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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; Eva</title>
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	<description>O Múltiplos Universos é o site do Gilson Gondim, que escreve sobre diversos assuntos polêmicos relacionados à Bíblia, contradições da Bíblia, Israel, política, eleições americanas, judeus, sionismo e assuntos diversos.</description>
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		<title>O que pensavam os autores da Bíblia</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 22:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Os autores da Bíblia pensavam que o Sol girava em torno da Terra. Tanto é assim que, no Livro de Josué, este, querendo que a claridade continuasse para concluir e vencer uma batalha, pede a Deus que pare o Sol. Deus atende ao pedido e a batalha é ganha pelo povo eleito.</p>
<p>Os autores da Bíblia não tinham a noção de que toda a humanidade passou por uma fase em que todos os grupos viviam da caça e da coleta (caçadores-coletores). Tanto é assim que, na história humana contada na Bíblia, Adão e Eva passam direto do Jardim do Éden para o trabalho na agricultura e no pastoreio, algo que apareceu bem tarde no desenvolvimento humano.</p>
<p>Os autores da Bíblia não tinham a menor idéia de que houvera outras humanidades na Terra, tanto anteriores quanto paralelas à nossa. Se os autores do Livro do Gênesis ressuscitassem hoje, ficariam com certeza perplexos diante do Homem de Neandertal, do Homem de Denisova, do Homem da Ilha de Flores, que existiram em paralelo a nossos ancestrais, tão recentemente quanto trinta mil anos atrás, no caso do Homem de Neandertal, e dez mil anos, no caso do Homem da Ilha de Flores. O termo “humano” não se refere a uma espécie, mas a um gênero, um conjunto de espécies, todas hoje extintas, exceto a nossa. </p>
<p>Os autores da Bíblia ficariam perplexos se viessem a saber que o parentesco genético 	do chimpanzé com o homem é maior do que o parentesco do  chimpanzé com o gorila e o orangotango (os ancestrais comuns de seres humanos e chimpanzés divergiram dos ancestrais do gorila há cerca de nove milhões de anos; há cerca de seis milhões de anos os ancestrais dos chimpanzés divergiram dos nossos).</p>
<p>Os autores da Bíblia pensavam que as espécies haviam sido criadas prontas, tais como são hoje. A Bíblia não diz apenas que Deus criou a vida, mas que Deus criou os animais conforme a sua espécie. Eles não tinham também a menor idéia da diversidade da vida no planeta, do fato de que há, por exemplo, centenas de milhares de espécies de besouros (algo como 300 mil). Os animais que teriam ocupado a Arca de Noé eram aqueles poucos que eles conheciam (a crença na literalidade do relato da Arca de Noé, assim como na literalidade de todos os relatos bíblicos, era praticamente geral até o século 18).</p>
<p>Os autores da Bíblia eram cegos à inteligência dos animais não humanos, hoje cada vez mais conhecida. Para eles, o homem não fazia parte do Reino Animal, sendo uma criatura à parte, criada à imagem e semelhança de Deus, enquanto os outros não passavam de irracionais. Ficariam perplexos diante dos chimpanzés, bonobos e gorilas que usam centenas de palavras em linguagem de sinais ou teclados de computador; ficariam perplexos com os elefantes pintores figurativos; ficariam de queixo caído com o papagaio cinzento africano Alex, já falecido, que dominava, e verbalizava tal domínio, conceitos como maior, menor, mais comprido, mais curto, mais estreito, mais largo, as cores, formatos etc., a ponto de comunicar conceitos como “cubo vermelho”, “triângulo azul” e assim por diante.</p>
<p>Até o século 18, praticamente todos os geólogos acreditavam no dilúvio universal narrado na Bíblia. A ciência tinha que se curvar às Escrituras. Hoje a ciência está liberta, mas a sociedade ainda não está, a não ser nos países socialmente mais avançados, como a Suécia, a Noruega e a Dinamarca. A luta contra a crendice e a superstição continua. Atual como sempre.</p>
