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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; Deus</title>
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		<title>Os cristãos e seus antolhos</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 20:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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Sua visão de mundo é estreita, afunilada.&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antolhos, para quem não sabe, são aqueles tapadores de visão lateral postos em burros e cavalos puxadores de carroças. Com seus antolhos, os cristãos são como burros e cavalos puxadores de carroças.<br />
Sua visão de mundo é estreita, afunilada. É arrumadinha, mas desmorona ao menor pisão fora da linha.<br />
Jesus Cristo é Deus e ao mesmo tempo é filho de Deus. Ou seja, é filho de si mesmo. Vai se sentar na eternidade à direita de Deus. Isto é, vai se sentar à direita de si próprio. E querem que a gente aceite isso como um “mistério”. “Mistério”, no jargão cristão, é algo que não faz sentido, mas que os fiéis têm que aceitar.<br />
Neste vastíssimo universo, com bilhões e bilhões de galáxias, cada uma com bilhões e bilhões de estrelas e trilhões de planetas, querem que acreditemos que Deus construiu uma relação especial com um planeta, uma espécie, uma etnia.<br />
Dizem que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas que o mal entrou no mundo por nosso intermédio. Foi nossa desobediência ao Criador que transformou os leões, os tubarões e os tigres em feras carnívoras. Antes, eram pacatos animais herbívoros, embora seus aparelhos digestivos sejam incapazes de digerir qualquer coisa que não seja carne. As zebras, as focas e os veados têm que pagar pelo pecado original de Adão e Eva, que introduziu o mal no mundo. Ignoram os ignorantes cristãos que, muitíssimo antes de os primeiros humanos pisarem o solo do planeta, bicho já comia bicho; doenças, terremotos, maremotos, furacões, tsunamis e outros flagelos já causavam devastação e sofrimento mundo afora.<br />
A visão de mundo cristã não tem espaço para as espécies humanas anteriores ou paralelas à nossa; não quer saber que Jesus Cristo tinha genes do Homem de Neandertal; acomoda mal – se é que acomoda – os dinossauros e outros animais do passado; vê como irracionais animais da inteligência, por exemplo, de golfinhos, elefantes e chimpanzés; não aceita que somos parte da natureza e que temos muito em comum com os outros animais, sobretudo os outros primatas; não saberia conviver com a descoberta de uma civilização extraterrena.<br />
Os cristãos, com os seus antolhos, puxam a carroça da ignorância, do absurdo, da estreiteza, da tacanhez, da pequenez, da mediocridade&#8230; Que me perdoem os burros e os cavalos pela comparação. Pelo menos nestes os antolhos são colocados contra sua vontade.</p>
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		<title>Deus, as quatro humanidades e nossa mistura genética com o Homem de Neandertal</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 13:41:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Está  provado: há quarenta mil anos existiam pelo menos quatro humanidades: o <em>Homo sapiens sapiens</em> (nossa pretensiosa espécie), o <em>Homo sapiens neanderthalensis</em>, mais conhecido como Homem de Neandertal, o <em>Homo floresiensis</em>, também conhecido como o Homem da Ilha de Flores, e o Homem de Denisova, recém descoberto, ainda sem nome científico (provavelmente será o <em>Homo sapiens denisovensis</em>).</p>
<p>O Homem de Neandertal desapareceu há cerca de 28 mil anos, mas deixou seus genes misturados com os nossos: acaba de se descobrir que somente os africanos puros e afrodescendentes puros não têm mistura genética com o Homem de Neandertal. O restante da humanidade atual tem de 1% a 4% de genes neandertais.</p>
<p>O Neandertal era louro ou ruivo, olhos claros, um pouco mais baixo do que nós, atarracado, tinha o crânio um pouco maior do que o nosso, pouco queixo, maçãs do rosto salientes, ossos protuberantes acima dos olhos e testa fortemente inclinada para trás. Sua linhagem divergiu da nossa há cerca de 500 mil anos e a espécie surgiu fora da África há mais ou menos 200 mil anos. Sua seqüência do DNA mitocondrial, transmitido apenas pela mãe, difere do nosso em 202 posições, contra 1.462 posições que nos diferenciam do chimpanzé e do bonobo.</p>
<p>O Homem de Denisova é um parente mais distante nosso. Sua linhagem divergiu da nossa há cerca de um milhão de anos. Ele difere de nós em 385 posições do DNA mitocondrial. Também se desenvolveu fora da África e foi encontrado na Sibéria. Ainda não se sabe como era sua aparência, pois ainda não foi encontrado nenhum esqueleto dele. Também não se sabe quando desapareceu nem se se misturou geneticamente conosco.</p>
<p>O <em>Homo floresiensis</em>, que evoluiu e viveu apenas na Ilha de Flores, na Indonésia, tem certamente um parentesco bem mais distante conosco, embora seu DNA mitocondrial não tenha sido decifrado, devido às condições de conservação desfavoráveis decorrentes do calor prevalecente na região. O Homem da Ilha de Flores tinha somente cerca de um metro de altura (bem mais baixo do que os pigmeus africanos da nossa espécie, que têm entre 1,3 e 1,5 metro). Suas características físicas misturam traços do homem moderno com os de ancestrais deste. O Homem da Ilha de Flores desapareceu, devido a uma erupção vulcânica, há meros treze mil anos, quando nossa espécie estava às portas da civilização bem longe dali, no Oriente Médio. O <em>Homo floresiensis</em> foi descoberto apenas em 2004, causando sensação no mundo inteiro.</p>
<p>E Deus, como fica nisso tudo? As quatro humanidades foram criadas à sua imagem e semelhança? Se foram, por que três desapareceram? Se somente nossa espécie foi feita à imagem e semelhança de Deus, por que carregamos genes de outra espécie? Se Jesus Cristo era ao mesmo tempo homem e Deus, e não era africano nem afrodescendente, ele tinha genes do Homem de Neandertal. Isto tem que ter um significado teológico. Que significado seria este? Se o Homem de Neandertal for recriado pela ciência, o novo bebê Neandertal será feito à imagem e semelhança de Deus? Quando estiver adulto, o novo Homem de Neandertal terá o direito de votar? Terá o direito de dirigir automóveis? Terá o direito de se reproduzir com mulheres da nossa espécie? Aqueles de nós que têm 4% de genes neandertais são criados apenas 96% à imagem e semelhança de Deus? Enfim, o que o cristianismo tem a nos dizer sobre as quatro humanidades? O que o cristianismo tem a nos dar sobre isso? Apenas o silêncio? Apenas seu constrangimento?</p>
