transforma Deus num despachante, num office boy, num gênio da lâmpada. Nada soa mais blasfemo aos ouvidos de um calvinista do que ouvir que Deus tem que fazer isso ou aquilo, frase muito comum nos programas de rádio e TV da Universal (não apenas dela). Para um calvinista, Deus não tem que fazer coisa nenhuma, Deus é soberano, Deus faz o que bem entender. Não há essa história de que Deus tem que fazer a parte dele se você fizer a sua.<br />
	Por que eu digo que nenhum Deus é tão Deus quanto o Deus de Calvino? Justamente porque o Deus calvinista é absolutamente soberano. Bom é o que ele disser  que é bom, não importando o quanto ele fira nossas susceptibilidades. O Deus da Bíblia mandou matar povos inteiros, aniquilar nações, passar no fio da espada tudo aquilo que respirasse? Direito dele, dizem os calvinistas. Ele construiu, ele pode destruir. Ele fez, ele pode desfazer. Ele criou, ele pode “descriar”.<br />
	Os calvinistas também não se apertam com a questão, espinhosa para outros cristãos, daqueles numerosos seres humanos que morreram sem ter ouvido falar de Jesus Cristo. Se a salvação é pela fé em Cristo como redentor da humanidade, como ficam aqueles que morreram (e ainda morrem) sem ter ouvido falar de Jesus? Para os calvinistas a resposta é simples: vão para o Inferno, pois não estão entre os escolhidos. Para eles, ninguém merece ser escolhido. O ser humano é absolutamente corrupto, corrompido que foi pela Queda de Adão e Eva, o pecado original, que é transmitido de geração a geração como se fosse uma doença genética. Dentre nós, absolutamente corruptos, Deus escolheu aqueles que ele quis salvar. E ponto final: não cabe a ninguém questionar. A fé autêntica têm aqueles que Deus escolheu para a salvação. A fé é apenas um sinal. Quem salva não é a fé, é Deus.<br />
	O Deus calvinista não deve explicações justamente por ser horrível: arbitrário e caprichoso. Como um Jânio Quadros com muito mais poder, o Deus calvinista diz, do alto de sua soberania: “Fi-lo porque qui-lo”. E dane-se quem achar ruim. Não é um dos escolhidos. </p>
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		<title>Os cristãos e seus antolhos</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 20:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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Sua visão de mundo é estreita, afunilada.&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antolhos, para quem não sabe, são aqueles tapadores de visão lateral postos em burros e cavalos puxadores de carroças. Com seus antolhos, os cristãos são como burros e cavalos puxadores de carroças.<br />
Sua visão de mundo é estreita, afunilada. É arrumadinha, mas desmorona ao menor pisão fora da linha.<br />
Jesus Cristo é Deus e ao mesmo tempo é filho de Deus. Ou seja, é filho de si mesmo. Vai se sentar na eternidade à direita de Deus. Isto é, vai se sentar à direita de si próprio. E querem que a gente aceite isso como um “mistério”. “Mistério”, no jargão cristão, é algo que não faz sentido, mas que os fiéis têm que aceitar.<br />
Neste vastíssimo universo, com bilhões e bilhões de galáxias, cada uma com bilhões e bilhões de estrelas e trilhões de planetas, querem que acreditemos que Deus construiu uma relação especial com um planeta, uma espécie, uma etnia.<br />
Dizem que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas que o mal entrou no mundo por nosso intermédio. Foi nossa desobediência ao Criador que transformou os leões, os tubarões e os tigres em feras carnívoras. Antes, eram pacatos animais herbívoros, embora seus aparelhos digestivos sejam incapazes de digerir qualquer coisa que não seja carne. As zebras, as focas e os veados têm que pagar pelo pecado original de Adão e Eva, que introduziu o mal no mundo. Ignoram os ignorantes cristãos que, muitíssimo antes de os primeiros humanos pisarem o solo do planeta, bicho já comia bicho; doenças, terremotos, maremotos, furacões, tsunamis e outros flagelos já causavam devastação e sofrimento mundo afora.<br />
A visão de mundo cristã não tem espaço para as espécies humanas anteriores ou paralelas à nossa; não quer saber que Jesus Cristo tinha genes do Homem de Neandertal; acomoda mal – se é que acomoda – os dinossauros e outros animais do passado; vê como irracionais animais da inteligência, por exemplo, de golfinhos, elefantes e chimpanzés; não aceita que somos parte da natureza e que temos muito em comum com os outros animais, sobretudo os outros primatas; não saberia conviver com a descoberta de uma civilização extraterrena.<br />
Os cristãos, com os seus antolhos, puxam a carroça da ignorância, do absurdo, da estreiteza, da tacanhez, da pequenez, da mediocridade&#8230; Que me perdoem os burros e os cavalos pela comparação. Pelo menos nestes os antolhos são colocados contra sua vontade.</p>
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		<title>Deus, as quatro humanidades e nossa mistura genética com o Homem de Neandertal</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 13:41:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Está  provado: há quarenta mil anos existiam pelo menos quatro humanidades: o <em>Homo sapiens sapiens</em> (nossa pretensiosa espécie), o <em>Homo sapiens neanderthalensis</em>, mais conhecido como Homem de Neandertal, o <em>Homo floresiensis</em>, também conhecido como o Homem da Ilha de Flores,&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está  provado: há quarenta mil anos existiam pelo menos quatro humanidades: o <em>Homo sapiens sapiens</em> (nossa pretensiosa espécie), o <em>Homo sapiens neanderthalensis</em>, mais conhecido como Homem de Neandertal, o <em>Homo floresiensis</em>, também conhecido como o Homem da Ilha de Flores, e o Homem de Denisova, recém descoberto, ainda sem nome científico (provavelmente será o <em>Homo sapiens denisovensis</em>).</p>
