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	<title>Múltiplos Universos - Blog do Gilson Gondim &#187; Zeus</title>
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	<description>O Múltiplos Universos é o site do Gilson Gondim, que escreve sobre diversos assuntos polêmicos relacionados à Bíblia, contradições da Bíblia, Israel, política, eleições americanas, judeus, sionismo e assuntos diversos.</description>
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		<title>O direito de blasfemar</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2006 18:32:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilson Gondim</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p class="timestexto">“Temos o direito de criticar, negar,                  satirizar o profeta Maomé e Alá e Jesus Cristo e                  Shiva e Buda e Xangô e Jeová e Zeus – e toda                  a imensa fileira de deuses e deusas que a humanidade criou&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="timestexto">“Temos o direito de criticar, negar,                  satirizar o profeta Maomé e Alá e Jesus Cristo e                  Shiva e Buda e Xangô e Jeová e Zeus – e toda                  a imensa fileira de deuses e deusas que a humanidade criou e criará.”                  Foi o que escreveu o colunista André Petry, da revista                  Veja, na edição do último sábado.                  Concordo plenamente. A religião convive muito mal com a                  liberdade de expressão. A religião é absolutista                  por natureza, enquanto a liberdade de expressão depende                  de uma certa dose de relativismo. No Ocidente – depois do                  Renascimento, do Iluminismo, de Marx, Darwin e Freud, da Revolução                  Científica, da Revolução Industrial etc.                  –, os religiosos não têm mais o poder de impedir,                  de um modo geral, a liberdade de expressão, embora tentem                  muito e consigam fazê-lo em alguns casos. O Islã,                  no entanto, não teve Renascimento nem Iluminismo nem Marx,                  Darwin e Freud nem Revolução Científica ou                  Revolução Industrial. O absolutismo de Alá                  e Maomé não consegue conviver pacificamente com                  a liberdade de expressão, não consegue entender                  e aceitar que grande parte da realidade é subjetiva e,                  portanto, relativa.</p>
<p class="timestexto">Há um mundo lá fora, sem dúvida.                  Um mundo real. Mas há também os significados que                  atribuímos a esse mundo e a seus aspectos e detalhes. E                  os significados são subjetivos. Não há, por                  exemplo, objetos objetivamente sagrados. Se um grupo de algumas                  pessoas atribui um caráter sagrado a uma determinada cadeira,                  por exemplo, aquela cadeira será sagrada. Para eles. Não                  o será para o resto da humanidade. A cadeira em si não                  é sagrada. Seu caráter sagrado está na mente                  de cada um de seus cultores. Alá em si não é                  sagrado, se é que ele existe. Jesus Cristo em si não                  é sagrado, se é que ele existe. Shiva só                  é sagrado na cultura hindu. Os muçulmanos e os judeus                  não comem carne de porco, porque o porco é espiritualmente                  impuro. Para eles. Não para os cristãos, hindus,                  xintoístas etc. Já os hindus não comem carne                  bovina, pelo motivo contrário. Para eles o boi e a vaca                  são sublimes. Onde está a sublimidade bovina? Na                  cultura hindu, evidentemente. Na mentalidade dos hindus, em sua                  subjetividade, do mesmo modo que a impureza espiritual do porco                  está nas culturas islâmica e judaica. O caráter                  sublime, sagrado ou impuro é um significado que se atribui.                  Não faz parte da realidade lá fora. É uma                  construção mental. Muçulmanos querem esfolar                  um punhado de chargistas por causa de algo que está na                  cabeça deles. Dos muçulmanos, não dos chargistas.</p>
<p class="timestexto">É tabu para os muçulmanos reproduzir                  a imagem de Maomé. O próprio Maomé proibiu.                  Não queria que acontecesse com ele o que aconteceu com                  Jesus, que acabou divinizado pelos cristãos. Para o islamismo,                  Deus é único e uno, não há aquela                  história de Santíssima Trindade, que eles consideram                  pura idolatria. Para os muçulmanos, os cristãos                  cometem um pecado gravíssimo ao adorar Jesus Cristo como                  Deus. Para evitar adoração a Maomé, os muçulmanos                  não aceitam a reprodução de sua imagem. O                  mais interessante nisso tudo, porém, é que o tabu                  em relação à imagem de Maomé acaba                  sendo uma forma de sacralizá-lo, de adorá-lo. Os                  católicos adoram Cristo reproduzindo sua suposta imagem;                  os muçulmanos adoram Maomé cultivando um tabu em                  torno da imagem dele. Um cartaz mostrado por muçulmanos                  radicados na Áustria dizia: “Nós vivemos para                  Maomé; nós morremos por Maomé”. Deveriam                  dizer que vivem e morrem por Alá e para Alá. Sem                  perceber, estão cometendo o que eles próprios consideram                  o grave pecado da idolatria.</p>
<p class="timestexto">Dito tudo isso, é preciso reconhecer                  que a revolta dos muçulmanos contra o Ocidente, ao contrário                  do que a revista Veja nos quer fazer acreditar, não é                  apenas cultural e religiosa. Eles têm queixas muito justas                  contra o sistema ocidental de poder, como a opressão dos                  palestinos por Israel com respaldo americano, a invasão                  do Iraque, a ocupação do Afeganistão, o domínio                  americano sobre as monarquias da península arábica                  e assim por diante. Por maior que seja o nosso repúdio                  ao atraso mental do mundo islâmico, não devemos nos                  esquecer disto.</p>
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