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		<title>Implicações teológicas das rapineiras gigantes, ou a superioridade do ateísmo sobre a teologia</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 17:15:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Você  já ouviu falar nas rapineiras gigantes? Provavelmente não. Eu  também jamais ouvira falar nelas até comprar, há poucos  anos, o livro ilustrado <em>Evolução da Vida</em>, da coleção <em>Ciência  e Natureza</em>, da Time-Life. E no entanto as rapineiras gigantes  dominaram  grande parte deste planeta durante milhões e milhões de anos.</p>
<p>Eram  aves não-voadoras, sem asas, com mais de dois metros de altura e cabeças   quase tão grandes quanto a cabeça de um cavalo atual. Seus bicos e  garras terríveis causaram imenso sofrimento sobre a Terra. Contudo,  você nunca ouviu falar nelas.</p>
<p>As  rapineiras gigantes surgiram evolutivamente para ocupar o espaço vazio  deixado no topo da cadeia alimentar com a extinção catastrófica dos  grandes dinossauros, destruídos pelos efeitos do impacto de um asteróide   no que é hoje a Península de Yucatán, no México, há cerca de 65  milhões de anos.</p>
<p>Cerca  de oito milhões de anos depois do fim dos dinossauros de grande porte,  a <em>Dyatrima</em> já reinava na América do Norte, naquele tempo separada   da América do Sul. Seu reinado foi longo: cerca de 17 milhões de anos.  Até o surgimento daquele que viria a ser seu grande carrasco: o  tigre-dentes-de-sabre.  Predador mais eficiente, ganhou a competição com a <em>Dyatrima</em> e ainda a transformou em caça, até sua extinção.</p>
<p>Na  América do Sul, tivemos o <em>Phororhacos</em>, um tanto menor que o <em> Dyatrima</em>. Só apareceu por volta de 26 milhões de anos atrás,  quando a <em>Dyatrima</em> já desaparecera da América do Norte fazia  14 milhões de anos. Porém, o reinado do <em>Phororhacos</em> foi mais  longo: 19 milhões de anos, até sete milhões de anos atrás, quando  a versão sul-americana do tigre-dentes-de-sabre, um animal marsupial  (cuja fêmea carregava os filhotes numa bolsa, como as fêmeas de  canguru),  emergiu do processo evolutivo.</p>
<p>Para  quem acredita que Deus criou o mundo e interfere nele, tudo tem que  ter um significado teológico. Tudo aquilo que existe, existiu ou  existirá  tem necessariamente que ter implicações teológicas. Qual o significado  teológico das rapineiras gigantes? Qual o significado teológico do  sofrimento atroz que elas causaram durante tantos milhões de anos?  E qual o significado teológico do sofrimento terrível por que elas  passaram quando estavam acuadas por seus inimigos mamíferos emergentes?  Do ponto de vista evolutivo, é fácil explicar como e por que elas  surgiram, como e por que desapareceram. Mas e do ponto de vista  teológico?  Por que as rapineiras gigantes existiram? Por que duraram e dominaram  por tanto tempo? Por que deixaram de existir? Do ponto de vista  teológico,  só há perguntas. Não há respostas. Varre-se tudo para debaixo do  tapete chamado “mistérios divinos”. E toca-se a vida em frente  como se se tivesse uma visão de mundo bem fundamentada, quando não  se a tem.</p>
<p>Este  é um exemplo, dentre muitos, de como os ateus explicam o mundo  muito melhor do que os crentes.</p>
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		<title>A pesquisa Datafolha e outros bichos</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 21:21:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisas eleitorais são como a Bíblia: precisam ser interpretadas. E interpretação, cada um tem a sua. Deus poderia ter sido misericordioso o suficiente para nos dar um texto transparente, que não carecesse da mediação dos homens. Mas não o fez. E assim temos o Cristo segundo o papa <em>x</em> ou <em>y</em>, temos o Cristo segundo a igreja <em>a</em>, <em>b</em> ou <em>c</em>.
</p>
<p>Como diz o autor de um livro, as pesquisas nos informam que o Natal vai cair entre 20 e 30 de dezembro. Há a margem de erro, mas há também o intervalo de confiança. Se o intervalo de confiança for de 95%, como geralmente é, isto significa que a pesquisa, mesmo com a metodologia certa, pode estar errada além da margem de erro em 5% dos casos. A pesquisa pode nos dizer, por exemplo, que o Natal cairá em 15 de dezembro.</p>
<p>Com Ciro Gomes no páreo, a pesquisa Datafolha recém divulgada mostra Serra com 32% e Dilma com 28%. Dois pontos a mais ou a menos para cada um e os dois poderiam estar empatados. Entretanto, se aplicarmos a margem de erro na direção contrária, Serra pode estar oito pontos à frente, aproximando-se dos onze pontos de vantagem que o Ibope lhe deu.. Provavelmente, a verdade deve estar entre o Datafolha e o Ibope, algo em torno de 7,5%. Aliás, é de sete pontos pró-Serra a vantagem que lhe dá o Datafolha quando Ciro Gomes é retirado da lista, como quer Lula. Sete pontos significam algo entre três e onze.</p>
<p>Outro ponto crucial da interpretação de uma pesquisa é o momento em que ela foi feita. Esta de que falamos foi feita logo depois da aclamação de Dilma no Congresso do PT, logo após um fim de semana em que ela, por causa do tal Congresso, esteve na capas de <em>Veja</em>, <em>IstoÉ</em> e <em>Época</em>, ilustrando todas as bancas de revista do país. Isto sem contar que Dilma e Lula estão em campanha há mais de um ano, sem adversário, correndo sozinhos na raia, acenando para o estádio sem que ninguém lhes possa fazer o contraponto. Se levarmos em conta todos esses ingredientes, o que sai da panela não é tão favorável a Dilma como parece. Devagar com o andor que a santa é de barro.</p>
<p>De qualquer modo, um maior equilíbrio na eleição presidencial não permitirá  a Serra bancar o diletante ao resolver questões como a da Paraíba. Serra estará louco se permitir que um cirista-dilmista, como Ricardo Coutinho, se apodere do PSDB da Paraíba e o deixe sem palanque no Estado. A pesquisa Datafolha é boa notícia para Cícero Lucena e péssima notícia para Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima e Efraim Morais.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p>Por falar em pesquisa, eu estava com amigos nuns comes-e-bebes na casa de um prefeito importante da Paraíba, cujo filho é pré-candidato a deputado federal, quando chegou à minifesta uma pesquisa fresquinha sobre o município de Sapé. Em Sapé, Dilma tem em torno de 35%, com Serra por volta de 20%. Para governador, a pesquisa crava 38 a 25 a favor de Maranhão, uma vantagem de treze pontos sobre Ricardo Coutinho. Parece que a situação de Coutinho não é mesmo nada boa neste momento.</p>