<p>O Homem de Neandertal desapareceu há cerca de 28 mil anos, mas deixou seus genes misturados com os nossos: acaba de se descobrir que somente os africanos puros e afrodescendentes puros não têm mistura genética com o Homem de Neandertal. O restante da humanidade atual tem de 1% a 4% de genes neandertais.</p>
<p>O Neandertal era louro ou ruivo, olhos claros, um pouco mais baixo do que nós, atarracado, tinha o crânio um pouco maior do que o nosso, pouco queixo, maçãs do rosto salientes, ossos protuberantes acima dos olhos e testa fortemente inclinada para trás. Sua linhagem divergiu da nossa há cerca de 500 mil anos e a espécie surgiu fora da África há mais ou menos 200 mil anos. Sua seqüência do DNA mitocondrial, transmitido apenas pela mãe, difere do nosso em 202 posições, contra 1.462 posições que nos diferenciam do chimpanzé e do bonobo.</p>
<p>O Homem de Denisova é um parente mais distante nosso. Sua linhagem divergiu da nossa há cerca de um milhão de anos. Ele difere de nós em 385 posições do DNA mitocondrial. Também se desenvolveu fora da África e foi encontrado na Sibéria. Ainda não se sabe como era sua aparência, pois ainda não foi encontrado nenhum esqueleto dele. Também não se sabe quando desapareceu nem se se misturou geneticamente conosco.</p>
<p>O <em>Homo floresiensis</em>, que evoluiu e viveu apenas na Ilha de Flores, na Indonésia, tem certamente um parentesco bem mais distante conosco, embora seu DNA mitocondrial não tenha sido decifrado, devido às condições de conservação desfavoráveis decorrentes do calor prevalecente na região. O Homem da Ilha de Flores tinha somente cerca de um metro de altura (bem mais baixo do que os pigmeus africanos da nossa espécie, que têm entre 1,3 e 1,5 metro). Suas características físicas misturam traços do homem moderno com os de ancestrais deste. O Homem da Ilha de Flores desapareceu, devido a uma erupção vulcânica, há meros treze mil anos, quando nossa espécie estava às portas da civilização bem longe dali, no Oriente Médio. O <em>Homo floresiensis</em> foi descoberto apenas em 2004, causando sensação no mundo inteiro.</p>
<p>E Deus, como fica nisso tudo? As quatro humanidades foram criadas à sua imagem e semelhança? Se foram, por que três desapareceram? Se somente nossa espécie foi feita à imagem e semelhança de Deus, por que carregamos genes de outra espécie? Se Jesus Cristo era ao mesmo tempo homem e Deus, e não era africano nem afrodescendente, ele tinha genes do Homem de Neandertal. Isto tem que ter um significado teológico. Que significado seria este? Se o Homem de Neandertal for recriado pela ciência, o novo bebê Neandertal será feito à imagem e semelhança de Deus? Quando estiver adulto, o novo Homem de Neandertal terá o direito de votar? Terá o direito de dirigir automóveis? Terá o direito de se reproduzir com mulheres da nossa espécie? Aqueles de nós que têm 4% de genes neandertais são criados apenas 96% à imagem e semelhança de Deus? Enfim, o que o cristianismo tem a nos dizer sobre as quatro humanidades? O que o cristianismo tem a nos dar sobre isso? Apenas o silêncio? Apenas seu constrangimento?</p>
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		<title>Por que a narrativa sobre Adão e Eva não pode ser uma alegoria</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 10:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo trata da centralidade da história de Adão e Eva, tomada literalmente, para o cristianismo em todas as suas formas e variações. A ligação direta da figura supostamente redentora de Jesus Cristo com os fundadores da “humanidade decaída”, Eva e Adão, faz com que estes não possam ser dispensados nem alegorizados, transformados em meros símbolos da criação da humanidade por Deus. O artigo trata também dos problemas acarretados para o cristianismo por sua dependência conceitual e estrutural dos personagens de Adão e Eva e de sua história.     </p>
<p>	A primeira das várias contradições da Bíblia vem logo no início, no Gênesis. Há dois relatos da criação, o primeiro em Gn 1 e Gn 2: 1 a 3, e o segundo em Gn 2: 4 a 24. No primeiro relato, Deus – chamado de Elohim – cria todos os animais, inclusive os domésticos, e depois – como ponto culminante da criação – cria ao mesmo tempo o homem e a mulher. No segundo relato, Deus – chamado de Javé – cria Adão, depois cria os animais, um a um, trazendo-lhes a Adão para que ele lhes dê seus respectivos nomes. (Será que Adão, o primeiro zoólogo, deu nome a cada uma das centenas de milhares de espécies de besouros?). Finalmente, para fazer companhia a Adão, Javé cria Eva a partir de uma costela de Adão. No livro <em>Pilares do Tempo</em>, que trata das relações entre ciência e religião, o paleontólogo americano Stephen Jay Gould fala da perplexidade e da incredulidade de muitos cristãos quando ele lhes diz que há dois relatos bem diferentes da Criação no início do Gênesis.  A recomendação de Gould é simples: leiam o Gênesis; leiam e confiram.</p>
<p>	O objetivo deste artigo, entretanto, não é expor contradições da Bíblia nem tratar das quatro fontes do Pentateuco identificadas pelo estudioso alemão Julius Wellhausen no século XIX. O que nos interessa é que após a divergência inicial a história continua. Adão e Eva vivem num jardim paradisíaco, em que nenhuma criatura sofre e nenhuma criatura causa sofrimento a outra. Bem diferente dos jardins atuais, cuja beleza e aparente calma ocultam uma feroz luta pela vida entre insetos e entre insetos e pássaros, entre outros animais. Adão e Eva são advertidos por Deus de que não podem comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A desobediência de ambos (primeiro dela, depois dele) constitui o episódio crucial conhecido no cristianismo como A Queda. A Queda é o primeiro dos três grandes eventos do cristianismo, sendo o segundo a vinda de Jesus Cristo, sua morte e ressurreição, e o terceiro o esperado retorno de Jesus. Para que veio Jesus? Veio para redimir a humanidade. Para redimir a humanidade de quê? Ora, para redimir a humanidade dos efeitos perniciosos justamente d’A Queda. Como se vê, Adão e Eva não podem ser uma mera alegoria que expresse a criação do ser humano por Deus. Ainda se poderia argumentar que eles são uma alegoria da desobediência da humanidade inteira, centenas de milhares de pessoas em tempos primitivos, ao Criador. Se, no entanto, a desobediência tivesse sido cometida por centenas de milhares de pessoas, isto significaria que a humanidade foi criada por Deus como uma máquina de desobedecer e pecar, programada para desobedecer e pecar, sem nenhuma possibilidade de conceber-se algo semelhante ao livre arbítrio. Para que tenha algum sentido como expressão da ruptura do ser humano com Deus, é preciso que A Queda tenha sido um episódio privado, particular, ocorrido na intimidade de um indivíduo ou de um casal. </p>
