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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; Marx</title>
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	<description>O Múltiplos Universos é o site do Gilson Gondim, que escreve sobre diversos assuntos polêmicos relacionados à Bíblia, contradições da Bíblia, Israel, política, eleições americanas, judeus, sionismo e assuntos diversos.</description>
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		<managingEditor>multiplo@multiplosuniversos.com.br (M&uacute;ltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim)</managingEditor>
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		<itunes:summary>Muacute;ltiplos Universos eacute; um site de artigos polecirc;micos, atualizado diariamente.</itunes:summary>
		<itunes:author>M&uacute;ltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim</itunes:author>
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		<title>Estatísticas de Múltiplos Universos</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 12:07:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>O site <em>Múltiplos Universos</em> recebeu, entre janeiro de 2011 e novembro do mesmo ano, 72.572 visitas e 45.621 visitantes únicos, com média mensal de 6.597 e 4.147, respectivamente.</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O site <em>Múltiplos Universos</em> recebeu, entre janeiro de 2011 e novembro do mesmo ano, 72.572 visitas e 45.621 visitantes únicos, com média mensal de 6.597 e 4.147, respectivamente.</p>
<p>No mês de novembro de 2011, foram 7.234 visitas (média diária de 241,13) e 4.647 visitantes únicos (média diária de 154,9).</p>
<p>As dez palavras-chave mais procuradas em novembro de 2011 foram:</p>
<ol>
<li>Gilson Gondim (283)</li>
<li>Múltiplos Universos (88)</li>
<li>Terror atômico (55)</li>
<li>Contradições da Bíblia (50)</li>
<li>Texto engraçado (48)</li>
<li>Sinta-se a vontade tem crase (47)</li>
<li>Marx e a religião (38)</li>
<li>Jogo onde você é Deus (30)</li>
<li>Maioridade penal a favor (23)</li>
</ol>
<p>10.  Jogo em que você é Deus (22)</p>
<p>Ao todo, 2.038 palavras-chave diferentes foram utilizadas para navegar no site em novembro.</p>
<p>Desde seus primórdios no segundo semestre de 2006 até 2 de dezembro de 2011, o site recebeu e publicou 8.975 comentários, sendo o artigo <em>O Fracasso do Jesus Profeta</em> o campeão de comentários, com 874.</p>
<p>O site é bem cotado no Google, sendo, por exemplo, no momento em que este artigo é escrito, o primeiro colocado no item <em> Artigos sobre Israel</em>.</p>
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		<title>Contra os judeus, nada. Contra Israel, tudo.</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 02:09:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Contra os judeus como etnia eu não tenho nada. Contra o judaísmo como religião eu tenho o repúdio ao conceito de que há um povo escolhido por Deus. Acho que se Deus existir, e for bom e justo, ele não tem um povo escolhido. Contra o livro sagrado do judaísmo (o Velho Testamento dos cristãos) eu tenho a repulsa aos massacres que são ordenados e abençoados pelo deus Iavé (“passareis no fio da espada tudo aquilo que respire”), como também aos apedrejamentos que ali são ordenados pela mesma divindade (contra, por exemplo, mulheres adúlteras, filhos rebeldes, apóstatas, blasfemadores, idólatras etc.).</p>
<p>Gosto muito de alguns judeus, como Marx, Freud, Woody Allen, Sacha Baron Cohen etc. Os judeus têm dado uma grande contribuição às ciências e às artes, como se pode ver pelo número de judeus ganhadores do Prêmio Nobel.</p>
<p>A mesma simpatia não posso, porém, ter pelo Estado de Israel e por seus defensores, os sionistas. No que se refere a Israel, a sordidez impera. Em primeiro lugar, Israel é um Estado construído sobre terras roubadas há poucas décadas. Segundo, Israel continua roubando terras, por meio das famigeradas colônias judaicas em terras palestinas. Terceiro, Israel discrimina os palestinos, canalizando para as colônias a maior parte dos recursos da região, como água e eletricidade, em detrimento da maioria palestina. Quarto, Israel é um Estado praticante da tortura, que seus defensores chamam, eufemisticamente, de “pressão física”. Quinto, Israel pratica as abomináveis punições coletivas, proibidas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, castigando famílias (com a derrubada de casas, por exemplo) por atos de indivíduos. Sexto, Israel comete massacres contra os palestinos e os libaneses, bombardeando maciçamente populações civis e causando milhares de mortes, mutilações e deformações, inclusive com armas proibidas pela legislação internacional, como o famigerado fósforo branco, capaz de queimar a carne até o osso, arma que Israel usou contra os palestinos da Faixa de Gaza em 2009, tendo sido condenado pela ONU por causa disso e dos ataques em si. Sétimo, Israel construiu um muro não sobre a fronteira com os territórios palestinos ocupados, mas dentro de território palestino, separando famílias e barrando o acesso de palestinos a serviços como hospitais e postos de saúde. Oitavo, Israel tem barrado sistematicamente todas as tentativas de se criar um Estado palestino, privando este sofrido povo de um direito inalienável. Por todos estes motivos e por razões como estas, não se pode deixar de considerar Israel um Estado fascista, nazista, racista, criminoso, assassino, genocida. Uma aberração. E seus defensores defendem cinicamente o indefensável, agindo como uma corja nojenta e uma escória da humanidade.</p>
