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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; velho testamento</title>
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		<title>Contra os judeus, nada. Contra Israel, tudo.</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 02:09:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Contra os judeus como etnia eu não tenho nada. Contra o judaísmo como religião eu tenho o repúdio ao conceito de que há um povo escolhido por Deus. Acho que se Deus existir, e for bom e justo, ele não tem um povo escolhido. Contra o livro sagrado do judaísmo (o Velho Testamento dos cristãos) eu tenho a repulsa aos massacres que são ordenados e abençoados pelo deus Iavé (“passareis no fio da espada tudo aquilo que respire”), como também aos apedrejamentos que ali são ordenados pela mesma divindade (contra, por exemplo, mulheres adúlteras, filhos rebeldes, apóstatas, blasfemadores, idólatras etc.).</p>
<p>Gosto muito de alguns judeus, como Marx, Freud, Woody Allen, Sacha Baron Cohen etc. Os judeus têm dado uma grande contribuição às ciências e às artes, como se pode ver pelo número de judeus ganhadores do Prêmio Nobel.</p>
<p>A mesma simpatia não posso, porém, ter pelo Estado de Israel e por seus defensores, os sionistas. No que se refere a Israel, a sordidez impera. Em primeiro lugar, Israel é um Estado construído sobre terras roubadas há poucas décadas. Segundo, Israel continua roubando terras, por meio das famigeradas colônias judaicas em terras palestinas. Terceiro, Israel discrimina os palestinos, canalizando para as colônias a maior parte dos recursos da região, como água e eletricidade, em detrimento da maioria palestina. Quarto, Israel é um Estado praticante da tortura, que seus defensores chamam, eufemisticamente, de “pressão física”. Quinto, Israel pratica as abomináveis punições coletivas, proibidas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, castigando famílias (com a derrubada de casas, por exemplo) por atos de indivíduos. Sexto, Israel comete massacres contra os palestinos e os libaneses, bombardeando maciçamente populações civis e causando milhares de mortes, mutilações e deformações, inclusive com armas proibidas pela legislação internacional, como o famigerado fósforo branco, capaz de queimar a carne até o osso, arma que Israel usou contra os palestinos da Faixa de Gaza em 2009, tendo sido condenado pela ONU por causa disso e dos ataques em si. Sétimo, Israel construiu um muro não sobre a fronteira com os territórios palestinos ocupados, mas dentro de território palestino, separando famílias e barrando o acesso de palestinos a serviços como hospitais e postos de saúde. Oitavo, Israel tem barrado sistematicamente todas as tentativas de se criar um Estado palestino, privando este sofrido povo de um direito inalienável. Por todos estes motivos e por razões como estas, não se pode deixar de considerar Israel um Estado fascista, nazista, racista, criminoso, assassino, genocida. Uma aberração. E seus defensores defendem cinicamente o indefensável, agindo como uma corja nojenta e uma escória da humanidade.</p>
<p>* * *</p>
<p>Depois de todas as protelações e procrastinações possíveis por parte da Federação Israelita do Estado de São Paulo, meu processo por danos morais e direito de resposta contra a FISESP encontra-se concluso com o juiz para sentença.</p>
<p>* * *</p>
<p>Em represália a meu processo contra a Federação Israelita do Estado de São Paulo, o movimento sionista conseguiu que o Ministério Público da Paraíba representasse contra mim por suposto racismo. Antes houve um inquérito na Polícia Civil de São Paulo, cujo papiloscopista acabou sendo minha principal testemunha de defesa, ao definir oficialmente meus comentários como de caráter antissionista, o que de fato eles são (ao contrário do antissemitismo, o antissionismo não é crime, por ser a oposição a uma ideologia política, o sionismo, e a uma entidade política, o Estado de Israel).</p>