<p>	Até o século XIX, não se tentava alegorizar o episódio da Queda. Aliás, não se tentava alegorizar parte nenhuma da Bíblia. Desde os seu primórdios até o século XIX, a Bíblia sempre foi vista pelos fiéis como a verdade literal, a palavra literal de Deus. As tentativas de alegorização têm sido uma tentativa de salvar a Bíblia dos avanços irresistíveis da crítica bíblica e do conhecimento cientifico. Se levarmos a sério a história de Adão e Eva, teremos uma humanidade de pouco mais de seis mil anos, tempo estabelecido pelas genealogias do Velho Testamento. Teremos também um mundo em que a ferocidade da luta pela sobrevivência é conseqüência não do processo de evolução pela seleção natural, mas de um ato de dois seres humanos. Sim, pois a acreditar-se na história de Adão e Eva os jardins só se tornaram campos de batalha depois da Queda. É como se vivêssemos num mundo criado pelo homem, e não por Deus. Ou como se Deus tivesse realizado uma segunda criação, esta maligna, por causa da Queda. Para o cristianismo, os animais não-humanos sofrem e fazem sofrer por causa do homem. E tudo isso só será superado com o retorno de Cristo, quando o leão supostamente pastará em mansidão ao lado da ovelha.</p>
<p>	Totalmente incompatível com a ciência moderna, o relato de Adão e Eva e da Queda só pode ser uma alegoria, pensam os cristãos mais esclarecidos. Contudo, como vimos, a alegorização da Queda torna sem sentido o conceito de pecado original e a idéia de redenção por meio de Jesus Cristo. Torna sem sentido a própria figura de Cristo, o que faz desabar, em espetacular implosão, todo o edifício do cristianismo.</p>
<p>	Se depende de uma alegorização insustentável, se depende de uma narrativa frontalmente contrária a tudo aquilo que nos diz a ciência moderna, o cristianismo está filosófica e cientificamente refutado.</p>
<p>* * *</p>
<p>Pós-Escrito: Após o Debate</p>
<p>	Este capítulo da dissertação foi apresentado como artigo no Grupo de Trabalho 3 do I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, realizado na Universidade Federal da Paraíba entre 16 e 18 de julho de 2007. O debate foi breve, devido às limitações de tempo. Mas levantou alguns pontos que requerem esclarecimentos adicionais. Optei por escrever este Pós-Escrito, ao invés de mudar o texto original. Parece-me ser este o caminho mais interessante e informativo para os leitores da dissertação ou do artigo, que têm acesso a toda a gênese dos acréscimos decorrentes do debate. Vejamos alguns pontos levantados, respondidos e aqui desenvolvidos.</p>
<p>1.	Na apresentação oral, eu mesmo tomei a iniciativa de mencionar o Renascimento e o Iluminismo como preliminares aos grandes avanços antibíblicos do século XIX, que forçaram os adeptos da Bíblia a uma série de alegorizações reativas que atravessaram também o século XX. </p>
<p>2.	A mais famosa tentativa de alegorização do Renascimento foi aquela feita por Galileu Galilei, não com o objetivo de salvar a Bíblia, mas com a intenção de salvar literalmente a própria pele, do fogo da Igreja Romana. No geral, o Renascimento, mesmo tirando a habitação do homem do centro do universo e diminuindo o lugar de Deus nas preocupações intelectuais do homem europeu, não bateu de frente com as instituições religiosas, realizando grande parte de seus feitos artísticos em parceria com a Igreja de Roma.</p>
<p>3.	O Iluminismo, mais anticlerical do que antibíblico, representou um forte desafio às instituições eclesiais nos estertores do século XVIII, aquele que terminou, segundo o historiador anglo-austríaco Eric Hobsbawm, em 1789, com a Revolução Francesa. O primeiro livro aberta e sistematicamente ateu, segundo Julian Baggini (p. 78), foi <em>O Sistema da Natureza</em>, do francês Barão d’Holbach, publicado em 1770, apenas dezenove anos antes da Revolução e do início, segundo Hobsbawm, do século XIX, que terminaria em 1914 com a deflagração da I Guerra Mundial (o século XX, por sua vez, iniciado em 1914, teria terminado em 1991, com a queda da União Soviética). Somente no século XIX, as forças religiosas conseguiram articular reações consistentes ao desafio iluminista.</p>
<p>4.	Os desafios a partir do século XIX, de qualquer modo, foram muito mais poderosos. A teoria da evolução pela seleção natural e a descoberta da idade da Terra, particularmente, abalaram as estruturas bíblicas de uma forma que teria sido totalmente impossível para renascentistas e iluministas, pela própria falta de conhecimento. Por isso, além das razões mais acima, privilegiei o século XIX no trabalho apresentado no Simpósio.</p>