<p>* * *</p>
<p>Depois de todas as protelações e procrastinações possíveis por parte da Federação Israelita do Estado de São Paulo, meu processo por danos morais e direito de resposta contra a FISESP encontra-se concluso com o juiz para sentença.</p>
<p>* * *</p>
<p>Em represália a meu processo contra a Federação Israelita do Estado de São Paulo, o movimento sionista conseguiu que o Ministério Público da Paraíba representasse contra mim por suposto racismo. Antes houve um inquérito na Polícia Civil de São Paulo, cujo papiloscopista acabou sendo minha principal testemunha de defesa, ao definir oficialmente meus comentários como de caráter antissionista, o que de fato eles são (ao contrário do antissemitismo, o antissionismo não é crime, por ser a oposição a uma ideologia política, o sionismo, e a uma entidade política, o Estado de Israel).</p>
<p>A primeira audiência do processo aconteceu no dia 30 de maio, tendo sido ouvidas duas testemunhas de defesa (não há testemunhas de acusação). A próxima audiência será no dia 30 de agosto, quando será ouvida uma terceira testemunha e eu serei inquirido. Depois, deverá haver algumas perícias requeridas pelo meu advogado. Sentença de primeira instância, provavelmente só em 2012. E aí poderá haver os embargos de declaração, os agravos de instrumento, os recursos, apelações etc. No banco dos réus junto comigo está sentado o Estado de Israel com todas as suas atrocidades merecedoras de repúdio veemente, de repulsa indignada, de indignação manifesta. Estou tranquilo.</p>
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		<title>Os bons judeus</title>
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		<pubDate>Fri, 30 May 2008 10:04:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Existem bons judeus?<br />
Com certeza!<br />
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Judeus como Freud, Marx, Trotsky, Einstein, Spinoza e Woody Allen, entre outros, são bons&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existem bons judeus?<br />
Com certeza!<br />
São aqueles que transcendem o primitivismo, o racismo, a estreiteza e a tacanhez da cultura em que nasceram.<br />
Judeus como Freud, Marx, Trotsky, Einstein, Spinoza e Woody Allen, entre outros, são bons judeus.<br />
O problema não é genético; é cultural e político.</p>
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		<title>As culpas de Marx e Cristo</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2005 18:23:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p class="timestexto">Muito sangue se derramou em nome dos dois                  ilustres personagens do drama humano acima citados. Muito se matou                  em nome de Cristo e depois em nome de Marx. Até que ponto                  os dois têm culpa, até que ponto eles&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="timestexto">Muito sangue se derramou em nome dos dois                  ilustres personagens do drama humano acima citados. Muito se matou                  em nome de Cristo e depois em nome de Marx. Até que ponto                  os dois têm culpa, até que ponto eles têm responsabilidade                  por toda a matança? Os cristãos acham que Marx é                  responsável pelas maldades do socialismo real, mas Jesus                  não tem nada a ver com as perversidades da Igreja Católica                  e de figuras como o reformador Calvino. Os marxistas acham que                  Jesus é culpado, mas Marx é inocente. Quem está                  certo? Ambos estão certos e ambos estão errados.                  Marx e Jesus não são inteiramente responsáveis,                  mas tanto um como o outro têm a sua parcela de responsabilidade.</p>