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		<title>Por que a narrativa sobre Adão e Eva não pode ser uma alegoria</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 10:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Este artigo trata da centralidade da história de Adão e Eva, tomada literalmente, para o cristianismo em todas as suas formas e variações. A ligação direta da figura supostamente redentora de Jesus Cristo com os fundadores da “humanidade decaída”, Eva&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo trata da centralidade da história de Adão e Eva, tomada literalmente, para o cristianismo em todas as suas formas e variações. A ligação direta da figura supostamente redentora de Jesus Cristo com os fundadores da “humanidade decaída”, Eva e Adão, faz com que estes não possam ser dispensados nem alegorizados, transformados em meros símbolos da criação da humanidade por Deus. O artigo trata também dos problemas acarretados para o cristianismo por sua dependência conceitual e estrutural dos personagens de Adão e Eva e de sua história.     </p>
<p>	A primeira das várias contradições da Bíblia vem logo no início, no Gênesis. Há dois relatos da criação, o primeiro em Gn 1 e Gn 2: 1 a 3, e o segundo em Gn 2: 4 a 24. No primeiro relato, Deus – chamado de Elohim – cria todos os animais, inclusive os domésticos, e depois – como ponto culminante da criação – cria ao mesmo tempo o homem e a mulher. No segundo relato, Deus – chamado de Javé – cria Adão, depois cria os animais, um a um, trazendo-lhes a Adão para que ele lhes dê seus respectivos nomes. (Será que Adão, o primeiro zoólogo, deu nome a cada uma das centenas de milhares de espécies de besouros?). Finalmente, para fazer companhia a Adão, Javé cria Eva a partir de uma costela de Adão. No livro <em>Pilares do Tempo</em>, que trata das relações entre ciência e religião, o paleontólogo americano Stephen Jay Gould fala da perplexidade e da incredulidade de muitos cristãos quando ele lhes diz que há dois relatos bem diferentes da Criação no início do Gênesis.  A recomendação de Gould é simples: leiam o Gênesis; leiam e confiram.</p>
<p>	O objetivo deste artigo, entretanto, não é expor contradições da Bíblia nem tratar das quatro fontes do Pentateuco identificadas pelo estudioso alemão Julius Wellhausen no século XIX. O que nos interessa é que após a divergência inicial a história continua. Adão e Eva vivem num jardim paradisíaco, em que nenhuma criatura sofre e nenhuma criatura causa sofrimento a outra. Bem diferente dos jardins atuais, cuja beleza e aparente calma ocultam uma feroz luta pela vida entre insetos e entre insetos e pássaros, entre outros animais. Adão e Eva são advertidos por Deus de que não podem comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A desobediência de ambos (primeiro dela, depois dele) constitui o episódio crucial conhecido no cristianismo como A Queda. A Queda é o primeiro dos três grandes eventos do cristianismo, sendo o segundo a vinda de Jesus Cristo, sua morte e ressurreição, e o terceiro o esperado retorno de Jesus. Para que veio Jesus? Veio para redimir a humanidade. Para redimir a humanidade de quê? Ora, para redimir a humanidade dos efeitos perniciosos justamente d’A Queda. Como se vê, Adão e Eva não podem ser uma mera alegoria que expresse a criação do ser humano por Deus. Ainda se poderia argumentar que eles são uma alegoria da desobediência da humanidade inteira, centenas de milhares de pessoas em tempos primitivos, ao Criador. Se, no entanto, a desobediência tivesse sido cometida por centenas de milhares de pessoas, isto significaria que a humanidade foi criada por Deus como uma máquina de desobedecer e pecar, programada para desobedecer e pecar, sem nenhuma possibilidade de conceber-se algo semelhante ao livre arbítrio. Para que tenha algum sentido como expressão da ruptura do ser humano com Deus, é preciso que A Queda tenha sido um episódio privado, particular, ocorrido na intimidade de um indivíduo ou de um casal. </p>
<p>	Até o século XIX, não se tentava alegorizar o episódio da Queda. Aliás, não se tentava alegorizar parte nenhuma da Bíblia. Desde os seu primórdios até o século XIX, a Bíblia sempre foi vista pelos fiéis como a verdade literal, a palavra literal de Deus. As tentativas de alegorização têm sido uma tentativa de salvar a Bíblia dos avanços irresistíveis da crítica bíblica e do conhecimento cientifico. Se levarmos a sério a história de Adão e Eva, teremos uma humanidade de pouco mais de seis mil anos, tempo estabelecido pelas genealogias do Velho Testamento. Teremos também um mundo em que a ferocidade da luta pela sobrevivência é conseqüência não do processo de evolução pela seleção natural, mas de um ato de dois seres humanos. Sim, pois a acreditar-se na história de Adão e Eva os jardins só se tornaram campos de batalha depois da Queda. É como se vivêssemos num mundo criado pelo homem, e não por Deus. Ou como se Deus tivesse realizado uma segunda criação, esta maligna, por causa da Queda. Para o cristianismo, os animais não-humanos sofrem e fazem sofrer por causa do homem. E tudo isso só será superado com o retorno de Cristo, quando o leão supostamente pastará em mansidão ao lado da ovelha.</p>
<p>	Totalmente incompatível com a ciência moderna, o relato de Adão e Eva e da Queda só pode ser uma alegoria, pensam os cristãos mais esclarecidos. Contudo, como vimos, a alegorização da Queda torna sem sentido o conceito de pecado original e a idéia de redenção por meio de Jesus Cristo. Torna sem sentido a própria figura de Cristo, o que faz desabar, em espetacular implosão, todo o edifício do cristianismo.</p>
<p>	Se depende de uma alegorização insustentável, se depende de uma narrativa frontalmente contrária a tudo aquilo que nos diz a ciência moderna, o cristianismo está filosófica e cientificamente refutado.</p>
<p>* * *</p>
<p>Pós-Escrito: Após o Debate</p>
