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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; Religião</title>
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	<description>O Múltiplos Universos é o site do Gilson Gondim, que escreve sobre diversos assuntos polêmicos relacionados à Bíblia, contradições da Bíblia, Israel, política, eleições americanas, judeus, sionismo e assuntos diversos.</description>
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		<title>Os cristãos e seus antolhos</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 20:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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Sua visão de mundo é estreita, afunilada.&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antolhos, para quem não sabe, são aqueles tapadores de visão lateral postos em burros e cavalos puxadores de carroças. Com seus antolhos, os cristãos são como burros e cavalos puxadores de carroças.<br />
Sua visão de mundo é estreita, afunilada. É arrumadinha, mas desmorona ao menor pisão fora da linha.<br />
Jesus Cristo é Deus e ao mesmo tempo é filho de Deus. Ou seja, é filho de si mesmo. Vai se sentar na eternidade à direita de Deus. Isto é, vai se sentar à direita de si próprio. E querem que a gente aceite isso como um “mistério”. “Mistério”, no jargão cristão, é algo que não faz sentido, mas que os fiéis têm que aceitar.<br />
Neste vastíssimo universo, com bilhões e bilhões de galáxias, cada uma com bilhões e bilhões de estrelas e trilhões de planetas, querem que acreditemos que Deus construiu uma relação especial com um planeta, uma espécie, uma etnia.<br />
Dizem que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas que o mal entrou no mundo por nosso intermédio. Foi nossa desobediência ao Criador que transformou os leões, os tubarões e os tigres em feras carnívoras. Antes, eram pacatos animais herbívoros, embora seus aparelhos digestivos sejam incapazes de digerir qualquer coisa que não seja carne. As zebras, as focas e os veados têm que pagar pelo pecado original de Adão e Eva, que introduziu o mal no mundo. Ignoram os ignorantes cristãos que, muitíssimo antes de os primeiros humanos pisarem o solo do planeta, bicho já comia bicho; doenças, terremotos, maremotos, furacões, tsunamis e outros flagelos já causavam devastação e sofrimento mundo afora.<br />
A visão de mundo cristã não tem espaço para as espécies humanas anteriores ou paralelas à nossa; não quer saber que Jesus Cristo tinha genes do Homem de Neandertal; acomoda mal – se é que acomoda – os dinossauros e outros animais do passado; vê como irracionais animais da inteligência, por exemplo, de golfinhos, elefantes e chimpanzés; não aceita que somos parte da natureza e que temos muito em comum com os outros animais, sobretudo os outros primatas; não saberia conviver com a descoberta de uma civilização extraterrena.<br />
Os cristãos, com os seus antolhos, puxam a carroça da ignorância, do absurdo, da estreiteza, da tacanhez, da pequenez, da mediocridade&#8230; Que me perdoem os burros e os cavalos pela comparação. Pelo menos nestes os antolhos são colocados contra sua vontade.</p>
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		<title>Os problemas que a ciência ainda vai causar à religião</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 22:53:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<ol>
<li>Com o genoma do Homem de Neandertal desvendado, é só uma questão de tempo até cientistas trazerem-no de volta à vida. Quando o primeiro bebê Neandertal da nova era nascer, a religião vai ter que dar uma resposta à pergunta: ele ou ela também foi criado à imagem e semelhança de Deus? Há duas espécies criadas à imagem e semelhança de Deus? (É claro que, instigados pelas igrejas, países como Estados Unidos e Reino Unido proibirão esse tipo de pesquisa, mas sempre haverá algum país disposto a abrigar os cientistas que a farão).</li>
<li>Quando a barreira da Inteligência Artificial (I. A.) for finalmente quebrada, o Dalai Lama terá que dar resposta à pergunta que um dia evitou: o computador autoconsciente será a reencarnação de alguém?</li>
<li>A interface entre neurônios e microchips criará as espécies pós-humana, pós-canina etc. Essa interface já dá seus primeiros passos: nos Estados Unidos, microchips já são implantados, em fase de testes (bem-sucedidos), para combater a depressão. Os microchips implantados no cérebro, porém, farão muito mais do que isso: ampliarão exponencialmente a inteligência e o conhecimento de membros das mais variadas espécies, tornando, por exemplo, chimpanzés capazes de entender a teoria da relatividade e a física quântica e cachorros capazes de entender plenamente grego, turco, japonês, mandarim e qualquer outra língua. O que as religiões poderão dizer sobre esses cérebros turbinados?</li>
<li>O contato, ainda que por rádio, com alguma civilização extraterrena completará o processo, iniciado no Renascimento e intensificado por Darwin, de tirar o <em>Homo sapiens</em> do centro do Universo, o que diminuirá muitíssimo a estatura de figuras como Jesus Cristo e Maomé.</li>
</ol>