<p>A primeira audiência do processo aconteceu no dia 30 de maio, tendo sido ouvidas duas testemunhas de defesa (não há testemunhas de acusação). A próxima audiência será no dia 30 de agosto, quando será ouvida uma terceira testemunha e eu serei inquirido. Depois, deverá haver algumas perícias requeridas pelo meu advogado. Sentença de primeira instância, provavelmente só em 2012. E aí poderá haver os embargos de declaração, os agravos de instrumento, os recursos, apelações etc. No banco dos réus junto comigo está sentado o Estado de Israel com todas as suas atrocidades merecedoras de repúdio veemente, de repulsa indignada, de indignação manifesta. Estou tranquilo.</p>
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		<title>Por que a narrativa sobre Adão e Eva não pode ser uma alegoria</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 10:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo trata da centralidade da história de Adão e Eva, tomada literalmente, para o cristianismo em todas as suas formas e variações. A ligação direta da figura supostamente redentora de Jesus Cristo com os fundadores da “humanidade decaída”, Eva e Adão, faz com que estes não possam ser dispensados nem alegorizados, transformados em meros símbolos da criação da humanidade por Deus. O artigo trata também dos problemas acarretados para o cristianismo por sua dependência conceitual e estrutural dos personagens de Adão e Eva e de sua história.     </p>
<p>	A primeira das várias contradições da Bíblia vem logo no início, no Gênesis. Há dois relatos da criação, o primeiro em Gn 1 e Gn 2: 1 a 3, e o segundo em Gn 2: 4 a 24. No primeiro relato, Deus – chamado de Elohim – cria todos os animais, inclusive os domésticos, e depois – como ponto culminante da criação – cria ao mesmo tempo o homem e a mulher. No segundo relato, Deus – chamado de Javé – cria Adão, depois cria os animais, um a um, trazendo-lhes a Adão para que ele lhes dê seus respectivos nomes. (Será que Adão, o primeiro zoólogo, deu nome a cada uma das centenas de milhares de espécies de besouros?). Finalmente, para fazer companhia a Adão, Javé cria Eva a partir de uma costela de Adão. No livro <em>Pilares do Tempo</em>, que trata das relações entre ciência e religião, o paleontólogo americano Stephen Jay Gould fala da perplexidade e da incredulidade de muitos cristãos quando ele lhes diz que há dois relatos bem diferentes da Criação no início do Gênesis.  A recomendação de Gould é simples: leiam o Gênesis; leiam e confiram.</p>
<p>	O objetivo deste artigo, entretanto, não é expor contradições da Bíblia nem tratar das quatro fontes do Pentateuco identificadas pelo estudioso alemão Julius Wellhausen no século XIX. O que nos interessa é que após a divergência inicial a história continua. Adão e Eva vivem num jardim paradisíaco, em que nenhuma criatura sofre e nenhuma criatura causa sofrimento a outra. Bem diferente dos jardins atuais, cuja beleza e aparente calma ocultam uma feroz luta pela vida entre insetos e entre insetos e pássaros, entre outros animais. Adão e Eva são advertidos por Deus de que não podem comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A desobediência de ambos (primeiro dela, depois dele) constitui o episódio crucial conhecido no cristianismo como A Queda. A Queda é o primeiro dos três grandes eventos do cristianismo, sendo o segundo a vinda de Jesus Cristo, sua morte e ressurreição, e o terceiro o esperado retorno de Jesus. Para que veio Jesus? Veio para redimir a humanidade. Para redimir a humanidade de quê? Ora, para redimir a humanidade dos efeitos perniciosos justamente d’A Queda. Como se vê, Adão e Eva não podem ser uma mera alegoria que expresse a criação do ser humano por Deus. Ainda se poderia argumentar que eles são uma alegoria da desobediência da humanidade inteira, centenas de milhares de pessoas em tempos primitivos, ao Criador. Se, no entanto, a desobediência tivesse sido cometida por centenas de milhares de pessoas, isto significaria que a humanidade foi criada por Deus como uma máquina de desobedecer e pecar, programada para desobedecer e pecar, sem nenhuma possibilidade de conceber-se algo semelhante ao livre arbítrio. Para que tenha algum sentido como expressão da ruptura do ser humano com Deus, é preciso que A Queda tenha sido um episódio privado, particular, ocorrido na intimidade de um indivíduo ou de um casal. </p>