<p>5.	Objetou-se que leituras alegorizantes da Bíblia ocorriam na Antiguidade e na Idade Média. Sim. No entanto, tratava-se de outro tipo de alegorização, não aquele a que me refiro, ou seja, as tentativas de manter a validade da Bíblia mesmo diante de sua reconhecida falta de veracidade. A alegorização antiga e medieval foi muito bem definida pelo <em>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</em>, na página 146 de sua primeira edição. <em>Alegoria no sentido teológico</em>: “Método de interpretação das sagradas escrituras usado por teólogos cristãos antigos e medievais, em que se almejava a descoberta de significações morais, doutrinárias, normativas etc., ocultas sob o texto literal”. Isto é, a alegorização antiga e medieval, diferentemente da alegorização moderna e contemporânea, não buscava <em>substituir</em> a leitura literal por uma leitura figurada, mas tão-somente <em>complementar</em> a leitura literal, extraindo dela suas implicações morais, doutrinárias e normativas. De fato, até o século XIX praticamente nenhum intérprete cristão – romano, ortodoxo ou protestante – duvidava da veracidade do relato da Queda. O que eles faziam era <em>extrair</em> do episódio da Queda uma série de normas, doutrinas e ensinamentos morais. Bem diferente, repito, do que se faz hoje em dia. Nesta dissertação, eu me refiro a <em>alegorização da Bíblia</em> no sentido moderno e contemporâneo.</p>
<p>6.	Objetou-se, ainda, que a ciência não pode julgar a religião, por serem modos diferentes e complementares de conhecimento humano. Na verdade, como demonstro em outras passagens desta dissertação, tanto a ciência quanto a religião fazem afirmações sobre a realidade. E fazem afirmações que não se conciliam. Por isso, são magistérios rivais, e não complementares. E a ciência é superior, por basear-se em evidências, não em dogmas, e por fundamentar-se no pensamento racional – argumentativo e demonstrativo, sujeito a contestações e revisões –, não na fé inquestionável.</p>
<p>7.	No final do debate, afirmou-se que a teoria da evolução pela seleção natural não está provada, o que já demonstramos não ser verdade. Não apenas a teoria da evolução está provada, como é incompatível com qualquer forma de teísmo, conforme argumentamos no Capítulo 2 desta dissertação.</p>
<p>8.	Não houve, antes do século XIX, nenhum crítico bíblico do porte de Julius Wellhausen, o alemão que descobriu as quatro fontes do Pentateuco, demonstrando que os cinco primeiros livros do Velho Testamento não foram escritos por Moisés, como se pensava até então e como a grande maioria dos cristãos e judeus pensa ainda hoje. Ressalte-se que no Novo Testamento Jesus presume que o Pentateuco foi escrito por Moisés, como em Marcos 7:10.</p>
<p>9.	No livro <em>Pelos Caminhos da Bíblia – Uma Viagem através do Antigo Testamento</em>, o jornalista americano (judeu) Bruce Feiler (pp. 118-9) afirma: “Em 1800, a Bíblia era vista em quase todo o mundo como a verdadeira e indiscutível palavra de Deus. O Pentateuco, em especial, teria sido escrito por Moisés; os episódios, historicamente exatos; seu teor, divino. No decorrer do século 19, essa perspectiva passou por uma análise incessante e minuciosa”. Feiler arremata que vários estudiosos europeus e americanos fizeram a Bíblia descer das alturas intocáveis em que se encontrava e inseriram-na com firmeza na História. Tudo isto ocorreu, ressalte-se, a partir do século XIX.</p>
<p>10.	 No livro The <em>Twilight of Atheism – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World</em>, Alister McGrath, professor de teologia histórica na Universidade de Oxford, afirma na p. 15: “Embora o período tenha testemunhado algumas críticas significativas às idéias fundamentais do cristianismo, o século 18 não viu uma grande erosão da fé”. Na p. 98, McGrath põe o dedo na ferida: “Não há dúvida de que a teoria da evolução de Charles Darwin levou a morna crise da fé na Inglaterra vitoriana a explodir em chamas”.</p>
<p>11.	Autor de <em>Natural Theology</em> (1802), o reverendo William Paley mostrou como os mecanismos da natureza são complexos e como era necessário que Deus os tivesse projetado tais como são. Paley comparou órgãos como o olho humano a um relógio: assim como um relógio pressupõe um relojoeiro, um olho pressupõe Deus. Ou seja, as espécies teriam sido criadas prontas, teriam sido criadas tais como são, exatamente como afirma o Gênesis. McGrath demonstra (p. 100) que na primeira metade do século XIX Paley era leitura obrigatória para os alunos de graduação da Universidade de Cambridge, inclusive os de biologia.</p>
<p>12.	Ressalte-se: o Gênesis não diz simplesmente que Deus criou a vida, mas que ele criou as espécies tais como elas são. Somente com a publicação de <em>A Origem das Espécies</em>, em 1859, alguns religiosos passaram a enxergar a necessidade de transformar o Livro do Gênesis numa alegoria da criação da vida (e não mais das espécies) por Deus. A alegorização do Gênesis é pois, como deixei claro, uma reação desesperada e tardia.</p>
<p>13.	Objetou-se, por fim, que o conceito de livre arbítrio, por mim mencionado, é problemático. Claro que é. Mas a punição de Adão e Eva por Deus, punição extensiva a toda a Criação, pressupõe que eles tiveram liberdade de escolha. Caso contrário, teriam sido criados por Deus como máquinas de desobedecer e pecar, teriam feito o que foram programados para fazer, e sua punição não teria nenhum sentido, literal ou alegórico.    </p>
<p>14.	As teses centrais do capítulo ou artigo, a de que a narrativa da Queda não pode ser uma alegoria e a de que sua necessária literalidade derruba intelectualmente o cristianismo, passaram pelo debate sem arranhões. Mesmo assim, estes pontos adicionais deixam evidente a importante contribuição do Simpósio para este texto, que está hoje muito mais rico do que se não tivesse sido apresentado e debatido no I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, promovido pelo PPGCR da UFPB.</p>
<p>Referências</p>
<p>BAGGINI, Julian. <strong>Atheism</strong> – A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2003, 116 páginas.</p>
<p><strong>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</strong>.  Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001,  2.922 páginas.</p>
<p>FEILER, Bruce. <strong>Pelos caminhos da Bíblia </strong>– Uma viagem através do Antigo Testamento. Tradução de Maria Luiza Newlands Silveira e Fernanda Rangel de Paiva Abreu. Rio de Janeiro: Sextante, 2002, 499 páginas.</p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong> – Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 páginas.</p>