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		<title>O Fracasso do Jesus Profeta</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 00:22:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>É amplamente sabido que os primeiros cristãos, os cristãos do século I, esperavam para muito breve, para seu próprio tempo de vida, a volta, o retorno de Jesus Cristo, a Segunda Vinda, a chamada <em>parousia</em>, palavra grega que significa “presença”. Selecionei três trechos de três obras diferentes que dão testemunho de tal expectativa. O primeiro livro é <em>God is not Great </em>(Deus não é grande) do jornalista inglês Christopher Hitchens. Ele diz na p. 56 de sua edição americana em brochura: “Paulo claramente pensava e esperava que o tempo estava acabando para a humanidade”. Hitchens é confirmado por Richard Tarnas, filósofo americano, em <em>A epopéia do pensamento ocidental</em>, cuja p. 151 afirma: “Como a Segunda Vinda não ocorreu conforme a primeira geração de cristãos havia esperado, o dualismo que tinha uma forma nos Sinópticos assumiu uma dimensão mais mística e ontológica sob a influência do Evangelho de João”.</p>
<p>      Em <em>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</em>, o historiador canadense David A. Wilson trata do assunto de forma mais detalhada (pp. 41-42): </p>
<p>  <em>O cristianismo, em seus primórdios, era permeado de expectativas do milênio, intensificadas pelas próprias palavras de Cristo, como relatado nos evangelhos de Marcos e Mateus: “Em verdade vos digo que entre aqueles que estão aqui presentes”, disse Mateus a seus discípulos, “há alguns que não morrerão antes que vejam o Filho do Homem vir ao seu reino”. Ao mesmo tempo, a noção dos mil anos de reinado de Cristo foi ampliada para incorporar não só os mártires revividos, como todos os fiéis seguidores de Cristo. O milênio, acreditava-se, aconteceria em breve e abrangeria toda a comunidade cristã. </em></p>
<p>      Prossegue Wilson: </p>
<p><em> O único problema é que a Segunda Vinda teimosamente se negava a se materializar. Algo estava claramente errado: crescia a lacuna entre as expectativas e a realidade e explicações faziam-se imperiosas. Na verdade, o cristianismo atravessava a mesma crise que cerca todos os movimentos cujas profecias não se concretizam. A solução, nesse caso, era sustentar que os textos apocalípticos deviam ser compreendidos em termos alegóricos, e não literais, e empurrar o milênio cada vez mais para o futuro. </em></p>
<p>      Ainda Wilson: </p>
<p>    <em>  A solução adequava-se bem ao caráter organizacional mutável do cristianismo. Ao final do século IV, com a conversão do Império Romano, o cristianismo evoluíra de uma seita perseguida para uma religião estabelecida. Sob essas circunstâncias, as tarefas práticas de assegurar uma estabilidade institucional a longo prazo tornaram-se mais importantes do que se preparar para o apocalipse – especialmente quando todas as previsões anteriores sobre a Segunda Vinda haviam provado ser falsas. </em></p>
<p>      Cabe perguntar se o capítulo 16 do Evangelho de Mateus é causa ou conseqüência da expectativa cristã primitiva de um iminente retorno de Jesus. Segundo o escritor espanhol Juan Arias, autor de <em>Jesus, esse grande desconhecido</em>, o Evangelho de Marcos foi escrito entre os anos 60 e 70, provavelmente no ano 64, pouco depois de Nero ter acusado os cristãos de incendiarem Roma e depois do martírio de Pedro e Paulo. Escreve Arias na p. 41: “Marcos escreve o evangelho com o propósito de preparar os cristãos perseguidos para a gloriosa segunda vinda do Messias. Essa missão condiciona muitos dos feitos e ditos de Jesus narrados em seu evangelho”. De fato, em seu capítulo 13, o Evangelho de Marcos descreve uma imensa tribulação e o retorno do “Filho do Homem”, dizendo no versículo 30: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça”, e aparentemente se desdizendo logo a seguir (versículo 32): “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai”.</p>
<p>      Os versículos 3 a 13 da segunda epístola de Pedro e os versículos 6 a 8 do primeiro capítulo de Atos dos Apóstolos vão na mesma linha de Marcos 13:32. O capítulo 16 de Mateus, no entanto, segue a linha de Marcos 13:30. Isto nos traz finalmente ao Evangelho de Mateus, que costuma ser o primeiro a aparecer no Novo Testamento. Calcula-se, diz Arias na p. 46, que o Evangelho de Mateus foi escrito por volta de 80 d. C., cerca de quinze anos após o Evangelho de Marcos. Não se tem certeza, acrescenta Arias, de que seu autor tenha sido o apóstolo Mateus, o coletor de impostos. Não há certeza também, sempre segundo Arias, de que este evangelho tenha sido escrito originalmente em grego: é possível que o Evangelho de Mateus tenha sido escrito primeiramente em aramaico. Segundo Arias, o autor do Evangelho de Mateus usou duas fontes para escrevê-lo: o Evangelho de Marcos e a chamada fonte Q, ou Evangelho Q, uma coleção de mais de duzentas frases atribuídas a Jesus. Esta coleção foi conhecida originalmente como <em>Quelle</em> (“fonte”, em alemão), nome dado por H. J. Holtzman em 1861 e que J. Weiss abreviaria definitivamente como Q, tal como é hoje conhecida, informa Arias na p. 45. Especula-se que a fonte Q começou a ser escrita em aramaico e terminou de ser escrita em grego, mas não se pode ter certeza, pois a Fonte Q não sobreviveu à escrita dos evangelhos de Mateus e Lucas. Arias acrescenta (p. 46) que o Evangelho de Mateus se dirigia a um público do âmbito judaico-cristão, “revelando preocupação pela redução do número de cristãos de origem judaica em relação aos de origem pagã, o que acabaria rompendo o equilíbrio existente até então”. Por exemplo: no Evangelho de Mateus, os apóstolos são apresentados com uma aura de grande dignidade, certamente para dar importância ao cristianismo mais primitivo, baseado nos apóstolos, que eram todos judeus (Arias, p. 46).</p>