<p>	Até o século XIX, não se tentava alegorizar o episódio da Queda. Aliás, não se tentava alegorizar parte nenhuma da Bíblia. Desde os seu primórdios até o século XIX, a Bíblia sempre foi vista pelos fiéis como a verdade literal, a palavra literal de Deus. As tentativas de alegorização têm sido uma tentativa de salvar a Bíblia dos avanços irresistíveis da crítica bíblica e do conhecimento cientifico. Se levarmos a sério a história de Adão e Eva, teremos uma humanidade de pouco mais de seis mil anos, tempo estabelecido pelas genealogias do Velho Testamento. Teremos também um mundo em que a ferocidade da luta pela sobrevivência é conseqüência não do processo de evolução pela seleção natural, mas de um ato de dois seres humanos. Sim, pois a acreditar-se na história de Adão e Eva os jardins só se tornaram campos de batalha depois da Queda. É como se vivêssemos num mundo criado pelo homem, e não por Deus. Ou como se Deus tivesse realizado uma segunda criação, esta maligna, por causa da Queda. Para o cristianismo, os animais não-humanos sofrem e fazem sofrer por causa do homem. E tudo isso só será superado com o retorno de Cristo, quando o leão supostamente pastará em mansidão ao lado da ovelha.</p>
<p>	Totalmente incompatível com a ciência moderna, o relato de Adão e Eva e da Queda só pode ser uma alegoria, pensam os cristãos mais esclarecidos. Contudo, como vimos, a alegorização da Queda torna sem sentido o conceito de pecado original e a idéia de redenção por meio de Jesus Cristo. Torna sem sentido a própria figura de Cristo, o que faz desabar, em espetacular implosão, todo o edifício do cristianismo.</p>
<p>	Se depende de uma alegorização insustentável, se depende de uma narrativa frontalmente contrária a tudo aquilo que nos diz a ciência moderna, o cristianismo está filosófica e cientificamente refutado.</p>
<p>* * *</p>
<p>Pós-Escrito: Após o Debate</p>
<p>	Este capítulo da dissertação foi apresentado como artigo no Grupo de Trabalho 3 do I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, realizado na Universidade Federal da Paraíba entre 16 e 18 de julho de 2007. O debate foi breve, devido às limitações de tempo. Mas levantou alguns pontos que requerem esclarecimentos adicionais. Optei por escrever este Pós-Escrito, ao invés de mudar o texto original. Parece-me ser este o caminho mais interessante e informativo para os leitores da dissertação ou do artigo, que têm acesso a toda a gênese dos acréscimos decorrentes do debate. Vejamos alguns pontos levantados, respondidos e aqui desenvolvidos.</p>
<p>1.	Na apresentação oral, eu mesmo tomei a iniciativa de mencionar o Renascimento e o Iluminismo como preliminares aos grandes avanços antibíblicos do século XIX, que forçaram os adeptos da Bíblia a uma série de alegorizações reativas que atravessaram também o século XX. </p>
<p>2.	A mais famosa tentativa de alegorização do Renascimento foi aquela feita por Galileu Galilei, não com o objetivo de salvar a Bíblia, mas com a intenção de salvar literalmente a própria pele, do fogo da Igreja Romana. No geral, o Renascimento, mesmo tirando a habitação do homem do centro do universo e diminuindo o lugar de Deus nas preocupações intelectuais do homem europeu, não bateu de frente com as instituições religiosas, realizando grande parte de seus feitos artísticos em parceria com a Igreja de Roma.</p>
<p>3.	O Iluminismo, mais anticlerical do que antibíblico, representou um forte desafio às instituições eclesiais nos estertores do século XVIII, aquele que terminou, segundo o historiador anglo-austríaco Eric Hobsbawm, em 1789, com a Revolução Francesa. O primeiro livro aberta e sistematicamente ateu, segundo Julian Baggini (p. 78), foi <em>O Sistema da Natureza</em>, do francês Barão d’Holbach, publicado em 1770, apenas dezenove anos antes da Revolução e do início, segundo Hobsbawm, do século XIX, que terminaria em 1914 com a deflagração da I Guerra Mundial (o século XX, por sua vez, iniciado em 1914, teria terminado em 1991, com a queda da União Soviética). Somente no século XIX, as forças religiosas conseguiram articular reações consistentes ao desafio iluminista.</p>