<p>GOULD, Stephen Jay. <strong>Pilares do tempo</strong> – Ciência e religião na plenitude da vida. Tradução de F. Rangel. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, 185 páginas.</p>
<p>HOBSBAWM, Eric. <strong>Era dos extremos</strong> – O breve século XX (1914-1991). Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, 598 páginas.</p>
<p>McGRATH, Alister. <strong>The Twilight of Atheism</strong> – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World. Londres: Rider, 2004, 306 páginas.</p>
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		<title>O Fracasso do Jesus Profeta</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 00:22:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>É amplamente sabido que os primeiros cristãos, os cristãos do século I, esperavam para muito breve, para seu próprio tempo de vida, a volta, o retorno de Jesus Cristo, a Segunda Vinda, a chamada <em>parousia</em>, palavra grega que significa “presença”. Selecionei três trechos de três obras diferentes que dão testemunho de tal expectativa. O primeiro livro é <em>God is not Great </em>(Deus não é grande) do jornalista inglês Christopher Hitchens. Ele diz na p. 56 de sua edição americana em brochura: “Paulo claramente pensava e esperava que o tempo estava acabando para a humanidade”. Hitchens é confirmado por Richard Tarnas, filósofo americano, em <em>A epopéia do pensamento ocidental</em>, cuja p. 151 afirma: “Como a Segunda Vinda não ocorreu conforme a primeira geração de cristãos havia esperado, o dualismo que tinha uma forma nos Sinópticos assumiu uma dimensão mais mística e ontológica sob a influência do Evangelho de João”.</p>
<p>      Em <em>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</em>, o historiador canadense David A. Wilson trata do assunto de forma mais detalhada (pp. 41-42): </p>
<p>  <em>O cristianismo, em seus primórdios, era permeado de expectativas do milênio, intensificadas pelas próprias palavras de Cristo, como relatado nos evangelhos de Marcos e Mateus: “Em verdade vos digo que entre aqueles que estão aqui presentes”, disse Mateus a seus discípulos, “há alguns que não morrerão antes que vejam o Filho do Homem vir ao seu reino”. Ao mesmo tempo, a noção dos mil anos de reinado de Cristo foi ampliada para incorporar não só os mártires revividos, como todos os fiéis seguidores de Cristo. O milênio, acreditava-se, aconteceria em breve e abrangeria toda a comunidade cristã. </em></p>
<p>      Prossegue Wilson: </p>
<p><em> O único problema é que a Segunda Vinda teimosamente se negava a se materializar. Algo estava claramente errado: crescia a lacuna entre as expectativas e a realidade e explicações faziam-se imperiosas. Na verdade, o cristianismo atravessava a mesma crise que cerca todos os movimentos cujas profecias não se concretizam. A solução, nesse caso, era sustentar que os textos apocalípticos deviam ser compreendidos em termos alegóricos, e não literais, e empurrar o milênio cada vez mais para o futuro. </em></p>
<p>      Ainda Wilson: </p>
<p>    <em>  A solução adequava-se bem ao caráter organizacional mutável do cristianismo. Ao final do século IV, com a conversão do Império Romano, o cristianismo evoluíra de uma seita perseguida para uma religião estabelecida. Sob essas circunstâncias, as tarefas práticas de assegurar uma estabilidade institucional a longo prazo tornaram-se mais importantes do que se preparar para o apocalipse – especialmente quando todas as previsões anteriores sobre a Segunda Vinda haviam provado ser falsas. </em></p>
<p>      Cabe perguntar se o capítulo 16 do Evangelho de Mateus é causa ou conseqüência da expectativa cristã primitiva de um iminente retorno de Jesus. Segundo o escritor espanhol Juan Arias, autor de <em>Jesus, esse grande desconhecido</em>, o Evangelho de Marcos foi escrito entre os anos 60 e 70, provavelmente no ano 64, pouco depois de Nero ter acusado os cristãos de incendiarem Roma e depois do martírio de Pedro e Paulo. Escreve Arias na p. 41: “Marcos escreve o evangelho com o propósito de preparar os cristãos perseguidos para a gloriosa segunda vinda do Messias. Essa missão condiciona muitos dos feitos e ditos de Jesus narrados em seu evangelho”. De fato, em seu capítulo 13, o Evangelho de Marcos descreve uma imensa tribulação e o retorno do “Filho do Homem”, dizendo no versículo 30: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça”, e aparentemente se desdizendo logo a seguir (versículo 32): “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai”.</p>
<p>      Os versículos 3 a 13 da segunda epístola de Pedro e os versículos 6 a 8 do primeiro capítulo de Atos dos Apóstolos vão na mesma linha de Marcos 13:32. O capítulo 16 de Mateus, no entanto, segue a linha de Marcos 13:30. Isto nos traz finalmente ao Evangelho de Mateus, que costuma ser o primeiro a aparecer no Novo Testamento. Calcula-se, diz Arias na p. 46, que o Evangelho de Mateus foi escrito por volta de 80 d. C., cerca de quinze anos após o Evangelho de Marcos. Não se tem certeza, acrescenta Arias, de que seu autor tenha sido o apóstolo Mateus, o coletor de impostos. Não há certeza também, sempre segundo Arias, de que este evangelho tenha sido escrito originalmente em grego: é possível que o Evangelho de Mateus tenha sido escrito primeiramente em aramaico. Segundo Arias, o autor do Evangelho de Mateus usou duas fontes para escrevê-lo: o Evangelho de Marcos e a chamada fonte Q, ou Evangelho Q, uma coleção de mais de duzentas frases atribuídas a Jesus. Esta coleção foi conhecida originalmente como <em>Quelle</em> (“fonte”, em alemão), nome dado por H. J. Holtzman em 1861 e que J. Weiss abreviaria definitivamente como Q, tal como é hoje conhecida, informa Arias na p. 45. Especula-se que a fonte Q começou a ser escrita em aramaico e terminou de ser escrita em grego, mas não se pode ter certeza, pois a Fonte Q não sobreviveu à escrita dos evangelhos de Mateus e Lucas. Arias acrescenta (p. 46) que o Evangelho de Mateus se dirigia a um público do âmbito judaico-cristão, “revelando preocupação pela redução do número de cristãos de origem judaica em relação aos de origem pagã, o que acabaria rompendo o equilíbrio existente até então”. Por exemplo: no Evangelho de Mateus, os apóstolos são apresentados com uma aura de grande dignidade, certamente para dar importância ao cristianismo mais primitivo, baseado nos apóstolos, que eram todos judeus (Arias, p. 46).</p>