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		<title>Dez razões para descrer do cristianismo</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Feb 2011 13:25:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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<li>Os baixíssimos padrões de comprovação prevalecentes nas épocas em que os vários livros da Bíblia foram escritos.</li>
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			<content:encoded><![CDATA[<ol>
<li>Os baixíssimos padrões de comprovação prevalecentes nas épocas em que os vários livros da Bíblia foram escritos.</li>
<li>O fato de que só dispomos de cópias de cópias de cópias&#8230; Era hábito de muitos copistas da Antiguidade cortar, acrescentar e modificar para deixar o texto mais ao seu gosto ou mais ao gosto desta ou daquela corrente teológica. Por exemplo: a cópia do Livro de Jeremias encontrada entre os Manuscritos do Mar Morto é cerca de 15% mais curta do que a que acabou encontrando lugar na Bíblia. Isto quem diz é o pesquisador judeu holandês Emanuel Tov, que mora em Israel há mais de quatro décadas e pesquisou a fundo os Manuscritos do Mar Morto (revista Veja, 17 de abril de 2002).</li>
<li>Jesus errou as previsões sobre seu retorno. Nos primeiros tempos do cristianismo, baseados nas palavras do próprio Cristo segundo os Evangelhos, os cristãos esperavam seu retorno para muito breve, para o tempo de vida deles. Somente quando isso não aconteceu, começaram as tentativas de reinterpretações. A este respeito, recomendo meu artigo “O Fracasso do Jesus Profeta”, disponível, com quase novecentos comentários, no site Múltiplos Universos (www.multiplosuniversos.com.br).</li>
<li>O Velho Testamento pode ser resumido em duas palavras: ódio e racismo (“Não deixeis vivo nada que respire. Ao contrário, passareis no fio da espada homem, mulher, criança e animal”). E o Novo Testamento valida o Antigo várias vezes. Ou seja, não se pode ficar com o Novo descartando o Velho. Se se descartar um, há que se descartar o outro também.</li>
<li>A Bíblia tem inúmeras contradições. Uma delas é que em Lucas (Lucas 23: 39 a 43) um dos ladrões insulta Jesus enquanto o outro o defende. Em Mateus (27:44) e em Marcos (15:32) ambos os ladrões o insultam.</li>
<li>A Bíblia mostra o homem e a mulher criados prontos, enquanto a teoria da evolução, apresentada no século 19 e confirmada nos séculos 20 e 21 pela genética, a paleontologia e a biologia molecular, mostra que a espécie humana (como todas as espécies) tem uma pré-história, iniciada há cerca de seis milhões de anos, quando começaram a divergir os ramos que resultaram no ser humano e no chimpanzé (o parentesco genético do chimpanzé conosco é maior do que com o gorila e o orangotango).</li>
<li>A história de Adão e Eva não pode ser simplesmente reclassificada como uma alegoria ou uma metáfora, porque esta história é a base de um componente fundamental em todo o cristianismo: o pecado original, que teria começado com Eva e com Adão e que seria transmitido de geração a geração, como se fosse uma doença genética. Jesus Cristo teria vindo para, com seu sacrifício, nos redimir do pecado original. Portanto, Adão e Eva têm que ter existido ou todo o cristianismo cai por terra. Mas não há lugar na ciência para Adão e Eva, e o cristianismo fica emparedado.</li>
<li>O apóstolo Paulo, figura-chave do cristianismo, autor de grande parte do Novo Testamento, é uma figura extremamente problemática, principalmente por suas investidas contra as mulheres e a favor da escravidão. A depender da vontade de Paulo, as mulheres não poderiam ensinar, não poderiam falar em público ou entrar na igreja com a cabeça descoberta.</li>
<li>“É o espírito da época”, defendem-se os cristãos. Mas e a proibição da homossexualidade, também não seria espírito da época? A quem cabe decidir o que é espírito da época e o que é Palavra de Deus? A quem cabe distinguir um do outro?</li>
<li>Voltando a Adão e Eva, se eles não passam de uma alegoria, por que o próprio Jesus Cristo não seria também uma mera alegoria? E o Espírito Santo? E o próprio Deus Pai? Onde deve parar a alegorização? E quem decide onde ela deve parar? Os milagres existiram de fato ou são alegoria? A crucificação aconteceu de fato ou é uma alegoria? E a ressurreição no terceiro dia? Como se vê, o cristianismo é estrangulado intelectualmente por uma sucessão de problemas insolúveis que está longe de terminar por aqui.</li>