<p>4.	Os desafios a partir do século XIX, de qualquer modo, foram muito mais poderosos. A teoria da evolução pela seleção natural e a descoberta da idade da Terra, particularmente, abalaram as estruturas bíblicas de uma forma que teria sido totalmente impossível para renascentistas e iluministas, pela própria falta de conhecimento. Por isso, além das razões mais acima, privilegiei o século XIX no trabalho apresentado no Simpósio.</p>
<p>5.	Objetou-se que leituras alegorizantes da Bíblia ocorriam na Antiguidade e na Idade Média. Sim. No entanto, tratava-se de outro tipo de alegorização, não aquele a que me refiro, ou seja, as tentativas de manter a validade da Bíblia mesmo diante de sua reconhecida falta de veracidade. A alegorização antiga e medieval foi muito bem definida pelo <em>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</em>, na página 146 de sua primeira edição. <em>Alegoria no sentido teológico</em>: “Método de interpretação das sagradas escrituras usado por teólogos cristãos antigos e medievais, em que se almejava a descoberta de significações morais, doutrinárias, normativas etc., ocultas sob o texto literal”. Isto é, a alegorização antiga e medieval, diferentemente da alegorização moderna e contemporânea, não buscava <em>substituir</em> a leitura literal por uma leitura figurada, mas tão-somente <em>complementar</em> a leitura literal, extraindo dela suas implicações morais, doutrinárias e normativas. De fato, até o século XIX praticamente nenhum intérprete cristão – romano, ortodoxo ou protestante – duvidava da veracidade do relato da Queda. O que eles faziam era <em>extrair</em> do episódio da Queda uma série de normas, doutrinas e ensinamentos morais. Bem diferente, repito, do que se faz hoje em dia. Nesta dissertação, eu me refiro a <em>alegorização da Bíblia</em> no sentido moderno e contemporâneo.</p>
<p>6.	Objetou-se, ainda, que a ciência não pode julgar a religião, por serem modos diferentes e complementares de conhecimento humano. Na verdade, como demonstro em outras passagens desta dissertação, tanto a ciência quanto a religião fazem afirmações sobre a realidade. E fazem afirmações que não se conciliam. Por isso, são magistérios rivais, e não complementares. E a ciência é superior, por basear-se em evidências, não em dogmas, e por fundamentar-se no pensamento racional – argumentativo e demonstrativo, sujeito a contestações e revisões –, não na fé inquestionável.</p>
<p>7.	No final do debate, afirmou-se que a teoria da evolução pela seleção natural não está provada, o que já demonstramos não ser verdade. Não apenas a teoria da evolução está provada, como é incompatível com qualquer forma de teísmo, conforme argumentamos no Capítulo 2 desta dissertação.</p>
<p>8.	Não houve, antes do século XIX, nenhum crítico bíblico do porte de Julius Wellhausen, o alemão que descobriu as quatro fontes do Pentateuco, demonstrando que os cinco primeiros livros do Velho Testamento não foram escritos por Moisés, como se pensava até então e como a grande maioria dos cristãos e judeus pensa ainda hoje. Ressalte-se que no Novo Testamento Jesus presume que o Pentateuco foi escrito por Moisés, como em Marcos 7:10.</p>
<p>9.	No livro <em>Pelos Caminhos da Bíblia – Uma Viagem através do Antigo Testamento</em>, o jornalista americano (judeu) Bruce Feiler (pp. 118-9) afirma: “Em 1800, a Bíblia era vista em quase todo o mundo como a verdadeira e indiscutível palavra de Deus. O Pentateuco, em especial, teria sido escrito por Moisés; os episódios, historicamente exatos; seu teor, divino. No decorrer do século 19, essa perspectiva passou por uma análise incessante e minuciosa”. Feiler arremata que vários estudiosos europeus e americanos fizeram a Bíblia descer das alturas intocáveis em que se encontrava e inseriram-na com firmeza na História. Tudo isto ocorreu, ressalte-se, a partir do século XIX.</p>
<p>10.	 No livro The <em>Twilight of Atheism – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World</em>, Alister McGrath, professor de teologia histórica na Universidade de Oxford, afirma na p. 15: “Embora o período tenha testemunhado algumas críticas significativas às idéias fundamentais do cristianismo, o século 18 não viu uma grande erosão da fé”. Na p. 98, McGrath põe o dedo na ferida: “Não há dúvida de que a teoria da evolução de Charles Darwin levou a morna crise da fé na Inglaterra vitoriana a explodir em chamas”.</p>