<p>	Este capítulo da dissertação foi apresentado como artigo no Grupo de Trabalho 3 do I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, realizado na Universidade Federal da Paraíba entre 16 e 18 de julho de 2007. O debate foi breve, devido às limitações de tempo. Mas levantou alguns pontos que requerem esclarecimentos adicionais. Optei por escrever este Pós-Escrito, ao invés de mudar o texto original. Parece-me ser este o caminho mais interessante e informativo para os leitores da dissertação ou do artigo, que têm acesso a toda a gênese dos acréscimos decorrentes do debate. Vejamos alguns pontos levantados, respondidos e aqui desenvolvidos.</p>
<p>1.	Na apresentação oral, eu mesmo tomei a iniciativa de mencionar o Renascimento e o Iluminismo como preliminares aos grandes avanços antibíblicos do século XIX, que forçaram os adeptos da Bíblia a uma série de alegorizações reativas que atravessaram também o século XX. </p>
<p>2.	A mais famosa tentativa de alegorização do Renascimento foi aquela feita por Galileu Galilei, não com o objetivo de salvar a Bíblia, mas com a intenção de salvar literalmente a própria pele, do fogo da Igreja Romana. No geral, o Renascimento, mesmo tirando a habitação do homem do centro do universo e diminuindo o lugar de Deus nas preocupações intelectuais do homem europeu, não bateu de frente com as instituições religiosas, realizando grande parte de seus feitos artísticos em parceria com a Igreja de Roma.</p>
<p>3.	O Iluminismo, mais anticlerical do que antibíblico, representou um forte desafio às instituições eclesiais nos estertores do século XVIII, aquele que terminou, segundo o historiador anglo-austríaco Eric Hobsbawm, em 1789, com a Revolução Francesa. O primeiro livro aberta e sistematicamente ateu, segundo Julian Baggini (p. 78), foi <em>O Sistema da Natureza</em>, do francês Barão d’Holbach, publicado em 1770, apenas dezenove anos antes da Revolução e do início, segundo Hobsbawm, do século XIX, que terminaria em 1914 com a deflagração da I Guerra Mundial (o século XX, por sua vez, iniciado em 1914, teria terminado em 1991, com a queda da União Soviética). Somente no século XIX, as forças religiosas conseguiram articular reações consistentes ao desafio iluminista.</p>
<p>4.	Os desafios a partir do século XIX, de qualquer modo, foram muito mais poderosos. A teoria da evolução pela seleção natural e a descoberta da idade da Terra, particularmente, abalaram as estruturas bíblicas de uma forma que teria sido totalmente impossível para renascentistas e iluministas, pela própria falta de conhecimento. Por isso, além das razões mais acima, privilegiei o século XIX no trabalho apresentado no Simpósio.</p>
<p>5.	Objetou-se que leituras alegorizantes da Bíblia ocorriam na Antiguidade e na Idade Média. Sim. No entanto, tratava-se de outro tipo de alegorização, não aquele a que me refiro, ou seja, as tentativas de manter a validade da Bíblia mesmo diante de sua reconhecida falta de veracidade. A alegorização antiga e medieval foi muito bem definida pelo <em>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</em>, na página 146 de sua primeira edição. <em>Alegoria no sentido teológico</em>: “Método de interpretação das sagradas escrituras usado por teólogos cristãos antigos e medievais, em que se almejava a descoberta de significações morais, doutrinárias, normativas etc., ocultas sob o texto literal”. Isto é, a alegorização antiga e medieval, diferentemente da alegorização moderna e contemporânea, não buscava <em>substituir</em> a leitura literal por uma leitura figurada, mas tão-somente <em>complementar</em> a leitura literal, extraindo dela suas implicações morais, doutrinárias e normativas. De fato, até o século XIX praticamente nenhum intérprete cristão – romano, ortodoxo ou protestante – duvidava da veracidade do relato da Queda. O que eles faziam era <em>extrair</em> do episódio da Queda uma série de normas, doutrinas e ensinamentos morais. Bem diferente, repito, do que se faz hoje em dia. Nesta dissertação, eu me refiro a <em>alegorização da Bíblia</em> no sentido moderno e contemporâneo.</p>
<p>6.	Objetou-se, ainda, que a ciência não pode julgar a religião, por serem modos diferentes e complementares de conhecimento humano. Na verdade, como demonstro em outras passagens desta dissertação, tanto a ciência quanto a religião fazem afirmações sobre a realidade. E fazem afirmações que não se conciliam. Por isso, são magistérios rivais, e não complementares. E a ciência é superior, por basear-se em evidências, não em dogmas, e por fundamentar-se no pensamento racional – argumentativo e demonstrativo, sujeito a contestações e revisões –, não na fé inquestionável.</p>
<p>7.	No final do debate, afirmou-se que a teoria da evolução pela seleção natural não está provada, o que já demonstramos não ser verdade. Não apenas a teoria da evolução está provada, como é incompatível com qualquer forma de teísmo, conforme argumentamos no Capítulo 2 desta dissertação.</p>
<p>8.	Não houve, antes do século XIX, nenhum crítico bíblico do porte de Julius Wellhausen, o alemão que descobriu as quatro fontes do Pentateuco, demonstrando que os cinco primeiros livros do Velho Testamento não foram escritos por Moisés, como se pensava até então e como a grande maioria dos cristãos e judeus pensa ainda hoje. Ressalte-se que no Novo Testamento Jesus presume que o Pentateuco foi escrito por Moisés, como em Marcos 7:10.</p>
<p>9.	No livro <em>Pelos Caminhos da Bíblia – Uma Viagem através do Antigo Testamento</em>, o jornalista americano (judeu) Bruce Feiler (pp. 118-9) afirma: “Em 1800, a Bíblia era vista em quase todo o mundo como a verdadeira e indiscutível palavra de Deus. O Pentateuco, em especial, teria sido escrito por Moisés; os episódios, historicamente exatos; seu teor, divino. No decorrer do século 19, essa perspectiva passou por uma análise incessante e minuciosa”. Feiler arremata que vários estudiosos europeus e americanos fizeram a Bíblia descer das alturas intocáveis em que se encontrava e inseriram-na com firmeza na História. Tudo isto ocorreu, ressalte-se, a partir do século XIX.</p>
<p>10.	 No livro The <em>Twilight of Atheism – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World</em>, Alister McGrath, professor de teologia histórica na Universidade de Oxford, afirma na p. 15: “Embora o período tenha testemunhado algumas críticas significativas às idéias fundamentais do cristianismo, o século 18 não viu uma grande erosão da fé”. Na p. 98, McGrath põe o dedo na ferida: “Não há dúvida de que a teoria da evolução de Charles Darwin levou a morna crise da fé na Inglaterra vitoriana a explodir em chamas”.</p>