<p>      Tendo delineado todo o contexto, podemos agora abordar o capítulo 16 do Evangelho de Mateus, especialmente no que ele tem de mais importante: seu aspecto profético e apocalíptico, explícito nos versículos 24 a 28.</p>
<p>      Antes dos versículos cruciais, porém, vamos dar uma olhada panorâmica no capítulo 16. Em sua primeira seção, versículos 1 a 4, Jesus pratica a ironia contra os fariseus e os saduceus, jogando-lhes na cara uma pergunta retórica: “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?”.</p>
<p>      Na seção seguinte (versículos 5 a 12), Jesus aconselha seus discípulos a acautelar-se contra o fermento dos fariseus e saduceus. Os discípulos não entendem a metáfora, levando Jesus a esclarecer sua mensagem (“Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães?”). Os discípulos então entendem que ele se referia à doutrina dos fariseus e saduceus.</p>
<p>      A terceira seção (versículos 13 a 20) traz o célebre versículo que tanta celeuma causa entre católicos e protestantes: “&#8230; Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Os protestantes argumentam que naquele momento histórico a palavra grega <em>eklesia</em> não significava ainda “igreja”, mas tão-somente “comunidade”. A interpretação da metáfora de Pedro como pedra se complica ainda mais quando nos damos conta de que a conversa, se um dia ocorreu, certamente aconteceu em aramaico, e não em grego. Que palavra terá sido usada em aramaico?</p>
<p>      Na quarta seção (versículos 21 a 23), Jesus prevê sua morte e ressurreição, o que leva Pedro a fazer um apelo para que ele não passe por tudo aquilo, apelo que provoca uma áspera e violenta reação de Jesus: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. Passamos da metáfora de Pedro como pedra fundamental da igreja ou comunidade para a metáfora de Pedro como pedra de tropeço.</p>
<p>      Alcançamos, enfim, a quinta e última seção do capítulo, os versículos 24 a 28. Vou lê-la na íntegra, mas vou me deter em apenas um de seus aspectos (haveria outros a explorar, mas o tempo não permite). Estamos aqui diante de uma forma de expressão bem específica: a profecia apocalíptica. Por volta do ano 80, o Evangelho de Mateus veio reforçar, sendo ao mesmo tempo conseqüência e causa, o sentimento amplamente dominante na época: a <em>parousia</em> estava muito próxima. </p>
<p>* * * </p>
<p>     <em> Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.</em></p>
<p> <em>Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa achá-la-á.</em></p>
<p><em>      Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?</em></p>
<p><strong><em>Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.</em></strong></p>
<p><strong><em>Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até  que vejam vir o Filho do Homem no seu reino [grifo meu].</em></strong></p>
<p>      Somente quando ficou claríssimo que já haviam morrido os últimos remanescentes daquela ocasião, os cristãos perceberam que o Filho do Homem talvez não viesse logo. Começaram a procurar outras interpretações para a profecia não cumprida. A Bíblia de Estudo Plenitude assegura: </p>
<p><em>      Jesus está salientando o encontro que <strong>alguns dos que aqui estão</strong> verão em sua transfiguração. </em></p>
<p>      A transfiguração é um breve episódio em que Jesus aparece resplandecente para alguns discípulos, enquanto se ouve uma voz, supostamente de Deus, apontá-lo como o Filho do Altíssimo.</p>
<p>      É óbvio que se trata de uma interpretação forçada, destinada a tapar um buraco, pois Mateus 16:27 deixa absolutamente claro que não se está falando da transfiguração, mas da segunda vinda de Cristo: </p>
<p><em>      Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu pai,<strong> com seus anjos</strong>, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras [grifo meu]. </em></p>
<p>      Os anjos não estavam presentes na transfiguração. Além disso, a frase “e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” não deixa margem para manobras: está se falando aqui do Juízo Final que deverá seguir a segunda vinda. A profecia falhou, não há como escapar a este fato. E quem estava profetizando não era qualquer um; era, segundo os cristãos majoritários, o próprio Deus encarnado.</p>
<p>      A última seção de Mateus 16 segue, em qualquer um dos três primeiros níveis de interpretação (literal, entrelinhas e moral), um gênero literário que pode ser definido como <em>profecia apocalíptica</em>. Daí porque a interpretação da Bíblia de Estudo Plenitude não tem como se sustentar, pois a transfiguração não é, de modo algum, um apocalipse.</p>
<p>      Quaisquer tentativas de interpretação da última seção de Mateus 16 devem levar em conta seu caráter de profecia apocalíptica. </p>
<p>Referências Bibliográficas </p>
<p>ARIAS, Juan. <strong>Jesus – Esse grande desconhecido</strong>. Tradução de Rubia Prates Goldoni. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, 231 p.  </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong>  – Velhas e novas visões da eternidade. João Pessoa: Idéia, 2005, 234 p. </p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos </strong>– Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 p. </p>
<p>HITCHENS, Christopher. <strong>God Is Not Great </strong>– How Religion Poisons Everything. New York: Twelve, 2007, 307 p. </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia de Estudo Plenitude</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1995). </p>
