Vejam o que escrevi em 31 de janeiro…

Considero o candidato republicano definido: é John McCain, 71 anos (72 na época da eleição), senador pelo Arizona, prisioneiro de guerra no Vietnã durante cinco anos. É o pior candidato para os democratas, pois tem bom trânsito no eleitorado de centro. Ele está 1,8 ponto percentual à frente de Hillary Clinton na média das projeções para novembro. Está 1,5 à frente de Barack Obama na mesma média. McCain pode ser derrotado pela crise econômica que vai tomando forma nos Estados Unidos de Bush. Mas a eleição tem tudo para ser mais uma vez muito apertada, decidida talvez por pequena diferença de votos num único estado. Quem é melhor para enfrentar McCain, Hillary ou Obama?

Ele tem menor taxa de rejeição, parece ter mais apelo fora do Partido Democrático e pode usar contra McCain o discurso da mudança, da esperança e da renovação, que parece estar sensibilizando a maior parte do eleitorado americano este ano. Obama tem 46 anos, está em Washington há apenas dois anos, como senador, e é “negro” (na verdade, mestiço), mas não usa o discurso racial. Já Hillary é considerada arrogante por muita gente e é vista, justa ou injustamente, como o caminho para a terceira presidência Clinton.

Outra questão é quem ganhará a indicação do Partido Democrático. Na média das pesquisas, Hillary está 9,1 pontos à frente. Mas o terceiro colocado, o ex-senador John Edwards, desistiu da disputa e tudo indica que apoiará Obama. Ele tinha, em média, 13,5% das preferências. A indicação democrata poderá ser decidida na Super Tuesday (Superterça, 5 de fevereiro) ou poderá ir além, se a Superterça for equilibrada.

Mais um fator a ser considerado é a possibilidade de uma terceira candidatura com alguma força. Pode ser a do deputado republicano Ron Paul, do Texas, ou a do prefeito independente de Nova York, o bilionário Michael Bloomberg. Ambas são consideradas fatais para o candidato republicano, mas não se sabe, a esta altura, se uma delas se tornará concreta.

Teremos tempos interessantes pela frente. [Ênfases acrescentadas]

Há um erro factual no texto acima: em janeiro de 2008, Obama era senador havia três anos, e não dois anos. De lá para cá, ele já completou 47 anos. Quanto às previsões e especulações:

  1. McCain de fato ganhou a candidatura do Partido Republicano.
  2. A eleição de fato se tornou muito difícil para os democratas, por causa da fama de “maverick” (independente) que McCain construiu ao longo da longa carreira.
  3. De fato, o discurso de mudança, renovação e esperança de Obama está sendo vital.
  4. De fato, a crise econômica que ia tomando forma, como escrevi, explodiu antes da eleição (thank God!) e vai derrotar McCain.
  5. Realmente, as primárias democratas não foram decididas na Superterça (5 de fevereiro), que foi, de fato, muito equilibrada.
  6. A saída de John Edwards realmente beneficiou Obama, mas seu apoio pessoal não pesou, porque veio quando Obama já estava, na prática, com as primárias no bolso.
  7. Uma terceira candidatura forte não se materializou.
  8. Por causa da implosão econômica dos Estados Unidos, a eleição não será tão apertada como parecia em janeiro que ia ser.
  9. Os tempos estão pra lá de interessantes. Estão interessantíssimos.