Viva Zapata! Ou as ditaduras de merda
Detido por alegação de “desordem” e “desacato”, um operário passa cerca de sete anos sendo jogado de um cárcere para outro. Durante todo esse tempo é brutalmente maltratado. Como último recurso de resistência, entra em greve de fome e morre após 85 dias.
Foi isso na ditadura fascista de Mussolini ou na ditadura nazista de Hitler? Quem sabe, na ditadura de Pinochet ou na ditadura militar brasileira? Não, não se trata de um crime do século passado recontado em roteiro para filme. É um crime de hoje. Foi perpetrado pela ditadura comunista dos irmãos Castro, em Cuba. O operário morreu em 23/02/2010, dia de mais uma visita do presidente Lula aos amigos Fidel e Raúl.
O herói e mártir da liberdade Orlando Zapata Tamayo era pedreiro de ofício, 42 anos, ativista dos direitos humanos. Preso em 2003. Em Cuba, são muitos os presos políticos, chamados pela Anistia Internacional de “prisioneiros de consciência”.
A esquerda idolatra outro Zapata, o Emiliano; revolucionário mexicano esplendidamente interpretado por Marlon Brando no célebre filme “Viva Zapata!”, de Elia Kazan. O que dirá a esquerda sobre o Zapata cubano? Sua luta não merece registro? Seu martírio não merece pranto?
O comportamento do presidente Lula neste episódio, lá em Cuba, foi deplorável, de chorar mesmo. Enquanto pôde, silenciou; instado a falar, desandou. Ao ser questionado sobre uma carta de presos políticos, foi grosseiro: “Se eles já são dissidentes de Cuba e, agora, querem ser dissidentes do Lula, não tem problema nenhum. As pessoas precisam parar com o hábito de fazerem carta, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros”. E ainda reclamou porque a carta não havia sido devidamente protocolada. Com o operário mártir Zapata Tamayo, o operário presidente Lula da Silva foi pérfido: “Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”. Se eu entendi, Lula da Silva tentou jogar a culpa da morte de Zapata Tamayo no próprio Zapata Tamayo. Se não entendi, um lulista especialista poderia me explicar.
A mãe do mártir, Reina Luisa Tamayo Danger, indignada, revoltada, inconformada, disse que o filho foi assassinado: “Quisera falar de frente com eles para dizer-lhes: cínicos, descarados, mataram meu filho”. Esta mulher corajosa disse mais: “Meu filho foi torturado durante todo o tempo em que esteve na prisão”. Eu acredito nela e não em Raúl Castro, que negou a prática de tortura nos cárceres de Cuba.
Quando eu era adolescente, no levante estudantil de 1968, subia nos muros ou em qualquer palanque e chamava a ditadura militar brasileira de “ditadura de merda”. Porém, tinha no horizonte outra ditadura, a “ditadura do proletariado”, que abriria as portas para o paraíso terrestre. Passados os anos, excogitei que este credo marxista-leninista consiste em uma epidemia de imbecilidade específica por vírus mutante; doença difícil de curar, mas não impossível, sendo a observação dos fatos o remédio mais eficaz. O assassinato de Orlando Zapata Tamayo comprova, pela enésima vez: toda ditadura, de esquerda ou de direita, dos militares ou “do proletariado”; é tudo ditadura de merda. Em Cuba, no Brasil ou na Puta que Pariu!



Olá! Meu nome é 



Gilson
em 2 de março de 2010
Washington Alves da Rocha, WAR, é bacharel, licenciado e mestre em filosofia. Um dos intelectuais mais brilhantes da Paraíba, honrará o nosso site com dois artigos por semana até o 2º turno das eleições 2010. Temos diferenças. Ele é Vasco, eu sou Flamengo. Ele é pró-Israel, eu sou contra. Ele é cristão, eu sou ateu. Mas temos um grande respeito um pelo outro. E uma fraterna amizade.
Caríssimo WAR, seja muito bem-vindo a Múltiplos Universos.
[Responder]
Diogo Arruda
em 2 de março de 2010
E começou muito bem!
Parabéns!
[Responder]
Prof. Dr. Franco.
em 2 de março de 2010
Parabéns ao novo articulista do blog. São válidas as reflexões propostas. Para comentar, remonto ao caso de Honduras, em que Zelaya descumpriu explicitamente a Constituição do país, no que reza o artigo 239: “Nenhum cidadão que tenha ocupado o cargo de chefe do executivo poderá ser presidente ou vice-presidente”. Esse artigo é definitivo (cláusula pétrea), sendo quem violá-lo (ou tentar, como Zelaya) será imediatamente destituído de suas funções publicas. Zelaya é o golpista, segundo a Constituição de Honduras. Os dissolutos “progressistas”, termo este ultimo reiteradamente conferido aos mandatários pseudo-democráticos da América Latina, tais como Chaves, Morales, Correa, Ortega e até mesmo Lula, que apóiam ditaduras escancaradas e se dizem os bastiões do sistema democrático, apoiaram Zelaya peremptoriamente, sem pestanejarem. Estes nada mais são ditadores periféricos, que governam seus países centralizadoramente, com o uso de um verniz democrático para maquiar o viés autoritário de seus governos. Ressalta-se a Venezuela, aonde Chaves persegue impiedosamente a oposição, como no caso do prefeito de Caracas, do ex-prefeito de Chicao e da imprensa. Mais um arquétipo de ditadura, a Cuba de Fidel Castro, ídolo dos “progressistas”, que assassinou milhares de cubanos nos “paredones” e nos “gulags” do país caribenho. Vale contribuir com a indicação, o livro do Armando Valadares (Contra Toda a Esperança), que ele descreve os seus 22 anos no “Gulag das Américas”, sua prisão e as torturas sofridas. No pobre Brasil, com um Supremo controlado, um Congresso comprado, como poderá um país deste sair do caos político? Social? Econômico? Educacional? Mesmo com as propagandas oficiais dizendo o contrário, o Brasil vai de mal a pior!
[Responder]
Alceu
em 2 de março de 2010
Cuba até parece a República Islamica do Irã!
[Responder]