<p>11.	Autor de <em>Natural Theology</em> (1802), o reverendo William Paley mostrou como os mecanismos da natureza são complexos e como era necessário que Deus os tivesse projetado tais como são. Paley comparou órgãos como o olho humano a um relógio: assim como um relógio pressupõe um relojoeiro, um olho pressupõe Deus. Ou seja, as espécies teriam sido criadas prontas, teriam sido criadas tais como são, exatamente como afirma o Gênesis. McGrath demonstra (p. 100) que na primeira metade do século XIX Paley era leitura obrigatória para os alunos de graduação da Universidade de Cambridge, inclusive os de biologia.</p>
<p>12.	Ressalte-se: o Gênesis não diz simplesmente que Deus criou a vida, mas que ele criou as espécies tais como elas são. Somente com a publicação de <em>A Origem das Espécies</em>, em 1859, alguns religiosos passaram a enxergar a necessidade de transformar o Livro do Gênesis numa alegoria da criação da vida (e não mais das espécies) por Deus. A alegorização do Gênesis é pois, como deixei claro, uma reação desesperada e tardia.</p>
<p>13.	Objetou-se, por fim, que o conceito de livre arbítrio, por mim mencionado, é problemático. Claro que é. Mas a punição de Adão e Eva por Deus, punição extensiva a toda a Criação, pressupõe que eles tiveram liberdade de escolha. Caso contrário, teriam sido criados por Deus como máquinas de desobedecer e pecar, teriam feito o que foram programados para fazer, e sua punição não teria nenhum sentido, literal ou alegórico.    </p>
<p>14.	As teses centrais do capítulo ou artigo, a de que a narrativa da Queda não pode ser uma alegoria e a de que sua necessária literalidade derruba intelectualmente o cristianismo, passaram pelo debate sem arranhões. Mesmo assim, estes pontos adicionais deixam evidente a importante contribuição do Simpósio para este texto, que está hoje muito mais rico do que se não tivesse sido apresentado e debatido no I Simpósio Internacional em Ciências das Religiões, promovido pelo PPGCR da UFPB.</p>
<p>Referências</p>
<p>BAGGINI, Julian. <strong>Atheism</strong> – A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2003, 116 páginas.</p>
<p><strong>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa</strong>.  Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001,  2.922 páginas.</p>
<p>FEILER, Bruce. <strong>Pelos caminhos da Bíblia </strong>– Uma viagem através do Antigo Testamento. Tradução de Maria Luiza Newlands Silveira e Fernanda Rangel de Paiva Abreu. Rio de Janeiro: Sextante, 2002, 499 páginas.</p>
<p>GONDIM, Gilson Marques. <strong>Da Bíblia aos múltiplos universos</strong> – Velhas e novas visões da eternidade. Osasco: Novo Século, 2005, 248 páginas.</p>
<p>GOULD, Stephen Jay. <strong>Pilares do tempo</strong> – Ciência e religião na plenitude da vida. Tradução de F. Rangel. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, 185 páginas.</p>
<p>HOBSBAWM, Eric. <strong>Era dos extremos</strong> – O breve século XX (1914-1991). Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, 598 páginas.</p>
<p>McGRATH, Alister. <strong>The Twilight of Atheism</strong> – The Rise and Fall of Disbelief in the Modern World. Londres: Rider, 2004, 306 páginas.</p>
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		<pubDate>Thu, 27 Mar 2008 03:57:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p>Laura Schlessinger é uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show.</p>
<p>Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levítico 18:22 e não pode ser perdoada em nenhuma circunstância.&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Laura Schlessinger é uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show.</p>
<p>Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levítico 18:22 e não pode ser perdoada em nenhuma circunstância. O texto abaixo é uma carta aberta para Dra Laura, escrita por um cidadão americano e divulgada na Internet.</p>
<blockquote cite="www.ateus.net"><p>&#8220;Cara Dra. Laura, Obrigado por ter feito tanto para educar as pessoas no que diz respeiro à  Lei de Deus. Eu tenho aprendido muito com seu show e tento compartilhar o conhecimento com tantas pessoas quanto posso. Quando alguém tenta defender o  homossexualismo, por exemplo, eu simplesmente lhe lembro de que Levítico 18:22  afirma que isso é uma abominação. Fim do debate.</p>