<p>      Tendo delineado todo o contexto, podemos agora abordar o capítulo 16 do Evangelho de Mateus, especialmente no que ele tem de mais importante: seu aspecto profético e apocalíptico, explícito nos versículos 24 a 28.</p>
<p>      Antes dos versículos cruciais, porém, vamos dar uma olhada panorâmica no capítulo 16. Em sua primeira seção, versículos 1 a 4, Jesus pratica a ironia contra os fariseus e os saduceus, jogando-lhes na cara uma pergunta retórica: “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?”.</p>
<p>      Na seção seguinte (versículos 5 a 12), Jesus aconselha seus discípulos a acautelar-se contra o fermento dos fariseus e saduceus. Os discípulos não entendem a metáfora, levando Jesus a esclarecer sua mensagem (“Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães?”). Os discípulos então entendem que ele se referia à doutrina dos fariseus e saduceus.</p>
<p>      A terceira seção (versículos 13 a 20) traz o célebre versículo que tanta celeuma causa entre católicos e protestantes: “&#8230; Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Os protestantes argumentam que naquele momento histórico a palavra grega <em>eklesia</em> não significava ainda “igreja”, mas tão-somente “comunidade”. A interpretação da metáfora de Pedro como pedra se complica ainda mais quando nos damos conta de que a conversa, se um dia ocorreu, certamente aconteceu em aramaico, e não em grego. Que palavra terá sido usada em aramaico?</p>
<p>      Na quarta seção (versículos 21 a 23), Jesus prevê sua morte e ressurreição, o que leva Pedro a fazer um apelo para que ele não passe por tudo aquilo, apelo que provoca uma áspera e violenta reação de Jesus: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. Passamos da metáfora de Pedro como pedra fundamental da igreja ou comunidade para a metáfora de Pedro como pedra de tropeço.</p>
<p>      Alcançamos, enfim, a quinta e última seção do capítulo, os versículos 24 a 28. Vou lê-la na íntegra, mas vou me deter em apenas um de seus aspectos (haveria outros a explorar, mas o tempo não permite). Estamos aqui diante de uma forma de expressão bem específica: a profecia apocalíptica. Por volta do ano 80, o Evangelho de Mateus veio reforçar, sendo ao mesmo tempo conseqüência e causa, o sentimento amplamente dominante na época: a <em>parousia</em> estava muito próxima. </p>
<p>* * * </p>
<p>     <em> Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.</em></p>
<p> <em>Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa achá-la-á.</em></p>
<p><em>      Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?</em></p>
<p><strong><em>Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.</em></strong></p>
<p><strong><em>Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até  que vejam vir o Filho do Homem no seu reino [grifo meu].</em></strong></p>
<p>      Somente quando ficou claríssimo que já haviam morrido os últimos remanescentes daquela ocasião, os cristãos perceberam que o Filho do Homem talvez não viesse logo. Começaram a procurar outras interpretações para a profecia não cumprida. A Bíblia de Estudo Plenitude assegura: </p>
<p><em>      Jesus está salientando o encontro que <strong>alguns dos que aqui estão</strong> verão em sua transfiguração. </em></p>
<p>      A transfiguração é um breve episódio em que Jesus aparece resplandecente para alguns discípulos, enquanto se ouve uma voz, supostamente de Deus, apontá-lo como o Filho do Altíssimo.</p>
<p>      É óbvio que se trata de uma interpretação forçada, destinada a tapar um buraco, pois Mateus 16:27 deixa absolutamente claro que não se está falando da transfiguração, mas da segunda vinda de Cristo: </p>
<p><em>      Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu pai,<strong> com seus anjos</strong>, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras [grifo meu]. </em></p>
<p>      Os anjos não estavam presentes na transfiguração. Além disso, a frase “e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” não deixa margem para manobras: está se falando aqui do Juízo Final que deverá seguir a segunda vinda. A profecia falhou, não há como escapar a este fato. E quem estava profetizando não era qualquer um; era, segundo os cristãos majoritários, o próprio Deus encarnado.</p>
<p>      A última seção de Mateus 16 segue, em qualquer um dos três primeiros níveis de interpretação (literal, entrelinhas e moral), um gênero literário que pode ser definido como <em>profecia apocalíptica</em>. Daí porque a interpretação da Bíblia de Estudo Plenitude não tem como se sustentar, pois a transfiguração não é, de modo algum, um apocalipse.</p>
<p>      Quaisquer tentativas de interpretação da última seção de Mateus 16 devem levar em conta seu caráter de profecia apocalíptica. </p>
<p>Referências Bibliográficas </p>
<p>ARIAS, Juan. <strong>Jesus – Esse grande desconhecido</strong>. Tradução de Rubia Prates Goldoni. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, 231 p.  </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong>  – Velhas e novas visões da eternidade. João Pessoa: Idéia, 2005, 234 p. </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos </strong>– Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 p. </p>
<p>HITCHENS, Christopher. <strong>God Is Not Great </strong>– How Religion Poisons Everything. New York: Twelve, 2007, 307 p. </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia de Estudo Plenitude</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1995). </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia com Letra Gigante</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1996). </p>
