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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; evangelhos</title>
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	<description>O Múltiplos Universos é o site do Gilson Gondim, que escreve sobre diversos assuntos polêmicos relacionados à Bíblia, contradições da Bíblia, Israel, política, eleições americanas, judeus, sionismo e assuntos diversos.</description>
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		<managingEditor>multiplo@multiplosuniversos.com.br (M&uacute;ltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim)</managingEditor>
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		<title>Jesus não nasceu em Belém</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Nov 2006 09:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Há pouco mais de um ano, no dia 20 de dezembro de 2003, publiquei um artigo denominado <em>Artigo de Natal: tudo errado</em>, em que mostrei que o Natal é uma festa estruturada em torno de informações falsas. De fato, não se sabe em que dia Jesus nasceu, mas se sabe que não foi no inverno do Hemisfério Norte, ou seja, não pode ter sido em 25 de dezembro, como comemoram os cristãos ocidentais, nem em 6 de janeiro, como celebram os cristãos do leste da Europa. Da mesma forma, Cristo nasceu cerca de seis anos antes do início oficial da Era Cristã, de modo que não estamos encerrando o ano de 2004, mas algo como o ano de 2010. No final daquele artigo, mencionei que Jesus também não nasceu em Belém, mas não havia espaço suficiente para desenvolver a tese, que ficou para outro artigo, em data indefinida. Este é o outro artigo.</p>
<p>Os dois erros anteriormente comentados não são tão graves quanto este, porque a Bíblia não diz o ano, o mês e o dia do nascimento de Cristo. Os católicos e os protestantes podem, portanto, aceitar que a data de 25 de dezembro não passa de uma convenção, sem, ao aceitar tal fato, arranhar a sua fé. Com o local da natividade, porém, a história é bem outra, pois a Bíblia diz que Jesus nasceu em Belém. Se ele não nasceu lá, a Bíblia está errada. Como a Bíblia é supostamente a palavra de Deus, como pode a palavra de Deus estar errada? Os Evangelhos dizem que Cristo nasceu em Belém porque os evangelistas queriam convencer os judeus de que ele era o Messias anunciado pelo Velho Testamento, e o tal Messias nasceria no mesmo lugar onde teria nascido o rei Davi, isto é, Belém. Os judeus não levariam a sério um candidato a Messias nascido em outro lugar. (No fim das contas, os judeus acabaram não levando Jesus a sério, mas isso é outra história). Era preciso, entretanto, explicar por que Jesus nascera em Belém, se seus pais moravam em Nazaré. O que faria uma grávida de nove meses longe de casa numa época em que as viagens eram penosas? O evangelista Lucas tenta responder: José e Maria teriam viajado a Belém para participar de um censo romano. José teria que se apresentar em Belém por ser oriundo de lá (os romanos exigiriam que cada chefe de família se apresentasse na cidade onde nasceu). Aqui começam os problemas.</p>
<p>Quirino, o governador romano que segundo Lucas ordenara o censo, só governou a região a partir de 6 depois de Cristo, quando Jesus já teria entre dez e doze anos de idade. Ao contrário do que pensava Lucas, Quirino não foi contemporâneo de Herodes, o Grande, aquele que teria mandado matar as criancinhas numa tentativa de assassinar Jesus. Não houve censo romano na época do nascimento de Jesus. Alem disso, segundo o historiador inglês Robin Lane Fox, não é verdade que os chefes de família tinham que se apresentar ao censo em seu local de nascimento: cada um era recenseado onde vivia, onde tinha propriedades, onde ganhava o seu sustento. José seria recenseado, por conseguinte, em Nazaré, e não em Belém. Por fim, os romanos não realizavam censos em regiões de governo autônomo, como a Galiléia, terra de José e Maria. Os habitantes de tais regiões não pagavam impostos diretamente a Roma, mas ao governo regional, que, por sua vez, pagava tributos a Roma. O objetivo dos censos romanos era exclusivamente tributário, e o Império só fazia censos onde recolhia os tributos diretamente.</p>
<p>Se as razões apontadas pela Bíblia para Jesus ter nascido em Belém são falsas, pode-se concluir com boa margem de segurança, que também é falso seu nascimento naquele local. Assim fechamos o firo: o ano é falso, o dia e o mês são falsos, o lugar também é falso. Tanta falsidade não surpreende: a humanidade vive submersa num oceano de lendas, mitos e mentiras.</p>