<p>Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). <strong>Bíblia com Letra Gigante</strong>. Preparada por João Ferreira de Almeida (Almeida Revista e Atualizada, 1996). </p>
<p>TARNAS, Richard. <strong>A epopéia do pensamento ocidental</strong>. Tradução de Beatriz Sidou. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001, 588 p. </p>
<p>WILSON, David A. <strong>A História do Futuro – O que há de verdade nas mais famosas profecias e previsões</strong>. Tradução de Geni Hirata. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002, 266 p. </p>
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		<title>O acaso</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Aug 2009 00:06:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Estive afastado do blog por mais de um mês porque estava concluindo minha dissertação de mestrado. Agora estou de volta, com planos de publicar um novo <em>post</em> por semana. Muito obrigado pela compreensão. </p>
<p>* * * </p>
<p>Um dos&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estive afastado do blog por mais de um mês porque estava concluindo minha dissertação de mestrado. Agora estou de volta, com planos de publicar um novo <em>post</em> por semana. Muito obrigado pela compreensão. </p>
<p>* * * </p>
<p>Um dos argumentos falaciosos para a existência de Deus é: coisas boas extremamente improváveis acontecem. Portanto, Deus existe. Este argumento ignora o fato de que coisas ruins extremamente improváveis também acontecem. E aí não se louva a Deus. Mas também não se o condena. Resigna-se à sua “vontade misteriosa”. Por que coisas extremamente improváveis acontecem? Porque é tão grande o número de coisas extremamente improváveis possíveis que é inevitável que algumas delas aconteçam. Por exemplo: todas as noites milhões e milhões de pessoas têm sonhos premonitórios. É inevitável que uma fração deles se realize. E aí entra a falácia conhecida como percepção seletiva ou seleção de observações: os poucos acertos são iluminados, os muitos erros permanecem na sombra.</p>
<p>     No livro <em>Não Acredite em Tudo o que Você Pensa – Os 6 Erros Básicos que Cometemos quando Pensamos</em>, Thomas Kida narra uma série de coincidências extremamente improváveis que aconteceram. Em seguida (p. 100), Kida comenta o que narrou:<br />
    <em> Quando pensamos em coincidências tais como as relatadas anteriormente, não devemos pensar em termos de probabilidades de esses eventos específicos acontecerem. Se focalizarmos a possibilidade que havia de meus dois professores se encontrarem em Londres durante as suas férias, talvez cheguemos à conclusão de que a probabilidade de sua ocorrência era baixa demais para resultar apenas do acaso. Mas não devemos pensar sobre tal encontro dessa maneira. Sim, as chances de encontrarmos essa pessoa nas ruas de Londres, a 8.000 km de onde vivemos, são extremamente baixas. No entanto, as chances de encontrarmos alguém que conhecemos, em algum lugar distante, em algum momento de nossas vidas, são muito maiores. Aliás, se pensarmos em milhões e milhões de pessoas que viajam a cada ano, é muito provável que algumas se encontrarão com algum conhecido. </em></p>
<p>     Se duas pessoas férteis se casam com a intenção de ter filhos, é  quase certo que de fato terão filhos. Portanto, o fato de elas terem filhos não é nenhuma improbabilidade. Porém, o fato de um desses filhos ser exatamente você é extremamente improvável. Foi preciso que seus pais fizessem sexo num determinado dia, numa determinada hora, num determinado minuto; que seu pai ejaculasse naquela fração de segundo; que aquele espermatozóide, entre milhões, ganhasse a corrida. Você é uma improbabilidade, filho de duas improbabilidades, neto de quatro improbabilidades e assim por diante. Ninguém deveria se espantar com improbabilidades, porque o mundo é feito basicamente delas, aquelas que ocorrem em meio a um número muitíssimo maior que não ocorre. Não se precisa de Deus nem de forças esotéricas para explicar um mundo feito fundamentalmente de acontecimentos, coisas e seres improváveis, se vistos especificamente, e muito prováveis, se contextualizados.</p>
<p>     Por coincidência, enquanto escrevo este texto na noite do domingo 17 de junho de 2007, vejo uma notícia na Globo News: no Rio de Janeiro, um engenheiro de 53 anos foi morto por uma bala de fuzil disparada a mais de dois quilômetros de distância, enquanto abastecia seu carro num posto de combustíveis. Extremamente improvável que precisamente aquele homem estivesse exatamente na trajetória daquela bala a tamanha distância. Extremamente provável que alguém em algum lugar do Rio de Janeiro esteja em algum momento na trajetória de alguma bala perdida.</p>
<p>     As religiões não costumam conviver bem com a idéia do acaso. Tendem a pensar que Deus ou o Carma ou alguma outra força sobrenatural controla as nossas vidas. Se um determinado turista sueco estava na costa tailandesa no dia 26 de dezembro de 2004 e morreu no tsunami, as religiões não acham que ele estava simplesmente no lugar errado na hora errada. Pensam que ele foi guiado para lá, naquele preciso momento, por Deus, pelo Carma ou por alguma outra força sobrenatural. Como mais de duzentas mil pessoas morreram naquele tsunami, é claríssimo que tal concepção nos transforma a todos em fantoches e marionetes, incapazes de tomar por conta própria a decisão de fazer uma viagem turística.</p>