<p>Eu preciso de sua ajuda, entretanto, no que diz respeito a algumas leis  específicas e como segui-las:</p>
<p>a. Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável para o Senhor (Levítico 1:9). O problema são os meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo matá-los por heresia?</p>
<p>b. Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela?</p>
<p>c. Eu sei que não é permitido ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levítico 15:19-24). O problema é: como eu digo isso a ela? Eu tenho tentado, mas a maioria das mulheres toma isso como ofensa.</p>
<p>d. Levítico 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a mexicanos, mas não a canadenses. Você pode esclarecer isso? Por que  eu não posso possuir canadenses?</p>
<p>e. Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo mesmo?</p>
<p>f. Um amigo meu acha que, mesmo que comer moluscos seja uma abominação  (Levítico 11:10), é uma abominação menor que a homossexualidade. Eu não concordo. Você pode esclarecer esse ponto?</p>
<p>g. Levítico 21:20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se  eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha  visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?</p>
<p>h. A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levítico 19:27. Como eles devem morrer?</p>
<p>i. Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levítico 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (As bolas de  futebol americano são feitas com pele de porco).</p>
<p>j. Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levítico 19:19 plantando dois tipos  diferentes de vegetais no mesmo campo. Sua esposa também viola Levítico 19:19 porque usa roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido (algodão e  poliéster). Ele também tende a xingar e blasfemar muito. É realmente necessário  que eu chame toda a cidade para apedrejá-los (Levítico 24:10-16)? Nós não  poderíamos simplesmente queimá-los em uma cerimônia privada, como deve ser feito  com as pessoas que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levítico 20:14)?</p>
<p>Eu sei que você estudou essas coisas a fundo. Então estou confiante de que  possa ajudar. Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna  e imutável. Seu discípulo e fã ardoroso.&#8221;</p>
</blockquote>
<p>Fonte: <a href="http://www.ateus.net/" title="Link externo para Ateus.net" rel="external">www.ateus.net</a></p>
<p>Fonte do site acima mencionado: Sociedade da Terra Redonda.</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 63</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Dec 2007 09:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Contradições da bíblia]]></category>
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		<category><![CDATA[Davi]]></category>
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		<category><![CDATA[evangelho]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus]]></category>
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		<description><![CDATA[<h2>O falso descendente de Davi</h2>
<p>No início de seu evangelho, <em>Mateus</em> – tentando provar que Jesus era descendente de Davi, como o Velho Testamento diz que o Messias seria – traça uma genealogia de Davi até&#8230; José.</p>
<p>Ora, José não&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>O falso descendente de Davi</h2>
<p>No início de seu evangelho, <em>Mateus</em> – tentando provar que Jesus era descendente de Davi, como o Velho Testamento diz que o Messias seria – traça uma genealogia de Davi até&#8230; José.</p>
<p>Ora, José não era o pai de Jesus. Logo, este não era descendente de Davi. Portanto, Jesus não pode ser o Messias profetizado pelo Velho Testamento.</p>
<p>E o cristianismo se evapora para quem tem um mínimo de senso crítico.</p>
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		<title>Contradições da Bíblia &#8211; Contradição nº 6</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jul 2007 09:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Contradições da bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Juízes 4:11]]></category>