<p>TARNAS, Richard. <strong>A epopéia do pensamento ocidental</strong>. Tradução de Beatriz Sidou. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001, 588 p. </p>
<p>WILSON, David A. <strong>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</strong>. Tradução de Geni Hirata. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002, 266 p. </p>
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		<title>É possível provar a inexistência de Deus?</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Mar 2008 20:45:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ausência de provas não é prova de ausência. Nunca se capturou uma fada, um  gnomo, um duende. Mas isto não significa que eles não possam existir. Se não na Terra, pelo menos em outros planetas. Nunca se achou um fóssil de um unicórnio, mas se pode encontrar um (fóssil de unicórnio) a qualquer momento. Unicórnios podem existir em outros planetas. Unicórnios podem facilmente vir a ser produzidos por engenharia genética. Dragões são um caso mais complicado. Um animal que solta fogo pela boca ou pelas ventas sem se queimar gravemente não parece compatível com a vida tal como a conhecemos. Mas quem sabe que tipos de vida pode haver em outros planetas?</p>
<p>A inexistência de um Deus indefinido, sem atributos específicos, não pode ser provada. Mas este não é o caso do Deus cristão: ele tem atributos específicos; a ele são atribuídas características específicas. E não é necessário conhecer o universo inteiro para fazer certas afirmações categóricas sobre determinados objetos com atributos bem definidos. Posso afirmar com  absoluta certeza que não existem nem podem existir, em lugar nenhum, triângulos com mais ou menos do que três lados. Posso afirmar com toda a segurança que não  existe nem pode existir um círculo quadrado.</p>
<p>Isso nos traz ao primeiro dos atributos do Deus cristão que são impossíveis, por autocontraditórios ou contraditórios com outros atributos do  mesmo Deus:</p>
<ol>
<li><strong>Deus não pode ser onipotente.</strong> Ele não pode, por exemplo, criar um  círculo quadrado ou uma esfera cúbica, pois um cubo tem oito vértices e uma esfera não tem nenhum. Ele não pode criar, no mesmo universo, o Recipiente  Invulnerável e o Ácido Universal, pois este corrói todos os recipientes e aquele  resiste a todas as substâncias. A existência de um implica necessariamente na  inexistência do outro. Portanto, o primeiro atributo do Deus cristão, a onipotência, não se  sustenta, o que já torna o Deus cristão impossível logo de saída. Mas vamos  adiante.</li>
<li><strong>O segundo atributo do Deus cristão, a onisciência, é incompatível com o primeiro, a onipotência.</strong> Se Deus sabe exatamente o que vai acontecer em cada  recanto da Terra em 21 de dezembro de 2012, ele não pode mais alterar tais  acontecimentos, pois, se o fizesse, sua pré-ciência estaria errada.</li>
<li>Cito Chad Docterman (<a href="http://www.ateus.net/" title="Ateus.net" rel="external">www.ateus.net</a>): &#8220;O que Deus fez  durante aquela eternidade anterior à criação de todas as coisas? Se Deus era tudo que existia naquele tempo, o que perturbou o equilíbrio eterno e o induziu  à criação? Estava entediado? Estava solitário? Deus supostamente é perfeito, Se  algo é perfeito, este algo é completo &#8211; não precisa de nenhuma outra coisa. Nós,  humanos, nos engajamos em atividades porque estamos buscando uma perfeição fugidia, pois há um desequilíbrio causado pela diferença entre o que somos e o  que queremos ser. Se Deus é perfeito, então não pode haver desequilíbrio. Não há  nada de que ele necessite, nada que deseje, nada que deva ou irá fazer. Um Deus  que é perfeito não faz nada senão existir. Um criador perfeito é  impossível&#8221;. Ou seja, perfeição e criação são incompatíveis.</li>
<li>Se Deus criou Adão e Eva (ou os primeiros humanos) com livre-arbítrio,  ele não sabia que eles iriam desobedecer-lhe, o que elimina sua onisciência. Se  ele sabia que eles iam desobedecer-lhe, é porque eles não tinham livre-arbítrio. Neste caso, Deus criou homens e mulheres como máquinas de pecar, e o ser humano  é inocente de seus pecados, não tendo necessidade de nenhuma expiação por meio de Cristo e não merecendo condenação nenhuma em outra vida ou em outro plano  (carma, purgatório, inferno, aniquilação: as quatro possibilidades levantadas  por religiões que se dizem cristãs).</li>
<li>Deixemos de lado, por um momento, os erros factuais e históricos, as  lacunas e as contradições da Bíblia. Mesmo fazendo isso, temos de admitir que a  Bíblia é uma coleção de livros que têm dado margem às mais variadas e díspares  interpretações. Um ser perfeito não teria se expressado de modo mais claro, de  modo a evitar tanta discórdia e ter feito valer sua vontade, seja ela qual for?  Não teria inspirado melhor seus escribas e representantes terrenos?</li>
<li>Volto a Chad Docterman (<a href="http://www.ateus.net/" title="Ateus.net" rel="external">www.ateus.net</a>): &#8220;Um Deus que sabe  tudo não pode ter emoções. A Bíblia diz que Deus experimenta todas as emoções  humanas, incluindo ódio, tristeza e felicidade. Nós, humanos, experimentamos  emoções como resultado de um novo conhecimento. Um homem que desconhece a  infidelidade de sua esposa experimentará as emoções de ódio e tristeza apenas  após descobrir o que anteriormente, para ele, estava oculto. Em contraste, o  Deus onisciente não é ignorante em relação a nada. Nada é oculto para ele, nada  novo pode lhe ser revelado. Assim, não há como adquirir um conhecimento ao qual  possa reagir emocionalmente. Nós, humanos, experimentamos ódio e frustração  quando algo está errado e somos impotentes para consertá-lo. O Deus perfeito e  onipotente pode, entretanto, consertar qualquer coisa. Humanos sentem desejo  daquilo que lhes falta. Para o Deus perfeito nada falta. Um Deus onisciente,  onipotente e perfeito que experimenta emoções é impossível&#8221;.</li>