<p>     Aplicando a Navalha de Occam, tradicional na filosofia, o que é mais simples e coerente? Acreditar que algumas pessoas tomaram a decisão de viajar para o Sudeste da Ásia no final de 2004 porque é isso que algumas pessoas fazem todos os anos (não as mesmas pessoas)? Ou acreditar que milhares de pessoas foram levadas a morrer naquela região por Deus, pelo Carma ou por alguma outra força sobrenatural?</p>
<p>     A existência do acaso derruba qualquer crença de que nosso mundo é  controlado de fora por alguma esfera ou força sobrenatural. Por isso a existência do acaso é rejeitada, explícita ou implicitamente, por quase todas as religiões. </p>
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		<title>É possível provar a inexistência de Deus?</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Mar 2008 20:45:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ausência de provas não é prova de ausência. Nunca se capturou uma fada, um  gnomo, um duende. Mas isto não significa que eles não possam existir. Se não na Terra, pelo menos em outros planetas. Nunca se achou um fóssil de um unicórnio, mas se pode encontrar um (fóssil de unicórnio) a qualquer momento. Unicórnios podem existir em outros planetas. Unicórnios podem facilmente vir a ser produzidos por engenharia genética. Dragões são um caso mais complicado. Um animal que solta fogo pela boca ou pelas ventas sem se queimar gravemente não parece compatível com a vida tal como a conhecemos. Mas quem sabe que tipos de vida pode haver em outros planetas?</p>
<p>A inexistência de um Deus indefinido, sem atributos específicos, não pode ser provada. Mas este não é o caso do Deus cristão: ele tem atributos específicos; a ele são atribuídas características específicas. E não é necessário conhecer o universo inteiro para fazer certas afirmações categóricas sobre determinados objetos com atributos bem definidos. Posso afirmar com  absoluta certeza que não existem nem podem existir, em lugar nenhum, triângulos com mais ou menos do que três lados. Posso afirmar com toda a segurança que não  existe nem pode existir um círculo quadrado.</p>
<p>Isso nos traz ao primeiro dos atributos do Deus cristão que são impossíveis, por autocontraditórios ou contraditórios com outros atributos do  mesmo Deus:</p>
<ol>
<li><strong>Deus não pode ser onipotente.</strong> Ele não pode, por exemplo, criar um  círculo quadrado ou uma esfera cúbica, pois um cubo tem oito vértices e uma esfera não tem nenhum. Ele não pode criar, no mesmo universo, o Recipiente  Invulnerável e o Ácido Universal, pois este corrói todos os recipientes e aquele  resiste a todas as substâncias. A existência de um implica necessariamente na  inexistência do outro. Portanto, o primeiro atributo do Deus cristão, a onipotência, não se  sustenta, o que já torna o Deus cristão impossível logo de saída. Mas vamos  adiante.</li>
<li><strong>O segundo atributo do Deus cristão, a onisciência, é incompatível com o primeiro, a onipotência.</strong> Se Deus sabe exatamente o que vai acontecer em cada  recanto da Terra em 21 de dezembro de 2012, ele não pode mais alterar tais  acontecimentos, pois, se o fizesse, sua pré-ciência estaria errada.</li>
<li>Cito Chad Docterman (<a href="http://www.ateus.net/" title="Ateus.net" rel="external">www.ateus.net</a>): &#8220;O que Deus fez  durante aquela eternidade anterior à criação de todas as coisas? Se Deus era tudo que existia naquele tempo, o que perturbou o equilíbrio eterno e o induziu  à criação? Estava entediado? Estava solitário? Deus supostamente é perfeito, Se  algo é perfeito, este algo é completo &#8211; não precisa de nenhuma outra coisa. Nós,  humanos, nos engajamos em atividades porque estamos buscando uma perfeição fugidia, pois há um desequilíbrio causado pela diferença entre o que somos e o  que queremos ser. Se Deus é perfeito, então não pode haver desequilíbrio. Não há  nada de que ele necessite, nada que deseje, nada que deva ou irá fazer. Um Deus  que é perfeito não faz nada senão existir. Um criador perfeito é  impossível&#8221;. Ou seja, perfeição e criação são incompatíveis.</li>
<li>Se Deus criou Adão e Eva (ou os primeiros humanos) com livre-arbítrio,  ele não sabia que eles iriam desobedecer-lhe, o que elimina sua onisciência. Se  ele sabia que eles iam desobedecer-lhe, é porque eles não tinham livre-arbítrio. Neste caso, Deus criou homens e mulheres como máquinas de pecar, e o ser humano  é inocente de seus pecados, não tendo necessidade de nenhuma expiação por meio de Cristo e não merecendo condenação nenhuma em outra vida ou em outro plano  (carma, purgatório, inferno, aniquilação: as quatro possibilidades levantadas  por religiões que se dizem cristãs).</li>
<li>Deixemos de lado, por um momento, os erros factuais e históricos, as  lacunas e as contradições da Bíblia. Mesmo fazendo isso, temos de admitir que a  Bíblia é uma coleção de livros que têm dado margem às mais variadas e díspares  interpretações. Um ser perfeito não teria se expressado de modo mais claro, de  modo a evitar tanta discórdia e ter feito valer sua vontade, seja ela qual for?  Não teria inspirado melhor seus escribas e representantes terrenos?</li>