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		<category><![CDATA[velho testamento]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><em>Números</em> x <em>Juízes</em></p>
<p>Em <em>Números</em> 10:29, Hobabe é cunhado de Moisés.</p>
<p>Em <em>Juízes</em> 4:11, ele é sogro do mesmo profeta.</p>
<p>O sogro de Moisés, como se vê, tem três nomes no Velho Testamento.</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Números</em> x <em>Juízes</em></p>
<p>Em <em>Números</em> 10:29, Hobabe é cunhado de Moisés.</p>
<p>Em <em>Juízes</em> 4:11, ele é sogro do mesmo profeta.</p>
<p>O sogro de Moisés, como se vê, tem três nomes no Velho Testamento.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O “Misericordioso”</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Oct 2006 09:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Deuteronômio]]></category>
		<category><![CDATA[velho testamento]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Você sempre ouviu que o Deus da Bíblia (inclusive do Velho Testamento) é bom, justo, amoroso, misericordioso&#8230; Mas será que você já ouviu ou leu a passagem bíblica que eu citarei a seguir? Deuteronômio 20, 10-18:</p>
<p>“Quando te aproximares de&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você sempre ouviu que o Deus da Bíblia (inclusive do Velho Testamento) é bom, justo, amoroso, misericordioso&#8230; Mas será que você já ouviu ou leu a passagem bíblica que eu citarei a seguir? Deuteronômio 20, 10-18:</p>
<p>“Quando te aproximares de algumas cidade para pelejar contra ela, oferecer-lhe-ás a paz.</p>
<p>Se a sua resposta é de paz, e te abrir as portas, todo o povo que nela se achar será sujeito a trabalhos forçados e te servirá.</p>
<p>Porém, se ela não fizer paz contigo, mas te fizer guerra, então a sitiarás.</p>
<p>E o Senhor, teu Deus, a dará na tua mão; e todos os do sexo masculino que houver nela passarás a fio de espada.</p>
<p>Mas as mulheres, e as crianças, e os animais, e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e desfrutarás o despojo dos inimigos que o Senhor, teu Deus, te deu.</p>
<p>Assim farás a todas as cidades que estiverem mui longe de ti, que não forem as cidades destes povos.</p>
<p>Porém, das cidades destas nações que o Senhor, teu Deus, te dá em herança, não deixarás com vida tudo o que tem fôlego.</p>
<p>Antes, como te ordenou o Senhor, teu Deus, destruí-las-ás totalmente: os heteus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuzeus.</p>
<p>Para que não vos ensinem a fazer segundo todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, pois pecaríeis contra o Senhor, vosso Deus.”</p>
<p>Tendo feito a citação a partir da Bíblia com Letra Gigante da SBB (Sociedade Bíblica do Brasil), fiquei curioso em saber como uma Bíblia de estudos, que traz comentários sobre cada trecho, comentaria (e justificaria) essa passagem sangrenta do Deuteronômio. Recorri à Bíblia de Estudo Plenitude, também da SBB, e me surpreendi com a secura do comentário:</p>
<p>“20. 1-20. Este capítulo, junto com 21. 10-14, 23. 9-14, 25. 17-19, fornece instruções significativas sobre a conduta em guerras santas. Israel está conquistando a Terra Prometida; a presença de Deus ao seu lado lhe dará a garantia da vitória, mas será mantida apenas mediante a obediência às suas normas.”</p>
<p>Como se vê, nenhuma tentativa de justificar o injustificável. Ressalte-se que nenhum dos seis povos destinados à aniquilação jamais fizera nada contra os israelitas. A esta altura, é necessário fazer uma comparação entre o genocídio do Deuteronômio e aquele praticado pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. Ambos envolveram pilhagem, saques, escravidão e trabalhos forçados, assim como a aniquilação de povos inteiros e uma intolerância total contra diferenças étnicas. Uma condenação válida do genocídio nazista requer uma condenação igualmente rigorosa dos massacres bíblicos. Caso contrário, estaremos usando dois pesos e duas medidas. Este é apenas um dos inúmeros textos problemáticos da Bíblia. Se a ler com a mente aberta, você encontrará muitos outros.</p>
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