<p>11.	Autor de <em>Natural Theology</em> (1802), o reverendo William Paley mostrou como os mecanismos da natureza são complexos e como era necessário que Deus os tivesse projetado tais como são. Paley comparou órgãos como o olho humano a um relógio: assim como um relógio pressupõe um relojoeiro, um olho pressupõe Deus. Ou seja, as espécies teriam sido criadas prontas, teriam sido criadas tais como são, exatamente como afirma o Gênesis. McGrath demonstra (p. 100) que na primeira metade do século XIX Paley era leitura obrigatória para os alunos de graduação da Universidade de Cambridge, inclusive os de biologia.</p>
<p>12.	Ressalte-se: o Gênesis não diz simplesmente que Deus criou a vida, mas que ele criou as espécies tais como elas são. Somente com a publicação de <em>A Origem das Espécies</em>, em 1859, alguns religiosos passaram a enxergar a necessidade de transformar o Livro do Gênesis numa alegoria da criação da vida (e não mais das espécies) por Deus. A alegorização do Gênesis é pois, como deixei claro, uma reação desesperada e tardia.</p>
<p>13.	Objetou-se, por fim, que o conceito de livre arbítrio, por mim mencionado, é problemático. Claro que é. Mas a punição de Adão e Eva por Deus, punição extensiva a toda a Criação, pressupõe que eles tiveram liberdade de escolha. Caso contrário, teriam sido criados por Deus como máquinas de desobedecer e pecar, teriam feito o que foram programados para fazer, e sua punição não teria nenhum sentido, literal ou alegórico.    </p>
<p>14.	As teses centrais do capítulo ou artigo, a de que a narrativa da Queda não pode ser uma alegoria e a de que sua necessária literalidade derruba intelectualmente o cristianismo, passaram pelo debate sem arranhões. Mesmo assim, estes pontos adicionais deixam evidente a importante contribuição do Simpósio para este texto, que está hoje muito mais rico do que se não tivesse sido apresentado e debatido no I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, promovido pelo PPGCR da UFPB.</p>
<p>Referências</p>
<p>BAGGINI, Julian. <strong>Atheism</strong> – A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2003, 116 páginas.</p>
<p><strong>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</strong>.  Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001,  2.922 páginas.</p>
<p>FEILER, Bruce. <strong>Pelos caminhos da Bíblia </strong>– Uma viagem através do Antigo Testamento. Tradução de Maria Luiza Newlands Silveira e Fernanda Rangel de Paiva Abreu. Rio de Janeiro: Sextante, 2002, 499 páginas.</p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong> – Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 páginas.</p>
<p>GOULD, Stephen Jay. <strong>Pilares do tempo</strong> – Ciência e religião na plenitude da vida. Tradução de F. Rangel. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, 185 páginas.</p>
<p>HOBSBAWM, Eric. <strong>Era dos extremos</strong> – O breve século XX (1914-1991). Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, 598 páginas.</p>
<p>McGRATH, Alister. <strong>The Twilight of Atheism</strong> – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World. Londres: Rider, 2004, 306 páginas.</p>
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		<title>O Fracasso do Jesus Profeta</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 00:22:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Contradições da bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>É amplamente sabido que os primeiros cristãos, os cristãos do século I, esperavam para muito breve, para seu próprio tempo de vida, a volta, o retorno de Jesus Cristo, a Segunda Vinda, a chamada <em>parousia</em>, palavra grega que significa “presença”. Selecionei três trechos de três obras diferentes que dão testemunho de tal expectativa. O primeiro livro é <em>God is not Great </em>(Deus não é grande) do jornalista inglês Christopher Hitchens. Ele diz na p. 56 de sua edição americana em brochura: “Paulo claramente pensava e esperava que o tempo estava acabando para a humanidade”. Hitchens é confirmado por Richard Tarnas, filósofo americano, em <em>A epopéia do pensamento ocidental</em>, cuja p. 151 afirma: “Como a Segunda Vinda não ocorreu conforme a primeira geração de cristãos havia esperado, o dualismo que tinha uma forma nos Sinópticos assumiu uma dimensão mais mística e ontológica sob a influência do Evangelho de João”.</p>
<p>      Em <em>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</em>, o historiador canadense David A. Wilson trata do assunto de forma mais detalhada (pp. 41-42): </p>
<p>  <em>O cristianismo, em seus primórdios, era permeado de expectativas do milênio, intensificadas pelas próprias palavras de Cristo, como relatado nos evangelhos de Marcos e Mateus: “Em verdade vos digo que entre aqueles que estão aqui presentes”, disse Mateus a seus discípulos, “há alguns que não morrerão antes que vejam o Filho do Homem vir ao seu reino”. Ao mesmo tempo, a noção dos mil anos de reinado de Cristo foi ampliada para incorporar não só os mártires revividos, como todos os fiéis seguidores de Cristo. O milênio, acreditava-se, aconteceria em breve e abrangeria toda a comunidade cristã. </em></p>
<p>      Prossegue Wilson: </p>
<p><em> O único problema é que a Segunda Vinda teimosamente se negava a se materializar. Algo estava claramente errado: crescia a lacuna entre as expectativas e a realidade e explicações faziam-se imperiosas. Na verdade, o cristianismo atravessava a mesma crise que cerca todos os movimentos cujas profecias não se concretizam. A solução, nesse caso, era sustentar que os textos apocalípticos deviam ser compreendidos em termos alegóricos, e não literais, e empurrar o milênio cada vez mais para o futuro. </em></p>
<p>      Ainda Wilson: </p>
<p>    <em>  A solução adequava-se bem ao caráter organizacional mutável do cristianismo. Ao final do século IV, com a conversão do Império Romano, o cristianismo evoluíra de uma seita perseguida para uma religião estabelecida. Sob essas circunstâncias, as tarefas práticas de assegurar uma estabilidade institucional a longo prazo tornaram-se mais importantes do que se preparar para o apocalipse – especialmente quando todas as previsões anteriores sobre a Segunda Vinda haviam provado ser falsas. </em></p>