<li>Volto a Chad Docterman (<a href="http://www.ateus.net/" title="Ateus.net" rel="external">www.ateus.net</a>): &#8220;Um Deus que sabe  tudo não pode ter emoções. A Bíblia diz que Deus experimenta todas as emoções  humanas, incluindo ódio, tristeza e felicidade. Nós, humanos, experimentamos  emoções como resultado de um novo conhecimento. Um homem que desconhece a  infidelidade de sua esposa experimentará as emoções de ódio e tristeza apenas  após descobrir o que anteriormente, para ele, estava oculto. Em contraste, o  Deus onisciente não é ignorante em relação a nada. Nada é oculto para ele, nada  novo pode lhe ser revelado. Assim, não há como adquirir um conhecimento ao qual  possa reagir emocionalmente. Nós, humanos, experimentamos ódio e frustração  quando algo está errado e somos impotentes para consertá-lo. O Deus perfeito e  onipotente pode, entretanto, consertar qualquer coisa. Humanos sentem desejo  daquilo que lhes falta. Para o Deus perfeito nada falta. Um Deus onisciente,  onipotente e perfeito que experimenta emoções é impossível&#8221;.</li>
</ol>
<p>Há outros tantos argumentos, mas vou parar por aqui. Estes seis argumentos  parecem-me suficientes para provar que o Deus cristão é impossível. Podem  existir unicórnios, fadas, gnomos e duendes, em algum lugar do universo. O Deus  cristão, porém, não pode existir em parte alguma. É tão impossível quanto uma  esfera cúbica ou um círculo quadrado. Desafio os caros amigos a contestar os  seis argumentos.</p>
<p><strong>P. S.:</strong> Sou agnóstico em relação à idéia de Deus de um modo geral. Entretanto, sou total, completa, inteira e absolutamente ateu em relação ao Deus  hebraico-cristão-muçulmano. A este não dou sequer o benefício da dúvida, como  não dou o benefício da dúvida a um quadrado circular.</p>
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		<title>O texto mais engraçado e genial que já li&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Mar 2008 03:57:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Laura Schlessinger é uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show.</p>
<p>Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levítico 18:22 e não pode ser perdoada em nenhuma circunstância.&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Laura Schlessinger é uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show.</p>
<p>Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levítico 18:22 e não pode ser perdoada em nenhuma circunstância. O texto abaixo é uma carta aberta para Dra Laura, escrita por um cidadão americano e divulgada na Internet.</p>
<blockquote cite="www.ateus.net"><p>&#8220;Cara Dra. Laura, Obrigado por ter feito tanto para educar as pessoas no que diz respeiro à  Lei de Deus. Eu tenho aprendido muito com seu show e tento compartilhar o conhecimento com tantas pessoas quanto posso. Quando alguém tenta defender o  homossexualismo, por exemplo, eu simplesmente lhe lembro de que Levítico 18:22  afirma que isso é uma abominação. Fim do debate.</p>
<p>Eu preciso de sua ajuda, entretanto, no que diz respeito a algumas leis  específicas e como segui-las:</p>
<p>a. Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável para o Senhor (Levítico 1:9). O problema são os meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo matá-los por heresia?</p>
<p>b. Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela?</p>
<p>c. Eu sei que não é permitido ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levítico 15:19-24). O problema é: como eu digo isso a ela? Eu tenho tentado, mas a maioria das mulheres toma isso como ofensa.</p>
<p>d. Levítico 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a mexicanos, mas não a canadenses. Você pode esclarecer isso? Por que  eu não posso possuir canadenses?</p>
<p>e. Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo mesmo?</p>
<p>f. Um amigo meu acha que, mesmo que comer moluscos seja uma abominação  (Levítico 11:10), é uma abominação menor que a homossexualidade. Eu não concordo. Você pode esclarecer esse ponto?</p>
<p>g. Levítico 21:20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se  eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha  visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?</p>
<p>h. A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levítico 19:27. Como eles devem morrer?</p>
<p>i. Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levítico 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (As bolas de  futebol americano são feitas com pele de porco).</p>
<p>j. Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levítico 19:19 plantando dois tipos  diferentes de vegetais no mesmo campo. Sua esposa também viola Levítico 19:19 porque usa roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido (algodão e  poliéster). Ele também tende a xingar e blasfemar muito. É realmente necessário  que eu chame toda a cidade para apedrejá-los (Levítico 24:10-16)? Nós não  poderíamos simplesmente queimá-los em uma cerimônia privada, como deve ser feito  com as pessoas que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levítico 20:14)?</p>
<p>Eu sei que você estudou essas coisas a fundo. Então estou confiante de que  possa ajudar. Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna  e imutável. Seu discípulo e fã ardoroso.&#8221;</p>
</blockquote>
<p>Fonte: <a href="http://www.ateus.net/" title="Link externo para Ateus.net" rel="external">www.ateus.net</a></p>
<p>Fonte do site acima mencionado: Sociedade da Terra Redonda.</p>
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		<title>Marx e a religião – II</title>