</ol>
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		<title>Os cristãos e seus antolhos</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 20:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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Sua visão de mundo é estreita, afunilada.&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antolhos, para quem não sabe, são aqueles tapadores de visão lateral postos em burros e cavalos puxadores de carroças. Com seus antolhos, os cristãos são como burros e cavalos puxadores de carroças.<br />
Sua visão de mundo é estreita, afunilada. É arrumadinha, mas desmorona ao menor pisão fora da linha.<br />
Jesus Cristo é Deus e ao mesmo tempo é filho de Deus. Ou seja, é filho de si mesmo. Vai se sentar na eternidade à direita de Deus. Isto é, vai se sentar à direita de si próprio. E querem que a gente aceite isso como um “mistério”. “Mistério”, no jargão cristão, é algo que não faz sentido, mas que os fiéis têm que aceitar.<br />
Neste vastíssimo universo, com bilhões e bilhões de galáxias, cada uma com bilhões e bilhões de estrelas e trilhões de planetas, querem que acreditemos que Deus construiu uma relação especial com um planeta, uma espécie, uma etnia.<br />
Dizem que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas que o mal entrou no mundo por nosso intermédio. Foi nossa desobediência ao Criador que transformou os leões, os tubarões e os tigres em feras carnívoras. Antes, eram pacatos animais herbívoros, embora seus aparelhos digestivos sejam incapazes de digerir qualquer coisa que não seja carne. As zebras, as focas e os veados têm que pagar pelo pecado original de Adão e Eva, que introduziu o mal no mundo. Ignoram os ignorantes cristãos que, muitíssimo antes de os primeiros humanos pisarem o solo do planeta, bicho já comia bicho; doenças, terremotos, maremotos, furacões, tsunamis e outros flagelos já causavam devastação e sofrimento mundo afora.<br />
A visão de mundo cristã não tem espaço para as espécies humanas anteriores ou paralelas à nossa; não quer saber que Jesus Cristo tinha genes do Homem de Neandertal; acomoda mal – se é que acomoda – os dinossauros e outros animais do passado; vê como irracionais animais da inteligência, por exemplo, de golfinhos, elefantes e chimpanzés; não aceita que somos parte da natureza e que temos muito em comum com os outros animais, sobretudo os outros primatas; não saberia conviver com a descoberta de uma civilização extraterrena.<br />
Os cristãos, com os seus antolhos, puxam a carroça da ignorância, do absurdo, da estreiteza, da tacanhez, da pequenez, da mediocridade&#8230; Que me perdoem os burros e os cavalos pela comparação. Pelo menos nestes os antolhos são colocados contra sua vontade.</p>
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		<title>Por que a narrativa sobre Adão e Eva não pode ser uma alegoria</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 10:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Este artigo trata da centralidade da história de Adão e Eva, tomada literalmente, para o cristianismo em todas as suas formas e variações. A ligação direta da figura supostamente redentora de Jesus Cristo com os fundadores da “humanidade decaída”, Eva&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo trata da centralidade da história de Adão e Eva, tomada literalmente, para o cristianismo em todas as suas formas e variações. A ligação direta da figura supostamente redentora de Jesus Cristo com os fundadores da “humanidade decaída”, Eva e Adão, faz com que estes não possam ser dispensados nem alegorizados, transformados em meros símbolos da criação da humanidade por Deus. O artigo trata também dos problemas acarretados para o cristianismo por sua dependência conceitual e estrutural dos personagens de Adão e Eva e de sua história.     </p>