<p>      Cabe perguntar se o capítulo 16 do Evangelho de Mateus é causa ou conseqüência da expectativa cristã primitiva de um iminente retorno de Jesus. Segundo o escritor espanhol Juan Arias, autor de <em>Jesus, esse grande desconhecido</em>, o Evangelho de Marcos foi escrito entre os anos 60 e 70, provavelmente no ano 64, pouco depois de Nero ter acusado os cristãos de incendiarem Roma e depois do martírio de Pedro e Paulo. Escreve Arias na p. 41: “Marcos escreve o evangelho com o propósito de preparar os cristãos perseguidos para a gloriosa segunda vinda do Messias. Essa missão condiciona muitos dos feitos e ditos de Jesus narrados em seu evangelho”. De fato, em seu capítulo 13, o Evangelho de Marcos descreve uma imensa tribulação e o retorno do “Filho do Homem”, dizendo no versículo 30: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça”, e aparentemente se desdizendo logo a seguir (versículo 32): “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai”.</p>
<p>      Os versículos 3 a 13 da segunda epístola de Pedro e os versículos 6 a 8 do primeiro capítulo de Atos dos Apóstolos vão na mesma linha de Marcos 13:32. O capítulo 16 de Mateus, no entanto, segue a linha de Marcos 13:30. Isto nos traz finalmente ao Evangelho de Mateus, que costuma ser o primeiro a aparecer no Novo Testamento. Calcula-se, diz Arias na p. 46, que o Evangelho de Mateus foi escrito por volta de 80 d. C., cerca de quinze anos após o Evangelho de Marcos. Não se tem certeza, acrescenta Arias, de que seu autor tenha sido o apóstolo Mateus, o coletor de impostos. Não há certeza também, sempre segundo Arias, de que este evangelho tenha sido escrito originalmente em grego: é possível que o Evangelho de Mateus tenha sido escrito primeiramente em aramaico. Segundo Arias, o autor do Evangelho de Mateus usou duas fontes para escrevê-lo: o Evangelho de Marcos e a chamada fonte Q, ou Evangelho Q, uma coleção de mais de duzentas frases atribuídas a Jesus. Esta coleção foi conhecida originalmente como <em>Quelle</em> (“fonte”, em alemão), nome dado por H. J. Holtzman em 1861 e que J. Weiss abreviaria definitivamente como Q, tal como é hoje conhecida, informa Arias na p. 45. Especula-se que a fonte Q começou a ser escrita em aramaico e terminou de ser escrita em grego, mas não se pode ter certeza, pois a Fonte Q não sobreviveu à escrita dos evangelhos de Mateus e Lucas. Arias acrescenta (p. 46) que o Evangelho de Mateus se dirigia a um público do âmbito judaico-cristão, “revelando preocupação pela redução do número de cristãos de origem judaica em relação aos de origem pagã, o que acabaria rompendo o equilíbrio existente até então”. Por exemplo: no Evangelho de Mateus, os apóstolos são apresentados com uma aura de grande dignidade, certamente para dar importância ao cristianismo mais primitivo, baseado nos apóstolos, que eram todos judeus (Arias, p. 46).</p>
<p>      Tendo delineado todo o contexto, podemos agora abordar o capítulo 16 do Evangelho de Mateus, especialmente no que ele tem de mais importante: seu aspecto profético e apocalíptico, explícito nos versículos 24 a 28.</p>
<p>      Antes dos versículos cruciais, porém, vamos dar uma olhada panorâmica no capítulo 16. Em sua primeira seção, versículos 1 a 4, Jesus pratica a ironia contra os fariseus e os saduceus, jogando-lhes na cara uma pergunta retórica: “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?”.</p>
<p>      Na seção seguinte (versículos 5 a 12), Jesus aconselha seus discípulos a acautelar-se contra o fermento dos fariseus e saduceus. Os discípulos não entendem a metáfora, levando Jesus a esclarecer sua mensagem (“Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães?”). Os discípulos então entendem que ele se referia à doutrina dos fariseus e saduceus.</p>
<p>      A terceira seção (versículos 13 a 20) traz o célebre versículo que tanta celeuma causa entre católicos e protestantes: “&#8230; Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Os protestantes argumentam que naquele momento histórico a palavra grega <em>eklesia</em> não significava ainda “igreja”, mas tão-somente “comunidade”. A interpretação da metáfora de Pedro como pedra se complica ainda mais quando nos damos conta de que a conversa, se um dia ocorreu, certamente aconteceu em aramaico, e não em grego. Que palavra terá sido usada em aramaico?</p>
<p>      Na quarta seção (versículos 21 a 23), Jesus prevê sua morte e ressurreição, o que leva Pedro a fazer um apelo para que ele não passe por tudo aquilo, apelo que provoca uma áspera e violenta reação de Jesus: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. Passamos da metáfora de Pedro como pedra fundamental da igreja ou comunidade para a metáfora de Pedro como pedra de tropeço.</p>
<p>      Alcançamos, enfim, a quinta e última seção do capítulo, os versículos 24 a 28. Vou lê-la na íntegra, mas vou me deter em apenas um de seus aspectos (haveria outros a explorar, mas o tempo não permite). Estamos aqui diante de uma forma de expressão bem específica: a profecia apocalíptica. Por volta do ano 80, o Evangelho de Mateus veio reforçar, sendo ao mesmo tempo conseqüência e causa, o sentimento amplamente dominante na época: a <em>parousia</em> estava muito próxima. </p>
<p>* * * </p>
<p>     <em> Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.</em></p>
<p> <em>Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa achá-la-á.</em></p>
<p><em>      Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?</em></p>
<p><strong><em>Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.</em></strong></p>
<p><strong><em>Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até  que vejam vir o Filho do Homem no seu reino [grifo meu].</em></strong></p>
<p>      Somente quando ficou claríssimo que já haviam morrido os últimos remanescentes daquela ocasião, os cristãos perceberam que o Filho do Homem talvez não viesse logo. Começaram a procurar outras interpretações para a profecia não cumprida. A Bíblia de Estudo Plenitude assegura: </p>
<p><em>      Jesus está salientando o encontro que <strong>alguns dos que aqui estão</strong> verão em sua transfiguração. </em></p>
<p>      A transfiguração é um breve episódio em que Jesus aparece resplandecente para alguns discípulos, enquanto se ouve uma voz, supostamente de Deus, apontá-lo como o Filho do Altíssimo.</p>
<p>      É óbvio que se trata de uma interpretação forçada, destinada a tapar um buraco, pois Mateus 16:27 deixa absolutamente claro que não se está falando da transfiguração, mas da segunda vinda de Cristo: </p>