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		<title>Artigo de Natal: tudo errado</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Nov 2006 03:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Em alguns dias celebraremos o aniversário de Jesus Cristo, que nasceu há 2.003 anos no dia 25 de dezembro na cidade de Belém. Certo? Não, tudo errado. O monge que calculou o ano do nascimento de Cristo cometeu um erro de alguns anos. Os Evangelhos dizem que, quando Jesus nasceu, o primeiro Herodes mencionado na Bíblia, aquele que mandou matar as criancinhas, ainda estava vivo. Ele mandou matar as crianças de até dois anos de idade justamente para eliminar o Messias que já nascera. Hoje se sabe que aquele Herodes (não confundir com o outro, posterior, que mandou cortar a cabeça de João Batista a pedido da dançarina Salomé) morreu em 4 a. C. Jesus nasceu, portanto, em 4 a. C. ou um pouco antes , entre 5 e 7 a. C. Não sabemos exatamente em que ano da era cristã nós estamos, mas certamente não estamos em 2003. Está perto de concluir-se o ano de 2007, 2008, 2009 ou 2010. Isto é ponto pacífico entre todos os estudiosos do assunto – ateus, agnósticos, católicos e protestantes. Cristo nasceu alguns anos antes de Cristo! Durante séculos se pensou que o monge calculara o ano sob a inspiração do Espírito Santo. Mas o Espírito Santo parece não ter dado muita importância ao assunto.</p>
<p>Não se sabe, também, o dia e o mês em que Cristo nasceu. Mas dificilmente foi em dezembro ou janeiro, a julgarmos pelos Evangelhos (os católicos ortodoxos ou orientais, da Rússia, da Grécia etc., comemoram o natal em 6 de janeiro). Um dos Evangelhos diz que na noite ou madrugada do nascimento havia pastores e rebanhos nos campos. Dezembro e janeiro são meses de inverno no Hemisfério Norte, época em que as temperaturas são muito baixas à noite na Palestina. Se Jesus tivesse nascido em 25 de dezembro ou 6 de janeiro, não haveria pastores e rebanhos nos campos à noite e de madrugada. É provável, por conseguinte, que ele tenha nascido no verão ou na primavera, em abril, maio, junho, julho, agosto ou setembro. Não se sabe, nem se pode saber. Por que, então, o 25 de dezembro?</p>
<p>Em 25 de dezembro realizava-se a festa pagã do Sol invicto, uma festa que os romanos trouxeram de algum lugar do Oriente Médio e espalharam por todo o Império. O dia mais curto do ano no Hemisfério Norte é 21 de dezembro. No dia 22 o sol começa a recuperar seu tempo de brilho. Isso deixava os antigos aliviados, porque significava que o sol, uma das fontes da vida na Terra, não desapareceria. Daí a festa do sol invicto no dia 25. Somente quatro séculos após a morte de Cristo, porém, atribuiu-se seu aniversário a essa data. Até então simplesmente não se comemorava seu nascimento. Por que de repente se resolveu comemorá-lo, atribuindo-lhe uma data?</p>
<p>A resposta encontra-se na disputa entre a Igreja e os arianos, seguidores de Ário. Os arianos, que eram numerosos e depois sofreriam vários massacres, eram cristãos, mas não acreditavam na divindade de Cristo e, conseqüentemente, na doutrina da Santíssima Trindade. Diziam que Jesus fora um homem muito bom criado por Deus para redimir a humanidade com seus ensinamentos e seu martírio, um homem que se aperfeiçoara ao longo da vida, atingindo o auge no sacrifício da crucificação. A igreja postulava (e postula) que Cristo era o próprio Deus encarnado. A Igreja percebeu que, para combater a doutrina do aperfeiçoamento de Cristo, precisava celebrar o nascimento do Menino-Deus. O natal surgiu, assim, como uma arma de luta ideológica, de combate á chamada heresia ariana.</p>
<p>Tudo indica que Jesus também não nasceu em Belém, mas vamos ter de deixar esta questão para outra oportunidade, por falta de espaço para abordá-la agora. De qualquer modo, feliz natal.</p>
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		<title>As culpas de Marx e Cristo</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2005 18:23:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p class="timestexto">Muito sangue se derramou em nome dos dois                  ilustres personagens do drama humano acima citados. Muito se matou                  em nome de Cristo e depois em nome de Marx. Até que ponto                  os dois têm culpa, até que ponto eles têm responsabilidade                  por toda a matança? Os cristãos acham que Marx é                  responsável pelas maldades do socialismo real, mas Jesus                  não tem nada a ver com as perversidades da Igreja Católica                  e de figuras como o reformador Calvino. Os marxistas acham que                  Jesus é culpado, mas Marx é inocente. Quem está                  certo? Ambos estão certos e ambos estão errados.                  Marx e Jesus não são inteiramente responsáveis,                  mas tanto um como o outro têm a sua parcela de responsabilidade.</p>