<p>	A primeira das várias contradições da Bíblia vem logo no início, no Gênesis. Há dois relatos da criação, o primeiro em Gn 1 e Gn 2: 1 a 3, e o segundo em Gn 2: 4 a 24. No primeiro relato, Deus – chamado de Elohim – cria todos os animais, inclusive os domésticos, e depois – como ponto culminante da criação – cria ao mesmo tempo o homem e a mulher. No segundo relato, Deus – chamado de Javé – cria Adão, depois cria os animais, um a um, trazendo-lhes a Adão para que ele lhes dê seus respectivos nomes. (Será que Adão, o primeiro zoólogo, deu nome a cada uma das centenas de milhares de espécies de besouros?). Finalmente, para fazer companhia a Adão, Javé cria Eva a partir de uma costela de Adão. No livro <em>Pilares do Tempo</em>, que trata das relações entre ciência e religião, o paleontólogo americano Stephen Jay Gould fala da perplexidade e da incredulidade de muitos cristãos quando ele lhes diz que há dois relatos bem diferentes da Criação no início do Gênesis.  A recomendação de Gould é simples: leiam o Gênesis; leiam e confiram.</p>
<p>	O objetivo deste artigo, entretanto, não é expor contradições da Bíblia nem tratar das quatro fontes do Pentateuco identificadas pelo estudioso alemão Julius Wellhausen no século XIX. O que nos interessa é que após a divergência inicial a história continua. Adão e Eva vivem num jardim paradisíaco, em que nenhuma criatura sofre e nenhuma criatura causa sofrimento a outra. Bem diferente dos jardins atuais, cuja beleza e aparente calma ocultam uma feroz luta pela vida entre insetos e entre insetos e pássaros, entre outros animais. Adão e Eva são advertidos por Deus de que não podem comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A desobediência de ambos (primeiro dela, depois dele) constitui o episódio crucial conhecido no cristianismo como A Queda. A Queda é o primeiro dos três grandes eventos do cristianismo, sendo o segundo a vinda de Jesus Cristo, sua morte e ressurreição, e o terceiro o esperado retorno de Jesus. Para que veio Jesus? Veio para redimir a humanidade. Para redimir a humanidade de quê? Ora, para redimir a humanidade dos efeitos perniciosos justamente d’A Queda. Como se vê, Adão e Eva não podem ser uma mera alegoria que expresse a criação do ser humano por Deus. Ainda se poderia argumentar que eles são uma alegoria da desobediência da humanidade inteira, centenas de milhares de pessoas em tempos primitivos, ao Criador. Se, no entanto, a desobediência tivesse sido cometida por centenas de milhares de pessoas, isto significaria que a humanidade foi criada por Deus como uma máquina de desobedecer e pecar, programada para desobedecer e pecar, sem nenhuma possibilidade de conceber-se algo semelhante ao livre arbítrio. Para que tenha algum sentido como expressão da ruptura do ser humano com Deus, é preciso que A Queda tenha sido um episódio privado, particular, ocorrido na intimidade de um indivíduo ou de um casal. </p>
<p>	Até o século XIX, não se tentava alegorizar o episódio da Queda. Aliás, não se tentava alegorizar parte nenhuma da Bíblia. Desde os seu primórdios até o século XIX, a Bíblia sempre foi vista pelos fiéis como a verdade literal, a palavra literal de Deus. As tentativas de alegorização têm sido uma tentativa de salvar a Bíblia dos avanços irresistíveis da crítica bíblica e do conhecimento cientifico. Se levarmos a sério a história de Adão e Eva, teremos uma humanidade de pouco mais de seis mil anos, tempo estabelecido pelas genealogias do Velho Testamento. Teremos também um mundo em que a ferocidade da luta pela sobrevivência é conseqüência não do processo de evolução pela seleção natural, mas de um ato de dois seres humanos. Sim, pois a acreditar-se na história de Adão e Eva os jardins só se tornaram campos de batalha depois da Queda. É como se vivêssemos num mundo criado pelo homem, e não por Deus. Ou como se Deus tivesse realizado uma segunda criação, esta maligna, por causa da Queda. Para o cristianismo, os animais não-humanos sofrem e fazem sofrer por causa do homem. E tudo isso só será superado com o retorno de Cristo, quando o leão supostamente pastará em mansidão ao lado da ovelha.</p>