<p><em>      Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu pai,<strong> com seus anjos</strong>, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras [grifo meu]. </em></p>
<p>      Os anjos não estavam presentes na transfiguração. Além disso, a frase “e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” não deixa margem para manobras: está se falando aqui do Juízo Final que deverá seguir a segunda vinda. A profecia falhou, não há como escapar a este fato. E quem estava profetizando não era qualquer um; era, segundo os cristãos majoritários, o próprio Deus encarnado.</p>
<p>      A última seção de Mateus 16 segue, em qualquer um dos três primeiros níveis de interpretação (literal, entrelinhas e moral), um gênero literário que pode ser definido como <em>profecia apocalíptica</em>. Daí porque a interpretação da Bíblia de Estudo Plenitude não tem como se sustentar, pois a transfiguração não é, de modo algum, um apocalipse.</p>
<p>      Quaisquer tentativas de interpretação da última seção de Mateus 16 devem levar em conta seu caráter de profecia apocalíptica. </p>
<p>Referências Bibliográficas </p>
<p>ARIAS, Juan. <strong>Jesus – Esse grande desconhecido</strong>. Tradução de Rubia Prates Goldoni. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, 231 p.  </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong>  – Velhas e novas visões da eternidade. João Pessoa: Idéia, 2005, 234 p. </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos </strong>– Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 p. </p>
<p>HITCHENS, Christopher. <strong>God Is Not Great </strong>– How Religion Poisons Everything. New York: Twelve, 2007, 307 p. </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia de Estudo Plenitude</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1995). </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia com Letra Gigante</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1996). </p>
<p>TARNAS, Richard. <strong>A epopéia do pensamento ocidental</strong>. Tradução de Beatriz Sidou. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001, 588 p. </p>
<p>WILSON, David A. <strong>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</strong>. Tradução de Geni Hirata. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002, 266 p. </p>
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		<title>O acaso</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Aug 2009 00:06:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Estive afastado do blog por mais de um mês porque estava concluindo minha dissertação de mestrado. Agora estou de volta, com planos de publicar um novo <em>post</em> por semana. Muito obrigado pela compreensão. </p>
<p>* * * </p>
<p>Um dos&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estive afastado do blog por mais de um mês porque estava concluindo minha dissertação de mestrado. Agora estou de volta, com planos de publicar um novo <em>post</em> por semana. Muito obrigado pela compreensão. </p>
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<p>Um dos argumentos falaciosos para a existência de Deus é: coisas boas extremamente improváveis acontecem. Portanto, Deus existe. Este argumento ignora o fato de que coisas ruins extremamente improváveis também acontecem. E aí não se louva a Deus. Mas também não se o condena. Resigna-se à sua “vontade misteriosa”. Por que coisas extremamente improváveis acontecem? Porque é tão grande o número de coisas extremamente improváveis possíveis que é inevitável que algumas delas aconteçam. Por exemplo: todas as noites milhões e milhões de pessoas têm sonhos premonitórios. É inevitável que uma fração deles se realize. E aí entra a falácia conhecida como percepção seletiva ou seleção de observações: os poucos acertos são iluminados, os muitos erros permanecem na sombra.</p>
<p>     No livro <em>Não Acredite em Tudo o que Você Pensa – Os 6 Erros Básicos que Cometemos quando Pensamos</em>, Thomas Kida narra uma série de coincidências extremamente improváveis que aconteceram. Em seguida (p. 100), Kida comenta o que narrou:<br />
    <em> Quando pensamos em coincidências tais como as relatadas anteriormente, não devemos pensar em termos de probabilidades de esses eventos específicos acontecerem. Se focalizarmos a possibilidade que havia de meus dois professores se encontrarem em Londres durante as suas férias, talvez cheguemos à conclusão de que a probabilidade de sua ocorrência era baixa demais para resultar apenas do acaso. Mas não devemos pensar sobre tal encontro dessa maneira. Sim, as chances de encontrarmos essa pessoa nas ruas de Londres, a 8.000 km de onde vivemos, são extremamente baixas. No entanto, as chances de encontrarmos alguém que conhecemos, em algum lugar distante, em algum momento de nossas vidas, são muito maiores. Aliás, se pensarmos em milhões e milhões de pessoas que viajam a cada ano, é muito provável que algumas se encontrarão com algum conhecido. </em></p>
<p>     Se duas pessoas férteis se casam com a intenção de ter filhos, é  quase certo que de fato terão filhos. Portanto, o fato de elas terem filhos não é nenhuma improbabilidade. Porém, o fato de um desses filhos ser exatamente você é extremamente improvável. Foi preciso que seus pais fizessem sexo num determinado dia, numa determinada hora, num determinado minuto; que seu pai ejaculasse naquela fração de segundo; que aquele espermatozóide, entre milhões, ganhasse a corrida. Você é uma improbabilidade, filho de duas improbabilidades, neto de quatro improbabilidades e assim por diante. Ninguém deveria se espantar com improbabilidades, porque o mundo é feito basicamente delas, aquelas que ocorrem em meio a um número muitíssimo maior que não ocorre. Não se precisa de Deus nem de forças esotéricas para explicar um mundo feito fundamentalmente de acontecimentos, coisas e seres improváveis, se vistos especificamente, e muito prováveis, se contextualizados.</p>
<p>     Por coincidência, enquanto escrevo este texto na noite do domingo 17 de junho de 2007, vejo uma notícia na Globo News: no Rio de Janeiro, um engenheiro de 53 anos foi morto por uma bala de fuzil disparada a mais de dois quilômetros de distância, enquanto abastecia seu carro num posto de combustíveis. Extremamente improvável que precisamente aquele homem estivesse exatamente na trajetória daquela bala a tamanha distância. Extremamente provável que alguém em algum lugar do Rio de Janeiro esteja em algum momento na trajetória de alguma bala perdida.</p>