		<link>http://multiplosuniversos.com.br/site/archives/marx-e-a-religiao-%e2%80%93-ii</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Dec 2004 18:05:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<category><![CDATA[visão marxista de religião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="timestexto">Começo este artigo por onde terminei                  o anterior: citando a síntese, escrita pelo próprio                  Marx, da visão marxista da religião, que vai muito                  além da simples fórmula “a religião                  é o ópio do povo”. Repito a citação                  como ênfase,&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="timestexto">Começo este artigo por onde terminei                  o anterior: citando a síntese, escrita pelo próprio                  Marx, da visão marxista da religião, que vai muito                  além da simples fórmula “a religião                  é o ópio do povo”. Repito a citação                  como ênfase, e também para beneficiar aqueles leitores                  que não leram o texto anterior. Eis a religião,                  segundo Marx:</p>
<p class="timestexto"><em>&#8230; A religião é o suspiro                  da criatura oprimida, o sentimento de um mundo sem coração,                  a alma de uma realidade sem alma. É o ópio do povo.<br />
Abolir a religião, como a felicidade ilusória dos                  homens, é procurar sua felicidade real. O clamor para que                  abandonem as ilusões sobre sua condição é                  uma convocação para que abandonem uma condição                  que precisa de ilusões.</em></p>
<p class="timestexto">Como eu disse no outro artigo, a magistral                  formulação de Marx capta apenas metade do problema,                  pois mesmo numa sociedade livre, próspera e justa o homem                  permanece um ser mortal consciente de sua mortalidade, o que abre                  amplos espaços para a religião. Marx estava certo                  num ponto, porém: há uma relação direta                  entre os níveis de religiosidade e os níveis de                  opressão social. Vejamos o que diz, por exemplo, um estudo                  resumido pela revista <em>Veja</em>, em sua edição                  de 24 de setembro de 2003:</p>
<p class="timestexto"><em>Um centro de pesquisa americano entrevistou                  cidadãos de 44 países para saber a importância                  da religião na vida deles. Eis o resultado da enquete:</em></p>
<p class="timestexto"><em>Os países pobres mostraram-se mais                  religiosos do que os países ricos.</em></p>
<p class="timestexto"><em>A exceção entre os países                  ricos são os Estados Unidos, onde seis em cada dez americanos                  disseram que a religiosidade é fundamental em sua vida.</em></p>
<p class="timestexto"><em>A população da África                  é a que tem mais fé. No Senegal, 97% responderam                  que a religião é muito importante.</em></p>
<p class="timestexto"><em>Em média, 65% dos latinos </em>[latino-americanos?]<em>                  são muito religiosos. No Brasil, 77% da população                  dá grande importância à religião.</em></p>
<p class="timestexto">A religião só tem prosperado,                  portanto, em sociedades assoladas pela pobreza, pela grande desigualdade,                  pela insegurança social ou por uma pressão descomunal                  sobre o indivíduo. É o que acontece nos Estados                  Unidos, que têm muita pobreza para o seu nível de                  renda, têm uma concentração de renda e riqueza                  muito maior que a do restante do Primeiro Mundo, não têm                  os mecanismos de proteção social que há na                  Europa (é cada um por si) e exercem uma pressão                  colossal sobre cada indivíduo, coagido a ser um <em>winner</em>                  (vencedor) e não um <em>loser</em> (perdedor). Não                  é à toa que os americanos são o povo mais                  pirado do mundo, campeões e recordistas em fenômenos                  como os <em>serial killers</em> (matadores em série) e                  os <em>mass murderers</em> (assassinos em massa). (O matador em                  série mata um ou dois de cada vez; o assassino em massa                  mata várias pessoas num mesmo episódio). Os índices                  de criminalidade e de aprisionamento verificados nos Estados Unidos                  são espantosamente altos se comparados aos do Japão                  e da Alemanha, por exemplo. Se somarmos a isso a tensão                  racial e étnica, veremos que a América de maioria                  anglo-saxônica é um dos países mais opressivos                  do mundo. Daí seus altos índices de religiosidade,                  para os quais também contribui o fato de que o país                  foi fundado por religiosos fundamentalistas.</p>
<p class="timestexto">No outro extremo do Primeiro Mundo, estão                  os países escandinavos, como a Suécia e a Dinamarca.                  São sociedades muito ricas, como a americana, mas têm                  muito menos pobreza e desigualdade que os Estados Unidos, contam                  com mecanismos avançados de proteção social                  e não fazem tanta pressão sobre o indivíduo.                  São, também, países mais relaxados quanto                  aos costumes: “viva e deixe viver”. Seus índices                  de criminalidade e violência são muito baixos, assim                  como seus níveis de religiosidade. De onde se conclui que                  o fervor religioso é típico de sociedades muito                  problemáticas. Nisto, pelo menos, Marx estava certo.</p>