<p>	Totalmente incompatível com a ciência moderna, o relato de Adão e Eva e da Queda só pode ser uma alegoria, pensam os cristãos mais esclarecidos. Contudo, como vimos, a alegorização da Queda torna sem sentido o conceito de pecado original e a idéia de redenção por meio de Jesus Cristo. Torna sem sentido a própria figura de Cristo, o que faz desabar, em espetacular implosão, todo o edifício do cristianismo.</p>
<p>	Se depende de uma alegorização insustentável, se depende de uma narrativa frontalmente contrária a tudo aquilo que nos diz a ciência moderna, o cristianismo está filosófica e cientificamente refutado.</p>
<p>* * *</p>
<p>Pós-Escrito: Após o Debate</p>
<p>	Este capítulo da dissertação foi apresentado como artigo no Grupo de Trabalho 3 do I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, realizado na Universidade Federal da Paraíba entre 16 e 18 de julho de 2007. O debate foi breve, devido às limitações de tempo. Mas levantou alguns pontos que requerem esclarecimentos adicionais. Optei por escrever este Pós-Escrito, ao invés de mudar o texto original. Parece-me ser este o caminho mais interessante e informativo para os leitores da dissertação ou do artigo, que têm acesso a toda a gênese dos acréscimos decorrentes do debate. Vejamos alguns pontos levantados, respondidos e aqui desenvolvidos.</p>
<p>1.	Na apresentação oral, eu mesmo tomei a iniciativa de mencionar o Renascimento e o Iluminismo como preliminares aos grandes avanços antibíblicos do século XIX, que forçaram os adeptos da Bíblia a uma série de alegorizações reativas que atravessaram também o século XX. </p>
<p>2.	A mais famosa tentativa de alegorização do Renascimento foi aquela feita por Galileu Galilei, não com o objetivo de salvar a Bíblia, mas com a intenção de salvar literalmente a própria pele, do fogo da Igreja Romana. No geral, o Renascimento, mesmo tirando a habitação do homem do centro do universo e diminuindo o lugar de Deus nas preocupações intelectuais do homem europeu, não bateu de frente com as instituições religiosas, realizando grande parte de seus feitos artísticos em parceria com a Igreja de Roma.</p>
<p>3.	O Iluminismo, mais anticlerical do que antibíblico, representou um forte desafio às instituições eclesiais nos estertores do século XVIII, aquele que terminou, segundo o historiador anglo-austríaco Eric Hobsbawm, em 1789, com a Revolução Francesa. O primeiro livro aberta e sistematicamente ateu, segundo Julian Baggini (p. 78), foi <em>O Sistema da Natureza</em>, do francês Barão d’Holbach, publicado em 1770, apenas dezenove anos antes da Revolução e do início, segundo Hobsbawm, do século XIX, que terminaria em 1914 com a deflagração da I Guerra Mundial (o século XX, por sua vez, iniciado em 1914, teria terminado em 1991, com a queda da União Soviética). Somente no século XIX, as forças religiosas conseguiram articular reações consistentes ao desafio iluminista.</p>
<p>4.	Os desafios a partir do século XIX, de qualquer modo, foram muito mais poderosos. A teoria da evolução pela seleção natural e a descoberta da idade da Terra, particularmente, abalaram as estruturas bíblicas de uma forma que teria sido totalmente impossível para renascentistas e iluministas, pela própria falta de conhecimento. Por isso, além das razões mais acima, privilegiei o século XIX no trabalho apresentado no Simpósio.</p>
<p>5.	Objetou-se que leituras alegorizantes da Bíblia ocorriam na Antiguidade e na Idade Média. Sim. No entanto, tratava-se de outro tipo de alegorização, não aquele a que me refiro, ou seja, as tentativas de manter a validade da Bíblia mesmo diante de sua reconhecida falta de veracidade. A alegorização antiga e medieval foi muito bem definida pelo <em>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</em>, na página 146 de sua primeira edição. <em>Alegoria no sentido teológico</em>: “Método de interpretação das sagradas escrituras usado por teólogos cristãos antigos e medievais, em que se almejava a descoberta de significações morais, doutrinárias, normativas etc., ocultas sob o texto literal”. Isto é, a alegorização antiga e medieval, diferentemente da alegorização moderna e contemporânea, não buscava <em>substituir</em> a leitura literal por uma leitura figurada, mas tão-somente <em>complementar</em> a leitura literal, extraindo dela suas implicações morais, doutrinárias e normativas. De fato, até o século XIX praticamente nenhum intérprete cristão – romano, ortodoxo ou protestante – duvidava da veracidade do relato da Queda. O que eles faziam era <em>extrair</em> do episódio da Queda uma série de normas, doutrinas e ensinamentos morais. Bem diferente, repito, do que se faz hoje em dia. Nesta dissertação, eu me refiro a <em>alegorização da Bíblia</em> no sentido moderno e contemporâneo.</p>