<p class="timestexto">Vejamos Marx primeiro. Certamente teria ficado                  horrorizado com os pavores do leninismo, do stalinismo e do pós-stalinismo.                  A revolução na periferia do capitalismo, a fórmula                  stalinista do “socialismo num só país”,                  a brutalidade do Estado ultra-repressor e a corrida armamentista                  entre um bloco socialista e um bloco capitalista muito mais rico                  não faziam parte, certamente, das conceituações                  de Marx. Onde está, então, sua parcela de responsabilidade?                  Está no conceito de “ditadura do proletariado”,                  que Marx preconizou como uma fase de transição para                  o socialismo, que por sua vez seria também um período                  transicional, a segunda etapa na transição do capitalismo                  para o comunismo. O filósofo, economista e sociólogo                  alemão não percebeu que não pode haver uma                  ditadura do proletariado. Não pode haver porque o proletariado                  é uma classe que não tem, em seu dia-a-dia, uma                  situação de comando. Sua posição nas                  relações de produção não é                  uma posição de comando. Somente uma classe em posição                  de comando pode exercer uma ditadura. Não é o caso                  do proletariado, que só pode aspirar a algum poder numa                  situação de democracia quase perfeita, algo que                  jamais existiu. Numa democracia distante da perfeição,                  o proletariado pode no máximo ter influência. Numa                  ditadura, nem isso. Uma “ditadura do proletariado”                  será necessariamente uma ditadura sobre o proletariado.                  Nenhuma ditadura pode levar a um socialismo autêntico. Marx                  não percebeu isso. Por isso tem sua parcela de culpa pelos                  horrores do chamado socialismo real.</p>
<p class="timestexto">E Jesus? Falou em amor, em perdão,                  em dar a outra face, em amar o próximo como a si mesmo,                  em amar até mesmo os inimigos. Como pode ter alguma culpa                  pela sangrenta história do cristianismo, a religião                  que mais matou em toda a história? É que a mensagem                  de Cristo, tal como exposta nos Evangelhos, tem contradições                  que podem levar a caminhos diversos, alguns deles sangrentos.                  Quando Cristo diz, por exemplo, “se tua mão direita                  te ofende, corta-a; se teu olho esquerdo te ofende, arranca-o”,                  ele abre caminho para uma atitude depuratória que é                  extremamente perniciosa, fonte potencial de depurações                  violentas. Outra parte problemática dos Evangelhos é                  Mateus 12:30, em que Jesus proclama: “Quem não é                  por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”.                  Ou seja, quem não é cristão é contra                  o Cristo, é contra o Deus que se fez homem para salvar                  a humanidade com seu sofrimento atroz, sofrimento de caráter                  expiatório. “Como se pode ser contra isso?”,                  pensam os cristãos. “Como se pode permitir que alguém                  espalhe, ao invés de ajuntar?” Se Cristo morreu de                  modo cruel para salvar almas, como se pode permitir que algumas                  pessoas ajudem o Diabo na tarefa de condenar almas?</p>
<p class="timestexto">É evidente que o cristianismo tem uma                  base ditatorial muito forte. Se essa base não resulta mais                  em ditaduras sanguinárias, é porque o cristianismo                  perdeu o poder político que teve por tanto tempo, sempre                  com conseqüências funestas. O Ocidente é hoje                  mais ou menos democrático não por causa do cristianismo,                  mas apesar dele. Cristo, como Marx, tem suas responsabilidades.</p>
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		<title>Marx e a religião – II</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Dec 2004 18:05:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p class="timestexto">Começo este artigo por onde terminei                  o anterior: citando a síntese, escrita pelo próprio                  Marx, da visão marxista da religião, que vai muito                  além da simples fórmula “a religião                  é o ópio do povo”. Repito a citação                  como ênfase,&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="timestexto">Começo este artigo por onde terminei                  o anterior: citando a síntese, escrita pelo próprio                  Marx, da visão marxista da religião, que vai muito                  além da simples fórmula “a religião                  é o ópio do povo”. Repito a citação                  como ênfase, e também para beneficiar aqueles leitores                  que não leram o texto anterior. Eis a religião,                  segundo Marx:</p>
<p class="timestexto"><em>&#8230; A religião é o suspiro                  da criatura oprimida, o sentimento de um mundo sem coração,                  a alma de uma realidade sem alma. É o ópio do povo.<br />
Abolir a religião, como a felicidade ilusória dos                  homens, é procurar sua felicidade real. O clamor para que                  abandonem as ilusões sobre sua condição é                  uma convocação para que abandonem uma condição                  que precisa de ilusões.</em></p>
