Um vice para o candidatíssimo Serra

A insistência dos políticos e articulistas lulo-petistas sobre uma possível desistência de José Serra da sua candidatura a Presidente indica o seguinte: Serra é um candidato fortíssimo e dá medo aos situacionistas.

Quais os indícios de uma possível desistência de Serra? Nenhum, zero, nada. O presidenciável lulista Ciro Gomes aposta que Serra desiste. Mas Serra não transferiu o título de eleitor de São Paulo para o Ceará com vistas a ser candidato a governador na terra de Padim Ciço. Quem deu indícios fortes de uma possível desistência foi Ciro, ao transferir o título de eleitor do Ceará para São Paulo. No entanto, especula-se sobre a desistência de Serra. Nenhuma moeda sofreu no Brasil o ataque especulativo que a candidatura de Serra vem sofrendo. Quem apostar na moeda podre da desistência de Serra vai ficar no vermelho.

Como a especulação acima referida não vale nada, vamos a uma especulação pertinente: o vice de José Serra.

A chapa café com leite, Serra-Aécio, seria ótima. Mas Aécio não quer. Então não empurra, deixa pra lá. Se Aécio fosse candidato a vice estaria abrindo caminho para uma fortíssima candidatura a Presidente, lá na frente, em 2014 ou 2018. Mas ele não quer, então, deixa pra lá, em Minas Gerais, para sempre.

Os leitores já terão notado que minha análise não é isenta, eu torço por José Serra. Devo avisar, no entanto, que ele não é meu candidato; não no primeiro turno. Primeiro, voto em Marina Silva. Todavia, minha prioridade é derrotar o lulo-petismo, que considero uma praga. Ora, tudo indica que teremos uma eleição presidencial em dois turnos, muito provavelmente entre José Serra e Dilma Rousseff. Logo, muito provavelmente, Serra será também meu candidato. Daí que me sinto à vontade para dar pitaco. Eleitor tem direito a dar pitaco.

Se o PMDB fosse o velho PMDB de guerra, teríamos uma chapa ideal café com açúcar, ou seja, José Serra e Jarbas Vasconcelos. Não sendo possível o ideal, vamos para as opções boas. Antes, devo dizer aos leitores de “Múltiplos Universos” que vários membros da direção nacional tucana lêem este portal. Daí a esperança de que levem em conta meus pitacos. Opção A: aquele que deveria ter sido o candidato a vice em 2006, bravo político nordestino, senador José Agripino. Opção B: o ex-governador da Bahia, Paulo Souto, que poderia trazer o apoio do peemedebista esperto e competente Geddel Veira Lima. Opção C: a intrépida senadora do Tocantins, Kátia Abreu, aquela que não tem medo da patrulha lulo-petista, fortaleceria o tênue favoritismo de Serra na região Norte.

Finalmente, não temos opção D, mas temos opção M: Marina Silva. Diogo Mainardi, que detesta o lulo-petismo tanto quanto eu, já cantou esta pedra. Com José Serra e Marina Silva teríamos uma chapa escancaradamente progressista, ecológica e sustentável contra uma chapa (Dilma com Temer, Meireles ou Lobão) escancaradamente regressista, poluidora e insustentável. Vou contar um segredo pra vocês: o projeto dilmista-lulo-petista-bolivariano é um atalho para o atraso. Duvidam? Mirem-se no exemplo da Venezuela de Hugo Chávez, amigo e cabo eleitoral internacional da Dilma.