<p>6.	Objetou-se, ainda, que a ciência não pode julgar a religião, por serem modos diferentes e complementares de conhecimento humano. Na verdade, como demonstro em outras passagens desta dissertação, tanto a ciência quanto a religião fazem afirmações sobre a realidade. E fazem afirmações que não se conciliam. Por isso, são magistérios rivais, e não complementares. E a ciência é superior, por basear-se em evidências, não em dogmas, e por fundamentar-se no pensamento racional – argumentativo e demonstrativo, sujeito a contestações e revisões –, não na fé inquestionável.</p>
<p>7.	No final do debate, afirmou-se que a teoria da evolução pela seleção natural não está provada, o que já demonstramos não ser verdade. Não apenas a teoria da evolução está provada, como é incompatível com qualquer forma de teísmo, conforme argumentamos no Capítulo 2 desta dissertação.</p>
<p>8.	Não houve, antes do século XIX, nenhum crítico bíblico do porte de Julius Wellhausen, o alemão que descobriu as quatro fontes do Pentateuco, demonstrando que os cinco primeiros livros do Velho Testamento não foram escritos por Moisés, como se pensava até então e como a grande maioria dos cristãos e judeus pensa ainda hoje. Ressalte-se que no Novo Testamento Jesus presume que o Pentateuco foi escrito por Moisés, como em Marcos 7:10.</p>
<p>9.	No livro <em>Pelos Caminhos da Bíblia – Uma Viagem através do Antigo Testamento</em>, o jornalista americano (judeu) Bruce Feiler (pp. 118-9) afirma: “Em 1800, a Bíblia era vista em quase todo o mundo como a verdadeira e indiscutível palavra de Deus. O Pentateuco, em especial, teria sido escrito por Moisés; os episódios, historicamente exatos; seu teor, divino. No decorrer do século 19, essa perspectiva passou por uma análise incessante e minuciosa”. Feiler arremata que vários estudiosos europeus e americanos fizeram a Bíblia descer das alturas intocáveis em que se encontrava e inseriram-na com firmeza na História. Tudo isto ocorreu, ressalte-se, a partir do século XIX.</p>
<p>10.	 No livro The <em>Twilight of Atheism – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World</em>, Alister McGrath, professor de teologia histórica na Universidade de Oxford, afirma na p. 15: “Embora o período tenha testemunhado algumas críticas significativas às idéias fundamentais do cristianismo, o século 18 não viu uma grande erosão da fé”. Na p. 98, McGrath põe o dedo na ferida: “Não há dúvida de que a teoria da evolução de Charles Darwin levou a morna crise da fé na Inglaterra vitoriana a explodir em chamas”.</p>
<p>11.	Autor de <em>Natural Theology</em> (1802), o reverendo William Paley mostrou como os mecanismos da natureza são complexos e como era necessário que Deus os tivesse projetado tais como são. Paley comparou órgãos como o olho humano a um relógio: assim como um relógio pressupõe um relojoeiro, um olho pressupõe Deus. Ou seja, as espécies teriam sido criadas prontas, teriam sido criadas tais como são, exatamente como afirma o Gênesis. McGrath demonstra (p. 100) que na primeira metade do século XIX Paley era leitura obrigatória para os alunos de graduação da Universidade de Cambridge, inclusive os de biologia.</p>
<p>12.	Ressalte-se: o Gênesis não diz simplesmente que Deus criou a vida, mas que ele criou as espécies tais como elas são. Somente com a publicação de <em>A Origem das Espécies</em>, em 1859, alguns religiosos passaram a enxergar a necessidade de transformar o Livro do Gênesis numa alegoria da criação da vida (e não mais das espécies) por Deus. A alegorização do Gênesis é pois, como deixei claro, uma reação desesperada e tardia.</p>