<p>     As religiões não costumam conviver bem com a idéia do acaso. Tendem a pensar que Deus ou o Carma ou alguma outra força sobrenatural controla as nossas vidas. Se um determinado turista sueco estava na costa tailandesa no dia 26 de dezembro de 2004 e morreu no tsunami, as religiões não acham que ele estava simplesmente no lugar errado na hora errada. Pensam que ele foi guiado para lá, naquele preciso momento, por Deus, pelo Carma ou por alguma outra força sobrenatural. Como mais de duzentas mil pessoas morreram naquele tsunami, é claríssimo que tal concepção nos transforma a todos em fantoches e marionetes, incapazes de tomar por conta própria a decisão de fazer uma viagem turística.</p>
<p>     Aplicando a Navalha de Occam, tradicional na filosofia, o que é mais simples e coerente? Acreditar que algumas pessoas tomaram a decisão de viajar para o Sudeste da Ásia no final de 2004 porque é isso que algumas pessoas fazem todos os anos (não as mesmas pessoas)? Ou acreditar que milhares de pessoas foram levadas a morrer naquela região por Deus, pelo Carma ou por alguma outra força sobrenatural?</p>
<p>     A existência do acaso derruba qualquer crença de que nosso mundo é  controlado de fora por alguma esfera ou força sobrenatural. Por isso a existência do acaso é rejeitada, explícita ou implicitamente, por quase todas as religiões. </p>
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		<title>Umas perguntinhas para você fazer a seu padre ou pastor</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 15:04:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Contradições da bíblia]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>1. Por que Paulo (1 Coríntios 7:1) disse que seria melhor que o homem não tocasse em mulher? Por que Paulo proibiu as mulheres de falar em público, de falar na igreja, de entrar na igreja com a cabeça descoberta e de ensinar? </p>
<p>2. Se o que Paulo disse era espírito da época, a quem cabe distinguir o que é espírito da época do que é palavra de Deus? A proibição da homossexualidade, por exemplo, é espírito da época ou é palavra de Deus? </p>
<p>3. Por que uma parte do Gênesis (1 e 2: 1 a 3) diz que os animais foram criados primeiro e o homem e a mulher depois (juntos), enquanto outra parte (2: 4 a 24) diz que o homem foi criado primeiro, os animais depois e a mulher por último? </p>
<p>4. Por que Lucas (23: 39 a 43) diz que um dos ladrões defendia Jesus, enquanto Marcos (15:32) e Mateus (27:44) dizem que os dois ladrões o insultavam?</p>
<p>5. Por que Mateus (27: 3 a 8 ) diz que Judas jogou fora o dinheiro da traição e se enforcou, enquanto Atos (1: 16 a 19) diz que ele comprou um terreno com o dinheiro e morreu de uma queda? </p>
<p>6. Se Adão e Eva são uma alegoria, por que a Bíblia diz que Jesus Cristo nasceu e morreu para nos salvar do pecado original, ou seja, o pecado de Adão e Eva? Como é transmitido o pecado original? Se a história de Adão e Eva é uma alegoria, que garantia nós temos de que a história de Jesus Cristo também não é apenas uma alegoria? Se a história de Adão e Eva é pra valer, como explicar a discrepância entre a Bíblia e a ciência? Onde encaixar a pré-história, o Homo habilis, o Homo erectus etc.? </p>
<p>7. Se a história de Adão e Eva é uma alegoria, como explicar um mundo mau criado por um Deus bom? Se a história de Adão e Eva é pra valer e explica a entrada do pecado e do mal no mundo, por que os animais não-humanos também sofrem? O que eles têm a ver com isso? </p>
<p>8. Se Deus criou as espécies animais e vegetais, por que 99,9% das espécies que já existiram estão hoje extintas? Se as mutações genéticas que levam a novas espécies são guiadas por Deus, por que 99,9% dessas mutações resultam em fracassos dolorosos? </p>
<p>9. Por que Deus disse “Não matarás” e depois mandou matar povos inteiros – homens, mulheres, crianças e animais não-humanos (“Tudo aquilo que respire” – veja, por exemplo, o Livro do Deuteronômio)?<br />
10. Se Deus é onipotente, será ele capaz de criar uma pedra tão pesada que nem ele mesmo é capaz de levantá-la? </p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 82</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jun 2008 23:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[bíblia]]></category>
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		<description><![CDATA[<h2>Deus esqueceu de informar os autores da  Bíblia sobre os povos do Novo Mundo</h2>
<p>Quando os índios foram  descobertos pela expedição de Colombo, a perplexidade se abateu sobre os  cristãos: eles não estavam catalogados na Bíblia, como descendentes de Sem&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Deus esqueceu de informar os autores da  Bíblia sobre os povos do Novo Mundo</h2>
<p>Quando os índios foram  descobertos pela expedição de Colombo, a perplexidade se abateu sobre os  cristãos: eles não estavam catalogados na Bíblia, como descendentes de Sem  (semitas), de Cam (camitas) ou de Jafé (os europeus e os persas). Que diacho de  povo era aquele? Se não estavam na Bíblia, não podiam ser gente. Mas eles falavam. Será que os índios tinham alma?</p>
<p>A cristandade, desorientada pela Bíblia, debateu isso durante séculos. Hoje é engraçado, mas  não foi nem um pouco engraçado para os índios, que sofreram violências atrozes,  totalmente “justificadas” pelo fato de que eles eram um povo extrabíblico. Eles  ousavam existir sem estar na Bíblia. Cacete neles!</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 81</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 15:58:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Contradições da bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

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<p>As Américas, a Oceania, a Antártida e outras partes do mundo eram totalmente desconhecidas pelos autores da Bíblia. Seu mundo era o mundinho do homem antigo do Oriente&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Deus esqueceu de informar os autores da  Bíblia sobre o Novo Mundo</h2>
<p>As Américas, a Oceania, a Antártida e outras partes do mundo eram totalmente desconhecidas pelos autores da Bíblia. Seu mundo era o mundinho do homem antigo do Oriente Médio.</p>
<p>Deus esqueceu de informar os autores da Bíblia sobre o resto do mundo.</p>
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