<p class="timestexto">Como eu disse no outro artigo, a magistral                  formulação de Marx capta apenas metade do problema,                  pois mesmo numa sociedade livre, próspera e justa o homem                  permanece um ser mortal consciente de sua mortalidade, o que abre                  amplos espaços para a religião. Marx estava certo                  num ponto, porém: há uma relação direta                  entre os níveis de religiosidade e os níveis de                  opressão social. Vejamos o que diz, por exemplo, um estudo                  resumido pela revista <em>Veja</em>, em sua edição                  de 24 de setembro de 2003:</p>
<p class="timestexto"><em>Um centro de pesquisa americano entrevistou                  cidadãos de 44 países para saber a importância                  da religião na vida deles. Eis o resultado da enquete:</em></p>
<p class="timestexto"><em>Os países pobres mostraram-se mais                  religiosos do que os países ricos.</em></p>
<p class="timestexto"><em>A exceção entre os países                  ricos são os Estados Unidos, onde seis em cada dez americanos                  disseram que a religiosidade é fundamental em sua vida.</em></p>
<p class="timestexto"><em>A população da África                  é a que tem mais fé. No Senegal, 97% responderam                  que a religião é muito importante.</em></p>
<p class="timestexto"><em>Em média, 65% dos latinos </em>[latino-americanos?]<em>                  são muito religiosos. No Brasil, 77% da população                  dá grande importância à religião.</em></p>
<p class="timestexto">A religião só tem prosperado,                  portanto, em sociedades assoladas pela pobreza, pela grande desigualdade,                  pela insegurança social ou por uma pressão descomunal                  sobre o indivíduo. É o que acontece nos Estados                  Unidos, que têm muita pobreza para o seu nível de                  renda, têm uma concentração de renda e riqueza                  muito maior que a do restante do Primeiro Mundo, não têm                  os mecanismos de proteção social que há na                  Europa (é cada um por si) e exercem uma pressão                  colossal sobre cada indivíduo, coagido a ser um <em>winner</em>                  (vencedor) e não um <em>loser</em> (perdedor). Não                  é à toa que os americanos são o povo mais                  pirado do mundo, campeões e recordistas em fenômenos                  como os <em>serial killers</em> (matadores em série) e                  os <em>mass murderers</em> (assassinos em massa). (O matador em                  série mata um ou dois de cada vez; o assassino em massa                  mata várias pessoas num mesmo episódio). Os índices                  de criminalidade e de aprisionamento verificados nos Estados Unidos                  são espantosamente altos se comparados aos do Japão                  e da Alemanha, por exemplo. Se somarmos a isso a tensão                  racial e étnica, veremos que a América de maioria                  anglo-saxônica é um dos países mais opressivos                  do mundo. Daí seus altos índices de religiosidade,                  para os quais também contribui o fato de que o país                  foi fundado por religiosos fundamentalistas.</p>
<p class="timestexto">No outro extremo do Primeiro Mundo, estão                  os países escandinavos, como a Suécia e a Dinamarca.                  São sociedades muito ricas, como a americana, mas têm                  muito menos pobreza e desigualdade que os Estados Unidos, contam                  com mecanismos avançados de proteção social                  e não fazem tanta pressão sobre o indivíduo.                  São, também, países mais relaxados quanto                  aos costumes: “viva e deixe viver”. Seus índices                  de criminalidade e violência são muito baixos, assim                  como seus níveis de religiosidade. De onde se conclui que                  o fervor religioso é típico de sociedades muito                  problemáticas. Nisto, pelo menos, Marx estava certo.</p>
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		<title>Marx e a religião</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2004 18:04:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Marx]]></category>
		<category><![CDATA[O Manifesto Comunista]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="timestexto"><em>“O zelo pela virtude é abafado                  pela voz tentadora do pecado e se transforma em escárnio,                  assim que sentimos o pleno impacto da vida. A luta pelo entendimento                  é posta de lado por uma vulgar concupiscência pelos                  bens terrenos.</em>&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="timestexto"><em>“O zelo pela virtude é abafado                  pela voz tentadora do pecado e se transforma em escárnio,                  assim que sentimos o pleno impacto da vida. A luta pelo entendimento                  é posta de lado por uma vulgar concupiscência pelos                  bens terrenos.</em></p>