<p class="timestexto">Vejamos Marx primeiro. Certamente teria ficado                  horrorizado com os pavores do leninismo, do stalinismo e do pós-stalinismo.                  A revolução na periferia do capitalismo, a fórmula                  stalinista do “socialismo num só país”,                  a brutalidade do Estado ultra-repressor e a corrida armamentista                  entre um bloco socialista e um bloco capitalista muito mais rico                  não faziam parte, certamente, das conceituações                  de Marx. Onde está, então, sua parcela de responsabilidade?                  Está no conceito de “ditadura do proletariado”,                  que Marx preconizou como uma fase de transição para                  o socialismo, que por sua vez seria também um período                  transicional, a segunda etapa na transição do capitalismo                  para o comunismo. O filósofo, economista e sociólogo                  alemão não percebeu que não pode haver uma                  ditadura do proletariado. Não pode haver porque o proletariado                  é uma classe que não tem, em seu dia-a-dia, uma                  situação de comando. Sua posição nas                  relações de produção não é                  uma posição de comando. Somente uma classe em posição                  de comando pode exercer uma ditadura. Não é o caso                  do proletariado, que só pode aspirar a algum poder numa                  situação de democracia quase perfeita, algo que                  jamais existiu. Numa democracia distante da perfeição,                  o proletariado pode no máximo ter influência. Numa                  ditadura, nem isso. Uma “ditadura do proletariado”                  será necessariamente uma ditadura sobre o proletariado.                  Nenhuma ditadura pode levar a um socialismo autêntico. Marx                  não percebeu isso. Por isso tem sua parcela de culpa pelos                  horrores do chamado socialismo real.</p>
<p class="timestexto">E Jesus? Falou em amor, em perdão,                  em dar a outra face, em amar o próximo como a si mesmo,                  em amar até mesmo os inimigos. Como pode ter alguma culpa                  pela sangrenta história do cristianismo, a religião                  que mais matou em toda a história? É que a mensagem                  de Cristo, tal como exposta nos Evangelhos, tem contradições                  que podem levar a caminhos diversos, alguns deles sangrentos.                  Quando Cristo diz, por exemplo, “se tua mão direita                  te ofende, corta-a; se teu olho esquerdo te ofende, arranca-o”,                  ele abre caminho para uma atitude depuratória que é                  extremamente perniciosa, fonte potencial de depurações                  violentas. Outra parte problemática dos Evangelhos é                  Mateus 12:30, em que Jesus proclama: “Quem não é                  por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”.                  Ou seja, quem não é cristão é contra                  o Cristo, é contra o Deus que se fez homem para salvar                  a humanidade com seu sofrimento atroz, sofrimento de caráter                  expiatório. “Como se pode ser contra isso?”,                  pensam os cristãos. “Como se pode permitir que alguém                  espalhe, ao invés de ajuntar?” Se Cristo morreu de                  modo cruel para salvar almas, como se pode permitir que algumas                  pessoas ajudem o Diabo na tarefa de condenar almas?</p>
<p class="timestexto">É evidente que o cristianismo tem uma                  base ditatorial muito forte. Se essa base não resulta mais                  em ditaduras sanguinárias, é porque o cristianismo                  perdeu o poder político que teve por tanto tempo, sempre                  com conseqüências funestas. O Ocidente é hoje                  mais ou menos democrático não por causa do cristianismo,                  mas apesar dele. Cristo, como Marx, tem suas responsabilidades.</p>
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