<p>13.	Objetou-se, por fim, que o conceito de livre arbítrio, por mim mencionado, é problemático. Claro que é. Mas a punição de Adão e Eva por Deus, punição extensiva a toda a Criação, pressupõe que eles tiveram liberdade de escolha. Caso contrário, teriam sido criados por Deus como máquinas de desobedecer e pecar, teriam feito o que foram programados para fazer, e sua punição não teria nenhum sentido, literal ou alegórico.    </p>
<p>14.	As teses centrais do capítulo ou artigo, a de que a narrativa da Queda não pode ser uma alegoria e a de que sua necessária literalidade derruba intelectualmente o cristianismo, passaram pelo debate sem arranhões. Mesmo assim, estes pontos adicionais deixam evidente a importante contribuição do Simpósio para este texto, que está hoje muito mais rico do que se não tivesse sido apresentado e debatido no I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, promovido pelo PPGCR da UFPB.</p>
<p>Referências</p>
<p>BAGGINI, Julian. <strong>Atheism</strong> – A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2003, 116 páginas.</p>
<p><strong>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</strong>.  Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001,  2.922 páginas.</p>
<p>FEILER, Bruce. <strong>Pelos caminhos da Bíblia </strong>– Uma viagem através do Antigo Testamento. Tradução de Maria Luiza Newlands Silveira e Fernanda Rangel de Paiva Abreu. Rio de Janeiro: Sextante, 2002, 499 páginas.</p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong> – Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 páginas.</p>
<p>GOULD, Stephen Jay. <strong>Pilares do tempo</strong> – Ciência e religião na plenitude da vida. Tradução de F. Rangel. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, 185 páginas.</p>
<p>HOBSBAWM, Eric. <strong>Era dos extremos</strong> – O breve século XX (1914-1991). Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, 598 páginas.</p>
<p>McGRATH, Alister. <strong>The Twilight of Atheism</strong> – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World. Londres: Rider, 2004, 306 páginas.</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 69</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jan 2008 09:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>O absurdo do pecado original</p>
<p>Por que pagamos pelo pecado de Adão e Eva, se não fomos nós que o cometemos?</p>
<p>Dizem os crentes que nós pagamos pelo pecado de Adão e Eva porque teríamos cometido exatamente o mesmo pecado&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O absurdo do pecado original</p>
<p>Por que pagamos pelo pecado de Adão e Eva, se não fomos nós que o cometemos?</p>
<p>Dizem os crentes que nós pagamos pelo pecado de Adão e Eva porque teríamos cometido exatamente o mesmo pecado se estivéssemos lá.</p>
<p>Então, fomos criados como máquinas de pecar.</p>
<p>Mas a Bíblia diz que fomos criados à imagem e semelhança de Deus.</p>
<p>Será Deus uma máquina de pecar?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 1</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jul 2007 09:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p><em>Gênesis</em> x <em>Gênesis</em></p>
<p>A primeira das várias contradições da Bíblia vem logo no início, no <em>Gênesis</em>. Há dois relatos da criação, o primeiro em Gn 1 e Gn 2: 1 a 3, e o segundo em Gn 2: 4 a&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Gênesis</em> x <em>Gênesis</em></p>
<p>A primeira das várias contradições da Bíblia vem logo no início, no <em>Gênesis</em>. Há dois relatos da criação, o primeiro em Gn 1 e Gn 2: 1 a 3, e o segundo em Gn 2: 4 a 24.</p>
<p>No primeiro relato, Deus – chamado de Elohim – cria todos os animais, inclusive os domésticos, e depois – como ponto culminante da criação – cria, ao mesmo tempo, o homem e a mulher.</p>
<p>No segundo relato, Deus – chamado de Javé – cria Adão, depois cria os animais, um a um, trazendo-os a Adão para que ele lhes dê seus respectivos nomes (será que Adão, o primeiro zoólogo, deu nome a cada uma das 400 mil espécies de besouros?). Finalmente, para fazer companhia a Adão, Javé cria Eva a partir de uma costela de Adão.</p>