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		<title>Marx e a religião</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2004 18:04:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p class="timestexto"><em>“O zelo pela virtude é abafado                  pela voz tentadora do pecado e se transforma em escárnio,                  assim que sentimos o pleno impacto da vida. A luta pelo entendimento                  é posta de lado por uma vulgar concupiscência pelos                  bens terrenos.</em>&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="timestexto"><em>“O zelo pela virtude é abafado                  pela voz tentadora do pecado e se transforma em escárnio,                  assim que sentimos o pleno impacto da vida. A luta pelo entendimento                  é posta de lado por uma vulgar concupiscência pelos                  bens terrenos.</em></p>
<p class="timestexto"><em>O anseio pela verdade é amortecido                  pela força doce e lisonjeira da mentira. E assim o homem                  permanece como a única criatura, em toda a natureza, que                  não cumpre o seu propósito, o único membro                  do Universo que é indigno do Deus que o fez.</em></p>
<p class="timestexto"><em>Todavia, o gracioso Criador é incapaz                  de odiar a obra de suas mãos. Deseja erguê-la até                  onde Ele mesmo está, e, assim, enviou o seu Filho e agora                  nos chama por meio destas palavras: ‘Vós já                  estais limpos, pela palavra que vos tenho falado; permanecei em                  mim, e eu permanecerei em vós&#8230;’ (João, 15.3,4).</em></p>
<p class="timestexto"><em>E onde Cristo expressa com maior clareza                  a necessidade de união com Ele do que na bela parábola                  da vinha e seus ramos, na qual ele se compara à vinha e                  nos compara com os ramos?</em></p>
<p class="timestexto"><em>Os nossos corações, a razão,                  a história, a Palavra de Deus, tudo nos faz apelos em altas                  vozes, convincentemente, dizendo-nos que a união com Ele                  é absolutamente necessária, que sem Ele seríamos                  rejeitados por Deus; que somente Ele é capaz de nos libertar&#8230;</em></p>
<p class="timestexto"><em>Uma vez que um homem tenha atingido essa                  virtude, essa união com Cristo, esperará calma e                  tranqüilamente os golpes da desventura. Opor-se-á                  bravamente às tempestades da paixão e resistirá                  impavidamente aos rugidos dos iníquos, pois quem poderia                  arrebatá-lo de seu Redentor?”</em></p>
<p class="timestexto">Por incrível que pareça, o autor                  do texto acima é Karl Marx, o pai do materialismo dialético,                  co-autor de <em>O Manifesto Comunista</em>, criador de<em> O Capital</em>.                  O texto citado, que já demonstra o talento literário                  de Marx, foi escrito pelo jovem Karl, ainda adolescente e aluno                  do que hoje chamamos de ensino médio. Cerca de dois anos                  depois de tê-lo escrito, Marx se tornaria ateu, a caminho                  de fundar, junto com Friedrich Engels, toda uma nova maneira de                  ver o mundo. O Marx maduro tinha uma visão muito diferente                  da religião, embora esta visão não se limitasse                  à frieza, à secura e à agressividade da fórmula                  quase universalmente conhecida como a definição                  marxista da religião: “A religião é                  o ópio do povo”. Marx de fato escreveu isto, mas                  o fez num contexto suave e poético, que não vê                  a religião pura e simplesmente como algemas, mas a vê                  como algemas feitas de flores, algemas que, não obstante                  sua beleza, precisam ser quebradas, porque a consciência                  do real é muito mais libertadora, e portanto muito mais                  bonita, do que as ilusões sobre o real. Contemplemos a                  visão marxista da religião, nas talentosas palavras                  do próprio Marx:</p>
<p class="timestexto"><em>&#8230; A religião é o suspiro                  da criatura oprimida, o sentimento de um mundo sem coração,                  a alma de uma realidade sem alma. É o ópio do povo.</em></p>
<p class="timestexto"><em>Abolir a religião, como a felicidade                  ilusória dos homens, é procurar sua felicidade real.                  O clamor para que abandonem as ilusões sobre sua condição                  é uma convocação para que abandonem uma condição                  que precisa de ilusões.</em></p>
<p class="timestexto">Marx não captou toda a essência                  da religião nesse pequeno texto. A condição                  existencial do homem como ser mortal consciente de sua mortalidade                  faz com que a religião tenha algum peso mesmo nas sociedades                  mais livres, prósperas e justas. Todos os estudos, porém,                  estudos que não poderei citar aqui por falta de espaço,                  mostram que a religião tem mais peso nas sociedades mais                  opressivas, o que dá razão a Marx, pelo menos em                  grande parte. De qualquer modo, mesmo não se concordando                  com as teses marxianas, há que se reconhecer e admirar                  o talento com que ele as expôs.</p>
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