<p class="timestexto"><em>O anseio pela verdade é amortecido                  pela força doce e lisonjeira da mentira. E assim o homem                  permanece como a única criatura, em toda a natureza, que                  não cumpre o seu propósito, o único membro                  do Universo que é indigno do Deus que o fez.</em></p>
<p class="timestexto"><em>Todavia, o gracioso Criador é incapaz                  de odiar a obra de suas mãos. Deseja erguê-la até                  onde Ele mesmo está, e, assim, enviou o seu Filho e agora                  nos chama por meio destas palavras: ‘Vós já                  estais limpos, pela palavra que vos tenho falado; permanecei em                  mim, e eu permanecerei em vós&#8230;’ (João, 15.3,4).</em></p>
<p class="timestexto"><em>E onde Cristo expressa com maior clareza                  a necessidade de união com Ele do que na bela parábola                  da vinha e seus ramos, na qual ele se compara à vinha e                  nos compara com os ramos?</em></p>
<p class="timestexto"><em>Os nossos corações, a razão,                  a história, a Palavra de Deus, tudo nos faz apelos em altas                  vozes, convincentemente, dizendo-nos que a união com Ele                  é absolutamente necessária, que sem Ele seríamos                  rejeitados por Deus; que somente Ele é capaz de nos libertar&#8230;</em></p>
<p class="timestexto"><em>Uma vez que um homem tenha atingido essa                  virtude, essa união com Cristo, esperará calma e                  tranqüilamente os golpes da desventura. Opor-se-á                  bravamente às tempestades da paixão e resistirá                  impavidamente aos rugidos dos iníquos, pois quem poderia                  arrebatá-lo de seu Redentor?”</em></p>
<p class="timestexto">Por incrível que pareça, o autor                  do texto acima é Karl Marx, o pai do materialismo dialético,                  co-autor de <em>O Manifesto Comunista</em>, criador de<em> O Capital</em>.                  O texto citado, que já demonstra o talento literário                  de Marx, foi escrito pelo jovem Karl, ainda adolescente e aluno                  do que hoje chamamos de ensino médio. Cerca de dois anos                  depois de tê-lo escrito, Marx se tornaria ateu, a caminho                  de fundar, junto com Friedrich Engels, toda uma nova maneira de                  ver o mundo. O Marx maduro tinha uma visão muito diferente                  da religião, embora esta visão não se limitasse                  à frieza, à secura e à agressividade da fórmula                  quase universalmente conhecida como a definição                  marxista da religião: “A religião é                  o ópio do povo”. Marx de fato escreveu isto, mas                  o fez num contexto suave e poético, que não vê                  a religião pura e simplesmente como algemas, mas a vê                  como algemas feitas de flores, algemas que, não obstante                  sua beleza, precisam ser quebradas, porque a consciência                  do real é muito mais libertadora, e portanto muito mais                  bonita, do que as ilusões sobre o real. Contemplemos a                  visão marxista da religião, nas talentosas palavras                  do próprio Marx:</p>
<p class="timestexto"><em>&#8230; A religião é o suspiro                  da criatura oprimida, o sentimento de um mundo sem coração,                  a alma de uma realidade sem alma. É o ópio do povo.</em></p>
<p class="timestexto"><em>Abolir a religião, como a felicidade                  ilusória dos homens, é procurar sua felicidade real.                  O clamor para que abandonem as ilusões sobre sua condição                  é uma convocação para que abandonem uma condição                  que precisa de ilusões.</em></p>
<p class="timestexto">Marx não captou toda a essência                  da religião nesse pequeno texto. A condição                  existencial do homem como ser mortal consciente de sua mortalidade                  faz com que a religião tenha algum peso mesmo nas sociedades                  mais livres, prósperas e justas. Todos os estudos, porém,                  estudos que não poderei citar aqui por falta de espaço,                  mostram que a religião tem mais peso nas sociedades mais                  opressivas, o que dá razão a Marx, pelo menos em                  grande parte. De qualquer modo, mesmo não se concordando                  com as teses marxianas, há que se reconhecer e admirar                  o talento com que ele as expôs.</p>
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