<p>Os dois relatos são absolutamente incompatíveis e ambos fazem parte do <em>Livro do Gênesis</em>.</p>
<p>Leiam o <em>Gênesis</em>. Leiam e confiram.</p>
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		<title>Debate com uma leitora</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Nov 2006 09:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>O “apóstolo” Paulo diz, em <em>1 Timóteo 2,11-15</em>:</p>
<p style="font-style: italic">A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão.</p>
<p style="font-style: italic">E não permito que a mulher ensine, nem exerça atividade de homem; esteja, porém, em silêncio.</p>
<p style="font-style: italic">Porque,&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O “apóstolo” Paulo diz, em <em>1 Timóteo 2,11-15</em>:</p>
<p style="font-style: italic">A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão.</p>
<p style="font-style: italic">E não permito que a mulher ensine, nem exerça atividade de homem; esteja, porém, em silêncio.</p>
<p style="font-style: italic">Porque, primeiro, foi formado Adão, depois Eva.</p>
<p style="font-style: italic">Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.</p>
<p style="font-style: italic">Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação, com bom senso.</p>
<p>Se eu fosse autoritário, antiquado, machista e misógino como o “apóstolo” Paulo, não daria nenhuma atenção ao e-mail da leitora Márcia Lourena de França Araújo, que recebi por intermédio do jornal, uma vez que no momento não possuo computador nem e-mail. Não sendo, porém, como o “apóstolo” Paulo, dou toda a atenção que o texto da Sra. Márcia merece, publicando-o nesta edição, na íntegra, e comentando-o na próxima edição da coluna.</p>
<p>Com a palavra a nobre leitora do <span style="font-style: italic">Jornal da Paraíba</span>:</p>
<p style="font-style: italic">Nobre colaborador e sociólogo Gilson Gondim,</p>
<p><em>Sou estudante do curso de Pedagogia da UFPB</em> [Universidade Federal da Paraíba] <em>e membro da 1ª Igreja Batista de João Pessoa e pude ao longo do curso estudar algumas disciplinas ligadas à Sociologia, nas quais fui orientada a NÃO analisar nenhum texto, qualquer que seja a origem, de forma isolada, visto ser a humanidade rica em complexidade. Estranhamente, o Sr. vai de encontro a este princípio básico da Sociologia: análises isoladas fatalmente induzem o analista ao erro. Sua formação acadêmica, grifo seu, aumenta sua responsabilidade sobre qualquer texto que venha a publicar.</em></p>
<p><em>Não entendo por que o Sr. faz análises da Bíblia de forma tendenciosa e pejorativa, sempre citando partes do livro</em> Deuteronômio,<em> o qual faz parte do</em> Pentateuco.<em> Acredito que sua grande sapiência de sociólogo fará despertar em seu interior o desejo de saber a diferença entre Antigo e Novo Testamento e o porquê da vinda de Cristo. Qualquer principiante em estudos bíblicos saberá responder aos questionamentos suscitados.</em></p>
<p><em>O ideal é que o Sr. leia a Bíblia por completo, pois trata-se de uma seqüência de fatos ocorridos. Para todo principiante indica-se começar a leitura pelo livro de João, que à sua época escreveu de forma particular aos filósofos gregos, até então detentores do “conhecimento”. Para um breve panorama sugiro que leia</em> João 8:32 <em>e</em> Apocalipse 22:18.</p>
<p><em>E para que o Sr. conheça a outra face do AMOROSO DEUS dos judeus, sugiro que leia</em> II Crônicas 7: 14, 15 e 16.</p>
<p style="font-style: italic">Finalizo transcrevendo abaixo as palavras de Albert Einstein, cientista, filósofo e humanista alemão, considerado um dos maiores gênios do século XX: “Tanto a ciência como a religião têm o poder, mas a ciência sem a religião é manca e a religião sem a ciência é cega”.</p>
<p style="font-style: italic">Que o meu amoroso Deus, em sua infinita misericórdia, o abençoe.</p>
<p style="font-style: italic">Cordialmente,</p>
<p style="font-style: italic">Márcia Lourena de França Araújo.</p>
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