</ol>
<p>Há outros tantos argumentos, mas vou parar por aqui. Estes seis argumentos  parecem-me suficientes para provar que o Deus cristão é impossível. Podem  existir unicórnios, fadas, gnomos e duendes, em algum lugar do universo. O Deus  cristão, porém, não pode existir em parte alguma. É tão impossível quanto uma  esfera cúbica ou um círculo quadrado. Desafio os caros amigos a contestar os  seis argumentos.</p>
<p><strong>P. S.:</strong> Sou agnóstico em relação à idéia de Deus de um modo geral. Entretanto, sou total, completa, inteira e absolutamente ateu em relação ao Deus  hebraico-cristão-muçulmano. A este não dou sequer o benefício da dúvida, como  não dou o benefício da dúvida a um quadrado circular.</p>
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		<title>O texto mais engraçado e genial que já li&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Mar 2008 03:57:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Laura Schlessinger é uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show.</p>
<p>Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levítico 18:22 e não pode ser perdoada em nenhuma circunstância.&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Laura Schlessinger é uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show.</p>
<p>Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levítico 18:22 e não pode ser perdoada em nenhuma circunstância. O texto abaixo é uma carta aberta para Dra Laura, escrita por um cidadão americano e divulgada na Internet.</p>
<blockquote cite="www.ateus.net"><p>&#8220;Cara Dra. Laura, Obrigado por ter feito tanto para educar as pessoas no que diz respeiro à  Lei de Deus. Eu tenho aprendido muito com seu show e tento compartilhar o conhecimento com tantas pessoas quanto posso. Quando alguém tenta defender o  homossexualismo, por exemplo, eu simplesmente lhe lembro de que Levítico 18:22  afirma que isso é uma abominação. Fim do debate.</p>
<p>Eu preciso de sua ajuda, entretanto, no que diz respeito a algumas leis  específicas e como segui-las:</p>
<p>a. Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável para o Senhor (Levítico 1:9). O problema são os meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo matá-los por heresia?</p>
<p>b. Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela?</p>
<p>c. Eu sei que não é permitido ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levítico 15:19-24). O problema é: como eu digo isso a ela? Eu tenho tentado, mas a maioria das mulheres toma isso como ofensa.</p>
<p>d. Levítico 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a mexicanos, mas não a canadenses. Você pode esclarecer isso? Por que  eu não posso possuir canadenses?</p>
<p>e. Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo mesmo?</p>
<p>f. Um amigo meu acha que, mesmo que comer moluscos seja uma abominação  (Levítico 11:10), é uma abominação menor que a homossexualidade. Eu não concordo. Você pode esclarecer esse ponto?</p>
<p>g. Levítico 21:20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se  eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha  visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?</p>
<p>h. A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levítico 19:27. Como eles devem morrer?</p>
<p>i. Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levítico 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (As bolas de  futebol americano são feitas com pele de porco).</p>
<p>j. Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levítico 19:19 plantando dois tipos  diferentes de vegetais no mesmo campo. Sua esposa também viola Levítico 19:19 porque usa roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido (algodão e  poliéster). Ele também tende a xingar e blasfemar muito. É realmente necessário  que eu chame toda a cidade para apedrejá-los (Levítico 24:10-16)? Nós não  poderíamos simplesmente queimá-los em uma cerimônia privada, como deve ser feito  com as pessoas que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levítico 20:14)?</p>
<p>Eu sei que você estudou essas coisas a fundo. Então estou confiante de que  possa ajudar. Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna  e imutável. Seu discípulo e fã ardoroso.&#8221;</p>
</blockquote>
<p>Fonte: <a href="http://www.ateus.net/" title="Link externo para Ateus.net" rel="external">www.ateus.net</a></p>
<p>Fonte do site acima mencionado: Sociedade da Terra Redonda.</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 70</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 09:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Contradições da bíblia]]></category>
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		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>

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<p>A Bíblia diz que Deus é onipotente. Então ele é capaz de criar uma pedra tão pesada que nem mesmo ele é capaz de levantá-la. Mas peraí&#8230; Neste caso ele não é onipotente, por não ser&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deus e a pedra</p>
<p>A Bíblia diz que Deus é onipotente. Então ele é capaz de criar uma pedra tão pesada que nem mesmo ele é capaz de levantá-la. Mas peraí&#8230; Neste caso ele não é onipotente, por não ser capaz de levantar a tal pedra.</p>
<p>Digamos, então, que Deus é capaz de levantar qualquer pedra que se possa imaginar. Então, ele não é capaz de criar a referida pedra, aquela que <strong>ninguém</strong> pode levantar (ninguém mesmo, incluindo Deus). Se esta pedra é “incriável”, existe algo que Deus não pode criar. Existe algo que ele não pode fazer. Sendo assim, ele não é onipotente.</p>
<p>De um modo ou de outro, ele não é onipotente. A onipotência é uma impossibilidade lógica.</p>
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